A Graça salvadora de Deus - Sola Gratia

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Tito 2.11–15 NAA
11 Porque a graça de Deus se manifestou, trazendo salvação a todos. 12 Ela nos educa para que, renegadas a impiedade e as paixões mundanas, vivamos neste mundo de forma sensata, justa e piedosa, 13 aguardando a bendita esperança e a manifestação da glória do nosso grande Deus e Salvador Jesus Cristo. 14 Ele deu a si mesmo por nós, a fim de nos remir de toda iniquidade e purificar, para si mesmo, um povo exclusivamente seu, dedicado à prática de boas obras. 15 Ensine estas coisas. Também exorte e repreenda com toda a autoridade. Que ninguém despreze você.
.A GRAÇA DE DEUS, O FUNDAMENTO DE UMA VIDA SANTA
TITO 2.11–15
Introdução
Paulo, nessa epístola a Tito, faz uma inversão em sua costumeira metodologia. Nas cartas aos Romanos, Gálatas, Efésios e Colossenses, ele ensina a doutrina e, depois, estabelece o dever. Em sua costumeira abordagem, primeiro dá o preceito, depois orienta a conduta; primeiro ensina a teologia, depois a ética.
Meus irmãos aquilo que cremos afeta a nossa conduta, e não pode se sustentar sem fé; a doutrina não é mais importante que a conduta, mas a conduta está condicionada pela fé. Por essa razão Paulo fundamenta todas as exortações desse capítulo em um resumo do evangelho que, quanto à beleza, a profundidade e o significado, é praticamente in su pe rá vel!!!
Conforme o ensino de Paulo, a doutrina determina a ética, a teologia desemboca na conduta e a ortodoxia produz a ortopraxia. Nessa carta, porém, Paulo primeiro abordou o dever (2.1–10) e só depois ofereceu a sustentação doutrinária (2.11–15).
Não importa a ordem, o que é absolutamente indispensável é a estreita conexão que deve existir entre doutrina e vida, teologia e ética. Interessante como John Stott aborda essas duas formas como legítimas, desde que o elo indestrutível que existe entre a doutrina e a ética seja colocado e mantido. Sendo assim, destacamos três pontos a título de introdução.
1. A vida pura é consequência direta da teologia pura. A decadência moral instalada nas igrejas contemporâneas denuncia a fragilidade da sua teologia. Onde a doutrina é ignorada, torcida ou adulterada, não pode haver santidade. A vida pura é resultado da doutrina pura. A teologia é mãe da ética. Assim como o homem crê, assim ele é.
2. A transformação nos relacionamentos é resultado direto da transformação da graça. Depois que Paulo falou dos relacionamentos transformados (2.1–10), deu a fundamentação teológica para essa transformação (2.11–15). Paulo falou do padrão divino para os homens e as mulheres idosos; para as mulheres recém-casadas e para os jovens solteiros; para os líderes e para os servos. Contudo, esperar relacionamentos transformados sem a graça de Deus é impossível. Primeiro o homem é transformado pela graça; só depois ele experimenta relacionamentos transformados.
3. A conexão entre doutrina e vida é absolutamente necessária para uma igreja saudável. O espírito do pós-modernismo repudia a ideia de verdades absolutas. Prevalece o pluralismo das ideias e o individualismo na escolha das ideias que mais lhes atendam os interesses imediatos. E olhando pra tudo isso, falarmos em doutrina, teologia e conhecimento é remar contra a correnteza.
As pessoas desprezam o conhecimento e correm atrás de experiências subjetivas. Não querem pensar, mas sentir. O sensório tomou o lugar do racional. Muitas igrejas abandonaram a sã doutrina e ainda pensam, equivocadamente, que podem viver de forma agradável a Deus. Isso é um absoluto engano.
O Espírito Santo nos guia na verdade, e não à parte dela. Existe uma estreita e inquebrantável conexão entre a doutrina bíblica e a vida que agrada a Deus. Os que desprezam a doutrina acabam caindo na teia do relativismo moral. A impiedade sempre desemboca na perversão.
Hans Burki sintetiza essa passagem dizendo que ela exalta a graça de Deus manifesta no passado (2.11) e educa os discípulos de Jesus no presente (2.12), cuja revelação plena é aguardada no futuro (2.13), e cujo alicerce e força são o amor do Redentor, o qual purifica Seu povo e o leva a viver com zelo (2.14).
Vamos examinar a fundamentação teológica para uma vida santa, buscando essa conexão entre doutrina e dever.
