O RESTANTE DA HERANÇA DO POVO DE DEUS
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JOSUÉ 13.1-33
JOSUÉ 13.1-33
INTRODUÇÃO
INTRODUÇÃO
Irmãos, diferentemente do que vemos nos filmes, em que geralmente uma viúva e seus filhos recebem uma herança milionária em dinheiro, na vida real, porém, nem sempre as famílias recebem dinheiro como herança. Muitas famílias recebem objetos valiosos que trazem boas lembranças. Um exemplo disso é uma história de uma moça chamada Juliana, que recebeu uma maquina de costura como herança de sua avó. Vejam que não é uma fortuna, mas uma herança muito significativa, que no futuro, ela pôde mostrar para seus filhos a lembrança que ela tinha de sua avó que tão bondosamente lhe deixou essa herança tão significativa. Um outro exemplo é minha avó, que após a sua morte deixou uma herança para meu pai e meus tios em dinheiro, mas para mim ficou apenas um lenço, que todas vezes que uso me recordo dela. O fato irmãos é que heranças sempre nos trazem boas lembranças.
Um exemplo disso é o texto que lemos, pois o texto que lemos se trata da partilha da herança e vai desde o capítulo 13 a 21 de Josué. E talvez, para muitos assim como o texto anterior, esse deva ser pulado, no entanto, a preservação dessa divisão seria muito útil à nação judaica, que era obrigada pela lei a manter essa primeira distribuição, e não transferir heranças de tribo para tribo (Nm 36.9). Ela igualmente é útil para nós porque ajuda na explicação de outros textos das Escrituras. Lembrem-se que: onde Deus tem uma boca para falar e uma mão para escrever, nós deveríamos encontrar um ouvido para ouvir e um olho para ler. Deus nos da um coração para tirarmos proveito de textos como esse!
Assim sendo, o sermão desta noite tem como tema: O restante da Herança do povo de Deus. Em primeiro lugar, o restante da herança do povo de Deus é confirmada pela resiliência de Deus.
1. A RESILIÊNCIA DE DEUS NA MISSÃO (13.1-7)
1. A RESILIÊNCIA DE DEUS NA MISSÃO (13.1-7)
Esse primeiro trecho de Josué 13.1-7 nos coloca frente a uma realidade importante sobre o propósito de Deus e a condição humana. Logo no início, Deus chama a atenção de Josué para o fato de que ele já estava velho. No verso 1, lemos: “Era Josué já velho, entrado em dias.” A idade avançada de Josué revela que ele e Calebe eram os únicos entre os israelitas que restavam daquela primeira geração que saiu do Egito. Aqui, vemos como a vida de um líder é limitada, e Josué, um homem de guerra desde a juventude (conforme Êxodo 17.10), agora enfrenta a debilidade e o desgaste que acompanham a velhice.
Essa declaração de Deus sobre a idade de Josué não é uma repreensão, mas uma chamada de atenção. A menção à idade avançada de Josué e às suas limitações físicas serve para lembrá-lo e nos lembrar de algo importante: o tempo de trabalho tem limites. Para ele, a idade significava um motivo para priorizar, focar naquilo que era essencial para o plano de Deus antes que sua vida terminasse. O Senhor encoraja Josué a avançar na divisão da terra que já tinha sido conquistada, uma tarefa que ainda exigia sua liderança e discernimento.
Para nós, irmãos, há um ensinamento claro: há um tempo para cada tarefa, e não devemos ignorar o trabalho essencial que ainda está diante de nós, especialmente nas fases avançadas da vida. Deus considera a estrutura de cada um de nós e não nos sobrecarrega além de nossas forças. Como igreja, somos chamados a ajudar aqueles que, como Josué, já não têm o vigor de antes, mas que ainda têm missões a completar. Isso nos lembra de Eclesiastes 9.10, onde diz que tudo o que nossas mãos encontrarem para fazer, devemos fazer com empenho, pois nossa jornada tem limites.
Nos versos seguintes (2-6), Deus instrui Josué sobre as terras que ainda precisam ser conquistadas, e as divide entre os israelitas para que, no tempo certo, possam tomar posse delas. Esses detalhes sobre a terra — o país dos filisteus ao sul, as terras dos sidônios e as regiões do Líbano ao norte — mostram como o compromisso de Deus com Seu povo era abrangente e específico. Ele já tinha prometido aquela terra, e era hora de agir para que o povo pudesse desfrutá-la.
