Confiança na palavra de Deus em meio ao caos e a incerteza

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Em meio ao caos e a incerteza, o SENHOR Deus é a nossa esperança, portanto, devemos escutar apenas a sua palavra e confiar apenas nele.

Isaías 8.11–22 ARA
Porque assim o Senhor me disse, tendo forte a mão sobre mim, e me advertiu que não andasse pelo caminho deste povo, dizendo: Não chameis conjuração a tudo quanto este povo chama conjuração; não temais o que ele teme, nem tomeis isso por temível. Ao Senhor dos Exércitos, a ele santificai; seja ele o vosso temor, seja ele o vosso espanto. Ele vos será santuário; mas será pedra de tropeço e rocha de ofensa às duas casas de Israel, laço e armadilha aos moradores de Jerusalém. Muitos dentre eles tropeçarão e cairão, serão quebrantados, enlaçados e presos. Resguarda o testemunho, sela a lei no coração dos meus discípulos. Esperarei no Senhor, que esconde o seu rosto da casa de Jacó, e a ele aguardarei. Eis-me aqui, e os filhos que o Senhor me deu, para sinais e para maravilhas em Israel da parte do Senhor dos Exércitos, que habita no monte Sião. Quando vos disserem: Consultai os necromantes e os adivinhos, que chilreiam e murmuram, acaso, não consultará o povo ao seu Deus? A favor dos vivos se consultarão os mortos? À lei e ao testemunho! Se eles não falarem desta maneira, jamais verão a alva. Passarão pela terra duramente oprimidos e famintos; e será que, quando tiverem fome, enfurecendo-se, amaldiçoarão ao seu rei e ao seu Deus, olhando para cima. Olharão para a terra, e eis aí angústia, escuridão e sombras de ansiedade, e serão lançados para densas trevas.
Ontem foi sábado, e em um dia como esse, no ano de 1521, Martinho Lutero foi convocado a comparecer diante de uma assembléia organizada pelo Sacro Império Romano Germânico.
Essa assembléia, que ficou conhecida como Dieta de Worms, foi convocada pelo Imperador Carlos V para tratar, dentre outros assunto, acerca dos escritos de Lutero, que naquele momento eram considerados heréticos.
Dentre esses escritos estavam as suas famosas 95 teses, que foram afixadas na porta da Catedral do Castelo de Witemberg em 31 de outubro de 1517. Data que utilizamos como marco para o início da reforma protestante
Na sexta feira, dia 17 de abril de 1521, as 4 horas da tarde, Lutero compareceu a assembléia. Diante dele estavam 25 de seus escritos. E lhe perguntaram se estava pronto para renunciar os seus livros.
Aquele era um momento de caos e incerteza para Lutero. Ele estava diante de uma escolha: recuar suas críticas à Igreja Católica ou enfrentar as consequências ao reafirmar tudo aquilo que havia escrito.
Se o medo da Igreja Católica e do Império fossem maior no coração de Lutero do que o seu temor e fidelidade a Deus, ele certamente teria abandonada a sua fé em busca de um acordo político com seus inimigos para se livrar daquele mau.
Do outro lado, se ele verdadeiramente confiasse em Deus e e em sua palavra, com toda certeza continuaria firme em sua fé não obstante as consequência que pudesse enfrentar.
O monge pediu que lhe dessem algum tempo para refletir e formular uma resposta adequada. E assim foi feito.
No dia seguinte, sábado, no mesmo horário, Lutero apresentou-se mais uma vez a assembléia e após ser novamente questionado se recusaria ou não seus escritos ele profere, sua famosa frase:
“A não ser que eu seja convencido pelo testemunho das Escrituras ou pela razão clara (pois não confio nem no papa ou em concílios por si sós, pois é bem sabido que eles frequentemente erraram e se contradisseram) sou obrigado pelas Escrituras que citei e minha consciência é cativa da palavra de Deus. Não posso e não irei renegar nada, pois não é nem seguro e nem correto agir contra a consciência. Que Deus me ajude. Amém.”
Lutero se manteve firme em sua convicção de que a autoridade da Palavra de Deus era superior à autoridade humana.
Nesse momento crítico, Lutero não se baseou em tradições ou opiniões humanas, mas sim na autoridade infalível das Escrituras. Ele sabia que, em meio ao caos e à incerteza, a Palavra de Deus era a única âncora segura.
Hoje, enquanto celebramos os 507 anos da Reforma Protestante, um movimento que revolucionou a história da Igreja e reafirmou a autoridade da Palavra de Deus, lembramos que o princípio do Sola Scriptura é o alicerce fundamental sobre o qual nossa fé se sustenta.
