A REFORMA PROTESTANTE E A SUFICIÊNCIA DAS ESCRITURAS
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2Timóteo 3.16–17 “Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra.”
Martinho Lutero disse: “As Escrituras são a nossa vinha, na qual todos nós devemos trabalhar”.
Depois de uma grande tempestade da qual Lutero foi salvo, ele decidiu se tornar monge, se dedicando ao estudo profundo da teologia. Nesse período Lutero teve fortes crises existenciais quanto à segurança da sua salvação. Ele meditou profundamente e pessoalmente na Escritura, e ali encontrou a solução para suas lutas e muito mais.
Depois de certo período, convencido de que a Igreja estabelecida, a Igreja Católica Romana, estava em muitas partes contrariando a Bíblia Sagrada, e afundada e imoralidade e escândalos de corrupção, Lutero fixou nas portas da Igreja de Wittenberg, as suas 95 teses contra as indulgências da igreja Católica (a ICAR vendia bênçãos espirituais - alguma coincidência com a igreja evangélica hoje?). Poucos anos depois da publicação das Noventa e Cinco Teses, Lutero traduziu o Novo Testamento em alemão. Mais tarde, os dois testamentos seriam disponibilizados para os leitores alemães.
Em 1525, William Tyndale, o Reformador inglês, traduziu o Novo Testamento, a partir do grego, para o inglês, e foi martirizado por isso. Tyndale ficou também conhecido como o traficante de Deus, por traficar Bíblias traduzidas, que eram proibidas pela Igreja católica.
João Calvino, o Reformador da Suíça, comparou as Escrituras aos espetáculos. Ele dizia que à parte das Escrituras, interpretamos mal o mundo, a natureza humana e o Criador. Somente as Escrituras nos dão a imagem clara de quem é Deus, quem somos nós e qual é o plano de Deus para o mundo. Sem as Escrituras, tropeçamos na escuridão. As Escrituras são necessárias para que o mundo seja visto corretamente.
A Reforma foi edificada sobre a Bíblia.
Da Reforma do século 16, então, surgiu uma luz conhecida como Sola Scriptura, que significa “Somente as Escrituras” e serviu de base para outras quatro luzes: Somente a Graça, Somente a Fé, Somente Cristo e Gloria Somente a Deus.
Tudo isso está fundamentado nesse primeiro princípio - Sola Scriptura, Somente a Escritura - como um prédio bem fixado. Os Reformadores, pra terem firmeza, força, descobriram a Bíblia como a rocha sobre a qual eles assentariam as bases da Reforma. Disseram não ao catolicismo romanos e ao mesmo tempo, disseram não aos Anabatistas e aos Libertinos que eram seitas protestantes que queriam acrescentar os seus sonhos e as suas visões e novas revelações e as suas revelações proféticas à Revelação objetiva e completa de Deus - a Bíblia. E os reformadores disseram: Não! É Somente a Escritura.
A ICAR acrescentava e acrescenta boas obras e batismo e casamento e outros ritos e indulgências e Maria e etc. E os reformadores, porque voltaram à Palavra de Deus – Somente às Escrituras – disseram que não; a salvação, o único e verdadeiro evangelho salvador, é Somente pela Graça, por meio da Fé Somente em Cristo. E quando esta fundação estiver no lugar, e estes três pilares firmes e imóveis estiverem no lugar, então o telhado que aponta para cima será: Glória somente a Deus. Essa é toda a Reforma em poucas palavras.
Depois que os Reformadores de primeira geração, como Martinho Lutero, William Tyndale, Ulrico Zwinglio, John Knox, Martin Bucer, João Calvino, saíram de cena, os próximos a lutarem por essa verdade foram os da Segunda Reforma, conhecidos como Puritanos. Essa era puritana começou em meados do mesmo século, o século XVI, com a ascensão da Rainha Elizabeth ao trono da Inglaterra e a remoção de Maria, a Sanguinária, de seu reinado de terror, pois ela, a Maria, havia trazido de volta suas crenças católicas e condenado à morte cerca de 288 pregadores fiéis, o primeiro deles foi um homem chamado John Rogers, um tradutor e comentarista bíblico, de quem eu vou falar um pouco mais tarde. Após o reinado de Maria Sanguinária, um novo dia surgiu com Elizabeth no trono e surgiu agora um novo movimento conhecido como Movimento Puritano, que procurou purificar a Igreja da Inglaterra e trazer a igreja de volta à pureza do Somente a Escritura, Somente a Graça, Somente a Fé, Somente Cristo, Glória Somente a Deus.