Alem disso, observamos que o Senhor também enfatiza a importância de permanecer em postura de guerra até que toda a terra estivesse sob domínio de Israel. Essa insistência em não deixar espaços para influências externas serve como um alerta sobre as alianças perigosas que poderiam enfraquecer Israel. Esse ponto nos chama a atenção para a necessidade de sermos vigilantes na nossa vida de fé, mantendo nossa armadura espiritual sempre pronta e permanecendo em guarda contra as influências que tentam desviar nosso foco de Deus. Irmãos, assim como Israel devia avançar, confiando que Deus continuaria a lutar por eles, também somos chamados a perseverar, sabendo que Deus completará Sua obra em nós.
No verso 7, portanto, Deus instrui Josué a começar a divisão das terras. Ainda que ele pudesse sentir que o trabalho estava incompleto, Deus o encoraja a avançar e a deixar o restante para o futuro. Isso ensina que devemos aprender a nos contentar com o que temos, sem sermos ansiosos pelo que ainda não alcançamos. Deus trabalha no Seu tempo, e cabe a nós fazer o que é possível com o que Ele já nos confiou, esperando que o restante se cumpra conforme Sua vontade.
Dito isso, não há como negar que a fidelidade de Deus se destaca em cada detalhe da vida de Josué. Mesmo na velhice de Seu servo, Ele o lembra de que o trabalho é dEle e que, se dependermos dEle, Ele é quem completará a obra. Para nós, isso significa confiar que Deus usará nossas forças até o final e que, mesmo nas nossas limitações, Sua fidelidade permanece.
Assim, vimos, então, a resiliência de Deus em cumprir Suas promessas, mesmo na velhice de Josué. Agora, em segundo lugar, veremos que o restante da herança do povo de Deus é confirmada pelo alerta de Deus
2. O ALERTA DE DEUS NA MISSÃO (13.8-13)
2. O ALERTA DE DEUS NA MISSÃO (13.8-13)
A passagem em destaque dos versos 8-13 irmãos, começa nos recordando que as tribos da Transjordânia receberam suas heranças através de Moisés. No versículo 8, o nome de Moisés é mencionado duas vezes, reafirmando sua importância como servo do Senhor. Essa repetição nos faz refletir sobre o legado que ele deixou, um líder que guiou o povo de Israel com fé e coragem.
A descrição da Transjordânia nos versículos 9 a 13 segue um padrão geográfico que nos ajuda a entender a extensão do território. Aroer é mencionada como uma cidade que marca a borda do vale do Arnom. Esse vale não é apenas um limite físico, mas também representa um marco na jornada do povo. O vale do Arnom serviu como uma fronteira ao sul da Transjordânia israelita, com a cidade situada “no meio do” vale, que nos remete a um espaço de transição e adaptação. É aqui que encontramos a importância de nos estabelecermos em áreas que foram conquistadas, mas que ainda precisam de nossa atenção.
A área abrangia todo o planalto de Medeba até Dibom. Medeba, uma cidade significativa ao norte, e Dibom, a capital de Moabe, nos ajudam a compreender a geografia e a história do povo. Esse contexto é fundamental, pois revela como as conquistas de Moisés foram parte de um plano maior de Deus para Israel. No entanto, também somos confrontados com uma realidade preocupante: os israelitas não expulsaram os gesuritas nem os maacatitas da terra. Este é um ponto crucial, pois mostra que, mesmo com as promessas de Deus, a responsabilidade de seguir as orientações de Deus.
Vejam que o livro de Josué, com sua imparcialidade, registra não apenas as conquistas, mas também as falhas do povo em cumprir o que Deus havia ordenado. Ao longo da narrativa, Deus havia prometido que Ele mesmo expulsaria os habitantes diante de Israel (v. 6). Contudo, essa promessa não era uma garantia automática; ela dependia da disposição de Israel em agir e cumprir a vontade de Deus.