① A manifestação da graça (2.11)
Porquanto a graça de Deus se manifestou salvadora a todos os homens (2.11). Só podemos ter uma vida santa por causa da epifania, “manifestação”, da graça de Deus. Ela sempre existiu. Deus sempre foi gracioso. Porém, em Cristo, essa graça despontou majestosa da mesma forma que o romper da alva.
Epifaneia significa a visível aparição de alguma coisa ou de alguém que estava invisível. Era usada no grego clássico em relação à alvorada, ao amanhecer, quando o sol transpõe a linha do horizonte e se torna visível. Ela aparece em Atos 27.20, quando Lucas diz que por vários dias nem o sol nem as estrelas apareceram [fizeram epifania]. É claro que as estrelas ainda estavam no céu, mas não apareceram.
A graça de Deus brilhou como sol sobre aqueles que viviam nas regiões da sombra da morte. Essa graça se manifestou quando Jesus nasceu numa estrebaria, cresceu numa carpintaria e morreu numa cruz. Essa graça brilhou quando de Seus lábios se ouviam palavras de vida eterna, quando Ele curava os enfermos, purificava os leprosos, lançava fora os demônios e ressuscitava os mortos. A graça resplandeceu quando o Filho de Deus entregou Sua vida na cruz e a reassumiu na gloriosa manhã da ressurreição. A graça se manifestou para resgatar o homem do seu maior mal e oferecer a ele o maior bem.
É importante olharmos alguns aspectos da epifania da graça:
1. A origem da graça (2.11). Paulo fala da graça de Deus. A graça tem sua origem em Deus. Ela emana de Deus. Embora Deus sempre tenha sido gracioso, pois é o Deus de toda a graça, ela se tornou visível em Jesus Cristo. A graça de Deus foi esplendorosamente mostrada em Seu humilde nascimento, em Suas graciosas palavras e em Seus atos movidos de compaixão; mas, sobretudo, em Sua morte expiatória. A graça de Deus é totalmente imerecida. Não há nada em nós que reivindique o amor de Deus. Não há nenhum merecimento em nós. O amor de Deus tem nEle mesmo sua causa. A graça é um favor imerecido. Deus trata de forma benevolente aqueles que merecem Seu juízo.
2. A natureza da graça (2.11). A graça de Deus é salvadora. A graça é o favor superabundante de Deus pelos pecadores indignos. Kelly diz que a graça de Deus representa o favor gratuito de Deus, a bondade espontânea mediante a qual Ele intervém para ajudar e livrar os homens. Em Jesus, a graça de Deus desponta como um sol sobre o mundo escurecido pelas sombras da morte.
William Hendriksen define a graça: “A graça de Deus é seu favor ativo que outorga o maior de todos os dons a quem merece o maior de todos os castigos”. Por isso, a graça triunfa sobre nossa iniquidade. Ela é maior do que o nosso pecado e melhor do que a nossa vida. Onde abundou o pecado, superabundou a graça. Somos salvos pela graça. Vivemos pela graça. Dependemos da graça. Nada somos sem a graça. Por causa da graça, embora perdidos, fomos achados; embora mortos, recebemos vida.
3. A extensão da graça (2.11). A graça de Deus se manifestou salvadora a todos os homens. A epifania da graça não alcança todos os homens quantitativamente, mas todos os homens qualitativamente.
A salvação é universal no sentido de que alcança todos aqueles que são comprados para Deus, procedentes de toda tribo, língua, povo e nação (Ap 5.9), mas não no sentido de todos os homens, sem exceção. A salvação é universal porque alcança todos os homens sem acepção, mas não a todos os homens sem exceção. Não há universalismo na salvação.
O que a Bíblia ensina sobre a universalidade da graça de Deus é que ela rompe todas as barreiras, derruba todos os preconceitos e alcança pessoas de todos os gêneros, idades e posições (2.1–10). A graça é acessível a todos: homens e mulheres, idosos e jovens, escravos e senhores, judeus e gentios.
Albert Barnes declara: “O plano de Deus tem sido revelado a todas as classes de homens e a todas as raças, inclusive servos e chefes; vassalos e reis; pobres e ricos; ignorantes e sábios”.
② A pedagogia da graça (2.12, 13)
Educando-nos para que, renegadas a impiedade e as paixões mundanas, vivamos no presente século, sensata, justa e piedosamente, aguardando a bendita esperança e a manifestação da glória do nosso grande Deus e Salvador Cristo Jesus (2.12, 13). Paulo enfatiza aqui três grandes verdades:
1. A graça nos educa para renegarmos o mal (2.12) — Educando-nos para que, renegadas a impiedade e as paixões mundanas, vivamos, no presente século… (2.12a). A graça de Deus é pedagógica, educadora. Ensina-nos a viver. O primeiro destaque de Paulo é que a graça nos educa mediante a forte disciplina de renegarmos a impiedade e as paixões mundanas.