É esse princípio que nos guia na busca pela verdade e nos leva ao texto profético de Isaías 8:11-22. Nesse capítulo inspirador, o profeta Isaías nos lembra de que, mesmo em meio ao caos e à incerteza que caracterizam nosso mundo, o SENHOR Deus é nossa rocha segura, nossa esperança eterna e nossa fonte de orientação.
Diante desse contexto, somos convocados a escutar somente a sua palavra, a confiar plenamente em sua soberania e a buscar refúgio unicamente em sua misericórdia. Afinal, é apenas na Palavra de Deus que encontramos a verdadeira estabilidade e a certeza que nossa alma anseia
No entanto, como seres humanos frágeis e decaídos, estamos inclinados a buscar refúgio em fontes de segurança precárias, distantes da Palavra de Deus. Caímos facilmente na armadilha de confiar em nossa própria sabedoria limitada, em estratégias políticas efêmeras, em tradições religiosas estabelecidas ou em opiniões humanas mutáveis. Mas, nesse contexto de incerteza, o texto profético de Isaías nos lembra de que apenas a Palavra de Deus permanece inalterável, segura e confiável, oferecendo-nos a estabilidade emocional e espiritual que nossa alma anseia. A Palavra de Deus é o nosso verdadeiro porto seguro, o nosso farol em tempos de trevas, e o nosso guia fiel em meio às decisões difíceis da vida
A proposição central que quero refletir com os irmãos nessa noite é a seguinte: Em meio ao caos e a incerteza, o SENHOR Deus é a nossa esperança, portanto, devemos escutar apenas a sua palavra e confiar apenas nele.
Dividiremos o texto em duas partes. Na primeira delas, dos versos de 11 a 15 refletiremos o dever de confiar apenas em Deus. Já na segunda parte, dos versos 16 a 22, nossa reflexão será sobre a necessidade de buscar escutar e confiar somente na palavra de Deus.
PRIMEIRA PARTE
Contexto - Lembre: O povo seria levado para o cativeiro. Haveria um cerco. Havia perigos iminentes
Leitura Is 8.11-15
Isaías 8.11–15 ARA
Porque assim o Senhor me disse, tendo forte a mão sobre mim, e me advertiu que não andasse pelo caminho deste povo, dizendo: Não chameis conjuração a tudo quanto este povo chama conjuração; não temais o que ele teme, nem tomeis isso por temível. Ao Senhor dos Exércitos, a ele santificai; seja ele o vosso temor, seja ele o vosso espanto. Ele vos será santuário; mas será pedra de tropeço e rocha de ofensa às duas casas de Israel, laço e armadilha aos moradores de Jerusalém. Muitos dentre eles tropeçarão e cairão, serão quebrantados, enlaçados e presos.
O primeiro ensino que extraímos é: Em tempos de crise, o povo de Deus deve temer a ele e não aos seus inimigos ou circunstância. Tema ao Senhor, para que seja fiel a ele.
Irmãos, nos dias que Acaz reinava sobre o Reino de Judá, a Síria e o Reino de Israel se aliaram para guerrearem contra contra ele. Isso chegou aos ouvidos de Acaz de maneira que o medo e a ansiedade assaltaram seu coração.
Nesse momento de crise e incertezas, Deus envia Isaias ao rei para lhe dizer que não temesse e nem desanimasse por causa dos seus inimigos, porque Ele não permitiria que seus adversários prevalecessem. No entanto, era necessário que Acaz cresse. No entanto o Rei em sua incredulidade rejeita o Senhor.
O medo do rei cegou-o para uma realidade maior: os seus inimigos não se comparavam com o Deus de Israel. Além disso, o medo dele estava direcionado incorretamente para seus adversários.
Mas isso não deve nos surpreender, uma vez que, conforme 2Crônicas 28.1, Acaz era um homem impio e terrivelmente idólatra, ao ponto de chegar a queimar seus filhos como oferta aos seus ídolos.
No verso 12 Isaías é advertido a não temer o que o povo e Acaz temiam. O Verso 13 estabelece o padrão correto: Deus deve ser temido.
Deus deve ser temido mais do que os nosso inimigos. Diante da adversidade e incertezas sociais e políticas, o povo de Deus deve temer a ele somente pois todos terão que prestar contas a ele um dia.
Se o temor do povo estiver direcionado para suas dificuldades e circunstâncias mais do que para Deus eles correm o risco de caírem no pragmatismo, ou seja, de empreender todos os esforços, mesmo que ilícitos, para livrarem-se do seu problema.
Foi isso que Acaz fez, seu medo somado a sua incredulidade levaram-no a buscar em outra coisa a solução para seu problema, esquecendo-se de Deus e de sua palavra.
