Crescendo no caráter
Sermão do Monte • Sermon • Submitted • Presented
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Handout
Introdução
Introdução
Estamos reunidos aqui com um público diverso, onde cada um vive uma fase diferente da vida, com desafios, sonhos e projetos, mas independente da idade e fase que estamos vivendo, existe uma palavra que todos nós buscamos, que é a felicidade, na cultura pós-moderna cada um carrega consigo um ideal de felicidade, mas afinal; o que significa a felicidade para você? Onde está a sua esperança? Muitos de nós passamos mais tempo navegando, ou melhor, naufragando nas redes sociais, procurando algo que nos traga alegria, que nos dê satisfação, que preencha o vazio interior; com o celular em mãos, rolando a tela como um passa tempo, parece que a vida do outro é sempre melhor que a nossa, onde a felicidade se resume em ganhar dinheiro, ter fama, sucesso, muitos seguidores, muitas curtidas e reconhecimento, isso sim parece valer a pena! será que é isso mesmo? Se a felicidade se resume a isso o resultado seria insatisfação, porque nem todos tem a mesma ambição, nem todos tem a mesma visão. Vivemos numa geração de muita cobrança, interna e externa, muita comparação e talvez você já enfrentou alguma crise de identidade se perguntando: Quem sou eu? Porque eu nasci nesse lar? Porque eu pertenço a essa família? Qual o propósito de viver? E nós precisamos saber de onde viemos, a quem pertencemos, e o que nos traz esperança.
O tema aqui é crescendo no caráter, e o que significa a palavra caráter? A palavra grega impressão, gravura. É o que em nós gravou a natureza. Também pode representar: Um conjunto de traços morais que definem a personalidade e a índole de uma pessoa. O caráter é construído socialmente, a partir de valores e hábitos que são internalizados ao longo da vida. E precismos nos perguntar: Qual o padrão moral que estamos seguindo e construindo nosso caráter? O que tem alimentado nossos olhos? O que tem alimentado nossa mente? Para pensarmos aqui, precisamos voltar no tempo e identificar a nossa verdadeira natureza, quando olhamos para o livro de Gênesis, entendemos que fomos criados por Deus, que tudo era perfeito, e que havia uma ordem dada ao homem:
Nova Almeida Atualizada (Capítulo 2)
15 O SENHOR Deus tomou o homem e o colocou no jardim do Éden para o cultivar e o guardar.
16 E o SENHOR Deus ordenou ao homem: — De toda árvore do jardim você pode comer livremente,
17 mas da árvore do conhecimento do bem e do mal você não deve comer; porque, no dia em que dela comer, você certamente morrerá.
Essa era a ordem, como sabemos eles comeram do fruto e o pecado atingiu não só Adão, mas todos nós como humanidade.
A queda de Adão resultou na perda da integridade original; em pecado original; e em culpa e condenação pelo pecado em morte — não somente para ele mesmo, mas para todos seus descendentes.
De acordo com o Novo Testamento, o relacionamento de Adão com a humanidade é semelhante à de Cristo. O único ato de pecado de Adão leva à morte para toda a humanidade, assim como a obediência de Cristo leva à salvação (Rom 5:18). Portanto, Adão age como um representante para toda a humanidade, assim como a morte obediente de Cristo é representativa daqueles que estão em Cristo. A culpa do primeiro pecado de Adão e o pecado original e a morte que são seu castigo caem sobre cada um dos descendentes naturais de Adão. Cada pessoa é considerada culpada como resultado do pecado de Adão, assim como a morte de Cristo leva à consideração dos crentes como justos. Joel B. Carini,
“O Caráter da Queda de Adão”, in Sumário de Teologia Lexham, ed. Brannon Ellis, Mark Ward, e Jessica Parks (Bellingham, WA: Lexham Press, 2018).
Jesus Cristo nos trouxe esperança, e nos ensina o verdadeiro caráter da felicidade, no mundo atual essa felicidade soa “estranho”, pois não é nada convencional, ela exige transformação de vida e pensamento.
Texto: Mateus 5.3-10
Texto: Mateus 5.3-10
Nova Almeida Atualizada (Capítulo 5)
3 — Bem-aventurados
os pobres em espírito, (1)
porque deles é o Reino dos Céus.