E esta noite, quero que consideremos o compromisso desses irmãos reformados com a verdade do Somente as Escrituras, através de três pontos históricos: (1) A Verdade definida pelos Reformados. (2) A Verdade Denegrida pelos fanáticos. E (3) A Verdade defendida por um homem chamado John Owen.
Mas antes disso vamos estabelecer 4 marcas que definem as Escrituras. Essas marcas foram defendidas pelos reformadores na época da Reforma especialmente contra a Igreja Católica, mas também contra algumas seitas protestantes da época. Hoje em dia devemos ter sabedoria pra aplicar essas verdades também contra muitas coisas absurdas que vemos hoje no meio da igreja evangélica.
A Igreja Católica dá muito valor à tradição e coloca até mesmo a tradição, o que eles chamam de Tradição oral, o magistério e a infalibilidade papal, acima das Escrituras. Então são coisas externas, que estão acima das Escrituras. Mas naquele tempo também existia uma seita chamada Anabatista, que dava mais autoridade à revelação interior, à voz ou à luz do Espírito na alma. Então a Bíblia acabava sendo não tão necessária e suficiente. Contra isso os reformadores defenderam 4 atributos das Escrituras que eu passo a falar: Autoridade, Necessidade, Clareza e Suficiência.
Autoridade. Tudo começa aqui. Para os reformadores, a Escritura se autentica sozinha, ela mesmo diz quem ela é: Ela é a Palavra de Deus: a igreja foi fundada sobre a autoridade da Escritura. Mas pra Igreja Católica a igreja é superior à Bíblia, porque foi a Igreja que deu origem à Bíblia. E os Anabatistas entendem que a voz subjetiva do Espírito Santo, ou seja, quando o Espírito fala no meu interior, na minha experiência, isso é mais importante do que o que a Bíblia diz. Aqui está a destruição da Igreja, quando colocamos a Tradição e Experiência como superior à Palavra objetiva de Deus - a Bíblia. Devemos entender que foi a Palavra de Deus que deu origem à Igreja, porque é pela Palavra que Deus faz todas coisas - é pela Palavra que Deus criou o mundo, é pela Palavra que sustenta o mundo, é pela Palavra que Deus salva o mundo e é pela Palavra que Deus vai julgar o mundo - portanto, é a Palavra que cria a Igreja e não o contrário. A Palavra foi escrita por homens, mas foi inspirada por Deus. Não confunda. A Bíblia, que foi escrita por profetas e apóstolos, não é a palavra deles simplesmente, mas é a Palavra de Deus - inerrante, eficaz e perfeita e autoritativa. Portanto ela tem toda autoridade. Quer dizer que se é Palavra de Deus, então o que ela diz deve determinar o modo como eu vou viver, deve determinar minhas decisões. A Palavra de Deus é Lei sobre a minha vida. Não são sugestões de Deus, opiniões de Deus; são os decretos, os juízos, os preceitos, a Lei de Deus. Ela é a principal autoridade sobre a minha vida. Nem minha consciência, nem meus pais, nem meu pastor, mas a Bíblia tem a última Palavra na minha vida.
