Proverbíos 13. 11-16
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PROVERBIOS 13:11
Os bens que facilmente se ganham, esses diminuem, mas o que ajunta à força do trabalho terá aumento.
A origem das riquezas determina quanto tempo elas durarão.
“O dinheiro ganho com desonestidade diminuirá, mas quem o ajunta aos poucos terá cada vez mais” (Pv 13.11 NVI).
O segundo maior assalto a banco do mundo ocorreu entre 6 e 7 de agosto de 2005 no Banco Central do Brasil, em Fortaleza. Após três meses de escavação de um túnel de 89 metros, os ladrões passaram um final de semana carregando a quantia de quase R$ 170 milhões. Apesar de o roubo ter sido extremamente bem sucedido, o mesmo não pode ser dito do futuro dos bandidos. Roubados, extorquidos, espancados ou mortos, eles não puderam aproveitar seu lucro desonesto.
Quem dera eles tivessem dado crédito ao provérbio de Salomão que fala do “dinheiro ganho com desonestidade”. Em lugar de melhorar a vida dos larápios, o rei diz que ele “diminuirá”. É como se dissesse: o que vem fácil, vai fácil. As razões para isso são muitas. A principal delas é que o justo Deus conhece cada tramoia e golpe e os reprova, reservando um momento de punir tais crimes. Outras razões são a ilusão de que o dinheiro não acaba, a cobiça de outros bandidos ao redor e a aplicação da lei por meio da polícia e dos tribunais que, apesar de nem sempre conseguirem deter os criminosos, têm uma boa porcentagem de prisões e condenações dos desonestos. Brincar com Deus e com a lei não é uma boa fonte de diversão. E isso não vale somente para grandes bandidos, mas também para pessoas comuns que querem passar a perna nos outros ou burlar obrigações financeiras.
Os bens mal adquiridos tornam-se maldição, e não bênção, para aqueles que os ajuntam. As casas construídas com sangue jamais podem ser refúgios de paz. O dinheiro retido com fraude ergue sua voz ao céu e clama por justiça. Os bens roubados tornam-se combustível para a própria destruição daqueles que os roubam. Porém, as riquezas adquiridas com o trabalho honesto são a expressão da bênção de Deus. Essas riquezas trazem progresso e bem-estar. Elas se tornam instrumentos de bênção para aqueles que as ajuntam e fonte de bênção para todos os que delas usufruem. O trabalho muitas vezes pode ser penoso, mas o seu fruto é deleitoso. O trabalho pode ser árduo, mas o seu resultado pode dar descanso para a alma.
“mas o que ajunta à força do trabalho terá aumento.”
Não é fácil, mas ele tem um objetivo que o leva ao trabalho e à escolha dos caminhos corretos que honram o Senhor e que respeitam a lei e as pessoas. Por isso, ainda que junte pouco de cada vez, ele não corre o risco de ter de devolvê-lo, nem de sofrer consequências ruins, pois o que juntou ele ganhou honestamente. E são impressionantes as quantias que podem ser poupadas com trabalho, constância, dedicação, paciência e sabedoria. O resultado final é que gradativamente ele “terá cada vez mais”. Agora você pode escolher: ganhar fácil e perder fácil ou trabalhar por algo duradouro que será desfrutado por você e por sua família no futuro.
Verso 12
“A esperança que se adia faz adoecer o coração, mas o desejo cumprido é árvore de vida.”
A esperança é o oxigênio da vida. Se ela falta, perecemos. Se ela é adiada, adoecemos o coração. Porém, o anseio satisfeito é árvore de vida.
Salomão registra essa constatação no provérbio em questão. Ele fala, na segunda parte do versículo, sobre “o anseio satisfeito”. Significa que o bem que a pessoa espera realmente foi alcançado e ela já tem motivos para festejar. Essa alegria é tão grande e tão encorajadora que é chamada aqui de “árvore de vida”, ou seja, aquilo que dá sustento e que faz permanecer firme. Como é bom alcançar algo que se almejava! Por outro lado, ele também fala da “esperança que se retarda”. Significa que aquilo pelo qual o servo de Deus tem esperado e tem orado ainda não teve resposta. Deus ainda lhe diz: “Espere mais um pouco”. Apesar de sabermos que Deus é sábio e bondoso, além de sempre fazer o melhor para nós, a longa espera por algo que precisamos e almejamos tem a capacidade de nos entristecer e desanimar. Por isso, Salomão diz que essa longa espera “deixa o coração doente”.
