A Parábola das Sementes

Marcos   •  Sermon  •  Submitted   •  Presented
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A parábola da semente que germina indica que o Reino crescerá com sua dinâmica própria até o tempo do juízo escatológico (4.26–29).
É uma parábola simples. O fazendeiro planta e depois vai dormir. Ele realmente não pode fazer nada, a não ser esperar que ela cresça e depois colher. Ele não desempenha nenhum papel no crescimento da safra. Essa é a questão.
Certamente Jesus ensinou essa parábola para encorajar os seus discípulos. Eles possivelmente ficaram desencorajados sobre o significado da parábola do semeador em que três quartos da semente perderam-se.
Se na parábola do semeador Jesus enfatizou a responsabilidade humana, nessa parábola, Jesus enfatiza a soberania de Deus. Aqui vemos o intrínseco poder da semente. O ser humano de si mesmo não pode fazer nada. É somente pelo poder, dado por Deus, que ele pode se voltar para Deus e ter uma fé verdadeira.
O semeador deve fazer a semeadura e dormir bem. Não precisa viver tenso e em pânico pela colheita. O semeador não é responsável pelo que acontece. A semente vai para a terra e morre. E quando ela morre, dela surge a vida.
Como isso acontece? Ninguém sabe. Ninguém pode fazer isso acontecer. Os melhores horticultores do mundo não sabem como isso acontece. Eles sabem que acontece, mas não conseguem definir como ou por que acontece. Da semente moribunda vem a vida, uma colheita enorme.
Essa é a maravilha do Evangelho. Tudo que posso fazer é proclamar a verdade. Não posso cuidar dos resultados. Eu não posso dar vida. O único ato humano é plantar a semente e esperar. Vá dormir. É tudo obra exclusiva de Deus.
De modo que nem o que planta é alguma coisa, nem o que rega, mas Deus, que dá o crescimento. (1 Coríntios 3:7)
O vento sopra onde quer, ouves a sua voz, mas não sabes donde vem, nem para onde vai; assim é todo aquele que é nascido do Espírito. (João 3:8)
Estou plenamente certo de que aquele que começou boa obra em vós há de completá-la até ao Dia de Cristo Jesus. (Filipenses 1:6)
A Palavra de Deus semeada no coração humano trabalha por si mesma. A semente tem vida em si mesma. Ela trabalha automaticamente, invisivelmente, poderosamente e triunfantemente. Deus é o autor do crescimento espiritual.
Essa é uma lição crítica, aliás, para todos os manipuladores e profissionais de marketing que pensam que podem fazer as pessoas crerem. Nenhum ser humano, não importa quão persuasivo, não importa quão inteligente, dá qualquer contribuição para a regeneração, conversão ou justificação de qualquer pessoa.
Tudo o que podemos fazer é falar a verdade. Não podemos mudar corações e não podemos produzir vida em pessoas mortas. Isso é algo que só o Senhor faz.
Ele vos deu vida, estando vós mortos nos vossos delitos e pecados… sendo rico em misericórdia, por causa do grande amor com que nos amou, e estando nós mortos em nossos delitos, nos deu vida juntamente com Cristo, — pela graça sois salvos, e, juntamente com ele, nos ressuscitou, e nos fez assentar nos lugares celestiais em Cristo Jesus; (Efésios 2:1, 4-6)
Todo aquele que o Pai me dá, esse virá a mim; e o que vem a mim, de modo nenhum o lançarei fora. Ninguém pode vir a mim se o Pai, que me enviou, não o trouxer; e eu o ressuscitarei no último dia. (João 6:37, 44)
Precisa ser martelado na cabeça e no coração de todos os cristãos que foram seduzidos pelas mentiras contemporâneas de que se apenas melhorarmos no marketing do evangelho, podemos ser mais convincentes e podemos convencer as pessoas a serem salvas: a obra de Deus não é realizada por meios humanos.
O versículo 28 diz, “A terra por si mesma frutifica”. O original grego tem o sentido de “automaticamente”. É divinamente automático. Regeneração, transformação, conversão e novo nascimento não podem ser produzidos por ninguém ou por qualquer meio humano.