Necessidade. A Reforma também se separa de Roma quanto à necessidade da Escritura. No Catolicismo romano, a igreja, vivendo pelo Espírito Santo, é auto-suficiente. A Bíblia, estritamente falando, não é necessária. Pra eles é a Bíblia que precisa da igreja pra ser interpretada, e não a igreja que precisa da Bíblia pra existir. E pra os místicos, que tem experiências sobrenaturais, eles entendem que eles não precisam da tanto bíblia porque eles já tem uma revelação muito mais profunda e íntima, que a Bíblia se torna necessária apenas pra os menos experientes na fé, os que não tem tanta experiência assim com o Espírito de Deus. Mas na verdade, é a igreja que é preservada pela Bíblia em primeiro lugar. A grande credibilidade que igreja tem é por causa da Bíblia, que é um livro singular, um livro impressionante. E até mesmo as minhas experiências espirituais, subjetivas, podem estar erradas, mas a Bíblia nunca está errada. Eu preciso da Bíblia pra dizer se minhas experiências estão certas, e não o contrário. Não são meus sonhos ou minhas visões que vão dizer se a Bíblia está correta. Eu preciso da Bíblia. E se você está tentando se aproximar de Deus sem a Bíblia você não vai conseguir nada, porque eu preciso do conhecimento bíblico pra me aproximar de Deus. Foi assim que Deus estabeleceu, porque ele resolveu pegar as visões e sonhos dos profetas, as revelações, teofanias, enigmas, profecias, e escreve-las e transforma-las em um livro - a Bíblia. Pra que você e eu, e todos em todo lugar, tivéssemos as mesmas informações, e essas revelações, fossem preservadas pelos séculos até à volta de Jesus. Nós precisamos da Bíblia.
Clareza. A Bíblia é clara ou perspícua - também chamada de perspicuidade da Escritura. Perspicuidade não significa que não existam mistérios ou passagens difíceis na Escritura. O que a perspicuidade significa é que o caminho da salvação é claramente ensinado e explicado. Que por mais que existam coisas difíceis de entender na Bíblia, aquilo que é necessário pra minha salvação é fácil de entender: que todos pecaram; todos carecem da glória de Deus; e que Deus amou o mundo de tal maneira que Deus o seu Filho unigênito pra morrer no lugar do pecadores, para que todo aquele que nele crê tenha vida eterna. E aquelas partes difíceis da bíblia também podem ser interpretadas pelas partes mais fáceis. No mais importante, a bíblia é clara. A você pode entender a Bíblia se você lê-la mais, e lê-la toda, porque a Bíblia se explica. Não adianta você ler apenas as partes que você quer ler. A Bíblia fica mais clara quando você lê também as partes difíceis dela. Esse ensino da perspicuidade da Escritura é um dos baluartes mais fortes da Reforma Protestante. Porque a Igreja Católica, com as desculpa de que a Bíblia é difícil de entender, resolver proibir a sua leitura ao povo. A Bíblia não podia ser traduzida e distribuida, porque se não ia virar uma bagunça. Essa proibição só aconteceu no século 12, muitos anos depois dos apóstolos. Essa proibição porque já estavam acontecendo alguns movimente de reforma dentro da igreja católica. Então a negação da clareza da Escritura faz com estamos completamente sujeitos às autoridades eclesiásticas. Se você não tem acesso à Bíblia, um homem pode dizer pra você o que ele quiser, se ele acrescentar: “assim diz o Senhor”. Você não lê a Bíblia, não entende a Bíblia, então alguem que diz que entende pode fazer de você gato e sapato. Foi assim que a igreja romana ascendeu na sua tirania, proibindo a verdade de ser acessada. Um teólogo chamado Herman Bavinck diz: “A liberdade de religião e da consciência humana, da igreja e da teologia, fica de pé ou cai com a clareza da Escritura. Só ela é capaz de sustentar a liberdade do cristão, ela é a origem e a garantia da liberdade religiosa, bem como de nossas liberdades políticas.” Se você não ler a Bíblia, você será um escravo, por isso Jesus disse: João 8.32 “e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará.”
