SUA IRA É REALMENTE JUSTA? – Parte II – Pág. 37 – 42
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O melhor texto sobre ira
Tiago 4.1-10 é uma passagem que se encaixa em quase tudo que precisamos saber sobre a nossa ira:
De onde procedem guerras e contendas que há entre vós? De onde, senão dos prazeres que militam na vossa carne? Cobiçais e nada tendes; matais, e invejais, e nada podeis obter; viveis a lutar e a fazer guerras. Nada tendes, porque não pedis; pedis e não recebeis, porque pedis mal, para esbanjardes em vossos prazeres. Infiéis, não compreendeis que a amizade do mundo é inimiga de Deus? Aquele, pois, que quiser ser amigo do mundo constitui-se inimigo de Deus. Ou supondes que em vão afirma a Escritura: É com ciúme que por nós anseia o Espírito, que ele fez habitar em nós? Antes, ele dá maior graça; pelo que diz: Deus resiste aos soberbos, mas dá graça aos humildes. Sujeitai-vos, portanto, a Deus; mas resisti ao diabo, e ele fugirá de vós. Chegai-vos a Deus, e ele se chegará a vós outros. Purificai as mãos, pecadores; e vós que sois de ânimo dobre, limpai o coração. Afligi-vos, lamentai e chorai. Converta-se o vosso riso em pranto, e a vossa alegria, em tristeza. Humilhai-vos na presença do Senhor, e ele vos exaltará.
Há passagens e histórias sobre ira por toda a Escritura, e nenhuma é completa em si mesma, mas Tiago nos oferece bastante informação. Nossos desejos, nossas guerras, nosso relacionamento com Deus e a influência de Satanás, estão todos reunidos para nós nas palavras de Tiago sobre a ira.
Ele não entra nos pormenores quanto à paciência de Deus e em como ele é rápido para perdoar; essas pérolas estão incluídas em sua observação a respeito do ciúme que Deus tem de nós e como o Senhor nos dá mais e mais graça. O que a passagem faz é abrir os nossos olhos cegos para vermos como a ira é contra outras pessoas e contra Deus. Todos nós nos beneficiaríamos dominando e sendo dominados por esses versículos.
Onde voltamos?
Quando mudamos um comportamento, queremos saber no que estamos sendo transformados. Nós nos afastamos da ira que nós mesmos alimentamos. Nós nos voltamos para Cristo e vivemos sob sua autoridade. Mudamos de como consentimos em nossa ira porque estamos “certos” (e na verdade podemos ter evidências que se sustentariam em um tribunal) para humildade e amor. E essa mudança terá mais longevidade quando feita com lamentação e choro (Tiago 4.9).
Nós somos pessoas ocupadas, e não é fácil encontrar espaço para aquelas coisas que estão no coração de Deus, mas a nossa ira pecaminosa é uma harmonia temporária com os caminhos assassinos do diabo. Ela se opõe à unidade que está no coração do reino de Cristo.
Não devemos negligenciar esse pecado ou justificá-lo.
2.3. A IRA JUSTA DE NOSSO SENHOR.
Profeticamente, os salmos apresentam o Messias vindouro como um Rei cuja “num instante acende-se a sua ira” e que “ama a justiça e odeia a iniquidade”. Salmos 2:12; 45:7 e Hebreus 1:9
Outras passagens do AT retratam o Messias como o vindouro Juiz que socorrerá e restaurará o Seu povo e punirá Seus inimigos com terrível vingança.
Alguns poderiam esperar que, ao passarmos para os Evangelhos, encontrássemos um grande número de demonstrações de ira por parte de Jesus. A despeito de noções populares, somente em alguns poucos casos vemos o Salvador irado. A julgar pelo registro bíblico, a ira era incomum para Jesus.
A ira crônica simplesmente não era uma característica de Sua vida. Apesar das provações diárias por parte de outros, Sua ira limitou-se a ocasiões específicas. Vamos considerar as três ocasiões claras, especificas à luz de nossos critérios.