Todo processo é divinamente automático. Você não pode iniciá-lo e nem pode pará-lo. E uma vez que começa, se completa (Fp. 1:6). Tudo que você pode fazer é estar lá para aproveitar a colheita. II Timóteo 2:6 diz que “O lavrador que trabalha deve ser o primeiro a participar dos frutos”. O agricultor trabalha para que possa desfrutar da colheita. Não temos nenhum papel na obra real de salvação, mas entramos na colheita.
O progresso do evangelho não depende de nosso poder de mudar o coração, ou nosso poder de tornar o Evangelho mais aceitável, ou de manipular a vontade ou as emoções. A obra da salvação é operada apenas pelo poder de Deus.
Vejamos as lições dessa parábola:
Em primeiro lugar, o imperceptível começo do Reino de Deus(4.26). Nessa parábola Jesus não está falando do Reino escatológico, mas do Reino presente (4.26). Como esse reino é estabelecido? Como ele cresce dentro de nós?
É necessário existir um semeador (4.26). A terra, como nós sabemos, jamais produz grãos por si mesma. Ela é a mãe das ervas daninhas, mas não do trigo. Sem semeadura não há colheita. Sem pregação não há conversão. Sem chamado não há resposta. Deus dá o crescimento à semente que semeamos. O coração humano, semelhantemente, jamais se tornará para Deus em arrependimento, fé e obediência. Ele é absolutamente estéril para a divina semente. O coração humano está totalmente morto para Deus e é incapaz de dar vida a si mesmo.
O semeador não pode fazer a semente crescer (4.27). A única coisa que o semeador pode fazer é confiar, dormir noite após noite e levantar, um dia após o outro.
Ele pode semear a semente na terra, mas não pode fazê-la produzir. Só Deus pode produzir vida e dar o crescimento. Paulo diz: Eu plantei, Apolo regou; mas o crescimento veio de Deus. De modo que nem o que planta é alguma coisa, nem o que rega, mas Deus, que dá o crescimento (1Co 3.6,7). Somente Deus pode fazer seu reino crescer. Somente Jesus pode edificar sua própria igreja. Somente Deus pode acrescentar aqueles que dia a dia vão sendo salvos.
Todo o esforço humano seria insuficiente para converter sequer uma vida.
A semente cresce inevitavelmente (4.27,28). Ninguém pode neutralizar a semente destinada a crescer. Ela é vitoriosa. Uma árvore pode romper um pavimento de cimento armado com o poder de seu crescimento. Mesmo com a rebeldia humana e sua desobediência, a obra de Deus prossegue. Da mesma forma, a obra do Espírito no coração do homem é uma obra eficaz. Paulo diz: Aquele que começou boa obra em vós há de completá-la até ao Dia de Cristo Jesus (Fp 1.6). O Reino de Deus não conhece derrotas. Ele jamais será derrotado. Haendel, em sua imortal música Halleluiah, expressa essa sublime verdade do glorioso triunfo do Reino de Deus. Esse Reino começou imperceptível e secretamente no coração humano como uma pequena semente lançada sobre a terra, agora está crescendo gloriosa e invencivelmente. A obra de Deus é invencível.
A semente cresce gradualmente (4.28). Uma pequena semente tem dentro de si o potencial para ser uma grande árvore. Um grande carvalho foi inicialmente uma pequena semente. O crescimento da semente passa por vários estágios até chegar à maturidade. Semelhantemente, os filhos de Deus não nascem perfeitos em fé, esperança, conhecimento e experiência. Francis Schaeffer no seu livro, A verdadeira espiritualidade diz que as duas coisas mais importantes na vida são nascer e crescer. O projeto de Deus para nós é a perfeição ou maturidade até chegarmos à estatura de Cristo (Ef 4.12,13). O projeto de Deus não é apenas nos levar para a glória, mas transformar-nos à semelhança do Rei da glória.
Esse crescimento gradual passa por três estágios:
Primeiro, a erva. Quando a semente é semeada no coração, ela produz uma profunda inquietação interior. Então, a pessoa é confrontada pela Palavra de Deus e esta desintegra as velhas estruturas da vida para reconstruir novos valores.
Segundo, a espiga. Esta é a manifestação e a exteriorização daquela florescente inquietude. A espiga pode ser o abandono de toda prática do pecado e adoção de novos valores.
Terceiro, o grão cheio na espiga. Isso fala da vida de Jesus manifestando-se em nossa experiência. Deus trabalha gradualmente.