Suficiência. As convicções sobre a necessidade e a clareza levaram, de forma totalmente natural, à doutrina da suficiência da Escritura. Ao contrário da igreja romana que acrescentou 7 livros à Bíblia, e acrescenta ainda a autoridade da Tradição e do Magistério, e ao contrário dos protestantes místicos, sobrenaturalistas, que adicionam novas revelações à Bíblia, os protestantes reformados acreditam que a Bíblia é suficiente, e nada precisa ser adicionado à ela. Não quer dizer que você não possa ler outros livros, ou que Deus não fale através também da Criação, da prudência, da providência - não é a Bíblia sozinhoa- Nuda Scriptura - mas é a Bíblia somente - Sola Scriptura. Quer dizer que só a Bíblia é o que é - Só a Bíblia é a Palavra perfeita de Deus - só ela é absolutamente autoritativa, necessária e clara pra salvação. Sem sonhos e visões, sem livros e tecnologia, mas apenas com a Bíblia, você pode conhecer e se achegar a Deus pra ser salvo. Mas com todos os sonhos e visões, e tecnologia, e livros, mas sem a Bíblia, não há salvação. Porque foi assim que Deus estabeleceu.
Agora vamos aos pontos que devemos aprender com a história: (1) A Verdade definida pelos Reformados. (2) A Verdade Denegrida pelos fanáticos. E (3) A Verdade defendida por um homem chamado John Owen.
(1) A Verdade definida pelos Reformados.
Em 1643 um grupo de 121 dos mais piedosos e eruditos pastores e teólogos foram convocados pelo parlamento, e se reuniram durante aproximadamente 10 anos pra elaborar alguns documentos que ajudassem a entender a Bíblia e como a Igreja deveria aplicar a Bíblia ao seu governo, culto etc. O mais importante desses documentos foi a Confissão de Fé de Westminster, que demorou 5 anos pra ser terminada, em mais 1100 reuniões. Essa Confissão é usada pelas igrejas Presbiterianas em todo mundo, pelas Igrejas Batistas Reformadas Igreja Congregacionais. O primeiro capítulo desse documento é intitulado: “Da Escritura Sagrada”.
Ele começa explicando que foram registradas, escritas, as revelações proféticas e apostólicas, para que a mensagem fosse preservada e para que a mensagem pudesse ser propagada por toda parte igualmente. No final desta primeira seção, eles afirmam que aquelas formas anteriores de Deus revelar Sua vontade ao Seu povo cessaram.
Na seção dois, eles falam da inspiração e da autoridade das Escrituras, e concluem afirmando que a Bíblia é a regra de fé e de prática da igreja. Regra quer dizer que tem autoridade sobre nossas vidas para nos governar.
Depois lemos sobre sua suficiência. “Todas as coisas necessárias para glória de Deus, salvação, fé e vida do homem estão nas Escrituras”. Não há necessidade de procurar em nenhum outro lugar. Não há necessidade de adicionar mais nada. Não há necessidade de quaisquer apêndices para complementar a revelação divina na Palavra escrita de Deus. John Owen foi um puritano que respondeu à ameaça dos Quakers, um grupo protestante fanático que baseavam sua fé em visões e sonhos, e Owen disse: “Fora com seus sonhos e visões, sem suas novas revelações – temos a Palavra escrita de Deus que é toda-suficiente”. Isso nos lembra de Martinho Lutero, que disse: “Qualquer ensinamento que não se enquadre nas Escrituras deve ser rejeitado, mesmo que faça chover milagres".
Depois a Confissão trata da clareza das Escrituras, de quão claro é este livro. Tudo o que você precisa saber para ser salvo está claramente declarado na Bíblia. Tudo o que você precisa saber para seguir a vontade de Deus está claramente declarado neste livro. Este livro não é difícil de entender, é apenas difícil de engolir. Por isso, até uma criança pode chegar à fé em Jesus Cristo. A Confissão diz que não apenas os instruídos, mas também os não instruídos. Tanto o príncipe como o indigente podem atingir uma compreensão suficiente das Escrituras. Se existe algum véu, não está sobre as Escrituras, o véu está sobre as mentes obscurecidas dos homens. Lembrar do seu Edjesse...