Além disso, a passagem nos traz uma nota especial sobre a tribo de Levi, que não recebeu herança, conforme vemos nos versículos 14 e 33. Em termos práticos, isso é relevante para a contagem das doze tribos. Atribuir a herança a Levi não significa que eles não tivessem um lugar, mas sim que sua herança era única — sua recompensa era o próprio Senhor. Como diz o versículo 33: "a herança de Levi é o Senhor." Essa verdade nos ensina que, independentemente das posses materiais, a nossa maior riqueza está em termos um relacionamento íntimo com Deus.
Portanto, esta parte da história nos alerta sobre a importância da obediência e da vigilância na nossa missão. Podemos estar convictos da promessa e da vitória do Senhor, mas a falta de ação em nossa vida cristã pode levar à presença de inimigos espirituais em nossas vidas (os principados e potestades estão batendo a nossa porta constantemente). A advertência de Deus é clara: não devemos dar lado para os inimigos
Dito isso, ao refletirmos sobre a responsabilidade que temos em viver segundo a vontade de Deus expressa em Sua Palavra, agora, em terceiro e último lugar, veremos que o restante da herança do povo de Deus é confirmada pela herança de Deus que é o próprio Deus.
3. A HERANÇA DE DEUS NA MISSÃO (13.14-33)
3. A HERANÇA DE DEUS NA MISSÃO (13.14-33)
Nos versículos 15 a 23, encontramos a distribuição da herança dada por Moisés à tribo de Rúben. Essa partilha é feita de acordo com as famílias, uma fórmula que também é utilizada na distribuição da terra da Cisjordânia, conforme podemos ver em outras passagens, como em Josué 15.1, 20; 18.11; e 19.1, embora nem sempre de maneira uniforme, como em Josué 16.1, que trata de Efraim e Manassés. Rúben, filho de Lia, a primeira esposa de Jacó (Gênesis 29.32), perdeu sua posição de destaque entre os irmãos, como revelado em Gênesis 35.22 e 49.3. Historicamente, a tribo de Rúben teve sua relevância diminuída como tribo guerreira.
O território de Rúben se localizava no sul da Transjordânia, e a fronteira era traçada desde Aroer, na borda do vale de Arnom, até Hesbom, mais ao norte (v. 17). A maioria das cidades que pertenciam a Rúben estende-se ao longo de uma linha que vai de Aroer a Hesbom. Não devemos pensar que Rúben possuía apenas uma estreita faixa de terra, pois a lista não delimita toda a extensão de sua propriedade. Hesbom, a capital do rei Seom, era uma cidade central para Rúben, localizada quase que no meio do caminho entre Arnom e Jaboque (Josué 21.39; Números 32.37; 1 Crônicas 6.81). A importância de Rúben é evidenciada por cidades como Dibom, que foi fortificada pelos gaditas, e Bamote-Baal, onde Balaão tentou amaldiçoar Israel (Números 22.41).
O território de Rúben também incluía cidades como Jaza, Quedemote e Mefaate (v. 18). Jaza é o local onde Seom atacou os israelitas e foi derrotado. Quedemote e Mefaate, igualmente, se situam na região oriental. Outras cidades mencionadas, como Quiriataim, Sibma e Zerete-Saar, também têm suas histórias. Quiriataim, por exemplo, foi conquistada e fortalecida pelos rubenitas, mas mais tarde se tornou uma cidade moabita (Jeremias 48.1). Sibma era famosa por sua viticultura (Isaías 16.8–9; Jeremias 48.32).
Os versículos 20 a 23 trazem à tona a importância de Bete-Peor, onde Moisés deu seu discurso de despedida e onde Balaão proferiu uma de suas profecias. A menção da morte de Balaão é um lembrete da ação redentora de Deus ao frustrar suas tentativas de amaldiçoar Israel (Números 31.8). A descrição das fronteiras de Rúben conclui afirmando que esse era o território dos rubenitas, com a herança se estendendo até o Jordão (v. 23).
O território de Gade é descrito nos versículos 24 a 28, situado ao leste do Jordão, ao norte de Rúben e ao sul da meia tribo de Manassés. Moisés, repetidamente destacado como responsável pela distribuição das terras, confere a essas tribos o direito à herança (v. 24). A área de Gade se estende do vale do Jordão até o mar da Galileia, incluindo cidades estratégicas como Jazer e Ramote-Gileade.
