Vida cristã em comunidade
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3 Porque, pela graça que me foi dada, digo a cada um dentre vós que não pense de si mesmo além do que convém; antes, pense com moderação, segundo a medida da fé que Deus repartiu a cada um. 4 Porque assim como num só corpo temos muitos membros, mas nem todos os membros têm a mesma função, 5 assim também nós, conquanto muitos, somos um só corpo em Cristo e membros uns dos outros, 6 tendo, porém, diferentes dons segundo a graça que nos foi dada: se profecia, seja segundo a proporção da fé; 7 se ministério, dediquemo-nos ao ministério; ou o que ensina esmere-se no fazê-lo; 8 ou o que exorta faça-o com dedicação; o que contribui, com liberalidade; o que preside, com diligência; quem exerce misericórdia, com alegria.
Intro: Quando você tenta falar de Jesus para alguém, quando você tenta evangelizar alguém, uma das objeções mais comuns são as falhas da igreja. Pode ser que a pessoa questione a existência de Deus. Ou que ela levante o problema do mal. Ou mesmo que ela aponte algum grave defeito seu. Mas qual a objeção mais comum? A igreja.
"Ah, sei lá, eu até gosto de Jesus... mas a igreja.... nela há muitos defeitos. Lá tem muita fofoca. Muita briga por espaço. Pouco amor." E pode ser que parte dessas críticas seja apenas uma desculpa esfarrapada para não obedecer a Deus (afinal, há pecado fora da igreja também, e aquele que fala também não é perfeito). Mas pode ser que haja alguma verdade.
Nós vimos em Romanos 12.1-2 que o cristão deve viver à luz do evangelho, uma vida consagrada a Deus que se desenvolve a partir de uma mente transformada. E onde primeiro essa transformação deveria se manifestar? Na igreja.
Imagine uma comunidade composta por pessoas que estão sendo renovadas à imagem de Cristo. Um povo cuja vida é oferecida em sacrifício a Deus. E esse povo se reúne para adorar esse mesmo Deus e ouvir a sua Palavra, para ouvir novamente as suas promessas e ser capacitado a servi-lo no dia a dia. Isso deve ser uma maravilha!
Quando a igreja reflete o evangelho, ela é realmente cativante. Ela é um lugar onde você deseja estar. Contudo, ter uma igreja assim é um desafio. Pois na igreja temos pessoas que ainda não estão prontas, temos pedras a serem lapidadas, temos pecadores em remissão. Há pecado. Há conflitos, atritos. Estamos aprendendo. E por isso muitas vezes falhamos em refletir o evangelho em nossa vida comunitária.
Então o primeiro lugar onde devemos viver as implicações do evangelho é na igreja. O tema que eu quero trabalhar com você hoje é este: viva em comunidade.
Viva em comunidade tendo um conceito equilibrado de si mesmo (v. 3)
Viva em comunidade tendo um conceito equilibrado de si mesmo (v. 3)
Em primeiro lugar, viva em comunidade tendo um conceito equilibrado de si mesmo. É impossível a vida em comunidade se nos consideramos autossuficientes. É inviável a vida em comunidade quando nos consideramos superiores aos demais. Antes de vivermos em comunidade, precisamos de um conceito adequado de nós mesmos.
Paulo começa com um "porque", indicando que o apelo que fará vem para explicar, ou mesmo detalhar, a necessidade de transformação da mente. A primeira transformação é uma visão adequada de si mesmo.
Paulo faz o seu apelo "pela graça que lhe foi dada". Isto é, pelo seu apostolado. Ele tem a autoridade de um apóstolo, comparável a dos profetas. Mas tal autoridade não lhe é intrínseca ou obtida por mérito, mas concedida pela graça. Assim, ele antecipa o tema que trará, a respeito dos dons espirituais e os papéis no corpo de Cristo.
Paulo fala com autoridade. Essa autoridade não provém de si mesmo, mas de Deus. Mas deve ser respeitada, não por causa de quem Paulo é, mas por causa daquele que lhe deu autoridade.
O seu apelo consiste que o cristão tenha uma visão não elevada, mas adequada de si mesmo (v. 3b). O apelo de Paulo é a "cada um dentre vós", isto é, deve ser considerado individualmente. Começa de cada indivíduo o pensamento e a atitude necessária para a vida comunitária saudável. Cada um não deve pensar de si mesmo além do que convém. Literalmente, além do que é devido, do que é adequado.