A Confissão diz que a regra infalível de interpretação das Escrituras é a própria Escritura. O que isso quer dizer é que as Escrituras são o melhor intérprete das Escrituras. E se algo não está claro em um lugar, é mais claro em outro lugar e essas passagens claras iluminam as passagens menos claras porque a Bíblia nunca se contradiz, ela fala com apenas uma voz. Thomas Watson disse: “Somente um diamante pode lapidar um diamante – as Escrituras interpretam as Escrituras.”
E então, finalmente, o último parágrafo do capítulo diz que o juiz supremo pelo qual todas as controvérsias devem ser determinadas e examinadas, não pode ser nenhum outro senão o Espírito Santo falando nas Escrituras. Não falando em suas revelações, não falando em seus sonhos e visões, não falando em suas línguas, mas falando somente na Palavra de Deus, que será o árbitro de todos os assuntos na vida da igreja.
2) A Verdade Denegrida pelos fanáticos
A igreja sempre foi mais forte quando assumiu esta posição sobre a Palavra de Deus. Este é sempre o ponto alto em todas as épocas da história da igreja, quando a igreja se mantém firmemente no Sola Scriptura. E se a igreja der um passo fora disso – do Somente Escritura – ela coloca o pé numa ladeira escorregadia e é uma questão de tempo até que ela desça para os vários erros teológicos como liberalismo, ecumenismo, até que ela desça para o agnosticismo, e finalmente para o ateísmo, como aconteceu na Europa. Toda denominação que se desvia, se desvia neste ponto primeiro.
Como sempre, então, quando Deus está agindo pra levantar sua igreja de um lado, o diabo está logo depois, também fazendo o seu trabalho. Enquanto os reformadores e os puritanos, estavam trabalhando no resgate da Bíblia, do Somente a Escritura, ao mesmo tempo surgiu, na década de 1640, um grupo que viria a ser conhecido como Quakers. Esta seita radical também era conhecida como Sociedade Religiosa de Amigos. E alegaram estar recebendo novas revelações, profecias. E com isso, eles estavam sendo desviados para o hiperemocionalismo e para o misticismo.
E no cerne da teologia Quaker estava a mensagem de que alguém pode ser salvo sem as Escrituras. Que existe uma luz interior em cada pessoa. E esta revelação interior torna possível a salvação para toda a humanidade. Eles chamavam isso de Luz do Espírito que Habita. E eles afirmam que o Espírito estava até mesmo nos incrédulos. E ao entrar em um culto Quaker, não havia um pastor ordenado, ninguém subia ao púlpito com a Palavra de Deus para expor e explicar a Palavra escrita de Deus. Eles se reuniam em um prédio como nós estamos e eram encorajados a meditar. E conforme alguém se sentia inspirado, poderia simplesmente se levantar e falar e dar direção à vida dos outros. E a partir deste compromisso eles foram levados a todos os tipos de experiências místicas e padrões bizarros.
E em junho de 1654, duas mulheres Quakers, Elizabeth Fletcher e Elizabeth Levins, visitaram à universidade de Oxford para levar a mensagem Quaker. Essas duas mulheres começaram a pregar para o Corpo Estudantil de Oxford para alertar os estudantes sobre os males do estudo e de dedicar suas mentes ao mundo intelectual e ao estudo da Bíblia, e procuraram persuadi-los de que tudo o que eles precisavam era a luz interior dada pelo Espírito Santo. Eles não precisavam da biblioteca, não precisavam da sala de aula, não precisavam dos professores, Deus apenas falaria com eles dentro do seu espírito. Uma dessas mulheres despiu-se e andou por Oxford seminua e com os seios nus, alegando que isso era um sinal de julgamento contra os estudantes hipócritas. Terrível...