4 — Bem-aventurados os que choram, (2)
porque serão consolados.
5 — Bem-aventurados os mansos, (3)
porque herdarão a terra.
6 — Bem-aventurados
os que têm fome e sede de justiça, (4)
porque serão saciados.
7 — Bem-aventurados
os misericordiosos, (5)
porque alcançarão misericórdia.
8 — Bem-aventurados
os limpos de coração, (6)
porque verão a Deus.
9 — Bem-aventurados os pacificadores, (7)
porque serão chamados filhos de Deus.
10 — Bem-aventurados os perseguidos
por causa da justiça, (8)
porque deles é o Reino dos Céus.
Desenvolvimento
Desenvolvimento
As bem-aventuranças marcam as atitudes do cristão, mas isso se verdadeiramente formos regenerados pelo Espírito Santo, a mudança de caráter acontece com uma mudança radical de vida, por isso antes de seguirmos em frente precisamos entender o que seria o novo nascimento, para uma melhor compreensão dessa nova vida, em que Jesus está ensinando no sermão no monte.
REGENERAÇÃO A transformação da condição espiritual de uma pessoa da morte para a vida por meio da obra do Espírito Santo.
Certa vez um líder religioso, mestre da lei, conhecido como Nicodemos foi ao encontro de Jesus a noite para entender sobre os seus feitos, de certa forma ele entendia que somente alguém vindo da parte de Deus, poderia realizar tantos sinais, e Jesus disse para aquele mestre, aquele que não nascer de novo não poderá ver o reino de Deus, e a conversa continua com algumas dúvidas, pois pela lógica humana é impossível alguém retornar para o ventre materno, ou seja para dentro da barriga da sua mãe, e nascer novamente. Jesus continua dizendo: “Quem não nascer da água e do Espírito não pode entrar no reino de Deus” (João 3:5). O apóstolo Pedro quando foi tratar com os cristão que estavam sofrendo perseguições, exortava o povo a permanecer firme e a continuarem crescendo na fé, mas antes disso ele também cita a palavra regeneração: 1Pedro 1.3 “Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que, segundo a sua grande misericórdia, nos regenerou para uma viva esperança, mediante a ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos”. Paulo também diz na carta escrita a Tito: Tito 3.5 “Ele nos salvou, não por obras de justiça praticadas por nós, mas segundo a sua misericórdia. Ele nos salvou mediante o lavar regenerador e renovador do Espírito Santo”. Percebe o quanto isso é importante para seguirmos crescendo no caráter, precisamos ser nova criatura para então compreender os ensinos do mestre.
Agora sim entendendo isso, coloque sua mochila nas costas, e como peregrinos vamos até o monte ouvir o que o mestre Jesus tem a nos ensinar.
As bem-aventuranças
As bem-aventuranças
As bem-aventuranças é uma das passagens mais profundas encontradas na escritura, Jesus em oito pontos consegue explicar a profundidade da satisfação, contentamento e alegria em fazer parte do seu reino, todos aqueles que foram regenerados, agora são instruídos a crescer. Interessante que a verdadeira felicidade descrita aqui, não significa que devemos estar o tempo todo sorrindo, mas sim satisfeitos em Deus. As bem-aventuranças estão ligadas diretamente com o caráter cristão, nos mostrando quem Deus é, e como Ele quer que agimos como filhos. As bem-aventuranças é contracultural porque vai na direção contrária do curso desse mundo, é um tanto paradoxo dizer que feliz é o pobre de Espírito, feliz é quem chora, feliz é o perseguido. Percebe o evangelho é loucura aos ouvidos atuais, as pessoas não suportam ouvir esse tipo de coisa, pois as várias vozes da sociedade priorizam o sucesso, doa quem doer, a ideia é “alegria” nos prazeres, visando sempre nos oferecer alternativas de atração, alimentando nossos sonhos que muitas vezes são egoístas, e vazios. Ninguém quer ser pobre de Espírito, chorar, ou ser perseguido, que alegria estranha essa. Jesus inverte os padrões de alegria, propondo um padrão contracultural. Pode ser que você pense que tenha uma característica mais marcante dentre as bem-aventuranças e diga: - A eu acho que sou um pacificador, ou misericordioso, na verdade eu tenho fome e sede de justiça. Pensando assim você acredita que a sua personalidade está mais ligada a um tipo de bem-aventurança, porém o chamado é geral, um verdadeiro cristão deve crescer na graça de todas bem-aventuranças.