O intrigante é que não há uma aplicação direta desse texto. O sábio rei apenas faz essa constatação a fim de nos servir como alerta e fazer com que nós mesmos, munidos do conhecimento da Palavra de Deus, façamos a devida aplicação dela à nossa vida. Nesse caso, o alerta nos lembra como precisamos ser dependentes e ter confiança em Deus quando ele nos faz esperar pela resposta às orações. Também nos avisa do perigo de não colocarmos no Senhor a nossa fé e esperança. Deixados à própria lógica e compreensão, ficamos aflitos e perdidos. Portanto, se a oração for logo atendida, agradeça a Deus e testemunhe da sua graça, mas se a esperança demora a se cumprir, confie inteiramente em Deus e em sua mesma graça que responde rápido a outros pedidos.
Verso 13
“O que despreza a palavra a ela se apenhora, mas o que teme o mandamento será galardoado.”
Há um ditado que diz: “Quem não escuta conselho, escuta: ‘Coitado!’ ”. Quem zomba da instrução pagará por ela, e pagará caro. Quem despreza conselhos traz sobre si destruição, pois é na multidão de conselhos que há sabedoria. Quem não aprende com amor em casa talvez aprenda com dor na rua. Quem não escuta a voz da sabedoria receberá a chibata da disciplina. Quem não abre os ouvidos para escutar conselhos oferece as costas ao chicote do juízo. A obediência é o caminho da bem-aventurança. Traz doçura para a alma, descanso para o coração e sucesso para a vida. Somos livres quando obedecemos, e não quando transgredimos os mandamentos. Somos livres para dirigir nosso carro quando obedecemos às leis de trânsito. Somos livres como cidadãos quando cumprimos os preceitos da lei. Um trem é livre para transportar em segurança os passageiros quando corre sobre os trilhos. Assim também somos livres para viver uma vida feliz e vitoriosa quando cumprimos os mandamentos. Os que guardam os mandamentos serão galardoados.
Salomão fala do homem tolo que “zomba da instrução”. Trata-se de alguém que não acha que precisa ser ensinado ou corrigido, seja porque se vê como alguém muito bom, ou porque simplesmente despreze o caminho do bem, a moral e os bons modos. Muitos desses até se orgulham de serem pessoas debochadas e cheias de falhas. O resultado é que o tolo que age assim “pagará” um preço por isso. A tolice pode ser divertida na hora, mas traz consequências indesejadas, cujo preço costuma ser bem maior do que os tolos estão dispostos a pagar.
Por outro lado, o oposto do tolo é o sábio que, nesse caso, é alguém que “respeita o mandamento”. Ele sabe que não é o centro do universo e que há uma ordem maior e anterior a ele. Também conhece o caráter de Deus e sabe o que significam suas ordens. Na verdade, o sábio se dá bem até mesmo com as ordens sociais, pois não é alguém que deseja passar por cima dos outros, mas colaborar e contribuir com o meio onde vive. Assim, ele, de bom grado, acata as leis existentes e acolhe a instrução e a correção como instrumentos para aperfeiçoar seu relacionamento com as pessoas e o tornar uma pessoa melhor. O resultado é que esse homem “será recompensado”. Então, não pense no que você quer fazer a despeito das normas, mas o que você quer receber como recompensa pela sua postura diante da orientação dos homens e, em especial, de Deus.
Verso 14
“O ensino do sábio é fonte de vida, para que se evitem os laços da morte.”
O “ensino dos sábios” é o tema desse provérbio. Diferente dos outros, esse não compara o sábio e o tolo. Apenas fala dos efeitos positivos da sabedoria transmitida aos outros. São dois. O primeiro é que age como “fonte de vida”. Apesar de isso significar que a sabedoria garante a sobrevivência de quem a aprende, é possível concluir que é também o que garante a vida com uma boa qualidade, sem os percalços e consequências da tolice. Concordando com o primeiro efeito, o segundo é que o ensino dos sábios “afasta o homem das armadilhas da morte”. Assim, a sabedoria dá cautela ao homem para evitar o perigo, se desviar dos homens maus e não se colocar em situações duvidosas que contrariam o bom senso e as orientações do nosso Senhor.
