CARATERÍSTICAS MINISTERIAIS DO PRESBÍTERO
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LICÃO 7
INTRODUÇÃO
Presbítero é um homem eleito pela igreja local para o exercício do pastoreio das ovelhas. A palavra presbítero, no contexto do Novo Testamento, pode ser compreendida também como pastor, bispo ou ancião. Paulo escreveu a Tito: "Por esta causa, te deixei em Creta, para que pusesses em ordem as coisas restantes, bem como, em cada cidade, constituísses presbíteros, conforme te prescrevi" (Tt 1.5). Esse texto deve ter o respaldo de 1 Timóteo
3.1-7, com os destaques dos requisitos.
1. APTO PARA ENSINAR
(1 Tm 3.2)
Esta qualificação parece indicar que o presbítero deve ser hábil para ensinar e sustentar as doutrinas fundamentais: Sobre ensinar, a ideia é de alguém com didática para transmitir o ensino da verdade visando a edificação dos santos. Sobre sustentar, tem a ver com a capacidade de defender as bases fundamentais da fé cristã em relação aos ataques dos falsos mestres (2Pe 2.1-21). Segundo João Calvino "não é suficiente que uma pessoa seja eminente no conhecimento profundo, se não é acompanhada do talento para ensinar. Há muitos, seja por causa da pronúncia defeituosa, ou devido à habilidade mental insuficiente, ou porque não estejam suficientemente em contato com as pessoas comuns, o fato é que guardam seu conhecimento fechado em seu íntimo" (As Pastorais, p.87).
Hermisten Maia vai além ao afirmar: "De passagem, pelo enunciado de Paulo como critério para o presbiterato, podemos observar a relevância da pregação na edificação da igreja. O princípio de Paulo nos parece simples: se um membro da igreja não tivesse evidenciado habilidade no manuseio da Palavra não estaria apto para o presbiterato"
(Obra não publicada).
Para o bom desempenho desse requisito é exigido que presbítero seja aplicado ao estudo sistemático e profundo da Bíblia. A Bíblia diz: "Procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade" (2Tm 2.15); e "ora, é necessário que o servo do Senhor não viva a contender, e sim deve ser brando para com todos, apto para instruir, paciente" (2Tm 2.24).
A igreja local necessita de líderes aptos para ensinar o rebanho. Sem eles, é certo que os santos permanecerão num estado estático de maturidade cristã tal como aconteceu com os coríntios (1Co 3.1-4) e os crentes a quem a epístola aos Hebreus foi direcionada (Hb 5.11-14).
João Calvino diz: "Quando o Senhor nos abençoa também nos convida a seguirmos seu exemplo e a sermos generosos para com o nosso próximo. As riquezas do Espírito não são para serem guardadas para nós mesmos, mas sempre que alguém as recebe deve também passá-las a outrem. Isto deve ter uma aplicação especial aos ministros da Palavra, mas também tem aplicação geral a todos os homens, a cada um em sua própria esfera" (Exposição de 2Coríntios, Edições Paracletos, 1995, p.17).
No próximo tópico, quando observaremos Tito 1.9, trataremos mais profundamente da ideia de ser apegado à palavra ou amar profundamente a Escritura.
II. APEGADO À PALAVRA
(Tt 1.9)
Apegar-se à Palavra e não trocar a Biblia por nada. Há bons livros que podem ajudar o líder espiritual a entender muitas passagens bíblicas, mas nada toma o lugar da Biblia.
Outras literaturas são apenas ferramentas de apoio no exame da Escrítura. A ideia que o texto apresenta tem a ver com sustentar com lealdade o ensino bíblico. O termo "apegado" é a tradução da palavra grega “antechomai" que significa manter com fidelidade; apegar-se com firmeza. O mesmo termo aparece em Mateus 6.24 e Lucas 16.13, com ideia de um serviço prestado com fidelidade a Deus.
