Você dá o que você é
Parábolas de Jesus • Sermon • Submitted • Presented
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· 13 viewsObjetivo Geral: Aprofundar o conhecimento acerca do ensino de Jesus e corrigir compreensões errôneas das parábolas de Jesus. Objetivo específico: Apontar as implicações da natureza humana (regenerada e não regenerada) para as nossas ações. Proposição: Aplicações que nos prepararão para lidar com todos os tipos de pessoas.
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Lucas 6.43-45 43Porque não há boa árvore que dê mau fruto, nem má árvore que dê bom fruto. 44Porque cada árvore se conhece pelo seu próprio fruto; pois não se colhem figos dos espinheiros, nem se vindimam uvas dos abrolhos. 45O homem bom, do bom tesouro do seu coração tira o bem, e o homem mau, do mau tesouro do seu coração tira o mal, porque da abundância do seu coração fala a boca.
Mt 7.15-20
Introdução
Introdução
(Bíblia)
Continuamos com a série Parábolas de Jesus. O Intuito dessa série é aprofundar nosso conhecimento acerca do ensino de Jesus e também corrigir compreensões populares, mas errôneas das parábolas dele.
Na última pregação, vimos o texto imediatamente anterior ao desta noite, então o mesmo que disse na outra pregação tem validade nessa. Apesar da proximidade dos dois textos, há indícios de que Lucas fez uma coletânea dos ditos do Senhor nessas passagens, o que pode significar que não se tratou de um discurso corrido de Jesus, mas ensinos em diversos momentos.
Ainda que fosse o caso de ser uma coletânea, para o autor deste Evangelho, foi pertinente colocar este trecho imediatamente após a série de ensinos de Jesus acerca do julgamento das ações do próximo. Então, não há motivo para não inserir esse ensino no mesmo contexto.
Jesus havia dito através das parábolas das medidas, do cisco e a do cego, que os judeus não estavam habilitados para julgar os atos das pessoas, por causa da sua compreensão errada da vida com Deus.
Também deve ser levado em consideração o texto paralelo de Mateus 7.15-20. Lá o contexto é a identificação dos falsos profetas, cujas obras inevitavelmente revelarão sua hipocrisia.
Nos versículos que vemos hoje, Jesus explica o porquê de as coisas serem assim, então vamos analisa-los melhor:
43Porque não há boa árvore que dê mau fruto, nem má árvore que dê bom fruto.
44Porque cada árvore se conhece pelo seu próprio fruto; pois não se colhem figos dos espinheiros, nem se vindimam uvas dos abrolhos.
Jesus fala da natureza das árvores para exemplificar o porquê de os judeus não poderem fazer bons julgamentos. Para isso ele aponta três características das árvores.
A primeira é o fato de que uma árvore corrompida, produz frutos ruins.
É como aquele mamoeiro que nunca dá frutos e quando nascem, nascem mirrados e imprestáveis. Como a árvore não tem o poder de mudar a própria genética, nem o solo onde suas raízes se fixaram, ela continuará dando maus frutos enquanto existir.
Por outro lado, há árvores que dão excelentes frutos.
Minha mãe possuia uma gravioleira no quintal. Todo ano ela produzia graviolas grandes e extremamente doces. É de fato uma boa árvore, pois seus frutos são ótimos. Os frutos daquela árvore só ficavam ruins quando dava bicho, mas isso não era culpa da árvore.
Uma árvore ruim dará fruto ruim a não ser que algo fora do controle dela mude as condições de vida dela.
A segunda característica que Jesus destaca é a importância do fruto. Já notaram que damos nome para as árvores por causa dos frutos delas.
A maçã não se chama maçã porque vem da macieira, mas a macieira tem esse nome porque produz maçãs.
Os frutos que as árvores dão são muito preciosos para nós e, acabam se tornando a referência para o nome da planta toda. A árvore é conhecida pelo fruto que produz.
A terceira característica, ligada às duas primeiras, é que a árvore produz frutos de acordo com a sua natureza.
Se uma árvore produz maçã, por causa da sua natureza, ela produzirá maçãs a vida inteira. Ela não cansará uma estação e produzirá laranjas “só pra varia um pouquinho”.
Se a natureza da árvore não muda, ela continuará a produzir os mesmos frutos enquanto existir. Mas você já viu alguma árvore mudar de natureza, mudar de espécie? Só um milagre faria isso.