O Sermão do Monte não nos recomenda sair deste mundo para vivermos a vida cristã. Mas ensina-nos que nossa atitude é radicalmente diferente da atitude de quem não é crente
D. Martyn Lloyd-Jones, Estudos no Sermão do Monte, ed. Tiago J. Santos Filho, trans. João Bentes, Segunda Edição. (São José dos Campos, SP: Editora FIEL, 2017), 33.
I Ponto
I Ponto
v.3 Pobres em Espírito
Aqui começamos nossa reflexão no sermão do monte, de uma forma especial, Jesus não inicia acidentalmente falando sobre os pobres de Espírito, ou “humildes” de Espírito. Bem! Essa é a primeira bem-aventurança para nos ensinar que, antes de qualquer coisa, feliz é aquele que reconhece sua incapacidade, imperfeição e pecado. Isso soa um tanto estranho na visão atual, porque geralmente queremos mostrar para as pessoas que somos independentes, que estamos bem, e que sabemos o que é o melhor para nós, muitos até dizem: - Não preciso de ninguém, eu sei o que é melhor para minha vida! Pode ser que você jovem e adolescente, tem dito isso dentro da sua casa, quando não concorda com alguma coisa que seus pais falam, não aceita exortação, correção e quer ditar as regras, cuidado!
Nas músicas de rap mais antigas, a filosofia por trás de muitas canções era: “Tem que saber entrar e tem que saber sair.” Refletindo sobre isso, entendemos que a visão do mundo, de certa forma também é nos ensinar algo sobre humildade, e muitas vezes eu entendia essa ideia, aplicava na minha vida apenas no que me interessava, mas quando eu entendi o que é de fato a pobreza e humildade de Espírito, a ideia passou a ser outra, agora eu preciso reconhecer que não vivo pra mim mesmo, que a verdadeira “malandragem”, é entregar as rédeas da minha vida, nas mãos daquele que me criou e salvou.
O primeiro chamado para aqueles que verdadeiramente se entregaram a Deus, que foram regenerados é a pobreza de Espírito, e isso começa dentro de casa, na escola, na comunidade, no trabalho, enfim precisamos nos rebaixar entendendo que nem sempre estamos com a razão, precisamos nos esvaziar para então sermos cheios do Senhor. Agora como cidadãos do reino de Deus, como peregrinos e forasteiros, seguimos rumo a pátria celestial, andando em novidade de vida, entendendo que nossa vida não se limita a esse mundo, existe algo maior no final. Vale dizer aqui também, que existem algumas visões teológicas que acreditam, que pobres se refere a condição financeira, e não é isso que aprendemos, independente da situação financeira, todos nós precisamos nos rebaixar perante o Deus da graça, lembrando! O que merecemos é a condenação, mas o próprio Senhor Jesus se rebaixou por nós, se esvaziou por nós, assumindo forma humana, nos trouxe Esperança morrendo na cruz pelos nossos pecados. Então antes de escalarmos todo o sermão do monte, entenda de uma vez por todas, você não consegue chegar até Deus sozinho, você é totalmente dependente do seu Pai que está nos céus, por isso ouça atentamente as suas ordens, visando crescer no caráter, pois quem compreende essas verdades e aplica, deles é o reino dos céus.
II Ponto
II Ponto
v.4 Os que choram
Mais uma bem-aventurança que não soa bem na visão do mundo pós-moderno, o mundo prefere evitar o choro, com isso a cada dia que se passa, aumenta o número das vendas de antidepressivos, já deixo claro que não sou contra medicamento para tratamento, mas como disse no início, todos nós queremos ser felizes, se pudesse com certeza concentraríamos a felicidade numa simples pílula que resolveria todo o nosso problema existencial, e cada dia que se passa o aumento de pessoas com depressão, síndrome do pânico, crise de ansiedade, tem sido tratado com seriedade, não apenas pela OMS (Organização mundial de saúde), e também no meio cristão. Mas não é esse tipo de tristeza que está em pauta, não é o choro por alguém da família que morreu, o choro aqui é por uma tristeza espiritualmente provocada, da mesma forma que pobre de Espírito não tem relação com a questão financeira, é algo mais profundo.
