O Grande Dia Do Senhor
Notes
Transcript
A Volta De Cristo
A Volta De Cristo
Introdução
Marcos: O Evangelho dos Milagres (Capítulo 38: O Drama de Jesus em Jerusalém (Mc 12.1–44))
(Mc 12.1–44)
Três verdades podem ser apresentadas na introdução desse assunto:
Em primeiro lugar, as oportunidades podem ser perdidas para sempre. Israel foi escolhido por Deus para desempenhar um papel importante na História: ser luz para as nações. Contudo, esse povo desobedeceu a Deus, perseguiu os seus profetas, rejeitou a mensagem e perdeu sua oportunidade. Jesus conta essa parábola para revelar aos líderes aonde seus pecados iriam conduzi-los. Eles já tinham permitido que João Batista fosse morto, mas em breve, eles mesmos iriam clamar pela morte do Filho de Deus.
Em segundo lugar, a religião pode transformar-se num sistema corrompido. Os líderes religiosos, em vez de promoverem a verdadeira adoração a Deus, transformaram a estrutura religiosa num esquema para buscarem o lucro. O templo perdeu seu sentido. O culto foi secularizado. Os rituais sagrados foram esvaziados e o povo afastado de Deus.
Em terceiro lugar, os homens jamais podem frustrar os planos de Deus. Israel fracassou no seu propósito, mas Deus não. Ele escolheu para si um povo, procedente de todas as nações para adorar o seu nome e proclamar sua Palavra até os confins da terra.
Uma parábola de Jesus sobre o amor rejeitado (12.1–12)
Essa parábola, contada por Jesus, tem algumas lições solenes:
Em primeiro lugar, o privilégio de Israel, o povo amado de Deus (12.1). Depois de entrar no templo (11.11), purificá-lo (11.15) e discutir a questão da autoridade no templo (11.27), a parábola da vinha também gira em torno dele, pois, de acordo com os escritores antigos, como Josefo e Tácito, havia por sobre o pórtico do santuário herodiano uma grande videira dourada. O Talmude também aplicava o ramo da videira ao templo de Jerusalém. Portanto, os endereçados são os representantes do templo.
Israel é a vinha de Deus. Ele chamou esse povo não porque era o mais numeroso, mas por causa do seu amor incondicional. Deus cercou Israel com seu cuidado: libertou, sustentou, guiou e o abençoou. Deus plantou essa vinha. Cercou-a com uma sebe. Construiu nela um lagar. Colocou uma torre. Toda a estrutura estava pronta. Nada ficou por fazer. Tudo Deus fez pelo seu povo.
John Charles Ryle diz que Deus deu a Israel suas boas leis e ordenanças. Enviou-o a uma boa terra. Expulsou dela as sete nações. Deus passou por alto os grandes impérios e demonstrou seu profundo amor a esse pequeno povo. Nenhuma família debaixo do céu recebeu tantos privilégios quanto a família de Abraão (Am 3.2). De igual forma, Deus tem revelado a nós também o seu amor sendo nós pecadores. Nada merecemos de Deus e ainda assim, ele demonstra a nós sua imensa bondade e misericórdia.
Em segundo lugar, Deus tem direito de buscar frutos na vida do seu povo (12.2). A graça nos responsabiliza. Deus esperava frutos de Israel. Mas Israel tornou-se uma videira brava (Is 5.1–7). Servo após servo veio a Israel procurando frutos e foi despedido vazio. Profeta após profeta foi enviado a eles, mas em vão. Milagre após milagre foi operado entre eles sem nenhum resultado. Israel só tinha folhas e não frutos (11.12–14). Deus nos escolheu em Cristo para darmos frutos (Jo 15.8).
Em terceiro lugar, a rejeição contínua e deliberada do amor de Deus (12.3–8). Ao longo dos séculos, Deus mandou seus profetas para falar à nação de Israel, mas eles rejeitaram a mensagem, perseguiram e mataram os mensageiros (2Cr 36.16). Quanto mais Deus demonstrava a eles seu amor, mais o povo se afastava de Deus e endurecia a sua cerviz. Finalmente, Deus enviou o seu Filho, mas eles não o receberam (Jo 1.12). Estavam prestes a matar o Filho enviado pelo Pai. Os ouvintes de Jesus, ao mesmo tempo em que ouviam essa parábola, estavam urdindo um plano para matarem o Filho de Deus.
Em quarto lugar, o juízo de Deus aos que rejeitam seu amor (12.9–11). Deus pune os rebeldes e passa a vinha a outros. A oportunidade de Israel cessa e aos gentios é aberta a porta da graça. Israel rejeitou o tempo da sua visitação. Rejeitou aquele que poderia resgatá-lo. A Pedra era um conhecido símbolo do Messias (Êx 17.6; Dn 2.34; Zc 4.7; Rm 9.32,33; 1Co 10.4; 1Pe 2.6–8). Jesus anunciou um duplo veredicto: eles não apenas tinham rejeitado o Filho, mas também tinham rejeitado a Pedra. Só lhes restava então o julgamento. Dewey Mulholland afirma que se corretamente entendida, essa passagem os ajudaria a reconhecer que o Filho, rejeitado pelas autoridades do Templo, virá a ser a “pedra angular” do novo Templo de Deus. Com essa guinada de ênfase na metáfora, Jesus olha para além de sua morte, para a sua vindicação na ressurreição, e a edificação de uma nova “casa para todas as nações”.868
Em quinto lugar, o endurecimento em vez de quebrantamento (12.12). Os líderes religiosos interpretaram corretamente a parábola de Jesus, mas não se dispuseram a obedecer a Jesus. Ao contrário, endureceram ainda mais o coração e buscaram uma forma de eliminar Jesus. A retirada deles é apenas para buscar novas estratégias para matarem o Messias. John Charles Ryle alerta para o fato de que esse episódio nos ensina que conhecimento e convicção somente não podem nos salvar. É perfeitamente possível saber que estamos errados e ainda assim estarmos obstinadamente agarrados ao nosso pecado e perecer miseravelmente no inferno.
William Hendriksen sintetiza essa parábola, falando sobre três coisas: os preceitos, a paciência e a punição de Deus. Deus nos plantou para darmos fruto. Ele tem sido paciente na busca desses frutos em nossa vida. Se rejeitarmos a sua Palavra e seus mensageiros, seremos, então, julgados inexoravelmente.