Nas parábolas anteriores, Jesus apontou para o ensino dos judeus e o mau uso que eles faziam da Lei, deixando claro que eles falam daquilo que lhes é próprio.
Árvores com frutos inúteis para o consumo não darão, magicamente, frutos bons para o consumo e homens com podridão dentro de si não serão, magicamente, uma benção para os outros ainda que possam parecer.
Cada um produz aquilo que sabe produzir.
Vamos para o próximo versículo.
45O homem bom, do bom tesouro do seu coração tira o bem, e o homem mau, do mau tesouro do seu coração tira o mal, porque da abundância do seu coração fala a boca.
Esse versículo traz a conclusão óbvia do que Jesus queria dizer: homens maus, corrompidos, não nascidos de novo, não tem habilidade de fazer um julgamento justo e bom acerca dos pecados alheios, nem serão capazes de ensinar acerca da palavra de Deus com justiça.
Todavia preste atenção a duas palavras que o português nem sempre deixa claro.
A primeira é tesouro.
A palavra se refere a um objeto utilizado para guardar coisas preciosas, tal como um cofre. Popularmente, usamos a palavra tesouro para nos referir ao conteúdo valioso de um baú ou cofre, a atenção dada por Jesus aqui é ao baú ou cofre: o coração.
Lembrem que a Bíblia diz em
Pv 4.23 “Sobre tudo o que se deve guardar, guarda o coração, porque dele procedem as fontes da vida.”
O coração representa na Bíblia a pessoa como um todo, incluindo aí não somente as emoções, como nossa cultura quer, mas também nossa razão, nossa identidade, nossas inclinações, desejos e todo o resto.
Por isso o provérbio é tão profundo, pois orienta-nos a proteger-nos e evitar tudo o que nos afastaria de Deus, quer sejam tentações externas como internas.
Assim, Jesus está falando que uma pessoa boa, é um bom cofre, cheio daquilo que é bom, enquanto uma pessoa má é um mau depósito, feito para guardar coisas ruins.
A segunda palavra é aquela traduzida por “tira”, que vem de um contexto agrícola, significando literalmente “produz”. O que é importante aqui é que uma pessoa, seja boa ou seja má, ela produz o seu fruto, não meramente devolve algo que recebeu. Aquela bondade ou maldade é gerada dentro dela, porque corresponde à natureza dela.
O que ela produz vai acumulando dentro dela (coração) até uma hora que sai. É algo tão natural que parece automático.
Sendo assim, quero trazer algumas aplicações que nos prepararão para lidar com todos os tipos de pessoas.
1ª Aplicação: Limitações da natureza
1ª Aplicação: Limitações da natureza
O cristianismo não é uma religião que foca em mudar seus hábitos. Ainda que a troca de hábitos ruins por hábitos bons seja inevitável em um verdadeiro cristão, o foco da pregação do Evangelho é que Jesus deseja te tornar uma nova pessoa.
É uma mudança de natureza: de mera criatura de Deus para filho de Deus.
Em João 3.3-7, Jesus chama isso de nascer de novo e você não obtêm isso com uma série de regras do que pode e não pode fazer.
A Bíblia ensina que sua natureza é corrompida pelo pecado de tal forma, que até os seus melhores atos de justiça são manchados pelo pecado. É da nossa natureza pecar e gostar de pecar, justificando nossos maus hábitos. É da natureza humana caída ser rebelde contra Deus.
Se você frequenta esta ou outra igreja, mas acha que Jesus só serve para determinados assuntos da sua vida, é provável que você apenas deseje mudar alguns maus hábitos. Isto não muda quem você é.
Jesus não quer reformar você por fora. Ele quer demolir você e te tornar uma nova criatura (2Co 5.17; Gl 6.15).
Gl 6.15 15Porque em Cristo Jesus nem a circuncisão, nem a incircuncisão tem virtude alguma, mas sim o ser uma nova criatura.
Antes de mais nada, reconheça que é pecador e merecedor do inferno. Enquanto você não achar que precisa desesperadamente do perdão obtido em Cristo, não haverá esperança de mudança real, pois a sua natureza é de rebeldia contra Deus. No máximo uma mudança exterior, que não te livrará da condenação pelos seus pecados.
Por outro lado, tem cristãos que tentam conformar os não-cristãos ao evangelho. Nós devemos denunciar o pecado e incentivar as virtudes bíblicas a todos, contudo não nos compete mudar as pessoas.