O choro aqui é relacionado a nossa condição, lembra! Somos pecadores e quando olhamos para os nossos pecados, isso deve nos entristecer ao ponto de chorarmos e pedirmos perdão pelos nossos erros, muitos tentam evitar a ideia de que somos pecadores, e quase não falam sobre isso, preferindo evitar e esconder, mas enquanto não reconhecermos que para, crescer no caráter, é necessário choro de arrependimento, choro da nossa condição, choro por saber que a cruz de Cristo na verdade era nossa, não entenderemos a mensagem, o próprio apóstolo Paulo diz:
Romanos 7.15–24 “Porque nem mesmo compreendo o meu próprio modo de agir, pois não faço o que prefiro, e sim o que detesto. Ora, se faço o que não quero, concordo com a lei, que é boa. Neste caso, quem faz isso já não sou eu, mas o pecado que habita em mim. Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem nenhum, pois o querer o bem está em mim, mas não o realizá-lo. Porque não faço o bem que eu quero, mas o mal que não quero, esse faço. Mas, se eu faço o que não quero, já não sou eu quem o faz, e sim o pecado que habita em mim. Assim, encontro esta lei: quando quero fazer o bem, o mal reside em mim. Porque, segundo o homem interior, tenho prazer na lei de Deus. Mas vejo nos meus membros outra lei que, guerreando contra a lei da minha mente, me faz prisioneiro da lei do pecado que está nos meus membros. Miserável homem que sou! Quem me livrará do corpo desta morte?” “Porque nem mesmo compreendo o meu próprio modo de agir, pois não faço o que prefiro, e sim o que detesto. Ora, se faço o que não quero, concordo com a lei, que é boa. Neste caso, quem faz isso já não sou eu, mas o pecado que habita em mim. Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem nenhum, pois o querer o bem está em mim, mas não o realizá-lo. Porque não faço o bem que eu quero, mas o mal que não quero, esse faço. Mas, se eu faço o que não quero, já não sou eu quem o faz, e sim o pecado que habita em mim.”
Faça um exercício olhando para sua vida, com algumas perguntas, e você vai entender melhor o quão miserável é:
Porque eu ajo dessa maneira com as pessoas?
Porque me irrito tão rápido?
Porque minto para os meus pais, amigos, professores e líderes?
Porque tenho ciúme e inveja das pessoas?
A resposta é que existe uma guerra da carne contra o Espírito, e quando você reconhece isso, você deve lamentar, e com muita humildade orar a Deus, pedindo que Ele o ajude nas suas limitações, agindo assim você está crescendo no caráter, e será consolado pelo Espírito Santo de Deus.
III Ponto
III Ponto
v.5 Os mansos
O evangelho segundo Mateus foi escrito primariamente para os judeus, e quando olhamos para o contexto desse grupo, eles aguardavam ansiosamente, o Messias como sendo aquele que iria libertar o povo do domínio de Roma, um revolucionário político e militar, mas Jesus mostra aquele povo que não era isso, que o caminho era totalmente ao contrário e o seu reino não era dessa natureza.
Ser manso é usar de paciência mesmo quando sofremos injustiças, ser manso significa que estamos dispostos a ouvir e aprender, ouvindo nosso semelhante, ser manso é ser ensinável, por isso retornamos a pobreza e humildade de Espírito, pois isso revela o quão dependentes somos, ao ponto de nos doarmos ao próximo. Mas isso não significa que uma pessoa mansa é uma pessoa covarde, que evita todo tipo de conversa difícil, que prefere não se indispor com outro, pelo contrário um pessoa mansa é de grande coragem.
A mansidão é compatível com grande força de caráter, Muitos mártires se dispuseram a morrer pela verdade em que acreditavam, se entregando em prol da sua crença, a bíblia está repleta de exemplos de homens mansos, Abraão quando foi dividir as terras com Ló, não ficou questionando, mas deixou até mesmo ele escolher as terras, Gênesis 13.8–13; temos também o exemplo de Moisés em Números 12.3 que é descrito como um homem muito manso; temos vários exemplos de Davi que era perseguido por Saul, que o invejava, Davi teve oportunidades de matá-lo, mas não fez aguardando a justiça divina, enfim esses são exemplos de homens que marcaram, e assim nós também somos chamados a ser mansos de Espírito.