Mas o que é mais bizarro do que correr seminu são as afirmações e as ações na igreja evangélica hoje. Vi um vídeo essa semana do Valdomiro Santiago, o Apóstolo da Igreja Mundial da fé, pedindo que as pessoas colocassem suas digitais num manto que ele ia vestir enquanto mergulhava no rio Jordão em Israel. Isso ia representar que toda pessoa que estivesse a digital naquele manto estaria também sendo batizada no rio Jordão. Isso por apenas uma quantia mínima de 300 reais. Ou Marco Feliciano dizendo que os demônios habitam nas águas, por isso que os demônio entram no ser humano, porque 70 por cento do ser humano é água. Ou todas aquelas unções: unção do riso, unção do cai cai, unção do paletó. Pessoas rindo, caindo no chão... mas nada de transformação, nada de regeneração, nada de verdadeiro amor a Deus, ao próximo. Ou como um rapaz chamado Vitor Azevedo dizendo que nós somos tão importantes quanto Jesus. Ou imagine aquelas igrejas que se reúnem com muito barulho e pessoas rodando e fazendo sons estranhos, e alguns agora usando roupa branca, e as pessoas que não conhecem não sabem diferenciar mais se é um culto evangélico ou um terreiro de macumba.
John Macarthur fala de como um conhecido apresentou o seguinte relato a respeito de como um carismático, irmão em Cristo, tentou influenciá-lo num ponto crítico de sua vida:
Recém-convertido, conheci um homem a quem chamarei “Bill”. Ele tinha visões com certa regularidade e afirmava receber revelações divinas. Bill via o Senhor operando em quase todas as situações imagináveis da vida. Toda sensação pessoal era considerada orientação do Senhor. Certo dia, por volta da meia-noite, ele me telefonou por ter recebido uma mensagem de Deus que deveria compartilhar comigo. Bill tinha cerca de quarenta anos e morava sozinho, à distância de quase uma hora de carro da minha casa; porém ele queria vir e entregar a mensagem pessoalmente. Fiquei muito comovido pela preocupação, mas lhe disse que tudo ficaria bem se esperasse até ao dia seguinte. Ele insistiu, e acabei convidando-o a vir até minha casa. Quando chegou, estava visivelmente agitado. Naquela época, eu havia decidido ingressar em um seminário. Bill ficou muito irritado com isso. (Ele me disse: “A letra mata, mas o Espírito vivifica”.) Agora, ele recebera uma mensagem divina de advertência para eu não dar esse passo. Ele estivera lendo Isaías, e o Senhor lhe dera uma revelação especial, que dizia: “Caso você estude no seminário, sua mulher será devorada por leões, e você perderá a salvação eterna!” Era algo bastante assustador, mas não acreditei. Ele vivia em um mundo de superstições, fomentado pela teologia do falar em línguas. A centralidade da Palavra estava perdida em sua vida. Na última ocasião em que ouvi falar sobre Bill, ele estava preso, porque “Deus lhe dissera” que desobedecesse à autoridade constituída e não concordasse com uma lei de zoneamento!
A pergunta é: Onde isso começou?! Quando a igreja parou de ler a Bíblia, parou de meditar na Escritura, parou de acreditar na Escritura, e começou a ouvir a voz do seu coração. Quando separaram o Espírito Santo da Bíblia.
3) A Verdade defendida por um homem chamado John Owen.
Naquela Universidade, de Oxford, na Inglaterra, foi colocado como vice-chanceler por Oliver Cromwell, o Lorde Protetor da Inglaterra John Owen. Este homem dedicou-se a combater esse afastamento emocional carismático do Sola Scriptura com suas novas revelações. Em 1659 Owen respondeu a afronta Quaker escrevendo um livro muito importante intitulado: “Uma defesa da Sagrada Escritura contra os fanáticos”, onde ele defende a perfeição da Escritura. Ele defendeu a perfeição da Palavra escrita de Deus, pois é de Gênesis ao Apocalipse que ela tem tudo que a igreja e que qualquer crente precisa em sua vida espiritual para ter a revelação de Deus. Não há nada a acrescentar, está perfeito tal como está. E qualquer tentativa de adicionar ou aumentar a Palavra escrita de Deus é na verdade um ataque contra a perfeição das Escrituras.
