A IDENTIDADE DO VERBO

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Texto: Jo 1. 1-5.
INTRODUÇÃO.
Após dois sermões introdutórios sobre o Evangelho de João, hoje começaremos nossa exposição detalhada deste livro. Comentando com minha esposa, mencionei que poderíamos passar até cinco meses apenas explorando o prólogo (João 1.1-14). Como o teólogo Leon Morris bem colocou: “Eu gosto da comparação do Evangelho de João com uma piscina em que uma criança pode engatinhar e um elefante pode nadar. Ele é simples e profundo. É acessível tanto para o iniciante quanto para o cristão maduro. Seu apelo é imediato e nunca falha.”
Hoje, iniciaremos com a exposição de João 1.1-5, com o tema: A IDENTIDADE DO VERBO
Vamos explorar como a identidade do Logos é revelada em quatro aspectos:
Na Sua Eternidade (v. 1, 2)
Na Sua Divindade (v. 1)
Na Sua Obra Cósmica (v. 3)
Na Sua Obra Soteriológica (v. 4, 5)
Que Deus nos ajude a compreender e aplicar estas verdades profundas. Vamos começar a explorar como a identidade do Logos é revelada.
I. REVELADA NA SUA ETERNIDADE (v. 1).
1. O Verbo é atemporal (v. 1).
João afirma que o Logos, ou a Palavra, que é Cristo, “ no princípio era”. Ele existia antes do início de todos os tempos e da criação. Enquanto os evangelistas sinóticos começam com a infância de Jesus para relatar Sua obra e ministério, João começa com a eternidade. Quando João diz que “no princípio era”, o texto grego sugere que Ele sempre existiu, não foi criado em algum momento passado ou começou a existir no princípio, como alguns pensam, incluindo o herege Serveto, denunciado por Calvino. A expressão “era” indica que Ele está acima do mundo e de todas as criaturas, e antes de todos os tempos.
Quando Ele veio ao mundo (v. 14), Jesus se submeteu ao princípio do tempo e, durante Sua humilhação, experimentou os efeitos do tempo em Sua vida e corpo santo. No entanto, na eternidade, quando o tempo ainda não existia, Ele já estava lá. Ele não foi formado ou criado juntamente com tudo o que foi criado, nem é o ápice da criação. João revela a singularidade do Verbo, comprovada por Sua oração sacerdotal: “E agora, glorifica-me, ó Pai, contigo mesmo, com a glória que eu tive contigo, antes que o mundo existisse” (Jo 17.5).
Os judeus disseram a Jesus: “És maior do que Abraão, nosso pai, que morreu? Também os profetas morreram. Quem te faz ser?”... Jesus respondeu: “Em verdade, em verdade vos digo que, antes que Abraão existisse, EU SOU” (Jo 8.53–59).
Ilustração: Cronos, na mitologia Grega, é um Titã, filho de Urano (o Céu) e Gaia (a Terra). Ele destronou seu pai Urano com a ajuda de Gaia e tornou-se o governante do universo. No entanto, Cronos temia uma profecia que dizia que seria derrubado por um de seus próprios filhos. Para evitar isso, ele engolia cada filho ao nascer. Cronos é associado ao tempo e ao destino que nos engole, refletindo a inevitabilidade das mudanças no poder e na vida. Contudo, Cronos, que representa o tempo que nos devora (cronômetro, cronologia), não pode devorar o Filho de Deus! Ele é atemporal. Ele venceu Cronos e o destronou!
