Não as Impeçais III
Não as impeçais • Sermon • Submitted • Presented
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Jesus e as Crianças no Novo Testamento
1. Como eram vistas as crianças nos tempos de Jesus
Nos tempos de Jesus, a cultura judaica via a criança de forma ambígua. Embora fosse considerada uma bênção (Salmo 127:3-5), não possuía status social ou importância econômica. As crianças eram dependentes e vulneráveis, estando sob a autoridade completa dos pais. Em muitos contextos, eram vistas mais como "não-adultos", pessoas incompletas, até alcançarem a maturidade.
Exemplo cultural:
Nos rituais judaicos, um menino só era reconhecido como "filho da lei" (bar mitzvah) aos 13 anos. Até lá, ele não era visto como plenamente responsável.
Contudo, a abordagem de Jesus vai além das convenções culturais. Ele não as vê apenas como seres insignificantes ou em formação, mas acolhe as crianças de modo significativo.
2. Jesus acolhe as crianças
Jesus nos surpreende ao mostrar que as crianças têm grande valor no Reino de Deus. Ele não apenas permitiu que se aproximassem, mas as abençoou, demonstrando que ninguém é pequeno demais para estar em Sua presença.
Mateus 19.13–15 (NVI)
Depois trouxeram crianças a Jesus, para que lhes impusesse as mãos e orasse por elas. Mas os discípulos os repreendiam. Então disse Jesus: “Deixem vir a mim as crianças e não as impeçam; pois o Reino dos céus pertence aos que são semelhantes a elas”. Depois de lhes impor as mãos, partiu dali.
Aqui vemos como Jesus corrige os discípulos, que ainda refletiam a mentalidade cultural, afastando as crianças. Jesus as coloca como prioridade, mostrando que Deus está atento aos mais frágeis.
Marcos 10:16:
"Então, tomando-as nos braços, impôs-lhes as mãos e as abençoou.”
Esse versículo revela a ternura de Jesus, que não só permite a aproximação das crianças, mas as abraça e as abençoa. Ele se envolve pessoalmente, quebrando barreiras culturais.
3. A criança como modelo de humildade e dependência
Jesus usa as crianças como exemplo de como devemos nos aproximar de Deus: com humildade, confiança e dependência total. Ele destaca a importância de nos despirmos do orgulho e da autossuficiência.
Mateus 18:2-4:
"Jesus, chamando uma criança, colocou-a no meio deles e disse: 'Em verdade lhes digo que, se vocês não se converterem e não se tornarem como crianças, jamais entrarão no Reino dos céus. Portanto, quem se faz humilde como esta criança, esse é o maior no Reino dos céus.'”
Aqui Jesus nos ensina que a postura ideal diante de Deus é a da criança: dependente e humilde. Assim como uma criança confia plenamente em seus pais, precisamos confiar e depender do cuidado do Pai Celestial.
Lucas 18:17:
"Em verdade lhes digo: Quem não receber o Reino de Deus como uma criança nunca entrará nele."
Receber o Reino como uma criança significa aceitá-lo sem reservas, com simplicidade e abertura de coração. Jesus nos chama a abandonar o orgulho e abraçar essa confiança simples e genuína.
4. O cuidado e a responsabilidade para com os pequenos
Jesus também nos alerta para o cuidado e a responsabilidade que temos em relação às crianças e aos vulneráveis. Ele condena qualquer tipo de atitude que leve uma criança ao pecado ou à perdição.
Mateus 18:5-6:
"E quem receber uma criança, tal como esta, em meu nome, a mim me recebe. Se alguém fizer tropeçar um destes pequeninos que creem em mim, melhor seria que se pendurasse ao pescoço uma grande pedra de moinho e fosse afogado nas profundezas do mar."
Este texto revela o senso de responsabilidade que temos diante dos pequenos. Receber e cuidar de uma criança é equivalente a receber o próprio Cristo. O ensino é claro: devemos zelar pelo bem físico, emocional e espiritual das crianças.
Provérbios 22:6:
"Ensina a criança no caminho em que deve andar, e até quando envelhecer não se desviará dele."
Este versículo nos lembra que o cuidado com os pequenos inclui educação e formação espiritual. As sementes que plantamos na infância terão frutos duradouros. Efésios 6:4:
"Pais, não irritem seus filhos; antes criem-nos segundo a instrução e o conselho do Senhor."
A responsabilidade dos pais é criar os filhos com paciência e amor, ensinando-os na verdade do Senhor, sem abusar da autoridade.
Conclusão: Jesus e o Valor dos Pequenos no Reino de Deus
Jesus desafiou as normas culturais da sua época ao acolher as crianças, abençoá-las e usá-las como exemplo de como devemos nos aproximar de Deus. Ele nos ensinou que o Reino dos céus pertence aos humildes, dependentes e simples de coração — assim como as crianças. Além disso, deixou claro que temos a responsabilidade de cuidar dos pequeninos e guiá-los no caminho certo.
Este ensino é um convite para refletirmos sobre nossa relação com as crianças:
Como estamos ensinando e cuidando dos pequenos? Temos acolhido as crianças como Jesus fez? Nosso coração é humilde e dependente como o de uma criança?
Que o Espírito Santo nos ajude a caminhar nessa verdade e a cultivar um coração como o das crianças — simples, humilde e confiando plenamente no amor do Pai.