2.3.1. Jesus e os fariseus – Marcos 3:1-6
Critério 1 – Claramente a ira de Cristo era uma reação contra um pecado real.
A situação – Por causa de suas ideias erradas sobre o sábado, os fariseus se opunham à intenção de nosso Senhor de curar o homem. Como foi que o Senhor reagiu? Marcos 3:5
Jesus percebeu de maneira exata o pecado dos fariseus – seus corações duros se revelavam em seus olhares críticos contra Jesus, em sua recusa em responder a penetrante pergunta que Jesus fizera, e em sua trama assassina.
Além do mais, faltava a eles a misericórdia e a compaixão para com o homem sofredor.
Critério 2 – A ira do nosso Senhor estava intimamente ligada a Deus e ao Seu reino, direitos e preocupações.
A ira – No entanto, essa reação era mais do que uma resposta a uma ofensa pessoal. O pecado dos fariseus se opunha e impedia a missão de Jesus como o Messias designado por Deus.
No fluxo da narrativa de Marcos, o ministério de curas de Jesus atestava Seu chamado messiânico. Marcos 2:12
E Sua escolha deliberada do Sábado sublinhava Sua autoridade sobre ele. Marcos 2:27-28
Desprezar e opor-se à obra curadora de Jesus equivalia a desprezar e opor-se ao progresso do plano redentor de Deus, interromper Seu programa messiânico e prolongar o reinado de Satanás.
Critério 3 – Corajosamente, Jesus buscou a justiça e a misericórdia ao executar a missão que Seu Pai lhe dera.
Manifestação – Com perfeito autocontrole.
Ele manteve a calma, sem extravasar furor ou perder a compostura. Tampouco Sua justa ira o imobilizou ou impediu que Ele curasse o doente. Ele permaneceu sóbrio e corajoso em Seu ministério ao homem enfermo Ele não colocou em “pausa” a sua tarefa dada por Deus enquanto saiu para “esfriar a cabeça”.
Ele não suspendeu Seu ministério àquele homem necessitado até terminar de lidar com Seus críticos farisaicos. Ele seguiu em frente apesar da oposição furiosa e dos planos para matá-lo. Temendo a Deus, Ele não temia a mais ninguém.
2.3.2. Jesus e seus discípulos – Marcos 10:13-16
Critério 1 – Fossem quais fossem seus motivos, esses discípulos efetivamente impediram que aquelas crianças (e talvez seus pais) conhecessem a Jesus.
A situação – Em Marcos 10 novamente encontramos Jesus irado, não contra Seus inimigos, mas contra Seus próprios discípulos.
Um grupo de pessoas trouxera seus filhos para que Jesus os tocasse e abençoasse, mas por razões não declaradas no texto os discípulos repreenderam esses pais. Diante desse tratamento frio e seco contra outros, nosso Senhor ficou indignado contra os discípulos.
Critério 2 – A paixão pelo reino de Deus consumia Cristo, não a Sua própria popularidade, fama, aprovação ou “necessidade” de se sentir necessário.
A ira – O que impulsionou a ira do Senhor foi um desejo firme e determinado pela extensão do reino de Deus. Os discípulos criaram obstáculos a esse justo desejo. Marcos 10: 14
Embora nosso Senhor sinceramente quisesse que aquelas crianças específicas entrassem no reino, uma leitura cuidadosa sugere uma paixão mais ampla. Jesus aproveitou a chegada daquelas crianças como uma oportunidade para ilustrar a natureza da fé salvadora.
O reino, Ele afirmou, não pertence as crianças como tais (isto é, mais a humanos jovens do a humanos idosos). Ele pertence “aos que são semelhantes a elas” (v.14), aqueles que recebem “o reino de Deus como uma criança”(v.15).