Ele escreve que: “As Escrituras estão fixas, significa que a Bíblia é eterna, imutável e perfeita, ou seja, não pode ser melhorada, nada falta na Palavra de Deus”. Em cada geração, em cada continente, em cada época e em cada lugar, para cada igreja e para cada crente, para a adoração divina, não há espaço para novas revelações. E se você está buscando alguma dessas novas revelações, é porque você não tem compreensão da perfeição da Palavra escrita de Deus. Se você está tentando acrescentar algo, você está afirmando que ela ainda não é perfeita, e que você tem o que a Bíblia precisa.
Owen diz que é a mais suprema arrogância e orgulho que meros homens proponham novas questões de fé ou prática não reveladas pelo próprio Deus em Sua Palavra. Ele diz que é o epítome da arrogância e do orgulho, como se você precisasse de alguma revelação particular especial, como se você fosse alguém realmente especial, que Deus teria que lhe dar uma pequena revelação mística particular só para você, egocêntrico que você é, é arrogante, é orgulhoso. Não! O que Deus disse, ele disse a todos, Ele diz a você, na PALAVRA dele! As novas revelações são fruto de fanatismo, ignorância e excesso de emocionalismo. E se estão acrescentando algo à Palavra, devem ser tidos como desnecessários, infundados e até diabólicos. Esta luz interior, esta suposta mensagem interior intuitiva e subjetiva do Espírito Santo em você, que não vem através da Palavra escrita de Deus, diz Owen, desviaria a atenção da perfeição da Bíblia. Isso apenas vai atraí-lo para um mundo de fantasia e imaginação. Isso vai afastá-lo de onde você precisa fixar sua âncora – a Palavra escrita de Deus. A Bíblia é uma regra completa e perfeita. Desde a conclusão do cânon das Escrituras, não há novas revelações, nenhuma é esperada ou admitida. Ele está fechando a porta, fechando-a e trancando-a para qualquer nova revelação. E então ele acrescenta - se as Escrituras são perfeitas e completas, e elas são, que necessidade temos de novas revelações e entusiasmo descontrolado? Nenhuma!
Em 1662 foi aprovada uma lei em que todos os pregadores deveriam se conformar à Igreja da Inglaterra, adotando um documento que prejudicava aquilo que os puritanos acreditavam. Muitos puritanos se negaram a se enquadra naquele padrão. E em 24 de agosto de 1662, um dos dias mais sombrios de toda a história da igreja, dois mil pregadores puritanos foram expulsos dos seus púlpitos, no que ficou conhecido como a Grande Expulsão. Eles foram forçados a abandonar seus ministérios, expulsos de suas igrejas. Dois anos depois outra lei foi aprovada pelo Parlamento, que proibia esses pregadores até mesmo de pregar em casas particulares ou em locais aberto. E então, no ano seguinte, eles aprovaram a lei que proibia esses ministros expulsos de chegarem a menos de 8 km de qualquer cidade. E quando chegasse a hora de morrerem, nem mesmo seus corpos poderiam ser enterrados dentro dos limites da cidade ou nos cemitérios da igreja.
Esse foi um grande sinal de rejeição. A Europa abandonou a Deus, e hoje vemos seus frutos. Os puritanos estavam dispostos a comprometer sua vida e sua morte pelo Somente a Escritura. Que possamos aqui esta noite ter essa coragem e esse compromisso com essa verdade. Que não sejamos dados aos excessos desta era, que possamos nos firmar na Palavra de Deus e somente na Palavra de Deus, e que a Palavra de Deus regule e governe a totalidade de nossas vidas. Que a Palavra de Deus regule a Pregação. Que regule nossa adoração a Deus. Que regule nossa comunhão uns com os outros. Que a Palavra de Deus regule nossa vida diária. Que a Palavra de Deus regule nossos ministérios, e que a Palavra de Deus regule nossos passos enquanto nos apressamos para a sepultura. E que a Palavra de Deus seja ela somente a nossa regra de fé e o nosso padrão para o que é verdadeiro neste mundo. Que Deus nos dê muita graça para permanecermos firmes na Sua Palavra.