IV Ponto
IV Ponto
v.6 Os que tem fome e sede de justiça
Todos nós temos fome de alguma coisa, alguns tem fome e sede de experiências, outros fome e sede de bençãos, e também aqueles que tem fome e sede de felicidade, com isso vivem buscando momentos que fazem a vida valer a pena, mas aqui vemos nosso Senhor Jesus, ensinando que tipo de fome e sede devemos ter, que a justiça descrita nesse sermão vem do alto, a justiça de um Deus santo e justo. Não podemos inverter a ordem das coisas, experiência, bençãos e felicidade, devem ser vistas abaixo da justiça do reino.
Lendo o Sermão do Monte com John Stott (Os que Têm Fome (Mateus 5.6)
A justiça na Bíblia tem, pelo menos, três aspectos: legal, moral e social. Justiça legal é justificação, um relacionamento correto com Deus.
Justiça legal é que entendemos que não merecemos, mas fomos justificados por Deus, que se fez justiça por nós; a justiça moral é viver de modo que agrada a Deus crescendo no caráter; já a justiça social é aquela que se preocupa em promover justiça, visando o bem ao próximo, ajudando a integrá-lo na cultura humana.
As quatro primeiras bem-aventuranças revelam uma progressão Espiritual, vamos recapitular todas elas, devemos ser “pobres de Espírito” reconhecendo nossa condição de dependentes do nosso Senhor; pois bem-aventurados são “os que choram” diante da sua situação pecaminosa, bem-aventurados são “os mansos” que usam de paciência, mesmo quando sofrem injustiças e estão dispostos a ouvir e obedecer; bem-aventurados são os que tem “fome e sede de justiça” lembrando que essa é uma justiça que vem do alto, não a nossa justiça.
As quatro primeira bem-aventuranças falam do nosso relacionamento com Deus, e as quatro últimas do nosso relacionamento com o próximo.
V Ponto
V Ponto
v.7 Os misericordiosos
Até aqui entendemos nosso estado e consciência com Deus, da nossa necessidade. Agora mudamos o foco que envolvem as consequências, que devem manifestar na vida do cristão.
O Evangelho cristão põe toda a sua ênfase sobre a questão do ser, e não sobre a questão do fazer. O Evangelho dá muito maior importância às nossas atitudes do que às nossas ações.
D. Martyn Lloyd-Jones, Estudos no Sermão do Monte, ed. Tiago J. Santos Filho, trans. João Bentes, Segunda Edição. (São José dos Campos, SP: Editora FIEL, 2017), 126.
Interessante pensarmos assim, porque de nada adianta fazermos boas ações, ajudarmos o próximo somente por desencargo de consciência, ou simplesmente para dizer, eu ajudo o próximo! Precisamos sondar as nossas motivações, antes de agir, é preciso experimentar do Senhor. Assim como nosso Senhor usa de misericórdia conosco, agora somos chamados a usar de misericórdia com o próximo, Salmo 136.1 “Deem graças ao Senhor, porque ele é bom, porque a sua misericórdia dura para sempre.” Ninguém melhor do que o próprio Senhor para nos ensinar sobre misericórdia, mas afinal, o que é ser misericordioso?
O apóstolo Paulo fala em Gálatas 2.20 “Já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim”. Por isso a importância do novo nascimento que já mencionamos, não somos nós que ditamos como devemos seguir, mas sim Cristo que nos conduz conforme o seu querer.
A misericórdia pode ser comparada com a graça de Deus, a graça é um favor não merecido, graça é vinculada aos nossos pecados, e misericórdia a nossa condição miserável, e ser misericordioso é buscar aliviar os sofrimentos do outro. Jesus é o maior exemplo que temos, que além de nos perdoar e salvar, nos ajuda a caminhar em meio a esse mundo onde dia a dia Lamentações de Jeremias 3.22–23 “As misericórdias do Senhor são a causa de não sermos consumidos, porque as suas misericórdias não têm fim; renovam-se cada manhã. Grande é a tua fidelidade.”
As bem-aventuranças é como uma escada apoiada na graça, onde cada degrau está nos ensinando a como crescer no caráter.