Renegar significa renunciar, abdicar, ser capaz de dizer não.
Antes de falar positivamente acerca do que devemos ser e fazer, Paulo fala sobre o que devemos repudiar e rejeitar. O que a graça de Deus nos ensina a rejeitar?
A. A impiedade tem a ver com o que se opõe à verdadeira adoração e devoção a Deus. A impiedade é uma relação errada com Deus. Ela tem a ver com uma teologia errada, ou seja, com a distorção da verdade. O ímpio é aquele que não leva Deus em conta e, por isso, não leva Deus a sério. O ímpio não se deleita em Deus, não tem prazer nEle. Ao contrário, abomina as bem aventuranças que há em Deus.
B. A falsa ética (2.12a). As paixões mundanas são consequência da impiedade. A perversão é filha da impiedade (Rm 1.18). As paixões mundanas decorrem de um relacionamento errado com Deus. Essas paixões mundanas têm a ver com uma vida desregrada na área da mente, da língua e do sexo. Essas paixões descrevem um estilo de vida pervertido.
William Hendriksen diz que essas paixões mundanas incluem o desejo sexual desordenado, o alcoolismo, o desejo excessivo por possessões materiais e a agressividade. Em suma, refere-se aos anelos desordenados de prazeres, poder e possessões, ou seja, sexo, poder e dinheiro.
John Stott afirma que a graça de Deus nos disciplina a renunciar à nossa velha vida e a viver uma nova vida, a passar da impiedade para a piedade, do egoísmo ao autocontrole, dos caminhos desonestos a um tratamento justo com todos os demais.
Quando as paixões mundanas não são renegadas, a graça se torna barata e as pessoas fogem da Luz. Muitos métodos de evangelização e missão se mostram não bíblicos quando falam apenas da fé no Salvador dos pecadores, mas não igualmente da abdicação ao pecado. Assim, sob a influência da graça educadora de Deus as paixões mundanas são renegadas.
2. A graça nos educa para praticarmos o bem (2.12b) — Vivamos, no presente século, sensata, justa e piedosamente (2.12b). Paulo agora fala sobre como a graça de Deus nos educa para praticarmos o bem. A salvação não é apenas uma mudança de situação, mas também de atitude. A pedagogia da graça nos educa em nosso relacionamento conosco, com o próximo e com Deus.
A graça nos educa para vivermos relacionamentos certos dentro, fora e para cima. A graça nos ensina…
A. O correto relacionamento conosco mesmos (2.12b) — Vivamos, no presente século, sensata… A palavra grega sophronos traz a ideia de prudência, autocontrole ou moderação. A sensatez tem a ver com o domínio próprio, com a vida controlada. Sensatez é ter seus impulsos, instintos, ações e reações sob controle. É a maneira correta de lidar consigo mesmo.
Sensatez é fazer uso adequado dos desejos e impulsos que não são pecaminosos em si mesmos, e vencer os que são pecaminosos. O cristão vive “no presente século”, mas não em conformidade com ele nem para ele. Cristo nos remiu “[…] deste mundo perverso” (Gl 1.4), e não devemos nos conformar com ele (Rm 12.1, 2).
B. A graça nos ensina o correto relacionamento com o próximo (2.12b) — Vivamos, no presente século […] justamente… A justiça fala do nosso correto relacionamento com o próximo. Uma pessoa justa é aquela que não se coloca acima dos outros nem tenta diminuí-los. Ela concede aos outros o que lhes é devido. Viver de forma justa é demonstrar integridade no trato com os demais.
C. A graça nos ensina O correto relacionamento com Deus (2.12b) — Vivamos, no presente século […] piedosamente. A piedade está ligada ao correto relacionamento com Deus. É o verdadeiro fervor e reverência para com o único que é objeto da adoração. Somente a graça pode nos tomar pela mão e nos conduzir a um íntimo relacionamento com Deus. Warren Wiersbe diz que a graça de Deus não apenas nos salva, mas também nos ensina como viver a vida cristã. Aqueles que usam a graça de Deus como desculpa para pecar jamais experimentaram seu poder salvador (Rm 6.1; Jd 4). A mesma graça de Deus que nos redime é também a graça que nos renova e nos capacita a obedecer à Sua Palavra (2.14).
Meus irmãos agora olhando para o verso 13 - A graça nos educa para aguardarmos a manifestação da glória do nosso grande Deus e Salvador Cristo Jesus (2.13). Depois de ter falado da epifania da graça (2.11), agora Paulo fala da epifania da glória. Aquele que apareceu brevemente no cenário da história, e desapareceu, um dia vai voltar.. vai reaparecer. Ele apareceu em graça; Ele reaparecerá em glória.