A receptividade infantil retrata a incapacidade quanto à salvação. Nosso Senhor estava usando uma ilustração visual de que o reino é “recebido” por pessoas incapazes, pela graça por meio da fé. Lucas 12:32; Hebreus 12:28
Sua ira surgiu porque Seus discípulos arruinaram essa poderosa ilustração da salvação pela graça por meio da fé. Eles atrapalharam o evangelho de Deus e sabotaram o Seu reino.
Critério 3 – Ele não “pediu um tempo” para repreender a Seus discípulos. Ele os corrigiu, depois focalizou Sua atenção nas crianças e cumpriu a vontade de Seu pai abençoando as crianças.
Manifestação – Ele demonstrou autocontrole.
Não explodiu de raiva. Tampouco permitiu que a ira impedisse o Seu ministério. Ele mostrou amor por aquelas crianças, abraçou-as e abençoo-as.
2.3.3. Jesus e os mercadores no templo. João 2:13-17
Critério 1 – Uma vez mais nosso Senhor reage contra um pecado real.
A situação – João 2 registra uma de talvez duas ocasiões em que Jesus em que Jesus limpou o Templo daqueles que o haviam transformado num mercado.
Os mercadores vendiam animais – provavelmente para sacrifícios no templo – e trocavam moedas nos pátios do templo de Jerusalém para facilitar tais vendas.
O relato paralelo em Mateus explicitamente declara a ilegalidade dessa prática: “Está escrito”, Ele disse, “a minha casa será chamada casa de oração,’ mas vocês estão fazendo dela um ‘covil de ladrões’”. Mateus 21:13, citando Isaias 56:7 e Jeremias 7:11
Tais atividades desonravam o templo de Deus e vitimizavam os pobres.
Critério 2 – A questão não “tinha a ver com Ele”, mas “tinha a ver com Seu Pai”.
A ira – O que causou a ira de Jesus foi o zelo pela casa de Deus, não uma vingança pessoal.
Eles não estavam profanando e corrompendo a Sua casa, mas a casa de Seu Pai.
Um escritor define o zelo de nosso Senhor em Hebreus 10:27, como a Sua “ardente indignação pela profanação da casa de Deus”, enquanto outro a chama de “ciúme ardente pela santidade da casa de Deus”.
Critério 3 – O que caracterizou a ira de Jesus e surgiu dela foi o autocontrole.
Manifestação – Uma vez mais vemos nosso Senhor mantendo Seu autocontrole. Enquanto a ira pecaminosa grita, amaldiçoa, extravasa e se enfurece, a ira justa mantém uma conduta piedosa.
No entanto, a ira controlada do nosso Senhor não era fraqueza. Ela era confrontadora. Fortalecida com poder, Sua ira revelou-se em atos ousados de julgamento. Cristo focalizou Sua energia em trazer juízo contra o mal. Ele expulsou os animais com um chicote.
Ele virou as mesas, espalhou pelo chão as moedas e ordenou aos vendedores de pombas que saíssem imediatamente das dependências do Templo.
Neste ato judicial, motivado pela glória de Deus, vemos um prenúncio das últimas demonstrações de juízo de Cristo em Apocalipse 6:16,17
CONCLUSÃO:
Esses três critérios acerca da ira de Cristo, servem para avaliar a justiça ou injustiça de nossa ira.
Critério 1 – Reagiu ao pecado real. Focalizou em Deus e Seu reino, Seus direitos, e Suas preocupações, e não nas do próprio Jesus.
Critério 2 – Surgiu não porque pessoas tivessem pecado contra Ele, mas porque pecaram contra Seu Pai e contra outras pessoas.
Critério 3 – Além disso, outras qualidades e expressões de piedade a acompanharam. Jesus não Se mostrou frio, estoico e insensível quanto à honra de Deus e o bem maior de outras pessoas. Tampou explodiu de raiva ou Se retraiu. Ele ministrou a pessoas.