Isso contraria a ideia muito propagada de que nós devemos buscar ter uma elevada auto-estima. Existe uma ideia que tem sido propagada nas últimas décadas, que é a de que as pessoas precisam amar a si mesmas. Até mesmo o segundo mandamento que Cristo nos deixou, "amar o próximo como a ti mesmo", alguns o interpretam como se fossem dois mandamentos, dizendo que você deve primeiro amar a si mesmo para depois amar o próximo. Mas, na verdade, Jesus já está partindo do pressuposto de que nós amamos a nós mesmos.
O ser humano ama demais a si mesmo. Ele sempre se alimenta e cuida de suas próprias necessidades, além de buscar o que é melhor para si. Isso é amor. Mesmo aqueles que vivem em autocomiseração só vivem assim porque pensam demais em si mesmos. Talvez você conheça alguém que seja triste porque diz assim "ninguém me ama, ninguém me valoriza". Mesmo essa pessoa, que aparentemente tem "baixa-estima", ela só está triste porque ela não recebe o amor ou a valorização que pensa que deveria merecer. Até mesmo sua "baixa-estima" provém, na verdade, de um exacerbado amor próprio. Nós já amamos demais a nós mesmos.
Aplicação: A vida em comunidade torna-se impossível entre pessoas que se amam demais. Pessoas deixam de congregar porque se consideram superiores àquelas que estão na igreja. Ou porque não se sentem valorizadas na igreja. Pessoas deixam de perdoar porque se consideram superiores a seus ofensores. Pessoas deixam de servir porque consideram o seu tempo valioso demais para gastar com seus irmãos.
Aplicação: Além disso, muitos problemas internos na igreja aconteceem pela visão exacerbada de si mesmo Há quem se considere indispensável na igreja. Hà quem considere seus dons e talentos como sendo mais importantes que os dos demais. A visão que Paulo nos apresenta é bem diferente disso. Paulo, ainda que apóstolo, falando com uma autoridade que lhe foi concedida pelo próprio Cristo, refere a isso como uma graça que lhe foi concedida por Deus. Assim, nenhum de nós deve se orgulhar se está numa posição de maior notoriedade ou se exerce dons e serviços que são mais visíveis. Pelo contrário, devemos olhar para nós mesmos à luz do evangelho: nada temos a oferecer, senão aquilo que provém do próprio Deus.
Se o cristão não deve pensar em si mesmo além do que convém, como ele deve pensar? Ele deve ter uma visão de si mesmo baseada num critério. Ele deve pensar com "moderação", isto é, de modo racional e criterioso, conforme o vocábulo grego.
O critério que o cristão deve olhar para si mesmo é "segundo a medida da fé". O que é essa fé? Poderia ser o dom da fé, que o crente exerce, e segundo esse dom o cristão considerar a si mesmo na medida em que Deus lhe concedeu alguma graça. Ou mesmo o conteúdo dessa fé, aquilo que é crido, isto é, o evangelho.
De qualquer maneira, o cristão deve olhar para si mesmo à luz da graça recebida. Ele não tem nada em si mesmo, a não ser o que recebeu de Deus. Ele não é merecedor de nada, mas recebeu uma graça tremenda. Ele não é nem tão rebaixado (pois é imagem e semelhança de Deus), nem tão elevado (pois nasceu em pecado), mas é alguém que está sendo redimido pela graça, conformado à imagem de Cristo. Essa é uma visão equilibrada, moderada, a respeito de si.
Aplicação: Todos nós éramos pecadores. Todos fomos salvos pela graça. Você não é superior por exercer tarefas que recebem maior notoriedade. Você não é superior porque seus pecados são mais bem ocultos que os do seu irmão. Nada temos, senão aquilo que nos é dado pela graça. Uma visão assim certamente mudará a maneira que vivemos em comunidade.
Viva em comunidade, tendo uma compreensão correta sobre a igreja (v. 4-5)
Viva em comunidade, tendo uma compreensão correta sobre a igreja (v. 4-5)
Em segundo lugar, viva em comunidade, tendo uma compreensão correta sobre a igreja. O cristão, quando salvo, ele passa a fazer parte da igreja. O cristão não é salvo para lutar sozinho neste mundo tenebroso, mas para viver em comunidade, seja ela a igreja invisível de todos os santos, mas também a igreja visível, que se manifesta nas igrejas locais.