2. O Verbo estava no início de tudo com Deus (v. 2).
Este versículo não é uma mera repetição do verso 1, mas enfatiza a personalidade distinta do Verbo. Ele não era apenas antes de todas as coisas, mas também estava com Deus no princípio. No Evangelho de João, veremos o Verbo se encarnando e habitando entre nós. Mas, neste trecho, estamos considerando o Verbo ainda na Eternidade. Como declara HDL: “O Evangelho de João, como uma águia, voa nas alturas excelsas, atingindo os cumes mais altos da revelação bíblica, penetrando pelos umbrais da eternidade e trazendo para o palco da História as verdades mais estonteantes e gloriosas”. Aqui, temos o mistério da Trindade: a Palavra desfruta da mesma natureza e essência que o Pai, ao mesmo tempo em que é distinta do Pai (o que refuta a heresia do unitarismo, que afirma que há apenas uma pessoa em Deus). A ideia no texto grego é que o Logos estava face a face com Deus, revelando uma familiaridade, intimidade e relacionamento perfeito. Quando o texto menciona que Ele estava “no princípio com Deus”, refere-se ao início de tudo em Gênesis 1.1. O melhor texto para ilustrar isso é Provérbios 8.22-31.
Aplicação:
Estamos diante de um grande mistério. Aqui temos duas âncoras contra as heresias sobre Jesus. Ele “era” e “estava”, existindo por si mesmo, sem depender de causas e circunstâncias secundárias, antes de todas as coisas e quando todas as coisas foram criadas, Ele estava lá. Em 325 d.C., em Nicéia, a Igreja se levantou contra a heresia de um bispo chamado Ário, que afirmava que Jesus havia sido criado e não gerado desde a eternidade. O Logos, mesmo antes da esfera do tempo e do tangível, era o nosso Senhor atemporal e continuou sendo. Sobre Jesus, podemos fazer a oração do homem de Deus, Moisés: “Senhor, tu tens sido o nosso refúgio, de geração em geração. Antes que os montes nascessem e se formassem a terra e o mundo, de eternidade a eternidade, tu és Deus” (Sl 90.1,2).
II. REVELADA NA SUA DIVINDADE (v. 1)
Jesus é essencialmente Deus. Para entender essa afirmação, é fundamental examinar o texto grego. Jesus não se tornou Deus em algum momento de Sua vida e ministério, como alegam algumas crenças, como as das Testemunhas de Jeová. Para elas, Jesus é apenas um homem que possui uma qualidade divina. Elas acreditam que Jesus é o filho de Deus, mas não é Deus Todo-Poderoso (“Jeová”). De acordo com sua doutrina, Jesus é uma criação de Deus e, portanto, não compartilha da mesma essência divina do Pai. Para as Testemunhas de Jeová, Jesus foi o primeiro e maior de todas as criações de Deus. Além disso, elas ensinam que Jesus é a mesma pessoa que o Arcanjo Miguel, descrito em Daniel 10.13 e Judas 1.9. Segundo essa crença, Miguel é o líder dos exércitos celestiais e a principal força contra as forças do mal, o que explicaria a autoridade e o papel de Jesus na Bíblia.
Vale ressaltar que Charles Taze Russell, o fundador das Testemunhas de Jeová, se apresentava como um grande conhecedor das línguas gregas, mas suas alegações foram desmascaradas. A versão da Bíblia usada pelas Testemunhas de Jeová foi adquirida de uma seita chamada Cristadelfiana, que já negava a divindade de Cristo.
Aplicação: Chamo a atenção para a verdade expressa neste verso, que revela a essência do Evangelho de João e como nós precisamos combater esse erro das Testemunhas de Jeová. Jesus é Deus. Vamos comparar como nossas versões da Bíblia e a Bíblia usada pelas TJS, “ o “Novo Mundo das Escrituras”, para percebermos o malabarismo que fazem com o intuito de negar que Jesus é Deus.
Nossa Bíblia: "No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus" (Jo 1.1).
Versão das Testemunhas de Jeová: "A Palavra estava no princípio com Deus e era um deus" (Jo 1.1).
Também comparando Romanos 9.5:
Nossa Bíblia: "Deles são os patriarcas, e também deles descende o Cristo, segundo a carne, o qual é sobre todos, Deus bendito para sempre. Amém." (Rm 9.5).
Versão das Testemunhas de Jeová: "A eles pertencem os patriarcas e deles descendeu o Cristo segundo a carne. Deus, que está sobre tudo, seja louvado para sempre. Amém." (Rm 9.5).
