Na alegria e na tristeza
A moralidade cristã • Sermon • Submitted • Presented
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· 24 viewsObjetivo Geral: Apontar para o valor da Lei, enquanto santificadora do crente. Objetivo específico: Compreender que os motivos da proibição do adultério vão além traição sexual contra um cônjuge.
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Introdução
Introdução
Ex 20.14 / Dt 5.18
Não adulterarás
Chegamos ao sétimo mandamento. E, assim como o mandamento não matarás que vimos semana passada, este é um mandamento onde a mentalidade humana tende a se prender em seu significado superficial, de maneira que Jesus Cristo teve que explicar esse mandamento em seu conhecido Sermão do Monte.
Este é o último dos mandamentos para os quais o Senhor exige a pena de morte, no caso de afronta direta. Ou seja, era sempre punível com pena máxima em caso de fato consumado, devido à grande seriedade dessa ofensa.
Imagino que se fosse aplicada essa regra à sociedade brasileira atual, um genocídio aconteceria, já que, até certo ponto, o brasileiro valoriza o adultério, justificando-o ou amenizando-o de maneiras diversas, como “acabou o amor”, “aconteceu” e “é só um caso”. Há inclusive uma socióloga brasileira que atesta que o amante exerce um papel social importante na manutenção da monogamia.[1]
Contudo, não há risco de tal genocídio ocorrer, pois 1) o artigo 5º da Constituição Federal proíbe a pena de morte e 2) o adultério foi descriminalizado pela Lei 11.106/2005. Isto não quer dizer que o Estado brasileiro aprove o adultério (essa conduta é punida, por assim dizer, em legislações civis), mas significa que o Estado considera que o adultério uma CONDUTA MORAL REPROVÁVEL, mas que não causa GRANDE OFENSA À SOCIEDADE.[2]
Todavia não estamos aqui para tratarmos da legislação tupiniquim, mas da Lei do Senhor, que, como temos visto, moraliza o Estado, conduz pessoas a Cristo e santifica o crente.
Então, antes de analisarmos o mandamento, olharemos um pouco da palavra hebraica aqui usada (תִּֿנְאָֽ֑ף – tine-af). Ela, assim como vimos no 5º Mandamento é uma ordem no intensivo e é geralmente é usada para se referir ao homem que não é fiel à esposa, mas pode ser usado também para se referir à idolatria, como figura de linguagem.
Aqui se refere exclusivamente ao adultério.
Dito isso, veremos que os motivos pelos quais o Senhor proíbe o adultério tornam esse mundo um lugar melhor para se viver.
Motivos da proibição do adultério que tornam o mundo melhor
1º Motivo: Tornar as palavras confiáveis
1º Motivo: Tornar as palavras confiáveis
Ml 2.14 14 E perguntais: Por quê? Porque o SENHOR foi testemunha da aliança entre ti e a mulher da tua mocidade, com a qual tu foste desleal, sendo ela a tua companheira e a mulher da tua aliança.
O que é o casamento? Uma instituição divina? Um contrato social? O tema casamento é por demais extenso para que tratemos aqui, tendo em vista que o casamento tem tanto implicações sociais (daí a necessidade de o Estado criar regras), como implicações espirituais (daí o casamento gerar uma união invisível tão forte e envolver tantos sentimentos intensos).
A homem ocidental tem tentado diminuir a importância do casamento entre homem e mulher para a sociedade. Temos rejeitado o texto que diz que
“por esta causa deixará o homem pai e mãe e se unirá a sua mulher, tornando-se os dois uma só carne”Mt 19.5.
Um reflexo disso é a legislação brasileira que, como vimos, entende que o adultério é ruim para os indivíduos, mas não é um problema social grave.
Contudo, Deus discorda dos nossos legisladores e trata o adultério como um problema gravíssimo de caráter que afeta toda a sociedade, não somente o adúltero e sua família.
E por que isso? Vejamos uma lista do que ocorre antes do adultério ser consumado: O adúltero...
a) Despreza em sua mente um voto (quer diante de Deus, quer diante somente dos homens) em nome de um prazer que dura pouco;
b) Finge fidelidade ao seu cônjuge;
c) Diz que ama/respeita seu cônjuge, mas se importa menos com a opinião dele(a) que com seu próprio prazer físico;
d) Mente sempre que necessário para encobrir o malfeito.
Fica a pergunta, se a pessoa é capaz de agir assim com quem diz amar (ou para quem disse que ama algum dia), o que será capaz de fazer com os outros, com quem não tem compromisso?
Para ficar mais claro, você votaria em um político, ou contrataria uma empregada doméstica, ou confiaria algo importante a uma pessoa que você sabe que, para realizar desejos pessoais está disposta a desprezar acordos, fingir lealdade e mentir para encobrir tudo isso?
Não desejo me estender neste ponto, pois trataremos mais deste assunto quando chegarmos ao 9º mandamento, mas tenhamos em mente que uma pessoa adúltera, antes de mais nada, é alguém que despreza um voto diante de Deus e ele deseja que sejamos pessoas de palavra, como está escrito em Dt 23.23.