Pedro afirma que Deus nos doou “todas as coisas que conduzem à vida e à piedade” nas “preciosas e mui grandes promessas” da sua Palavra (2 Pedro 1.3-4). A Palavra de Deus é suficiente para nos dizer o que devemos crer para que sejamos salvos e como podemos agradar a Deus. O lema Sola Scriptura da Reforma — “a Escritura Somente” — é, de fato, edificado com as quatro palavras-chave que descrevem as Escrituras - Autoritativa, Necessária, Clara e Suficiente, a Escritura é nosso padrão final em questões de fé e prática. Consequentemente, a Escritura deve ser pregada, lida, estudada e anunciada amplamente. A Reforma foi edificada sobre o fundamento seguro da Palavra de Deus.
Hoje, aqui, nós realizamos esse evento com dois objetivos: o primeiro é agradecer a Deus pelos 13 anos de organização de nossa igreja…
O segundo é reafirmar a verdade basilar da Reforma, dizendo a todos, a mim, LEIA, ESTUDE, MEDITE, NA SUA BÍBLIA. Leia a Palavra de Deus. Conheça, obedeça, viva a Palavra. Muito sangue foi derramado pra colocar esse livro nas suas mãos, pra que você deixe ele agora encostado em algum lugar. Pessoas morreram pra traduzir esse grande livro. O mundo se moveu e se move pra impedir a leitura e a prática desse livro. Jesus Cristo, a Palavra encarnada, morreu pra que você pudesse conhecer a Deus através dessa revelação escrita que está aí nas suas mãos.
Gostaria terminar com uma história contada por Thomas Goodwin, um pastor puritano, que estava ouvindo a pregação de um homem chamado John Rogers, aquele primeiro mártir da Maria Sanguinária que mencionei no início, e ele pregava sobre a rejeição à Palavra de Deus. Goodwin diz que foi assim naquele dia...
“O Sr. [John] Rogers estava no assunto das Escrituras. E, naquele sermão, ele atirou uma acusação às pessoas sobre sua negligência da Bíblia. Ele personificou Deus para as pessoas dizendo-lhes: ‘Bem, eu tenho confiado a vocês por tanto tempo a minha Bíblia, vocês a desprezaram; ela repousa de casa em casa, coberta de poeira e teias de aranha. Vocês não se preocupam em olhar para ela. É assim que vocês usam a minha Bíblia? Bem, vocês não terão mais a minha Bíblia’. Ele pegou a Bíblia do púlpito como se estivesse indo embora com ela; mas imediatamente ele se volta e personifica agora o povo diante Deus; ele cai de joelhos, clama e implora com toda a sinceridade: ‘Senhor, faça o que fizer, não tire de nós a Tua Bíblia; mate nossos filhos, queime nossas casas, destrua nossos bens, mas poupa-nos apenas a Tua Bíblia; apenas não nos tire a Tua Bíblia’. E, então, ele personifica Deus mais uma vez ao povo: ‘É assim? Bem, vou testá-los um pouco mais; e, aqui, está minha Bílbia para vocês, vou ver como vocês a usarão, se vocês a amarão mais, se vão valorizá-la mais, se vocês vão observá-la mais, se vocês vão praticar mais e viver mais de acordo com ela’.”
Com essas ações ele colocou toda a congregação em uma postura tão estranha que Goodwin disse que nunca tinha visto aquilo em nenhuma igreja em sua vida; as pessoas afogaram-se em lágrimas; Goodwin disse que quando saiu deveria ter levado o cavalo embora, mas demorou uns 15 minutos pendurado no pescoço do cavalo chorando, antes de ter forças para montar. Uma impressão tão estranha estava sobre ele e nas pessoas por terem sido acusados de negligenciar a Bíblia.”
Que hoje, irmãos, seja um dia de arrependimento e renovação, um dia mudança e transformação. E você que está desanimado, desencorajado, sem sentido e propósito, incorrigível, duro, que você possa encontrar refrigério e poder na Palavra escrita de Deus. Que você passe a ler e meditar nessa Palavra mais preciosa do que muito ouro depurado, mais doce que o mel e o destilar dos favor. Amém!