O cristão olha para trás e glorifica a Deus porque a graça o libertou da impiedade e das paixões mundanas. Ele olha para o presente e exalta a Deus porque tem uma correta relação consigo, com o próximo e com o próprio Deus. Ele olha para o futuro e se santifica porque vive na expectativa da epifania do seu grande Deus e Salvador Cristo Jesus. A graça de Deus nos libertou de nossas mazelas do passado, restaurou nossa vida no presente e nos mantém na ponta dos pés com uma gloriosa expectativa em relação ao futuro, quando Jesus há de voltar em glória e poder. É impossível que aqueles que mantêm essa gloriosa esperança da volta de Jesus se recusem a entregar-se completamente a Deus.
Meus irmãos a manifestação da glória de Jesus Cristo é mais do que a glória com a qual Ele é glorioso nEle mesmo; é também a glória por meio da qual Ele Se difundirá por todas as partes, a fim de que todos os Seus eleitos participem dela. Paulo chama Jesus Cristo de grande Deus porque Sua grandeza, a qual os homens têm obscurecido com o vão esplendor deste mundo, será plenamente manifestada no último dia. Então, o brilho do mundo que hoje parece grande aos nossos olhos perderá completamente sua pompa.
Paulo chama a epifania da glória de “bendita esperança”. Na verdade, o que começa com graça termina com glória. Warren Wiersbe diz corretamente que a volta gloriosa de Cristo é mais do que uma bendita esperança; é uma esperança cheia de alegria (Rm 5.2; 12.12), uma esperança unificadora (Ef 4.4), uma viva esperança (1Pe 1.3), uma firme esperança (Hb 6.19) e uma esperança purificadora (1Jo 3.3).
A dinâmica da nova vida é a expectativa da vinda gloriosa de Jesus Cristo. Quando se espera uma visita real, tudo se limpa, se decora e se arranja para que o olho real o veja. O cristão é uma pessoa que está sempre pronta para receber o Rei dos reis.
③ A operação da graça (2.14, 15)
Tito 2.14 “14 Ele deu a si mesmo por nós, a fim de nos remir de toda iniquidade e purificar, para si mesmo, um povo exclusivamente seu, dedicado à prática de boas obras.”
. Paulo, que acabara de falar da epifania da glória, passa agora naturalmente para as gloriosas verdades acerca da operação da graça.
1. O presente da graça (2.14) — O qual a si mesmo se deu por nós… (2.14a). Não foi a cruz que produziu a graça, mas a graça que produziu a cruz. Cristo é o presente da graça. Ele, sendo Criador do universo, esvaziou-Se e nasceu de mulher; sendo o Pai da eternidade, entrou no tempo, encarnou-Se e fez morada entre os homens; sendo santo, se fez pecado; sendo bendito, se fez maldição; sendo autor da vida, morreu em nosso lugar numa rude cruz. Essa foi a maior oferta, a maior dádiva, o maior presente.
E essa entrega voluntária de Cristo por nós, como nosso fiador, representante e substituto, nos fala de sua morte vicária. Esse é o cerne da doutrina da expiação. Ele morreu não apenas para possibilitar a nossa salvação, mas para nos salvar. Ele morreu pelas Suas ovelhas. Ele deu Sua vida pela Sua igreja. Ele morreu a nossa morte. Por Sua morte temos vida.
2. então qual era o propósito da graça?? (2.14b) — […] a fim de remir-nos de toda iniquidade e purificar, para si mesmo, um povo exclusivamente seu… (2.14b). A graça tem dois propósitos, um negativo e outro positivo.
A. O propósito negativo. O propósito negativo é remir-nos de toda iniquidade, ou seja, do poder que nos faz pecar. A graça de Deus nos salva do pecado e não no pecado. A graça não se manifestou para que os que vivem no pecado sejam salvos; ela se manifestou para remir-nos de toda iniquidade.
(Rm 6.1, 2). Cristo nos libertou da penalidade do pecado na justificação. Cristo nos liberta do poder do pecado na santificação. E Cristo nos libertará da presença do pecado na glorificação.
B. O propósito positivo. O propósito positivo é que Cristo, por meio de Sua morte, purifique para si mesmo um povo exclusivamente Seu. O Senhor quer um povo limpo e exclusivo. Ele não aceita um povo maculado pela iniquidade nem um povo de coração dividido. Pelo Seu sacrifício Cristo nos comprou. Agora, somos propriedade exclusiva dEle. Somos Suas ovelhas, Sua herança, Sua habitação.