Esse trecho nos ensina que devemos temer mais a Deus dos que os nossos inimigos ou circunstância.
Para ilustrar esse ponto, lembremo-nos da história de Policárpio.
Ele foi o bispo da Igreja em Esmirna. Essa Igreja foi uma das destinatárias das cartas de Apocalipse. Ela foi aquela a quem foi dito: Apocalipse 2.10 “Não temas as coisas que tens de sofrer. Eis que o diabo está para lançar em prisão alguns dentre vós, para serdes postos à prova, e tereis tribulação de dez dias. Sê fiel até à morte, e dar-te-ei a coroa da vida.”
A história conta que Policárpio, após ser preso, foi levado até um estádio diante de uma multidão e das autorides romanas para que ele negasse a Cristo.
Depois de ter sido tratado com brutalidade, as autoridade ameaçaram lança-lo às feras, caso não se arrependesse de suas declarações, ao que Policárpio respondeu: “Mande trazê-los, porque não estamos acostumados a nos arrepender do que é bom para mudar para o que é mau”.
As autoridades continuaram a insistir, dessa vez ameaçando lança-lo no fogo. Ele então responde: “Você me ameaça com fogo que queima durante um momento e logo se apaga. Você não conhece o fogo vindouro do julgamento e castigo eterno reservado para os ímpios. Por que está se delongando? Faça o que lhe agradar”
Com essa declaração, o bispo de Esmirna, demonstrou que não temia os seus inimigos. Seu temor e reverência estavam corretamente direcionados a Deus.
Em Mt 10.28 Jesus no diz:
Mateus 10.28 ARA
Não temais os que matam o corpo e não podem matar a alma; temei, antes, aquele que pode fazer perecer no inferno tanto a alma como o corpo.
Esse temor a Deus deve nos instigar a uma vida de confiança e fidelidade a Ele. E isso nos conduz ao nosso próximo ponto:
Confie apenas em Deus em meio as suas adversidades por ele é a nossa única esperança.
O relato de 2Cr 28.16 nos informa que, diante das investidas de seus inimigos, Acaz procura os reis da Assíria para fazer uma aliança de forma que eles viessem em seu socorro. No entanto, o rei da Assíria, colocou-o em mais aperto, em vez de socorrê-lo, impondo a Acaz um preço alto a ser pago, de maneira que teve que tirar os tesouro do Templo do Senhor para pagar aquilo que lhe era cobrado.
Os versos 14 e 15 ensinam que Deus é como uma rocha firme e um lugar de refúgio (santuário) para aqueles que ouvem a sua voz e confiam nele e em sua palavra. Ele é a salvação do seu povo. No entanto, para aqueles que alicerçam sua confiança em outros meios, Deus é para eles como uma pedra de tropeço. Suas convicções e confiança serão convertidas em armadilha para os seus pés.
A melhor ilustração sobre esse ponto que imagino é o Ensino do próprio Jesus em Mt 7.24-27
Mateus 7.24–27 ARA
Todo aquele, pois, que ouve estas minhas palavras e as pratica será comparado a um homem prudente que edificou a sua casa sobre a rocha; e caiu a chuva, transbordaram os rios, sopraram os ventos e deram com ímpeto contra aquela casa, que não caiu, porque fora edificada sobre a rocha. E todo aquele que ouve estas minhas palavras e não as pratica será comparado a um homem insensato que edificou a sua casa sobre a areia; e caiu a chuva, transbordaram os rios, sopraram os ventos e deram com ímpeto contra aquela casa, e ela desabou, sendo grande a sua ruína.
Aliás, Jesus Cristo é a própria rocha. Ele é a esperança daqueles que confiam na palavra do Senhor. É por isso que Pedro nos ensina:
1Pedro 2.4–7 (ARA)
Chegando-vos para ele, a pedra que vive, rejeitada, sim, pelos homens, mas para com Deus eleita e preciosa, […]. Pois isso está na Escritura:
Eis que ponho em Sião uma pedra angular, eleita e preciosa; e quem nela crer não será, de modo algum, envergonhado.
Para vós outros, portanto, os que credes, é a preciosidade;
Mas para aqueles que rejeitam a Cristo e buscam confiança em outros, Pedro também diz:
1Pedro 2.7b–8 (ARA)
mas, para os descrentes,
A pedra que os construtores rejeitaram, essa veio a ser a principal pedra, angular
e:
Pedra de tropeço e rocha de ofensa.
São estes os que tropeçam na palavra, sendo desobedientes, para o que também foram postos.
Deus é nossa esperança e salvação, portanto tema somente a ele e confie somente nele.