VI Ponto
VI Ponto
v.8 Os limpos de coração
Continuamos subindo os degraus da escada apoiados na graça, continuamos subindo o monte compreendendo a profundidade da mensagem de Jesus, continuamos crescendo no caráter. E como nas bem-aventuranças anteriores aqui nós fazemos outra ligação onde o limpo de coração, reconhece sua condição pecaminosa, chora e lamenta por isso, buscando o avanço na santidade.
O coração é o centro da personalidade, o coração inclui nossa mente, vontade e emoções. Quando olhamos para as exortações de Jesus, sempre encontramos um grupo de religiosos descritos na bíblia, os fariseus e escribas que acreditavam ser os guardiões da mensagem, que acreditavam ser melhores do que os outros, que depositavam a sua esperança na capacidade intelectual, pois eram grandes estudiosos da palavra. Perceba que aqui Jesus não está parabenizando, ou dizendo que feliz é aquele que sabe muito, e sim, feliz é o limpo de coração, o problema não está no saber, mas o quanto confiamos em nós mesmos, não basta saber muito, e não praticar, não basta realizar boas obras, grandes ações, precisamos viver a Cristo em nossas atitudes diárias, e para isso é necessário um coração limpo, um coração quebrantado e contrito Salmo 51.17 “Sacrifício agradável a Deus é o espírito quebrantado; coração quebrantado e contrito, não o desprezarás, ó Deus.” O nosso coração é enganoso por natureza Mateus 15.19 “Porque do coração procedem maus pensamentos, homicídios, imoralidade sexual, prostituição, furtos, falsos testemunhos, blasfêmias.”
Estudos no Sermão do Monte Capítulo X: Bem-Aventurados os Limpos de Coração (5:8)
A terrível e trágica falácia que tem sido propalada durante estes últimos cem anos é a ideia que todas as dificuldades dos homens se devem ao seu meio ambiente, e que para mudar o homem tudo quanto se tem que fazer é modificar o seu meio ambiente. Isso constitui uma trágica mentira. Pois tal ideia negligencia o fato que foi no paraíso que o homem caiu no pecado. O primeiro erro foi cometido em um meio ambiente perfeito, e, por essa razão recolocar o homem em um ambiente perfeito não soluciona os seus problemas.
Somos tentados constantemente e colocados a prova, precisamos estar conectados com o nosso Deus, clamando por graça e sabedoria, existe uma luta, uma guerra interna travada entre a mente e nossas vontades, tudo o que temos ouvido até aqui, são palavras de vida, que nos orientam a seguir no caminho do nosso senhor Jesus, mas não se engane o diabo é nosso adversário e tenta o tempo todo nos derrubar; sabe aquele momento em que você está com o celular nas mãos, e você está acessando o instagram, tik tok, facebook e começam a aparecer para você páginas sensuais fazendo com que você clique, daí você entra vai sendo alimentado por isso, até chegar ao ponto de entrar num site pornográfico e afundar no pecado? Sabe aquele momento em que você vê alguém que cometeu algum erro, e logo começa a espalhar para os seus amigos, difamando aquela pessoa? Sabe aquele momento em que você se encontra sem nada pra fazer, e decide simplesmente inventar alguma história e por prazer espalhar para um tanto de gente? Sabe aquele momento em que você pensa, Ah todo mundo faz! Vou beber um pouco, daí você bebe até cair? Sabe aquele momento que você começa a questionar as coisas, até mesmo a existência de Deus e diz: Vou consultar horóscopo para saber mais sobre mim, vou ler alguns livros de magia, vou atrás de outras ideias? Sabe aquele momento que você não se controla e parte para agressão e diz: Eu sou assim mesmo? Diante desses exemplos você pode até dizer: Eu sei o que é melhor pra mim, ninguém manda em mim, sou salvo pela graça, eu sou livre! Não se engane, agindo assim você acredita ser uma pessoa livre, mas na verdade você está sendo escravo dos seus próprios pecados, deturpando a palavra de Deus.
Bem-aventurados os limpos de coração, que buscam a cada dia viver em santidade, produzindo frutos do Espírito e não vivendo nas obras da carne, vivendo em temor diante do nosso Senhor.