Em terceiro lugar, a gloriosa consumação do Reino de Deus(4.29). O Reino está presente tanto na semente quanto na colheita. Ele é o Reino que já veio e o Reino que virá. No começo o Reino é apenas um embrião, depois será espiga cheia; oculto agora, totalmente manifesto então.
Segunda, a colheita final revela a vitória do Reino de Deus (4.29). Como semeadores, devemos ter paciência até a colheita. Tiago diz: Sede, pois, irmãos, pacientes, até a vinda do Senhor. Eis que o lavrador aguarda com paciência o precioso fruto da terra, até receber as primeiras e últimas chuvas. Sede vós também pacientes, e fortalecei os vossos corações, pois a vinda do Senhor está próxima (Tg 5.7,8).
A segunda vinda do Senhor Jesus será o dia mais glorioso da História. Ele virá com grande poder e majestade. Todo olho o verá. Todo joelho se dobrará e toda língua confessará que ele é o Senhor. Todos os remidos receberão um corpo glorioso e reinarão com ele para sempre.
Somente Deus conhece o dia da colheita. Nós devemos semear até aquele dia glorioso. Nós temos a promessa de que o nosso trabalho no Senhor não é vão. A Palavra de Deus não volta para ele vazia. Devemos trabalhar e esperar a colheita final. Recebemos a ordem de semear, mas Deus detém o controle soberano sobre o crescimento. Quando o fruto estiver maduro, então, virá a gloriosa ceifa.
O poder da Palavra para crescer (Mc 4.30–32)
Se a parábola do semeador retrata a responsabilidade humana e a da semente a soberania de Deus, esta mostra o resultado, um crescimento abundante. Adolf Pohl diz que essa parábola é um ápice, apesar de ser tão curta.441 Essa parábola revela o poder de crescimento extraordinário da Palavra. Ela aponta para o progresso do Reino de Deus no mundo. Duas verdades nos chamam a atenção:
Em primeiro lugar, o Reino de Deus começa pequeno como uma semente de mostarda (4.31). A igreja, agente do Reino, começou pequena e fraca em seu berço. A semente de mostarda é um símbolo proverbial daquilo que é pequeno e insignificante. Era a menor semente das hortaliças (4.31). Foi usada para representar uma fé pequena e fraca (Mt 17.20; Lc 17.6).
O Reino chegou com um bebê deitado numa manjedoura. Jesus nasceu em uma família pobre, numa cidade pobre e cresceu como um carpinteiro pobre, que não tinha onde reclinar a cabeça. Os apóstolos eram homens iletrados. O Messias foi entregue nas mãos dos homens, preso, torturado e crucificado entre dois criminosos. Seus próprios discípulos o abandonaram. A mensagem da cruz foi escândalo para os judeus e loucura para os gentios. Em todas as coisas do Reino o mundo vê fraqueza. Aos olhos do mundo, o começo da igreja reveste-se de consumada fraqueza.
Em segundo lugar, grandes resultados desenvolvem-se a partir de pequenos começos (4.32). Grandes rios surgem em pequenas nascentes de água; o carvalho forte e alto cresce a partir de uma pequena noz.
A parábola do grão de mostarda é a história dos contrastes entre um começo insignificante e um desfecho surpreendente; entre o oculto hoje e o revelado no futuro. O Reino de Deus é como tal semente: seu tamanho atual e aparente insignificância não são de modo algum, indicadores de sua consumação, a qual abrangerá todo o universo.
A igreja cresceu a partir do Pentecostes de forma colossal. Aos milhares, os corações iam se rendendo à mensagem do evangelho. Os corações duros eram quebrados. Doutores e analfabetos capitulavam diante do poder da Palavra. A igreja expandiu-se por toda a Ásia, África e Europa. O Império Romano com sua força não pôde deter o crescimento da igreja. As fogueiras não puderam destruir o entusiasmo dos cristãos. As prisões não intimidaram os discípulos de Cristo que por toda a parte preferiam morrer a blasfemar. Os cristãos preferiam o martírio à apostasia.
A igreja continua ainda crescendo em todo o mundo. De todos os continentes aqueles que confessam o Senhor Jesus vão se juntando a essa grande família, a esse imenso rebanho, a essa incontável hoste de santos. O Reino de Deus é como uma pedra que quebra todos os outros reinos e enche toda a terra como as águas cobrem o mar.
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