Esse requisito é primordial, pois sem apego irrevogável à Bíblia tanto o presbítero, quanto o diácono, serão incapazes de manter-se em acordo com todas as demais qualificações. Segundo João Calvino, este é o principal dote do bispo que foi eleito especialmente para o magistério sagrado, porquanto a Igreja não pode ser governada senão pela Palavra" (As Pastorais, p.313).
Vejamos alguns textos bíblicos que retratam o apego ou amor à Palavra.
* Salmo 1.2: "Antes, o seu prazer está na lei do SENHOR, e na sua lei medita de dia e de noite".
•Josué 1.8: "Não cesses de falar deste Livro da Lei; antes, medita nele dia e noite, para que tenhas cuidado de fazer segundo tudo quanto nele está escrito; então, farás prosperar o teu caminho e serás bem-sucedido".
Salmo 19.8-10: "Os preceitos do SENHOR são retos e alegram o coração; o mandamento do SEnHOR é puro e ilumina os olhos. O temor do SENHOR é límpido e permanece para sempre; os juízos do SENHOR são verdadeiros e todos igualmente, justos. São mais desejáveis do que ouro, mais do que muito ouro depurado; e são mais doces do que o mel e o destilar dos favos".
Salmo 119.11: "Guardo no coração as tuas palavras, para não pecar contra ti". Provérbios 30.5: "Toda palavra de Deus é pura; ele é escudo para os que nele confiam".
Tiago 1.22: "Tornai-vos, pois, praticantes da palavra e não somente ouvintes, enganando-vos a vós mesmos".
Efésios 6.17: "Tomai também o capacete da salvação e a espada do Espírito, que é a palavra de Deus".
III. BOM TESTEMUNHO DOS DE FORA
(1Tm 3.7)
Paulo chama a atenção de Timóteo dizendo: "tem cuidado de ti mesmo e da doutrina. Continua nestes deveres; porque, fazendo assim, salvarás tanto a ti mesmo como aos teus ouvintes" (1Tm 4.16). O rebanho deve espelhar o presbítero. O líder aplicado ao bom testemunho precisa dizer como Paulo: "sede meus imitadores, como também eu sou de Cristo" (1Co 11.1).
Entretanto, o texto de 1 Timóteo 3.7 parece indicar que o presbítero também deve se aplicar para obter um bom testemunho dos que não são da igreja, ou seja, incrédulos.
Essa informação revela quão excelente deve ser o ofício de presbítero. O presbítero precisa tomar todo o cuidado para não ser difamado ou ter do que ser acusado, pelos de dentro e pelos de fora da igreja, como, por exemplo, pelo fato de ser um mal pagador. Um modelo do que estamos tratando pode ser observado em Paulo. O apóstolo, quando levou a oferta dos macedônios e acaios para os necessitados de Jerusalém, não o fez sozinho para evitar que alguém pudesse acusá-lo de roubo (1Co 16.1-4; 8.16-24;
Rm 15.22-33). Não temos dúvida da honestidade de Paulo, mas os ímpios poderiam ter. Sua cautela revela um homem sensato e cuidadoso quanto ao testemunho cristão.
Assim também devem agir os presbíteros.
Segundo João Calvino, "a primeira preocupação é sem dúvida a de ser uma boa pes-soa, e isto é verificado não só pelos feitos externos, mas também por uma consciência integra; porém, a segunda preocupação consiste no fato de que as pessoas no meio das quais você vive devem reconhecer que de fato você é uma boa pessoa. (...) O cristão deve sempre ter o cuidado de viver uma vida que produza a edifcação de seu próximo e tomar cuidadosas precauções, para que os ministros de Satanás não encontrem desculpas para calunia trazendo com isso a desonra de Deus e a ofensa dos homens de bem" (Comentário de 2 Coríntios, 8.21)
CONCLUSÃO
Nesta lição, pudemos observar quão importante é que o presbítero ensine e aplique a palavra de Deus em sua própria vida, de modo que o seu bom testemunho seja visto por todos. Embora pareça rigoroso não podemos esquecer que foi Deus quem estabeleceu tais qualificações.