Há uma frase que ficou muito conhecida por aí. Alguns gostam de dizer: "eu sou igreja". Muitas vezes usam essa frase para justificar a ideia de não congregar. Contudo, essa frase é um erro tremendo. Igreja significa "assembleia". É o ajuntamento do povo de Deus, a comunhão dos santos. Por definição, igreja é a comunidade dos fiéis. Por isso, não é certo dizer "eu sou igreja". Nós somos a igreja. A igreja está onde esse povo se reúne.
Na eternidade, Deus decidiu formar um povo para si, para a sua glória. O alvo eterno de Deus é esse povo reunido ao redor do trono do Senhor Jesus. A igreja, esse é o alvo de Deus. E é por causa dessa igreja que não devemos ter uma visão muito elevada de nós mesmos.
Paulo nos dá a razão pela qual devemos pensar em nós de maneira adequada. Ele começa o v. 4 com um "porque". Então ele apresenta uma imagem, uma metáfora, pela qual descreve a igreja, e então a aplica à igreja. Paulo usa a imagem do corpo humano para falar da unidade e diversidade de dons na igreja. Ele o faz para explicar a razão pela qual o crente deve ter uma visão não tão alta de si mesmo, pelo uso do "porque" (conjunção gar). Essa metáfora é usada em outros lugares do corpus paulino.
No corpo humano há muitos membros, mas todos "num corpo só". Isto é, cada membro, com sua especificidade, está ligado ao corpo. Mas, ao mesmo tempo, há diversas funções. Cada membro é importante, embora alguns ganhem mais notoriedade que outros. Da mesma maneira, na igreja, cada cristão está ligado a um corpo maior. Sao todos um só corpo em Cristo. E todos são membros uns dos outros, o que significa que ainda que tenham funções diferentes, um precisa do outro.
Ilustração: Vamos considerar mais essa metáfora. A mão faz coisas que o pé é incapaz de fazer. Por exemplo, tocar piano ou violão. Mas a mão é um péssimo meio de locomoção. Sem os pés, as mãos não irão a lugar algum. Eles estão ligados e precisam um do outro. Mas certamente seria bem difícil tocar piano com os pés. Ainda bem que cada um tem o seu papel!
Ilustração: Ou considere a unha do dedo mindinho do pé. Talvez você considere aquela a parte de seu corpo mais sem valor, sem utilidade. Até que você tropeçar e sentir dor naquela região. A dor é tamanha que seu corpo todo reage. Porque ainda que pareça pequena e sem valor, ela está ligada ao corpo e tem seu papel.
Aplicação: Meus irmãos, devemos ter uma compreensão correta da igreja. Primeiro, a respeito da unidade da igreja. A igreja é mais que uma simples associação, mais que um clube. A nossa unidade é orgânica. Estamos unidos a Cristo e, nele, uns aos outros. De modo que estamos ligados uns aos outros. O que acontece com meu irmão me afeta. A minha falta de responsabilidade e diligência certamente trará efeitos sobre toda a igreja.
Ilustração: Isso corrige compreensões erradas que as pessoas têm da igreja. Há quem veja a igreja como sendo um lugar que oferece serviços. A igreja como um lugar onde eu sou cliente, e cada membro é um cliente. Como num restaurante fast-food eu vou, faço meu pedido, pego minha comida e vou embora. Se eu vou ao McDonalds, pouco sei sobre a vida das outras pessoas que estão comendo ali. Se elas estão satisfeitas ou não com o seu lanche, isso pouco me afeta.
Ilustração: Há quem veja a igreja assim, como um fast-food. Vem aos cultos, recebe a sua Palavra e vai embora. Age como se não fosse ligado a seus irmãos. Vive como se a comunhão não importasse.
Vivemos numa era de individualismo. Cada um tem sua filosofia, seu estilo de vida, suas decisões, e ninguém se intromete na vida de ninguém. Contanto que você não prejudique outros, cada um dá conta de sua própria vida. Mas tal visão não faz jus à afirmação de Paulo"somos um só corpo em Cristo e membros uns dos outros". Somos ligados uns aos outros. Nos importamos uns com os outros. Nós "nos metemos" na vida uns dos outros, porque esse é o nosso papel.
Aplicação: Porque dependemos uns dos outros. Nós precisamos uns dos outros. Somos membros uns dos outros. É preciso reconhecer não apenas a unidade, mas também a mutualidade da igreja.