A Bíblia deixa claro que através do convencimento pelo Espírito Santo, é que as pessoas nascem de novo e, portanto, mudam. Só o milagre da salvação para que alguém mude sua natureza.
Pais, querem bom comportamento dos filhos? Evangelize eles.
Filhos, evangelizem seus pais, caso desejem que eles se pareçam com Cristo.
Evangelize seu chefe, se deseja que ele seja mais agradável.
Evangelize seu cônjuge, se deseja mudanças reais.
Espere de pessoas não convertidas, ações próprias de pessoas não convertidas. Se deseja mudanças nelas, evangelize-as e ore pela salvação delas.
2ª Aplicação: Hipocrisia na vida
2ª Aplicação: Hipocrisia na vida
Existem pessoas que se esforçam para mostrar o que não são. Querem parecer mais nobres, mais inteligentes, mais sábios, mais justos do que são de fato, para ter a aprovação e/ou reconhecimento dos outros. É sempre difícil lidar com gente assim e, às vezes, nós somos essas pessoas.
A hipocrisia é um grande mal, pois ilude as pessoas e o próprio hipócrita.
Mas Jesus alerta, nossos frutos são de acordo com nossa natureza. Calvino dizia que alguém sem Cristo só pode simular virtude. Uma hora a verdade vem à tona sobre quem somos. Nosso vocabulário, nossos atos, nossos hábitos, nossos impulsos denunciam quem somos por dentro e isso é inevitável.
Por isso a solução nunca é fingir ser quem não é, mas buscar refúgio em Cristo. Ele tem poder para nos mudar.
Isto nos ajuda também a reconhecer os falsos profetas e falsos cristãos. A vida deles uma hora vai denunciar quem eles são. Não basta você sentir que foi edificado pela fala de alguém para crer que é um cristão genuíno. Avalie a vida da pessoa como um todo. Identifique o que o tesouro do coração dele produz.
3ª Aplicação: Menos surpresas nas relações
3ª Aplicação: Menos surpresas nas relações
Saber de tudo isso ajuda-nos a estarmos preparados para maus comportamentos. Jesus já demonstrou como é a natureza humana. Aquele sentimento de decepção que temos quando alguém peca é inadequado.
Devemos sim nos entristecer com o pecado, mas não nos decepcionar. O pecado, infelizmente, está inserido em nosso dia-a-dia até a volta de Cristo, quando seremos libertos definitivamente de todos os efeitos do pecado.
Até lá, devemos conviver com a realidade de que nós pecaremos e os outros pecarão. Por isso não se surpreenda com o pecado, especialmente dos não-cristãos, pois eles ainda estão totalmente presos, escravizados pelo pecado (Jo 8.34; Rm 6.16-20; 2Pe 2.19).
Se por um lado conhecer a natureza humana pode nos tornar pessimistas quanto ao ser humano, por outro lado, sabemos que os cristãos, aqueles que nasceram de novo, receberam de Deus uma nova habilidade, sendo capazes hoje de realmente fazer o bem. Não o bem aparente, de quem quer aliviar a consciência ou quer ser reconhecido, mas fazer o bem somente porque é o certo e Deus assim o quer.
Então, entre irmãos em Cristo, apesar de sabermos que o pecado ainda faz parte de nós e, por vezes nos ferimos, ao mesmo tempo sabemos que podemos contar uns com os outros, pois o Espírito de Deus tem sido presente em nós, nos moldando para sermos mais parecidos com Jesus e menos pecadores.
Então, duas orientações:
· Não se escandalize com os não-cristãos, mas evangelize. Se neles não habita o Espírito de Deus, por que esperar que tenham a moralidade de Jesus?
· Confie em seus irmãos em Cristo, mesmo sabendo que por vezes falharemos. O Espírito de Deus que habita em você e te faz melhorar, é o mesmo que habita em seu irmão e o faz melhorar.
Conclusão
Conclusão
Como vimos, Cristo nos ensina o que esperar das pessoas. Isso nos ajuda a viver uma vida com menos decepções e ter reações mais adequadas às situações provocadas pelos outros e por nós mesmos.
Conhecendo a natureza humana e as consequências disso nas nossas ações, podemos evitar tanto a ingenuidade quanto a desconfiança sem fundamentos.
Cristo nos deu ferramentas para relacionamentos mais equilibrados.
