O Chamado de Abraão

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Gênesis 12.1-20.
Agora estamos começando a segunda parte de Gênesis, com aquele que chamamos o pai da fé. Abraão, esse é o primeiro que chamamos de patriarca, são pelo menos quatro chamados assim, Abraão, Isaque, Jacó e José.
Estes personagens viveram na região da Europa, África e Ásia.
Nosso texto começa com Deus falando a Abrão. Deus é o primeiro a falar para que algo aconteça, e é exatamente isso que percebemos aqui, Deus novamente vem ao encontro do homem, e este dessa vez se chama Abrão.
Se nos capítulos 1 a 11 temos a história universal do mundo, agora, o autor que é Moisés vai focar especificamente nos relatos acerca de um povo específico, isto é, a nação/povo escolhido por Deus.
Aqui começa com esse homem no Antigo Testamento que foi chamado por Deus, e foi chamado não apenas para ser abençoado, mas para ser “uma bênção”.
V.1-9
Esse homem foi Abraão. Certo dia ele recebeu uma visita de Deus. Aquela visita mudou a vida dele e o mundo, aquela visita mudou a minha vida e talvez a sua, é sobre isso que vamos falar, sobre o chamado de Abraão.
O texto começa com Deus vindo até Abraão e revolucionou a vida desse homem através de um chamado para uma Aliança que transformaria Abraão num peregrino, mas, acima de tudo, num homem de fé e de grandes realizações. Daquele encontro em diante, Abraão nunca mais foi o mesmo. Ele se tornou o primeiro de uma grande nação.
Mas, não apenas isso, Abraão se tornou um modelo e uma inspiração para milhões de pessoas. Com Abraão Deus continuou sua rotina abençoada de escolher um homem para uma missão especial, revelando-se a ele, resgatando-o e introduzindo-o no seu pacto/aliança.
E assim como Deus havia feito aliança com Adão, e renovou essa aliança com Noé, agora, Ele renova novamente, mas, dessa vez é com Abraão.
Esse homem como foi citado, recebe na Bíblia o título de “pai da fé” (Rm 4.11)
E isso porque como diz o versículo 1, ele recebeu a seguinte promessa e ordem de Deus: “Sai da tua terra, da tua parentela e da casa de teu pai e vai para a terra que te mostrarei; de ti farei uma grande nação, e te abençoarei, e te engrandecerei o nome. Sê tu uma bênção! Abençoarei os que te abençoarem e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem; em ti serão benditas todas as famílias da terra” (Gn 12.1-3).
Abraão é o modelo de vida abençoada por excelência. Só a ele foi dito “sê tu uma bênção!”. Por isso os judeus tinham um ditado no qual diziam “tomara sejamos abençoados como Abraão”.
Mas, o que significava ter uma vida abençoada?
Vida abençoada significa muito mais do que receber alguns benefícios esporádicos de Deus, como uma cura, um emprego, um casamento ou mesmo um momento de êxtase, ou de contemplação da glória de Deus.
Mesmo a bênção de ter filhos, que é, sem dúvida alguma, considerada uma grande bênção à luz do Antigo Testamento, não resume o significado de “vida abençoada”.
Mas, o verdadeiro significado de vida abençoada é viver cada um de nossos dias debaixo da bênção de Deus, experimentando o padrão da Aliança divina e transformando toda a vida para a glória de Deus.
Mas, para continuarmos, é bom relembrarmos o contexto que Abraão é chamado.
O contexto é o da Torre de Babel, os reis de Babel queria glória para si mesmos, queriam engradecer o seu próprio nome, serem assim conhecidos como grandes e poderosos.
Deus não permitiu isso, pelo contrário, Deus concedeu isso tudo não a esses reis de Babel, mas, a Abraão de forma gratuita. Deus resolveu conceder a um homem que Ele próprio escolheu, não foi Abraão que escolheu ser abençoado, mas foi Deus quem resolveu abençoá-lo, este que era um descendente de Sem a quem ele havia abençoado: seu nome era Abraão.
‌Então, algo importante deve ser frisado aqui, em Abraão não é feita uma nova aliança. Mas, é a mesma Aliança que é renovada. O simples fato de Deus chamar Abraão já indica que está agindo de acordo com planos anteriormente Ele mesmo havia estabelecido, Ele está trabalhando a partir de uma obra já iniciada. No linguajar bíblico, Deus está apenas se “lembrando de suas promessas”.