A descrição do território da meia tribo de Manassés, nos versículos 29 a 31, é uma enumeração que destaca toda Basã e metade de Gileade. Aqui, o autor enfatiza novamente que foi Moisés quem deu essa herança, reforçando a responsabilidade e a autoridade que ele tinha na repartição das terras (v. 29).
Finalmente, em Josué 13.32 a 33, observamos um resumo sobre as heranças dadas a Rúben, Gade e Manassés nos é apresentado. É importante notar que os levitas não receberam herança, pois o Senhor é a herança deles (v. 14). Esta declaração final é mais direta e detalhada do que as do Pentateuco, reafirmando que o verdadeiro patrimônio dos levitas é Deus. O Salmo 16.5 confirma o fato de a tribo de Levi não ter uma herança fisíca, não significava nada, pois para eles“ O Senhor é a porção da minha herança e o meu cálice; tu és o arrimo da minha sorte.”
Assim, ao refletirmos sobre a herança de Deus na missão, percebemos que, assim como as tribos de Rúben, Gade e Manassés receberam seus territórios por meio da orientação divina, nós também somos chamados a reconhecer nossa herança em Cristo. A missão que Deus nos confia não é apenas uma responsabilidade, mas uma oportunidade de experimentar a presença e o poder de Deus em nossas vidas. Cada um de nós tem um lugar e uma missão a cumprir dentro do corpo de Cristo. Que possamos buscar entender nossa herança espiritual e vivê-la plenamente, reconhecendo que, em última análise, o Senhor é nossa verdadeira herança. Assim, ao avançarmos na missão, que possamos ser fiéis ao chamado que nos foi dado.
CONCLUSÃO
CONCLUSÃO
Irmãos, ao concluirmos nossa reflexão sobre o restante da herança do povo de Deus em Josué 13, que é confirmado pela resiliência do Senhor, pelo alerta do Senhor pela herança que é o próprio Senhor, é vital que olhemos para Cristo como o ápice desta narrativa. A história de Josué, das tribos e da partilha da terra não é apenas uma lição sobre conquistas territoriais; é uma profunda revelação do caráter de Deus e de Seu plano redentor que culmina em Jesus Cristo. Assim como a herança foi distribuída entre as tribos, nós, como o povo de Deus, recebemos a herança espiritual em Cristo, que é o cumprimento das promessas feitas ao povo de Israel.
O que a Igreja precisa saber: A herança que temos em Cristo é mais rica e profunda do que qualquer possessão material. Assim como os levitas foram chamados a servir ao Senhor em vez de buscar terras, nós somos chamados a viver em relação íntima com Ele, reconhecendo que a verdadeira herança é a presença do Senhor em nossas vidas. O que Deus nos confiou é mais do que apenas bens terrenos; é um relacionamento que nos capacita a viver e a cumprir a missão que Ele nos confiou.
O que a Igreja precisa sentir: Ao ouvir esta mensagem, que possamos sentir também a segurança e a paz que vêm de saber que, mesmo em nossas limitações e desafios, Deus é fiel em cumprir Suas promessas, Ele sempre vai a nossa frente. A resiliência de Deus em insistir em nossas vidas nos encoraja a prosseguir, mesmo quando nos sentimos incapazes. Que nossos corações sejam tocados pela gratidão pela herança que temos em Cristo, o nosso Salvador, que não apenas nos libertou do pecado, mas também nos deu um propósito e uma missão.
O que a Igreja precisa fazer: Portanto, ao sairmos daqui, que possamos agir com fé e obediência, não permitindo que os desafios ou distrações nos afastem da missão que Deus nos confiou. Assim como Israel foi chamado a tomar posse do restante da terra, nós também devemos nos lembrar que Cristo é a porção da nossa herança e que nós devemos nos apropriar da nossa herança espiritual. Vamos viver cada dia com a consciência de que somos portadores da mensagem do Evangelho, testemunhas do amor de Deus em um mundo que tanto precisa dEle. Que, ao avançarmos em nossa caminhada, façamos isso juntos como corpo de Cristo, unidos em propósito, buscando glorificar a Deus em tudo o que fazemos.
Que o Senhor nos abençoe e nos ajude a viver de acordo com a herança que recebemos em Cristo. Amém!