E Tito 2.13:
Nossa Bíblia: "Aguardando a bendita esperança e a manifestação da glória do nosso grande Deus e Salvador Jesus Cristo" (Tt 2.13).
Versão das Testemunhas de Jeová: "Aguardando a feliz esperança e a gloriosa manifestação do grande Deus e do nosso Salvador, Jesus Cristo" (Tt 2.13).
Sobre o prólogo de João, as Testemunhas de Jeová argumentam que, quando um substantivo grego não é acompanhado pelo artigo definido, ele pode se referir a qualquer coisa, o que levaria à ideia de que Jesus seria apenas um “deus” e não o Deus verdadeiro. No entanto, na língua grega, quando temos dois substantivos e um está sem o artigo, isso indica que o substantivo com o artigo define a essência do substantivo sem o artigo. Portanto, quando João diz que "o Verbo era Deus", ele está afirmando que Deus é a essência do Logos. João está demonstrando de forma magnífica que Jesus é essencialmente Deus, embora distinto do Pai, possuindo a mesma natureza divina.
III. REVELADO NA SUA OBRA DA CRIAÇÃO(v. 3)
1. Ele fez todas as coisas: “ todas as coisas foram feitas por ele” ( v.3).
Após mencionar a obra eterna e divina do Verbo, João revela Sua obra cósmica. Embora frequentemente os evangélicos se concentrem na obra salvadora de Cristo, é igualmente importante reconhecer Sua obra criadora, que inclui a criação de tudo o que existe no universo (1 Co 8.6, Cl 1.16-17, Hb 1.2, Ap 3.14).
Ilustração: Nossa galáxia, a Via Láctea, tem um diâmetro de aproximadamente 100.000 a 120.000 anos-luz. A galáxia mais próxima é a Galáxia de Andrômeda, que está a cerca de 2,5 milhões de anos-luz de distância. Se utilizássemos uma sonda espacial como a Voyager 1, que viaja a aproximadamente 61.000 km/h, levaríamos cerca de 40 bilhões de anos para alcançar a Galáxia de Andrômeda. Além disso, um estudo de 2016 usando o Telescópio Espacial Hubble sugeriu que o universo observável pode conter cerca de 2 trilhões de galáxias. Cristo criou tudo isso! Olhe ao seu redor e veja a grandiosidade do mundo criado; não há nada que Ele não tenha feito. Quando você está na praia e se depara com o horizonte, sente-se pequeno diante da imensidão da natureza (Sl 139. 9,10). O Senhor que morreu na cruz também criou este universo espetacular e veio para redimir o cosmos. Ele é a Palavra Criadora de Deus (Jo 1.3, Gn 1.3).
2. Ele é a Razão da Existência de Tudo: “ sem ele, nada do que foi feito se fez” (v. 3).
Lembro-me de quando era adolescente, nas aulas de ciências, e a professora falava sobre os movimentos da Terra: a translação e a rotação. A translação é o movimento da Terra ao redor do Sol, enquanto a rotação é o movimento da Terra em torno de seu próprio eixo. Cada giro da Terra em torno de seu eixo leva cerca de 23 horas, 56 minutos, 4 segundos e 9 centésimos. Já a translação leva aproximadamente 365 dias, além de 5 horas, 45 minutos e 46 segundos, para ser completada. Ela mencionava um eixo imaginário que sustentava a Terra, o que sempre me fascinava. Mas o que realmente sustenta a Terra? A ciência oferece suas explicações, mas a Palavra de Deus também responde a essa pergunta – Cristo! (Cl 1.17, Hb 1.3).
Aplicação:
Nós adoramos o Senhor do cosmos! Adoramos aquele que tem poder sobre a natureza. Lembro-me do episódio em que Jesus acalmou a tempestade no mar. Quando Ele ordenou ao vento tempestuoso: “Acalma-te, emudece!”, o vento se acalmou imediatamente. Os discípulos, aterrorizados, perguntaram: “Quem é este que até o vento e o mar lhe obedecem?” (Mc 4.41). Esse poder sobre a criação reforça nossa fé na soberania e no domínio absoluto de Cristo sobre tudo o que existe. ''Não há um centímetro quadrado deste mundo do qual Cristo não possa dizer: é meu''. — Abraham Kuyper.