O aspecto soberano pode ser visto pela chamada a Abraão, em que Deus simplesmente exigiu obediência do seu servo. Deus não está fazendo uma Aliança com Abraão, ele está simplesmente retomando, de forma unilateral, a Aliança com Adão, que foi renovada com Noé. Abraão é o próximo degrau nessa escada divina que descerá até Belém e ao Calvário. Porém, devemos considerar juntamente com Abraão seu filho Isaque e seu neto Jacó. De certa forma, eles participam de tudo o que Abraão participou, chegando a passar por situações semelhantes. Do mesmo modo que Deus escolheu e chamou Abraão, também escolheu e chamou Isaque e Jacó.
Deus chama Abraão quando ele ainda morava em Ur dos Caldeus onde eles adoravam a outros deuses, eram idolatras.
Josué 24.2 “Então, Josué disse a todo o povo: Assim diz o Senhor, Deus de Israel: Antigamente, vossos pais, Tera, pai de Abraão e de Naor, habitaram dalém do Eufrates e serviram a outros deuses.”
Note, Deus o chama, sem ter nada que lhe atraísse ou agradasse a Deus.
E a palavra de Deus aqui usada para chamar Abraão é a mesma que Ele usou para trazer existência a criação, e agora através de Abraão Ele trará a existência uma nação, um povo escolhido.
Atos dos Apóstolos 7.2–4 : “Estêvão respondeu: Varões irmãos e pais, ouvi. O Deus da glória apareceu a Abraão, nosso pai, quando estava na Mesopotâmia, antes de habitar em Harã, e lhe disse: Sai da tua terra e da tua parentela e vem para a terra que eu te mostrarei. Então, saiu da terra dos caldeus e foi habitar em Harã. E dali, com a morte de seu pai, Deus o trouxe para esta terra em que vós agora habitais.”
Então, Abraão é chamado quando estava na Mesopotâmia, especificamente em Ur dos caldeus, na região sul, e vai para Harã, a região norte da Mesopotâmia.
Deus então ordena que Abraão rompa com sua idolatria, por isso ele deveria deixar a casa de seu pai.
E assim, não somente Abraão, mas Ló, seu sobrinho. Abraão foi tirado de sua terra e de sua religião idolatra. Enquanto que seu pai continuou adorando aos deuses caldeus.
Mas, é interessante que Abraão vai, e mesmo sem saber como, como, onde e porque, ele obedece, e isso ele faz por fé.
Diz o texto que Abraão tinha 75 anos (versículo 4)
Deus o chama, e isso apesar de sua idade. E só morreu aos 175 anos, mas, veja, este homem de fé não olhou a velhice como obstáculo, mas como uma oportunidade de terminar sua vida servindo na presença de Deus.
Resumindo essa primeira parte: Deus fez uma aliança maravilhosa com Abrão mesmo sem ver nada nele e ele vai mesmo com sua idade avançada e Deus lhe prometeu: uma terra (Canaã); uma grande nação (o povo judeu); prosperidade material e espiritual para Abrão e seus descendentes; um grande nome para Abrão e sua descendência; transformar os descendentes de Abrão em canal de bênção para os outros; bênçãos para os amigos de Israel, mas maldição para os inimigos; todas as famílias da terra seriam benditas em Abrão, fato que apontava para o Senhor Jesus Cristo, descendente de Abrão. E assim, em Jesus cumpriu-se, pois, aqueles que creem em Jesus Cristo, estes são filhos de Abraão.
Gálatas 3.7: “Sabei, pois, que os da fé é que são filhos de Abraão.”
Gálatas 3.9: “De modo que os da fé são abençoados com o crente Abraão.”
Se você é crente em Jesus, então, você é abençoado como Abraão.
De modo que os verdadeiros filhos de Deus não são os que tem o sangue de Abraão em suas veias, mas, aqueles que tem a mesma fé de Abraão em seu coração.
Abrão obedeceu (v.4)
Abraão leva com ele a sua esposa e seu sobrinho que havia perdido o pai e ficou órfão. Eles partiram para a terra que Deus havia prometido e ali chegaram. (v.5)
Mas, ali já havia um povo morando, e eram os cananeus. (v.6) Abraão se deparou com mais um obstáculo, e porque mais um? Porque o primeiro era a infertilidade de sua mulher para gerar uma grande nação e segundo era o povo inimigo (cananeus)
Deus apareceu a Abraão e lhe disse: Darei à tua descendência esta terra. Assim, depois disso, Abraão edificou um altar ao Senhor.
A palavra descendência no original Hebraico está no singular.