Dt 23.23 23O que proferiram os teus lábios, isso guardarás e o farás, porque votaste livremente ao SENHOR, teu Deus, o que falaste com a tua boca.
Em 2Pe 2.9, o Senhor nos chama para proclamar as virtudes dele aos homens 1Pe 2.9b. Quem vai acreditar em nossa pregação se não formos confiáveis? Que motivo nosso vizinho tem para confiar em nossa palavra se nem nosso cônjuge pode confiar em nós?
Quem trai o cônjuge trai qualquer um, porque trai a Deus.
Certamente, um mundo onde as pessoas podem confiar umas nas outras é um lugar melhor para se viver.
Um outro motivo para o Senhor proibir o adultério é:
2º Motivo: Tornar os pensamentos puros
2º Motivo: Tornar os pensamentos puros
Mt 5.27-30 27Ouvistes que foi dito: Não adulterarás. 28Eu, porém, vos digo: qualquer que olhar para uma mulher com intenção impura, no coração, já adulterou com ela. 29Se o teu olho direito te faz tropeçar, arranca-o e lança-o de ti; pois te convém que se perca um dos teus membros, e não seja todo o teu corpo lançado no inferno. 30E, se a tua mão direita te faz tropeçar, corta-a e lança-a de ti; pois te convém que se perca um dos teus membros, e não vá todo o teu corpo para o inferno.
Vocês se lembram que semana passada eu citei que Lutero se refere ao Sermão do Monte como moisíssimo Moisés (Moisés ao quadrado)? Atentem bem a esta passagem e veja se Jesus não está sendo muito mais rigoroso que Moisés. Cristão que acha que a Lei Mosaica é rigorosa e Cristo suaviza a Lei, não conhece Jesus direito.
Jesus deixa claro que a pureza que Deus requer de seus filhos é mais profunda que a mera abstinência sexual. É uma pureza enraizada até nos pensamentos e desejos mais escondidos. Devemos estimar esta pureza mais que nossa própria integridade física.
Assim como uma pessoa é considerada assassina por Deus por alimentar mágoas e ódios em seu coração sem jamais ter usado de violência contra alguém, nós nos tornamos adúlteros quando nossos pensamentos e sentimentos buscam satisfação sexual/emocional em qualquer outra pessoa que não seja nosso cônjuge. E isso inclui os solteiros alimentando desejos ilícitos por outros solteiros.
A lista de atitudes adúlteras é grande:
a) Vestir-se de maneira a provocar o desejo sexual em outros;[3]
b) “Admirar” repetidamente a beleza de outros;
c) Buscar satisfação sexual visual (pornografia, voyeurismo);
d) Alegrar-se ou contar vantagens de cantadas ou flertes;[4]
e) Imaginar-se em ato sexual com outra pessoa que não seja o próprio cônjuge.
Assim como o homicídio, o adultério é um pecado que qualquer pode cometer.
O adultério, quando consumado, nada mais é que o reflexo de uma vida de escravidão. É o ato que mostra que, por dentro, a pessoa já havia perdido o controle de seus pensamentos e apenas reagia a instintos, como um ser irracional. Não é à toa que temos tantos casos de divórcio, homossexualismo[5], pedofilia e até tráfico de pessoas para fins sexuais. É o mero resultado de várias mentes controladas pelo sexo.
Mas como se livrar dessa escravidão?
Primeiramente, lembremos que
“se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres”(Jo 8.36).
Assim como não há liberdade verdadeira sem Jesus, também não há escravidão em Cristo.
Meu amigo, se você não se entregou ainda a Cristo e acha que é livre porque faz o que quer, saiba que é justamente por fazer o que quer que você não é livre! Você simplesmente não consegue fazer nada que seus desejos pecaminosos não te obriguem, mesmo quando isso te prejudica. Você é um escravo do seu pecado e só Jesus pode te libertar disso.
Agora se você é cristão, ou seja, arrependeu-se de seus pecados e suplicou o perdão de Deus, aceitando o sacrifício de Jesus em seu lugar, então NUNCA DIGA que você não consegue vencer os impulsos da sua carne. Se Jesus te libertou, você não é mais um escravo do pecado, ainda que você tropece de vez em quando.
Jesus nos deixou tanto seu Espírito para nos fortalecer contra o pecado, quanto sua Palavra para nos ensinar como lutar. E esta mesma palavra nos diz:
Fp 4.8 8Finalmente, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é respeitável, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se alguma virtude há e se algum louvor existe, seja isso o que ocupe o vosso pensamento.
Ef 5.3 8Mas a impudicícia e toda sorte de impurezas ou cobiça nem sequer se nomeiem entre vós, como convém a santos 18E não vos embriagueis com vinho, no qual há dissolução, mas enchei-vos do Espírito, 19falando entre vós com salmos, entoando e louvando de coração ao Senhor com hinos e cânticos espirituais. [6]
A pureza sexual é proveitosa para todos nós, pois nos livra da escravidão.
Certamente, um mundo onde as pessoas não são mais escravas de seus impulsos sexuais sombrios é um lugar melhor para se viver.
