Julgar ou não julgar: eis a questão!

Parábolas de Jesus  •  Sermon  •  Submitted   •  Presented
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Objetivo Geral: Aprofundar o conhecimento acerca do ensino de Jesus e corrigir compreensões errôneas das parábolas de Jesus. Objetivo específico: Ensinar qual deve ser o sentimento e o procedimento do cristão com relação às faltas alheias. Proposição: Jesus esclarece como lidar com os pecados alheios.

Notes
Transcript
Lucas 6.37-45 37Não julgueis, e não sereis julgados; não condeneis, e não sereis condenados; soltai, e soltar-vos-ão. 38Dai, e ser-vos-á dado; boa medida, recalcada, sacudida e transbordando, vos deitarão no vosso regaço; porque com a mesma medida com que medirdes também vos medirão de novo. 39E dizia-lhes uma parábola: Pode porventura o cego guiar o cego? Não cairão ambos na cova? 40O discípulo não é superior a seu mestre, mas todo o que for perfeito será como o seu mestre. 41E por que atentas tu no argueiro que está no olho de teu irmão, e não reparas na trave que está no teu próprio olho? 42Ou como podes dizer a teu irmão: Irmão, deixa-me tirar o argueiro que está no teu olho, não atentando tu mesmo na trave que está no teu olho? Hipócrita, tira primeiro a trave do teu olho, e então verás bem para tirar o argueiro que está no olho de teu irmão.
Mt 7.1-6

Introdução

(Bíblia)
Essa é a segunda pregação da série Parábolas de Jesus. O Intuito dessa série é aprofundar nosso conhecimento acerca do ensino de Jesus e também corrigir compreensões populares, mas errôneas das parábolas de Cristo.
Tenho tomado como referência principal o Evangelho de Lucas, por conter o maior registro das parábolas.
O texto que selecionei hoje não conta apenas uma parábola, mas três, contudo achei melhor mantê-las juntas pois todas tratam de um mesmo assunto, cada uma servindo a um determinado aspecto do assunto. Separá-las poderia nos fazer perder a compreensão geral que Jesus queria nos ensinar e sempre que parecer necessário, assim o farei.
O texto está inserido numa série de discursos do Senhor e, neste momento, Ele busca ensinar a respeito do juízo que podemos fazer a respeito das pessoas. A forma com que está escrito em Lucas não nos permite saber com certeza se todos esses discursos foram dados em uma única ocasião (estão no contexto do sermão da montanha) ou se são uma coletânea. Há indícios de que, ao menos parte do registro de Lucas pode ser uma junção com outros momentos em que o Senhor Jesus discursou.
Seja como for, o texto do médico santo coloca esse ensinamento logo após o mandamento de amar os inimigos, o que torna mais propício discutir sobre julgar o próximo.
Ao fim, veremos que Jesus esclarece como lidar com os pecados alheios.
Vamos conhecer melhor os versículos.
37Não julgueis, e não sereis julgados; não condeneis, e não sereis condenados; soltai, e soltar-vos-ão. 38Dai, e ser-vos-á dado; boa medida, recalcada, sacudida e transbordando, vos deitarão no vosso regaço; porque com a mesma medida com que medirdes também vos medirão de novo.
Jesus começa com a afirmação para não julgar. Ele usa duas palavras distintas: julgar e condenar, proibindo ambos os atos. Julgar significa literalmente separar, mas em contexto jurídico, seria algo como formular juízo, ter opinião sobre. Condenar poderia ser traduzido como sentenciar ou declarar culpado.
Ao invés de julgar e condenar, Jesus determina que perdoem; literalmente, liberem as pessoas. E que sejam generosos. Mas tudo isso porque receberemos o mesmo tratamento em troca.
Certamente, Jesus não está dizendo que SEMPRE que tivermos uma atitude misericordiosa, receberemos misericórdia em troca. O próprio Jesus já havia dito que é bem-aventurado os que sofrem injustamente (Mt 5.11). Também devemos lembrar que não há ninguém entre nós seja misericordioso 100% das vezes. Nossos esforços por ser misericordiosos, quando muito, diminuem os efeitos das nossas faltas de misericórdia.
Jesus está deixando claro o princípio de que a misericórdia atrai misericórdia, afinal, a palavra branda desvia o furor, mas a dura suscita a ira (Pv 15.1).
Ele continua usando a parábola da boa medida. Esta boa medida é apresentada em três formas diferentes: a prensada (para extrair líquido), sacudida (para tirar palha) e a transbordante (também para líquidos). Certamente uma alusão ao fato de que cada caso deve ser avaliado de forma proporcional à situação.
O tipo de misericórdia que Jesus fala aqui, então, não é uma omissão diante do mal, mas uma disposição misericordiosa diante do erro, que avalia cada situação para melhor agir.
Ele termina repetindo, de outra perspectiva, o que havia dito no v.31 acima, sobre amar os inimigos. O que demonstra que o foco está mais na disposição individual que nas respostas dos outros.
39E dizia-lhes uma parábola: Pode porventura o cego guiar o cego? Não cairão ambos na cova? 40O discípulo não é superior a seu mestre, mas todo o que for perfeito será como o seu mestre.
Na segunda parábola, Jesus faz uma crítica a perspectiva que os mestres da Lei tinham de si mesmos. Conforme percebemos em Rm 2.19, os líderes judaicos criam que o conhecimento que tinham da Lei fazia deles “guias de cegos”. Jesus rechaça essa ideia e diz que eles também estão cegos quanto à Lei e nada podem fazer para auxiliar os demais.
A situação é que um fariseu ou mestre da Lei apenas poderiam reproduzir o que eles mesmos são.
Se Jesus está falando sobre o problema que é um julgamento desmedido, sem misericórdia, os judeus eram mestres desse tipo mau de julgamento. Então, um bom discípulo deles (perfeito) seria uma pessoa ruim.
41E por que atentas tu no argueiro que está no olho de teu irmão, e não reparas na trave que está no teu próprio olho? 42Ou como podes dizer a teu irmão: Irmão, deixa-me tirar o argueiro que está no teu olho, não atentando tu mesmo na trave que está no teu olho? Hipócrita, tira primeiro a trave do teu olho, e então verás bem para tirar o argueiro que está no olho de teu irmão.
Ele continua com a terceira parábola, do cisco e da trave. Aqui há um interessante jogo com as palavras e repara. No grego, a primeira é uma olhada comum, enquanto a segunda é uma observação acurada. Jesus está dizendo, “você repara fácil até nos pecados menores dos outros, mas se você parar e se estudar vai notar o tamanho do seu pecado.”
Jesus acusa esse comportamento dos judeus de hipocrisia (teatro), literalmente os chama de atores, fingindo religiosidade e, ao fim chama-os para uma mudança de comportamento: levem a sério seu próprio pecado (tirem a trave) para poder ajudar de verdade os outros com os deles (o cisco). Veja que tirar a trave não “dá autoridade” para tirar o cisco, mas “dá capacidade” (ver bem).
Dito isto, veremos agora os:
Esclarecimentos de Jesus sobre como lidar com os pecados alheios.