Gálatas 3.16 “Ora, as promessas foram feitas a Abraão e ao seu descendente. Não diz: E aos descendentes, como se falando de muitos, porém como de um só: E ao teu descendente, que é Cristo.”
Esse altar ao Senhor é a resposta de Abraão a promessa que Deus acabou de lhe fazer.
Depois, ele vai para um monte ao oriente de Betel, e ali armou sua tenda e ficou ali mesmo em Betel. E ali Abraão invoca o nome do Senhor. E também um ato de consagração a Deus, Abraão consagrando ao Senhor a terra prometida.
Note, as únicas estruturas que Abraão deixou para trás foram altares de adoração a Deus. (v.9)
Assim, Abraão vai para o Neguebe. (É um vale que no período de chuvas inunda, como diz o Salmo 126)
Ele vai andando e armando suas tendas, e ali ele ia cultuando a Deus onde quer que ele armava as tendas.
Assim, Deus estava mostrando a Abraão que aquela era a terra, e ele iria andando e conhecendo o que Deus o havia prometido.
V.10-20
A fé de Abraão é provada, por causa da fome que atingiu a região, e Abraão deixou aquele lugar prometido por Deus e fugiu para o Egito. E isso trouxe problemas para Abraão.
Eles, em vez de permanecerem em Canaã e confiarem em Deus, des­ceram ao Egito, provavelmente por sugestão de Ló (veja 13:10). O Egito simboliza o mundo, a vida de auto­confiança; Canaã retrata a vida de fé e de vitória. O Egito era irrigado pelo lamacento rio Nilo; Canaã recebia as chuvas frescas de Deus (Dt 11:10-12). Abraão abandonou sua tenda e seu altar e confiou no mun­do!
Assim, Abraão vai, e no caminho O pai da fé teme, e ele começou a alimentar um medo obsessivo de que Faraó o matasse, capturasse Sarai, sua formosa esposa, e a levasse como uma de suas mulheres. Com isso em mente, Abrão convenceu Sarai a mentir e dizer que era sua irmã. É verdade que Sarai era meia-irmã de Abrão (20.12), mas ainda assim era uma mentira com propósito de enganar.
O plano deu certo para Abrão (que foi recompensado generosamente), mas não funcionou para Sarai (que, no fim, teve de se juntar ao harém de Faraó), nem para Faraó (ele e toda a sua casa sofreram grandes pragas).
Este descobriu o engano e agiu de modo mais justo que Abrão. Após reprovar a atitude do patriarca, mandou-o de volta para Canaã.
Esse incidente chama atenção para o fato de que não devemos travar batalhas espirituais empunhando armas carnais, que os fins não justificam os meios e que é impossível pecar sem sofrer consequências.
Deus não abandonou Abrão. Contudo, permitiu que sofresse as consequências de seu pecado. Ele foi humilhado publicamente e expulso em desonra.
A palavra “Faraó” não é um nome próprio, mas um título, assim como rei, imperador, presidente etc.
Por fim, concluímos que até o pai da fé não teve fé na provação. Nossa fé é vacilante. E precisamos ficar vigilantes, pois, somos homens e mulheres que a qualquer momento podemos cair.
Aplicações:
Abençoados pela graça.
Assim como Abraão, nós não somos abençoados porque merecemos, mas porque Deus agiu com graça, com favor sobre nós, e isso apesar de nós.
Obediência pela fé
Abrão devia deixar três coisas — sua terra, sua parentela e a casa de [seu] pai. E tudo isso é justamente os elementos mais fundamentais que proporcionam segurança. Deus não especifica para onde ele deve ir, mas lhe diz que seu destino será a herança reservada pelo Senhor para ele. Abrão não precisava temer nem ficar ansioso quanto a seu destino, pois a presença do Senhor o acompanharia. Apenas obedeça, e deixe que a fé irá te sustentar.
Caminhamos para um lar
Deus disse que tinha um lugar para Abraão. Deus iria mostrar esse lugar para ele, mas ele precisava segui-lo até aquele lugar, sem se desviar, aguentando o que estivesse pelo caminho. Não é sem razão que a vida de Abraão é uma espécie de “grande jornada”. A existência humana pode ser interpretada em termos de uma jornada, mas uma jornada em busca de quê? Podemos dizer que “a vida humana não é apenas vida na estrada, mas também vida em busca de um lar” (Os Guinness, 2001, p. 119). Acima de tudo, os cristãos são pessoas com o “pé na estrada” rumo ao seu definitivo lar.
Continue confiando na promessa
Somos chamados a caminhar confiantes em Jesus, aquele que está conosco todos os dias.
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