Dito isso, o leitor pode chegar a duas aplicações práticas em sua vida. A primeira é dar ouvidos ao ensino dos sábios. Como? Procurando andar com homens assim, tementes a Deus, e ler bons livros, além da Bíblia, meditando na sabedoria das palavras do Senhor. A segunda é transmitir a sabedoria aprendida a outras pessoas, a fim de que elas também aprendam e repassem adiante. Isso se torna um ciclo de vida do qual dependemos tanto quanto do alimento físico para o nosso bem-estar. Assim, o homem ajuizado que busca mais sabedoria sempre separa um tempo para ouvir e ler as palavras e o ensino dos sábios que de outros também aprenderam esse tesouro.
Verso 15
“A boa inteligência consegue favor, mas o caminho dos pérfidos é intransitável.”
15. O discernimento apropriado garante o favor enquanto a percepção distorcida torna a vida difícil.
O “favor” dos homens também não é para todos. Apesar de a palavra favor também poder ser traduzida como “graça”, que quer dizer um favor “imerecido”, esse texto fala de um favor que precisa ser merecido e que só os sábios conseguem alcançar. Salomão atrela a obtenção do favor, ou seja, da boa disposição das pessoas para com o sábio, ao fato de se ter um “bom entendimento”. Sinônimo de sabedoria, essa expressão parece apontar para as escolhas sábias que um homem faz com base no conhecimento que concorda com o que Deus chama de sábio e correto. O impacto que tais escolhas têm sobre as pessoas faz com que elas sejam favoráveis ao sábio e este usufrua de bons resultados.
O bom senso cabe em todo lugar. O bom senso abre portas, desbloqueia caminhos, remove obstáculos e alcança favores. O bom senso ou a boa inteligência não trilha o caminho da arrogância. Não estica o pescoço com a tola intenção de sobressair-se sobre os demais. O bom senso não proclama seus próprios feitos, não faz propaganda de suas obras, nem se arvora soberbamente contra outras pessoas apenas para denunciar suas fraquezas. A boa inteligência consegue favor porque segue as pegadas da humildade, e a humildade é o portal da honra. Completamente diferente é o caminho do pérfido. Ele é soberbo e infiel. Seu caminho é áspero e intransitável. Sua companhia é indesejável; suas palavras são insensatas; suas ações, injustas; sua vida, um laço mortal. A Palavra de Deus nos mostra que o segredo da felicidade é nos afastarmos do caminho dos perversos. Diz o salmista: Bem-aventurado o homem que não anda no conselho dos ímpios, não se detém no caminho dos pecadores, nem se assenta na roda dos escarnecedores. Antes, o seu prazer está na lei do Senhor, e na sua lei medita de dia e de noite (Sl 1.1,2).
Verso 16
“Todo prudente procede com conhecimento, mas o insensato espraia a sua loucura.”
Todo produto que compramos atualmente vem com um manual de instruções. Nele há informações importantes sobre o funcionamento do produto e sobre o cuidado necessário para mantê-lo em boas condições e prolongar sua vida útil. Apesar da importância dessas informações, pouca gente lê o manual e quer logo manusear o produto. Por isso, não é raro que em seu primeiro uso, o produto seja danificado e inutilizado. Sem o conhecimento básico sobre os meios corretos de utilização, tanto o produto como seus usuários podem acabar com danos e prejuízos.
Esse seria um dos problemas evitados por aqueles que conhecem esse texto. Entretanto, sua aplicação vai muito além do uso de manual de instruções de produtos adquiridos no mercado. Ele trata, de modo geral, da base utilizada pelos homens para tomada de decisões e efetivação dos seus procedimentos. O sábio, identificado aqui como “homem prudente”, utiliza o “conhecimento” como guia de suas escolhas e ações. Não se trata de um conhecimento intuitivo ou informal, mas daquele baseado na busca séria de informações corretas. Se uma profissão exige essa prática, a vida também — e a base do conhecimento vivencial tem como fonte o Senhor e sua Palavra.
O “tolo” tem outra base para guiar suas decisões e procedimentos. Em lugar de se valer do conhecimento revelado por Deus e obtido por meio do estudo, da dependência do Senhor e da oração, o tolo se vale da “sua insensatez”. Seu orgulho, ignorância e coração corrompido o “ajudam” a escolher os rumos da sua vida. Infelizmente, esse “GPS de tolos” conduz a um estado de tolice ainda maior, junto com as consequências que qualquer um gostaria de evitar, incluindo o insensato. Sabendo aonde você quer chegar, que mapa vai utilizar? O conhecimento que deve ser adquirido com dedicação ou sua própria insensatez?