Gálatas 5.19–25 (NAA)
Ora, as obras da carne são conhecidas e são: imoralidade sexual, impureza, libertinagem, idolatria, feitiçarias, inimizades, rixas, ciúmes, iras, discórdias, divisões, facções, invejas, bebedeiras, orgias e coisas semelhantes a estas. Declaro a vocês, como antes já os preveni, que os que praticam tais coisas não herdarão o Reino de Deus.
Mas o fruto do Espírito é: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio. Contra estas coisas não há lei. E os que são de Cristo Jesus crucificaram a carne, com as suas paixões e os seus desejos.
Se vivemos no Espírito, andemos também no Espírito.
VII Ponto
VII Ponto
v.9 Os pacificadores
Aqui fazemos um paralelo com os mansos de Espírito, com certeza quando Jesus diz que bem-aventurados são os pacificadores, isso deve ter vindo como uma ofensa para os judeus incrédulos, pois eles aguardavam um reino militarista, nacionalista e materialista, mas novamente Jesus deixa claro que esse mundo não é o seu reino, porque se fosse Ele simplesmente faria tudo diferente, exercendo o seu poder de criador e julgador desse mundo.
Pode ser que em algum momento você já se perguntou, porque existe tanta guerra? Com isso vemos a própria ONU tentando manter a paz, buscando encontrar soluções, para que a humanidade caminhe na mais perfeita harmonia. Mas antes de mais nada, precisamos entender que o problema está no coração assim como temos repetido até aqui, não ferramentas e técnicas humanas que irão mudar o mundo, sabemos que enquanto estivermos aqui, enfrentaremos dificuldades, enfrentaremos lutas, enfrentaremos guerras, mas nós como cristãos regenerados, somos chamados a promoção da paz. A grande necessidade do mundo é de pacificadores transformados.
O que é um pacificador? O pacificador descrito aqui, não é um “apaziguador” que evita todo tipo de conflito, que finge não ver o que está acontecendo, que não quer ter conversas difíceis com as pessoas, que não quer resolver problemas, o pacificador poderia ser descrito como um para-raios onde ele recebe os conflitos, e visando a promoção da paz, entra na guerra afim de ajudar a resolver a situação, o pacificador é a pessoa que está disposta a fazer de tudo que está ao seu alcance, buscando a paz. Mas que tipo de paz? A paz do homem com Deus, por isso somente alguém com um coração limpo, é capaz de ser um pacificador, somente alguém com o coração limpo, é capaz de agir com mansidão.
Um pacificador precisa estar liberto do seu próprio eu, precisa esquecer dos seus interesses, precisa fazer a vontade de Deus, afim de alinhar o coração das pessoas de acordo com a visão do mestre Jesus. O crente pacificador entende que existe dois homens, o velho homem ao qual constantemente precisa dizer cala-te! E ao mesmo tempo se lembrando do novo homem que se preocupa com as pessoas.
“O pacificador só tem um único grande objetivo, que é a glória de Deus entre os homens”.
D. Martyn Lloyd-Jones, Estudos no Sermão do Monte, ed. Tiago J. Santos Filho, trans. João Bentes, Segunda Edição. (São José dos Campos, SP: Editora FIEL, 2017), 165.
Na pratica! Como ser um pacificador? Em primeiro lugar controle sua língua. Assim como vemos em Tiago seja pronto para ouvir e tardio para falar, muitos crentes dizem: “Vou falar tudo o que o penso.” Já parou pra pensar se todo mundo se expressasse assim? Haveria ainda mais guerras. Pense a luz do evangelho sobre o problema que está a sua frente, peça sabedoria e fale quando necessário.
VIII Ponto
VIII Ponto
v.10 Os perseguidos por causa da justiça
Com certeza você já deve ter ouvido a famosa frase “Venha para Cristo e você terá uma vida feliz”, em certo sentido essa frase está correta, pois estamos aprendendo sobre as bem-aventuranças certo? Mas será que essa felicidade dita por alguns pregadores, são de fato a verdadeira alegria do cristão? Bem, se você chegou até aqui, e entendeu cada ponto, pode estar se questionando assim como eu, como é difícil ser um cristão! Envolve abrir mão dos meus “direitos”, das minhas vontades, da minha justiça, do meu conforto, da minha opinião e pra completar chegamos na ultima bem-aventurança, que resume as consequências das virtudes que vimos, que é ser perseguido por fazer o que é certo.