1º Esclarecimento: “Não julgar” não é silenciar diante do mal

De todas as parábolas de Cristo, estas são as que eu mais ouço usarem mal.
Em algum momento que não sei qual, alguém as leu e chegou à conclusão de que se algum irmão em Cristo pecar, não devemos fazer nada, somente amar. Eu posso concordar com essa frase. O problema é que esse “só amar” virou algo como “deixar a pessoa como está e não a repreender nem a disciplinar”.
Aliás, a palavra disciplina é um horror para quem interpreta essas parábolas como se fossem uma proibição de ação em caso de pecado.
Quem pensa assim, não entende o que é disciplina porque não entende o que é amar. A Bíblia ensina que a disciplina é um ato de amor: Ela diz:
Dt 8.5 5Sabes, pois, no teu coração que, como um homem castiga a seu filho, assim te castiga o SENHOR teu Deus.
Hb 12.8 8Mas, se estais sem disciplina, da qual todos são feitos participantes, sois então bastardos, e não filhos.
Ap 3.19 19Eu repreendo e castigo a todos quantos amo; sê pois zeloso, e arrepende-te.
É falta de amor genuíno ver um irmão em pecado e não ajuda-lo a sair. E nosso esforço deve ser grande a ponto de se dispor a o disciplinar caso ele insista no erro. Disciplina é uma coisa boa, ainda que não seja prazerosa. E deixar de fazer o bem é pecado de omissão (Tg 4.17).
Mais à frente no nosso texto-base, Jesus deixa claro que ele não está dizendo que devemos nos omitir diante do erro. Ele fala que devemos tratar nossos próprios pecados para poder enxergar melhor os pecados dos outros e avaliar como melhor tratar a questão.
Então, quando falarem para vocês “não julgueis”, leia o texto todo com a pessoa. Mostre que não julgar não tem nada a ver com não tratar os pecados das pessoas. Cristo quer que tiremos ciscos dos olhos dos irmãos, mas precisamos primeiro tirar as traves dos nossos.
Isso nos leva ao segundo esclarecimento:

2º Esclarecimento: “Não julgar” é lutar contra o próprio pecado

Jesus deixou claro nessas parábolas que não temos em nós mesmos justiça. Nossos esforços sem Cristo são esforços cegos e só levamos pessoas pro buraco.
O modelo de justiça é Jesus. Tanto aquilo que ele ensinou quanto o que ele mostrou com seu exemplo pessoal deve ser a fonte de nossas decisões quanto aos pecados dos outros.
Contudo, quando fazemos isso, muitas vezes percebemos que nós também estamos em falta. O que fazer se, você vê um irmão cometendo um pecado que você também comete?
a) Fica feliz, por que você tem um companheiro de pecado agora;
b) Deixa quieto, para que não descubram que você também faz;
c) Deixa quieto, para sua consciência não te acusar;
d) Deixa quieto, por que você sente que não tem autoridade para isso;
e) Repreende, mas se esforça para esconder sua fraqueza;
f) Repreende, mas diz que a vida é assim mesmo e continua pecando;
g) Decide lutar contra o próprio pecado, repreende o irmão assumindo sua própria falha e se dispõe a ser repreendido daqui em diante.
Qual dessas opções parece refletir um coração humilde e submisso ao Senhor?
Qualquer momento em que vemos algum irmão ou amigo em uma falta, quer seja contra nós ou não, devemos partir do princípio que nós também falhamos e falhamos feio. Então resista a tentação de apontar o dedo como um ser superior e, humildemente, aponte Cristo ao faltoso; baseie-se na santidade de Cristo, não na sua.
Ao mesmo tempo, entenda que essa é uma excelente oportunidade para você enfrentar os seus pecados. A santidade exigida dos outros é a mesma exigida de você.
Em seguida, o terceiro esclarecimento é:

3º Esclarecimento: “Não julgar” é exercer misericórdia

Quando avaliamos os nossos pecados, tendemos a ser mais brandos que quando avaliamos os dos outros.
Como já afirmei acima, o ensino de Jesus e o exemplo dele é o padrão. Quando seguimos Jesus, descobrimos rapidamente que o caminho correto para tratar um pecado é muitas vezes mais suave que o que imaginamos e outras tantas vezes, é mais duro do que pensamos.
Contudo, via de regra, a misericórdia deve fazer parte dos nossos pensamentos e ações. Deus usou de sua justiça contra o Jesus para que a ira dele não se derramasse sobre nós. Sobre nós ele preferiu usar a misericórdia.
Seja qual for o desdobramento de uma conversa que tenhamos com um irmão em pecado (para arrependimento ou endurecimento), devemos estar motivados pela misericórdia de Deus, não pelo juízo.
Tiago, o irmão do Senhor disse:
Tg 2.13 13Porque o juízo será sem misericórdia sobre aquele que não fez misericórdia; e a misericórdia triunfa do juízo.
Lembre-se o que disse Jeremias:
“as misericórdias do Senhor são a causa de não sermos consumidos” (Lm 3.22).
Troque a ira, a soberba ou qualquer outro sentimento na hora de repreender alguém pela misericórdia. Mesmo porque, o objetivo de uma repreensão é ajudar alguém a fazer o certo, não consumir a pessoa.
Por fim, o quarto esclarecimento é:

4º Esclarecimento: “Não julgar” é tratar as faltas proporcionalmente

Lembra das medidas?
Deus trabalha conosco, em parte, baseado na nossas obras. Nossas obras de nada servem para salvação. Contudo para outras situações, sim.
Ele premiará os salvos com galardões baseado nas nossas obras (1Co 3.8,11-15). Ele também trará mais juízo para os perdidos que forem mais rebeldes e maus (Mt 11.24; Lc 12.46-48).
Sendo assim, lembremos de agir de maneira adequada ao tamanho do pecado da pessoa. Todo pecado é sério. Mas Deus sempre tratou alguns pecados como mais graves que outros.
Leve isso em consideração e não faça tempestade em copo d’água, nem trate coisa grave como se não fosse.

Conclusão

Então, se até agora você não percebeu, nosso papel não é julgar as pessoas, ainda que nós tenhamos que julgar as obras delas.
Nós observamos as obras das pessoas e, por amor, fazemos o que está a nosso alcance para ajuda-las a enxergar os pecados que elas cometem porque não desejamos que elas sofram as consequências das más escolhas.
Quem julga, ou seja, quem diz se fulano ou ciclano não tem jeito ou se vai pro inferno, isso é Deus quem faz.
Então, com misericórdia, amor verdadeiro e reconhecimento de suas próprias falhas, não julgue as pessoas, mas julgue suas obras.
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