3. QUal O resultado da graça?? (2.14c) — […] um povo exclusivamente seu, zeloso de boas obras (2.14c). A expressão: “zeloso de boas obras” traz a ideia de “entusiasmado pelas boas obras”. O alvo do cristão não é apenas ter a capacidade de realizar boas obras, mas ter entusiasmo e paixão por fazê-las. Devemos viver intensamente para Aquele que morreu vicariamente por nós.
Hans Burki diz que a graça nos educa para um novo gosto, uma nova disposição, um prazer para boas obras. Da consciência de pertencer ao Redentor e a Seu povo resulta um novo devotamento: não mais ser escravo cativo de si mesmo, e, por conseguinte, não precisar mais viver para si mesmo; essa é verdadeira redenção e libertação para a vida.
John Piper vai dizer o seguinte - que no cerne do cristianismo está a verdade de que somos perdoados e aceitos por Deus não por termos feito boas obras, mas a fim de que possamos fazê-las. As boas obras não são o fundamento de nossa aceitação, mas o seu fruto. Deus nos salvou para as boas obras, e não por causa delas. Devemos não apenas praticá-las, mas também fazê-lo com fervor, paixão e zelo. Não devemos ser relapsos e remissos nas boas obras, mas zelosos e fervorosos praticando-as.
John Stott afirma com pertinência que nesse pequeno parágrafo (2.11–14) Paulo coloca lado a lado os dois marcos que determinam a era cristã, ou seja, a primeira vinda de Cristo, com a qual ela começa, e sua segunda vinda, com a qual ela termina. Ele nos convida a olhar uma e outra, pois vivemos no intervalo que separa os dois fatos, uma situação não muito confortável entre o “já” e o “ainda não”.
Embora voltemos o olhar a um passado distante, quando houve a manifestação da graça (Em Cristo presente), e o fixemos também num futuro desconhecido, quando haverá a Manifestação da glória, devemos viver no presente de forma sensata, justa e piedosa. Quando caminhamos entre essas duas manifestações ou epifanias, passada e futura, da graça e da glória, é que podemos viver de modo agradável a Deus. Quando vivemos sob a perspectiva da primeira e da segunda vinda de Cristo, é que encontramos o verdadeiro sentido da vida cristã.
Paulo conclui sua exposição de Tito 2 como começou, dando-lhe uma ordem para ensinar: Tu, porém, fala o que convém à sã doutrina (2.1). No último versículo, diz: Dize estas coisas; exorta e repreende também com toda a autoridade. Ninguém te despreze (2.15). Paulo repete a primeira ordem fala [dize] e acrescenta mais duas: exorta e repreende. O ensino, a exortação e a repreensão devem ser feitos de forma pessoal e corajosa. Então Tito deveria não somente declarar essa mensagem, mas também exortar as pessoas a aceitá-la e repreendê-las caso estivessem cansados , sonolentos, esgotados.
Não basta apenas falar e ensinar; é preciso também encorajar. Não é suficiente apenas falar e encorajar; é necessário também repreender. A Palavra de Deus precisa ser dirigida ao intelecto, às emoções e à vontade. Precisamos ensinar de forma inteligível o conteúdo da teologia, encorajar o coração e repreender a conduta errada.
Tito não poderia se intimidar diante da petulância dos falsos mestres que ameaçavam a igreja, nem sentir-se desqualificado diante dos membros das igrejas cretenses. Ele deveria falar, exortar e repreender com toda a autoridade. Não deveria nutrir complexo de inferioridade diante das pessoas a quem ministrava. Paulo é enfático: “Ninguém te despreze”. Obviamente, essa observação visava mais às igrejas cretenses do que ao próprio Tito.
Conclusão
A graça de Deus é eficaz. Somos o que somos pela graça de Deus. Sem ela, não estaríamos aqui, mas entregues à perdição eterna. Uma vez alcançados pela graça, precisamos de sua eficácia para viver uma vida santa diante de Deus e das pessoas. Isso será difícil se tentarmos viver essa vida baseados em nossa própria força, mas temos de ter em mente que a força vem do alto. A graça nos ensina e nos capacita a viver uma vida digna de Deus. Apeguemo-nos, portanto, à graça de Deus e levemos uma vida vitoriosa em Cristo Jesus. vitoriosa em Cristo Jesus.
A graça Capacita a graça educa.
Hernandes Dias Lopes, Bíblia Pregação Expositiva: Sermões, Estudos e Reflexões, trans. João Ferreira de Almeida, 2a edição Revista e Atualizada. (São Paulo: Hagnos, 2020), Tt 2.15.
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