IV. REVELADA NA SUA OBRA DA SALVAÇÃO (v. 4, 5).
Após mencionar a obra cósmica do Verbo, João passa a falar sobre sua obra soteriológica. A obra da salvação é descrita em termos de “vida” e “luz”.
1. No Logos, está a obra de vida e luz salvadora (v. 4, 5).
Em João 5.26, lemos: “Porque assim como o Pai tem vida em si mesmo, também concedeu ao Filho ter vida em si mesmo.” O Filho nos transmite vida, e essa vida não se refere apenas à nossa existência física, mas também à nossa existência espiritual. Jesus é a própria vida, tanto física quanto espiritual, e João parece ter em mente ambas as dimensões (Jo 14.6). Essa vida é também luz — uma luz que só Jesus pode transmitir (Jo 1.6-7). Essa luz ilumina a todos (Jo 1.9), seja por meio da revelação geral, que está disponível para todos os homens, seja pela iluminação espiritual que salva os corações.
No Evangelho de João, há uma constante oposição entre trevas e luz. A dualidade luz/trevas dominará o restante do evangelho. Trevas em João não é apenas a ausência de luz, mas sim uma escuridão completa (Jo 3.20-21).
Na primeira criação, as trevas cobriam a face do abismo (Gn 1.2), até que Deus disse: “Haja luz” (Gn 1.3), mesmo antes da criação do sol! Na criação espiritual, Jesus veio para desfazer e vencer as trevas (v. 5; 1 Jo 1.5-7).
Aplicação:
Somente Jesus pode dissipar as trevas de um coração incrédulo. Viver sem o Espírito de Deus é viver em completa escuridão. Jesus afirmou: “Eu sou a luz do mundo. Quem me segue não andará nas trevas; pelo contrário, terá a luz da vida” (Jo 8.12).
Imagine uma criança com um brinquedo fluorescente que brilha no escuro. Quando a criança entra em um quarto escuro e acende a luz, o brinquedo absorve a luz. Depois que a luz é apagada, o brinquedo continua a brilhar. No entanto, o brilho do brinquedo não é algo que ele produz por si mesmo; é apenas um reflexo da luz que ele recebeu enquanto estava exposto à fonte de luz. O brinquedo fluorescente parece ter luz própria quando brilha no escuro, mas na realidade, ele não tem luz própria. O brilho que ele emite é simplesmente uma manifestação da luz que foi absorvida e refletida. Sem a fonte de luz original, o brinquedo não brilha.
Da mesma forma, os cristãos são chamados a refletir a luz de Cristo. A vida cristã não se baseia em uma iluminação interna ou uma luz própria, mas na luz de Cristo que ilumina e guia (Mt 5.16). Você e eu conhecemos muitas pessoas que estão em trevas, e o mundo está imerso em trevas. Essas pessoas não sairão das trevas sozinhas, deixadas à própria sorte. Hoje, Deus pode dissipar as trevas de nossos corações.
CONCLUSÃO:
Há pessoas que veem Jesus apenas como mais um grande profeta, um ser iluminado, um homem com características divinas, um moralista, um educador, um revolucionário, ou simplesmente uma das figuras mais influentes da história. No entanto, ao explorarmos a identidade do Logos, descobrimos que Ele é muito mais do que isso. Jesus é Deus. E, como Deus, Ele tem o poder de nos salvar. O Verbo de Deus é o nosso Salvador porque é eterno, divino, o Criador do universo e Aquele que redimiu você, pecador.
Se você está respirando neste momento, é porque Ele está sustentando você agora. Não perca nenhuma oportunidade de adorá-Lo, de se render a Ele, de expressar o quanto você está fascinado pela Sua obra e O ama por quem Ele é e pelo que fez.
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