SEGUNDA PARTE
Leitura de Is 8.16-22
Isaías 8.16–22 (ARA)
Resguarda o testemunho, sela a lei no coração dos meus discípulos. Esperarei no Senhor, que esconde o seu rosto da casa de Jacó, e a ele aguardarei. Eis-me aqui, e os filhos que o Senhor me deu, para sinais e para maravilhas em Israel da parte do Senhor dos Exércitos, que habita no monte Sião.
Quando vos disserem: Consultai os necromantes e os adivinhos, que chilreiam e murmuram, acaso, não consultará o povo ao seu Deus? A favor dos vivos se consultarão os mortos? À lei e ao testemunho! Se eles não falarem desta maneira, jamais verão a alva. Passarão pela terra duramente oprimidos e famintos; e será que, quando tiverem fome, enfurecendo-se, amaldiçoarão ao seu rei e ao seu Deus, olhando para cima. Olharão para a terra, e eis aí angústia, escuridão e sombras de ansiedade, e serão lançados para densas trevas.
ENSINO: COLOCAR
Diante da rejeição e infidelidade do povo, Deus trazia juízo sobre a nação. o Senhor falou por boca de Isaías (Is 8.5-8) de que incitaria os Egípcios e os Assírios contra Judá porque eles desprezaram a Deus, temendo mais a homens do que a ele e buscando socorro em outros além dele.
Na maior parte dessa segunda metade os interlocutores dessas palavras são os discípulos do profeta Isaías. Eles tipicam aqueles que são fiéis a Deus em meio a infidelidade dominante em Judá. Essas pessoas são instruídas a maneira com qual deveriam agir quando a calamidade profetizada chegasse.
A primeira coisa dita está no verso 16 (selar a lei no coração). Isso no remete aos salmistas que nos recordam a importância de guardar a palavra de Deus no coração.
Salmo 119.11 “Guardo no coração as tuas palavras, para não pecar contra ti.”
Salmo 119.97;105-106
“ Quanto amo a tua lei! É a minha meditação, todo o dia! Os teus mandamentos me fazem mais sábio que os meus inimigos; […]
Lâmpada para os meus pés é a tua palavra e, luz para os meus caminhos. Jurei e confirmei o juramento de guardar os teus retos juízos.”
O povo de Deus deveria se apegar a sua palavra de Deus e continuar a esperar nas promessas do Senhor (v. 17).
Deus predisse que haveria de levar seu povo para o cativeiro por causa dos seus pecados. Esse seria um momento de profunda incerteza. Nessas circunstância tão dramáticas, o povo seria tentado, inclusive por outras pessoas, a esquecer-se da palavra de Deus e começar a buscar auxílio em outra fonte de “revelação”. Em tais circunstância Deus os ensina que devem consultar a lei e o ensinamentos dEle, caso contrário jamais verão a luz.
Por fim, o texto nos fala das consequências de se rejeitar a Deus e sua palavra são descritos no versos 21 e 22. Em vez da benção de Deus receberão castigo. Serão oprimidos e passarão fome.
O povo rejeita a Deus quando realiza suas próprias ideias e depois o culpa pelo fracasso e pelo desespero.
Novamente, apontamos para a vida de Cristo de maneira a ilustrar esse ponto.
"Quando Jesus foi levado ao deserto para ser tentado por Satanás, ele enfrentou uma crise de escolha que exigia uma decisão profunda. Satanás, o inimigo da alma, tentou desviar Jesus de sua missão e de sua confiança em Deus. Ele o desafiou a abandonar sua dependência da Palavra de Deus e a buscar poder e segurança por meio de atalhos.
No entanto, Jesus se manteve firme, respondendo com autoridade e convicção: Mateus 4.4 “Está escrito: Não só de pão viverá o homem, mas de toda palavra que procede da boca de Deus”. Com essa declaração, Jesus afirmou que sua vida não dependia de soluções rápidas ou de expedientes humanos, mas sim da Palavra viva e poderosa de Deus.
Em outro momento, Satanás o levou a um lugar alto e lhe mostrou todos os reinos do mundo, prometendo-lhe poder e glória. Mas Jesus respondeu com uma firmeza inabalável: Mateus 4.10 “Está escrito: Ao Senhor, teu Deus, adorarás, e só a ele darás culto”. Jesus não se deixou seduzir pelas promessas de poder ou conforto; em vez disso, ele se apegou à Palavra de Deus.
Nessas horas de crise, Jesus nos mostrou que a verdadeira segurança não vem de fontes humanas, mas sim da Palavra de Deus. Ele nos ensinou que, mesmo diante das tentações e desafios mais intensos, devemos nos apegar à Palavra de Deus, selando-a no nosso coração e buscando orientação apenas nela.
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