A Bíblia nos dá uma série de mandamentos que chamamos de mandamentos mútuos. No capítulo 12 mesmo, temos uma série deles: "amai-vos cordialmente uns aos outros" (v. 10); "compartilhai as necessidades dos santos" (v. 13); "tende o mesmo sentimento uns para com os outros" (v. 16). Outros mandamentos são: "suportai-vos uns aos outros, perdoai-vos mutuamente" (Cl 3.13); "instrui-vos, aconselhai-vos mutuamente" (Cl 3.16); "exortai-vos mutuamente" (Hb 3.13), dentre outros.
Esses mandamentos só podem ser obedecidos estando em comunhão. Não há como "suportar uns aos outros" sem os outros. Nós precisamos uns dos outros.
Deus não nos deu autossuficiência junto com a salvação. Ele fez as coisas de tal maneira que, uma vez salvos, ainda seremos santificados. E nesse processo de santificação dependemos de outros para nos confrontar, aconselhar, consolar. Ninguém consegue perceber a sujeira no próprio dente se não houver um espelho ou alguém para avisar. Muitas vezes somos cegos para nossos pecados e orgulho. Precisamos de irmãos que nos ajudem. Precisamos da igreja.
Aplicação: E isso nos traz mais uma implicação. Se precisamos da igreja, devemos ser intencionais na busca por viver em comunhão. Não é a toa que muitos cristãos vivem estagnados e definham. Um membro não tem vida descolado do corpo. Muitas vezes, tais membros vivem apenas o mínimo da comunhão. Muitos não são assíduos ao culto. Ou então só vêm, pegam seu alimento e vão embora. Mas não desenvolve amizade, não conversa, não permite que ninguém se aproxime.
"Ah, mas não tenho proximidade com ninguém". Proximidade se cria. Não vem naturalmente. É preciso tempo e esforço para criar afinidade. Por isso seja intencional. Vá e converse. Ou, se você for tímido, esteja nos lugares onde as pessoas estão. Permita que elas se aproximem. Participe das reuniões de oração, dos eventos. Chegue mais cedo pra ter tempo pra conversar. E verá que não é difícil, pois temos muito em comum, pois estamos todos unidos a Cristo Jesus.
Viva em comunidade, exercendo os seus dons com dedicação e alegria (v. 6-8)
Viva em comunidade, exercendo os seus dons com dedicação e alegria (v. 6-8)
Em terceiro lugar, viva em comunidade exercendo os seus dons. O cristão deve exercer os seus dons com dedicação e alegria, visando a edificação do corpo (v. 6-8).
Na igreja, vários dons foram distribuídos livremente pela graça da parte de Deus (v. 6a). Paulo estabelece um contraste com o fato de os membros serem ligados uns aos outros. Eles são unidos num só corpo, contudo, com diferentes dons.
Tais dons são "segundo a graça que nos foi dada", isto é, segundo aquilo que Deus concedeu. Ninguém deve se orgulhar de ter um determinado dom ou ofício, pois nada temos que não fora concedido. Deus concedeu diferentes dons, talentos, em diferentes níveis, e que devem ser desenvolvidos. Alguns dons são exercidos com maior notoriedade. Outros com menor. Nenhum deles deve ser desvalorizado nem supervalorizado.
Aplicação: Devemos saber reconhecer a graça que nos foi dada e nos contentar com ela. Deus não deu a todo mundo o dom de ensino. Tampouco deu a todos a habilidade de estar envolvido na música. E ainda que alguém tenha tal aptidão, ela deve ser desenvolvida até que seja posta em prática.
Ilustração: Então, por exemplo, se um crente não é escolhido para ser parte do conjunto de música porque, no momento, não tem as habilidades necessárias, esse crente não deveria reclamar. Pelo contrário, ele mesmo deveria reconhecer isto, que no momento ele não está pronto. Então, se ele realmente quiser ajudar nessa área, ele vai se desenvolver, vai fazer cursos, mas não vai sair por aí reclamando que foi excluído ou coisa assim.
Aplicação: Há espaço na igreja para todos servirem, mas cada um com o seu dom, segundo a graça que recebeu.
E você também deve exercer o seu dom da maneira adequada. Não é apenas ter uma certa habilidade ou aptidão. É necessário ter dedicação, esmero, zelo.
Paulo faz uma lista de alguns dons dons. A lista não é exaustiva. Há outras listas de dons, por exemplo, em 1Co 12.4-11; Ef 4.11, dentre outros. Nenhuma dessas listas é exaustiva. O propósito de Paulo não é fazer uma relação completa de todos os dons, mas fornecer instrução sobre como esses dons devem ser exercidos.