Muitas pessoas vão zombar de você por seguir princípios, muitas pessoas vão humilhar você por fazer o certo, muitas pessoas não vão compreender o porque você age assim, mas a promessa é que passar por isso, faz parte do processo, faz parte da verdadeira alegria, faz parte do crescimento do caráter, de um verdadeiro cristão. Percebe o quanto é desafiador? Mas graças a Deus que não depende de nós, graças a Deus, que pela GRAÇA, Ele nos ajuda no processo, com sua muita misericórdia.
Os cristãos são perseguidos por causa da sua lealdade a Cristo, e isso incomoda aqueles que dizem ser cristãos da boca pra fora, muitos tentam até mesmo silenciar as vozes dos que falam sobre a verdade, nós vimos isso em toda história da igreja.
Você imaginaria que o simples fato de ser uma pessoa honesta no seu trabalho, pode gerar ciúmes e perseguições por parte de outros colaboradores da empresa que trabalham com você?
Você já imaginou que o simples fato de você não passar uma cola na prova, por que você sabe que isso vai contra os seus valores, pode gerar perseguição por parte de outros alunos que pediram sua colaboração?
Você parou pra pensar que só porque você não bebe, não fuma, não sai com várias pessoas, não faz sexo com sua namorada, você pode sofrer zoação da galera, podendo chegar ao ponto de perseguição?
Essa é a visão do mundo pós-moderno que nos leva a entender que não somos desse mundo, interessante que começamos com: “Bem-aventurados os pobres de Espírito, porque deles é o Reino dos céus”. (Mt 5.3). Agora fechamos com chave de ouro, com a mesma ideia, onde os perseguidos por causa da justiça, também tem como garantia, o Reino dos céus (Mt 5.10). Somos Peregrinos e forasteiros nessa terra rumo a pátria celestial, o apóstolo Pedro nos exorta a seguirmos firmes no nosso propósito, buscando o crescimento espiritual.
1Pedro 2.11 (NAA)
“Amados, peço a vocês, como peregrinos e forasteiros que são, que se abstenham das paixões carnais, que fazem guerra contra a alma”.
Aplicação
Aplicação
Você tem se colocado diante de Deus como uma pessoa pobre de Espírito?
Você reconhece sua condição miserável diante de Deus, chora e lamenta pelos seus pecados?
Você tem sido manso, sendo paciente e até sofrendo injustiças por amor a Deus e ao próximo?
Você tem buscado a justiça de Deus e não a sua sobre todas as coisas?
Você tem sido misericordioso com o próximo, assim como Deus foi e tem sido misericordioso com você?
Você tem buscado o crescimento Espiritual, vivendo em santidade?
Você tem procurado agir como um pacificador, levando as pessoas a viverem em paz com Deus?
Você tem sofrido injustiças por simplesmente fazer a vontade de Deus?
Essas são perguntas que nos ajudam a caminhar refletindo na nossa própria vida, olhando pra dentro de nós, clamando a Deus para que Ele veja se existe algum caminho mau em nós, e nos guie pelo caminho eterno. Salmos 139.23-24
Sonda-me, ó Deus, e conhece o meu coração,
prova-me e conhece os meus pensamentos;
vê se há em mim algum caminho mau
e guia-me pelo caminho eterno.
Conclusão
Conclusão
1º Os pobres de Espírito > 5º Os misericordiosos
2º Os que choram > 6º Os limpos de coração
3º Os mansos > 7º Os pacificadores
4º Os que tem fome e sede de justiça > 8º Os perseguidos por causa da justiça
Lembre-se! Um verdadeiro cristão não é aquele que possui algum tipo de facilidade em determinada bem-aventurança, um verdadeiro cristão não é aquele que se limita apenas a uma das virtudes faladas até aqui, um verdadeiro cristão não usa como desculpa a sua personalidade e temperamento, mas sim se humilha diante de Deus, reconhece sua fraqueza e clama por graça. Que a verdadeira felicidade esteja no crescimento de caráter, onde nossas motivações e intenções, estejam em glorificar a Deus em tudo que fazemos, entendendo que tudo que temos e somos é dEle, a Ele toda honra e toda glória, que Deus nos ajude a seguirmos firmes até o fim.