O último motivo por que Deus proíbe o adultério que desejo destacar é:
3º Motivo: Tornar o amor de Cristo conhecido
3º Motivo: Tornar o amor de Cristo conhecido
Ef 5.25-27 25Maridos, amai vossa mulher, como também Cristo amou a igreja e a si mesmo se entregou por ela, 26para que a santificasse, tendo-a purificado por meio da lavagem de água pela palavra, 27para a apresentar a si mesmo igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante, porém santa e sem defeito.
Este texto é muito usado quando se aconselha casais, especialmente para citar os deveres matrimoniais da esposa e do esposo. É claro que o texto está falando sobre isso, contudo, se nos limitarmos aos deveres de cada um, tornamos esse texto extremamente antropocêntrico (centrado no ser humano).
A Bíblia certamente foi escrita para os seres humanos e traz ensinamentos para o bem dos seres humanos, contudo ela é um livro TEOCÊNTRICO[7], ou seja, cada história, lei, poesia, explicação tem como objetivo primeiro a glória de Deus. O centro é Deus. O alvo é Deus.
O texto de Paulo aos efésios sobre o casamento deixa claro que o casamento traz em si mesmo uma imagem do amor de Jesus pelos salvos, a Sua Igreja. Um casamento deve, portanto, ser permeado de amor para demonstrar o tamanho do amor de Cristo pelos salvos. A esposa deve respeitar o marido para demonstrar o respeito que nós, a Igreja, temos por Jesus.
Um casamento bem sucedido não é aquele que nunca passou por problemas, mas aquele que mostra a todos a profundidade do amor de Deus por nós.
O adultério é capaz de arruinar isso e transmite a mensagem que nenhum amor dura pra sempre. Por que o amor de Deus seria diferente, já que nem aqueles que O seguem amam de verdade?
O adultério tem criado na sociedade um desânimo profundo, uma falta de esperança de que o mundo pode ser melhor. Mas a resposta pra isso está no amor, conforme disse Jesus:
Jo 13.35 35Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos: se tiverdes amor uns aos outros.
Um casamento onde o adultério não encontra espaço, reflete bem o amor de salvador de Cristo.
Certamente, um mundo onde as pessoas podem ter esperança de que Jesus salva e transforma é um lugar melhor para se viver.
Conclusão
Conclusão
Por isso, meu irmão, sendo você casado ou solteiro, fuja do adultério, quer o do coração, quer o da prática.
Seja uma pessoa de palavra. Se você faz alguma coisa que te faz mentir ou se esforçar para “encobrir”, pare com isso hoje! Não tenha uma “alma de sedutor” – você precisa ser atraente sexualmente para uma só pessoa.
Seja uma pessoa livre. Não acredite na mentira do diabo que diz que você nunca vai conseguir controlar seus pensamentos. Se você é de Cristo, o domínio próprio, fruto do Espírito Santo que habita em você, está a seu alcance. Basta querer. Alimente seus pensamentos com o que é proveitoso.
Seja pessoa fiel a Deus. Fuja de relacionamentos fora do casamento para satisfazer suas “carências emocionais” ou “necessidades físicas”. Você não é o centro do mundo. Deus que é.
Se agirmos assim, certamente o mundo será um lugar melhor para viver.
[1] AMENO, Agenita. A função social dos amantes: na preservação dos casamentos monogâmicos. 4ª Ed. Autêntica. Lidas a Introdução à 4ª Edição e algumas páginas do miolo, pareceu-me que o objetivo do estudo era mais uma demonstração de que, sem a presença da figura do amante, a sociedade descamba para a bigamia e poligamia. Contudo, há certo tom elogioso ao comportamento sexual adúltero, tratado meramente como distração e prazer, palavras destituídas de julgamento moral negativo naquele contexto.
[2] SANTOS, Simone Moraes dos. Adultério, traição e dano moral. Revista Jus Navigandi, ISSN 1518-4862, Teresina, ano 11, n. 936, 25 jan.2006. Disponível em: <https://jus.com.br/artigos/7871>. Acesso em: 24 maio 2017.
[3]Se não é intencional, outros pecados poderão estar em jogo, como a defraudação e a indecência.
[4]O flerte e a cantada podem ser lícitos, se com intensões e formas puras e entre solteiros. Mas alguns casados se valem desses artifícios para sentirem-se vivos.
[5]A militância LGBT prefere “homossexualidade”, alegando que “homossexualismo” remonta a doenças, mas isto certamente não é adequado. O sufixo -ismo é utilizado em uma série de outras palavras como escapismo (conduta), ciclismo (modalidade esportiva), marxismo (ideologia econômico-social) e catolicismo (sistema religioso). Mesmo quando referente à saúde, o sufixo -ismo pode se referir à diversas condições que não são propriamente doenças, como estrabismo (condição inata) e traumatismo (condição causada). Como muitos dos modismos e exigências dentro de grupos militantes, requerer que se mude a forma de se referir aos homossexuais por outro vocábulo é apenas um engodo que em nada contribui para as lutas que eles julgam justas.
[6]O contexto aqui trata de conduta imoral entre outros pecados a serem abandonados.
[7]Ainda que alguns prefiram a expressão cristocêntrico.