O dom de profecia deve ser exercido segundo a proporção da fé. Nas primeiras décadas da igreja ainda havia profetas, nos moldes do Antigo Testamento, até que o cânon fosse fechado. Profetas são indivíduos que falam da parte de Deus, que trazem a revelação de Deus. E a instrução é que eles devem falar dentro dos limites da fé que Deus lhes concedeu. Eles não devem falar coisas provindas de si mesmo, mas apenas o que fora revelado. Eles não devem usar a sua autoridade, o seu ofício, para dizer à igreja o que não provém de Deus.
O ofício profético, nesses moldes, já não se encontra na igreja hoje. Mas hoje temos aqueles que estudam a Palavra de Deus para ensiná-la com autoridade à igreja de Deus. E sempre que a Palavra é pregada, isso deve ser feito de acordo com o que é revelado Não é correto que o pastor utilize o púlpito para dar indiretas, para favorecer políticos, para atacar inimigos, para contar piadas. Ele deve pregar a Palavra que vem de Deus.
O dom de ministério aqui é o exercício da diaconia. O termo "ministério" é, no grego, "diaconia", e significa "servir as mesas". É o ministério de exercer cuidado com os necessitados, de servir, de ajudar. E esse dom deve ser exercido com dedicação. Ele deve estar sempre vigilante às necessidades e disposto a servir.
O dom de ensino, igualmente, deve ser feito com esmero. Aquele que ensina deve estudar, deve se dedicar, não deve começar a se preparar só no sábado à noite, mas ao longo da semana.
Quanto a aquele que exorta, isto é, aquele que encoraja, anima os irmãos, deve fazê-lo também com dedicação.
O que contribui, deve fazê-lo com liberalidade, isto é, com generosidade. O dom de contribuição é daqueles que são generosos, que contribuem sem nenhum desejo de controlar ou de limitar, apenas se preocupa com o avanço do evangelho.
O que preside deve fazê-lo com diligência. Provavelmente aqui trata-se dos presbíteros, dos bispos, que têm o papel de supervisionar a igreja, atuando como guias do rebanho. Eles devem fazê-lo com diligência. Isto é, com atenção, vigilância, atentos às necessidades.
E quem exerce misericórdia, deve fazê-lo com alegria. É muito fácil, quando lidamos com pessoas necessitadas, que nós passemos a nos enfadar disto. Principalmente quando lidamos com o pecado, com pessoas aproveitadoras e preguiçosas que por vezes aparecem. É possível que passemos a ver isto como um peso. Mas Paulo nos alerta que a misericórdia deve ser exercida com alegria. Estamos servindo a Deus e a sua imagem no próximo.
Meus irmãos, em suma, para vivermos bem em comunidade, nós devemos servir. Certamente há um lugar no corpo de Cristo para você se envolver. Pois Deus distribuiu dons a todos, sem exceção, e é no serviço que os exercemos e contribuímos com a edificação do corpo. Muitas pessoas procuram uma igreja para serem servidos. Uma igreja com a melhor música, com a melhor pregação, a melhor estrutura. Poucos procuram uma igreja onde possam servir.
E para servir bem, devemos nos dedicar. Não pense que é só sair fazendo de qualquer jeito. É necessário esmero, esforço, estudo, investir tempo, fazer com excelência. Há muitos que vêm com uma mentalidade de voluntário e dedicam apenas o tempo que sobra. Devemos nos dedicar, exercer com zelo os nossos dons.
E como isso fará bem a igreja como um todo! Porque ao servir, você estará beneficiando a igreja. E você também sairá abençoado. Usamos o nosso tempo de uma maneira mais proveitosa, ao invés de perder tempo com brigas e distrações. Nossa vida se torna mais interessante, mais útil, a igreja se torna um lugar mais empolgante, quando estamos envolvidos no serviço.
Talvez você algum dia já tenha sentido a necessidade de se integrar mais à igreja, sente que não tem vivido a comunhão da maneira adequada, ou até já reclamou que há grupinhos na igreja, panelinhas, as quais você não consegue entrar. Meu desafio a você é este: que tal você se envolver no trabalho? Pare de reclamar e passe a ajudar. Tente isso, por pelo menos uns três meses. Se envolva, abrace, entre de cabeça. E veja se depois desses três meses você ainda se sentirá excluído.
A comunhão é uma bênção que Cristo já garantiu na cruz o Espírito concede a nós. Desfrute. Viva em comunhão, em humildade, em unidade, em serviço. E assim a igreja manifestará visivelmente o evangelho. Que Deus nos abençoe.
