O CUMPRIMENTO DA PROMESSA DE DEUS NA MISSÃO
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JOSUÉ 14.1-5
JOSUÉ 14.1-5
Introdução
Introdução
Irmãos, uma necessidade urgente, especialmente para aqueles que estão começando a caminha da fé e da vida é a formação de referenciais que vão guiar essa jornada. É possivel viver sem ter um referencial, porém, isso não é seguro. A Bíblia nos ensina a importância de termos referenciais. Um exemplo é o próprio apóstolo Paulo que disse: sede meus imitadores assim como sou imitador de Cristo. Vejam que ter referenciais é algo Bíblico. No entanto, para imitar alguém é preciso estar certo de que esse alguém vale ser imitado. Paulo sabia que sua vida era uma vida consistente com a sua fé. Ele foi de perseguidor a perseguido, de um homem mau a a um Pastor. E quando os fruto do seu trabalho foram aparecendo, ele disse: sede meus imitadores. E Deus sabe tanto das nossas necessidades de referenciais que Ele nos deu presbíteros, porém quando a liderança não é modelo para o rebanho como diz a Escritura e nem irrepreensível, as pessoas não dão crédito. E isso não significa que eles são impecáveis, mas eles devem ser irrepreensíveis em casa, no trabalho, na vida comum para que a Igreja olhe para os líderes e digam: esses homens são homens de Deus. A pergunta então é: qual tem sido o nosso referencial de vida? Será que estamos tendo referenciais bíblicos ou estamos tendo referenciais nas redes sociais que são mundanos? Por isso precisamos fazer uma limpa em quem seguimos nas redes sociais e dizer a partir disso que vamos seguir pessoas que têm os mesmos princípios que os nossos.
O povo de Deus sempre teve grandes referenciais, se eles seguiam esses referenciais é outra história, mas Deus sempre levantou homens exemplares, homens como Noé que não seguiu os referenciais do mundo porque estava na contramão do mundo. Deus ia destruir o mundo e a arca era a saída, mas muitos estavam zombando de Noé porque preferiam as referências mundanas.
Lembrem-se do que aconteceu com a mulher de Ló, ela olhou para trás em vez de fugir de Sodoma e Gomorra. Ela ficou pelo caminho por provavelmente ter tido o desejo de voltar para aquelas cidades que eram referenciais para ela. Irmãos, novamente, Deus sempre levantou grandes referenciais como o próprio Moisés, mas o povo sempre foi de dura cerviz, pois diziam que a culpa era de Moisés e que preferiam voltar para o Egito e comer carne a fartar do que caminhar no deserto com Deus que estava enviando o maná. Ou seja, a referência era que o Egito era melhor que o deserto. E esse tipo de referência não é o ideal, irmãos, pois são referencias mundanas.
O texto que lemos é um exemplo disso, pois nos mostra que povo que estava sendo conduzido por Moisés e depois por Josué à terra prometida, agora estava recebendo a parte da herança prometida que era devida a cada uma das tribos (como já vimos nos capítulos 12 e 13). É nesse contexto que observamos tanto o cumprimento da promessa de Deus por meio da obediência de quem estava distribuindo a herança quanto por meio da obediência de mais uma referência no meio do povo de Deus: um homem chamado Calebe, um homem que agora tinha 85 anos e que viera trazer a sua experiência de perseverança e consistência para o povo de Deus. Todos tinham suas próprias terras, mas ele veio reivindicar seus direitos.
Dito isso irmãos, o tema do sermão desta noite tem como tema “O Cumprimento da promessa de Deus na missão". Em primeiro lugar, o Cumprimento da promessa de Deus na missão, se dá pela obediência de quem distribui a herança (versos 1-5).
1. PELA OBEDIÊNCIA DE QUEM DISTRIBUI A HERANÇA (14.1-5)
1. PELA OBEDIÊNCIA DE QUEM DISTRIBUI A HERANÇA (14.1-5)
Especialmente nos versículos 1 a 5, notamos como Deus se preocupa com cada um de Seu povo. As nove tribos que ainda não haviam recebido suas porções estavam aguardando, e esse momento de distribuição era mais do que uma mera formalidade; era uma confirmação do compromisso de Deus com as promessas feitas.
A terra de Canaã ao ser mencionada no texto relembra a designação de Canaã como a terra a oeste do Jordão. Eleazar, que era o sacerdote, aparece pela primeira vez no livro de Josué. Mas quem era esse homem chamado Eleazar? Ele é filho e sucessor de Arão, irmão mais velho de Moisés, além de líder dos levitas. Envolvido na comissão de Josué, Eleazar deveria determinar a vontade de Deus pelo Urim (ou seja, por meio de sorteio) para guiar Josué (Nm 27:19–22). Com Arão, Eleazar é incumbido de distribuir a terra em Números 34:17. O termo “filho de Num” sempre que é mencionado é aplicado a Josué para identificá-lo com suas aparições anteriores no Pentateuco e em Josué. Assim sendo, o mesmo Josué que liderou Israel na conquista da terra agora se prepara para repartir essa terra com as tribos.
E algo interessante é que pela primeira vez em Josué, o Urim ou sorteio é mencionado. Embora as técnicas por trás do uso do sorteio nunca sejam completamente explicadas, é evidente que seu uso adequado não só é permitido como meio de consulta para conhecer a vontade divina, mas também é ocasionalmente ordenado. Assim, a escolha do bode expiatório por exemplo no Dia da Expiação é determinada pelo lançamento de sortes (Conforme Lv 16:8–10). Repetidamente, é ordenado que a terra seja distribuída por sorteio. Embora as instruções permitam alguma escolha conforme o tamanho da tribo (Conforme Nm 33:54), o sorteio servia para determinar a vontade divina em relação às possessões tribais. O texto de Josué testifica que todas as terras tribais são determinadas por esse sistema, assim como as cidades levíticas para os coatitas, gersonitas e meraritas. Com Josué e os líderes tribais, Eleazar, o sacerdote, distribui as heranças por sorteio e isso é visto mais a frente em Josué 19:51.
No entanto, para o cristão, o exemplo do lançamento de sortes levanta a questão de como descobrir a vontade de Deus para sua vida. Será através de lançar sortes? Percebam que, embora as sortes possam parecer uma questão de acaso, isso não é verdade e não pode ser comparado a sorte daqueles que participam de jogos de azar. Elas eram lançadas sob a direção de Deus, e sua decisão era uma expressão da vontade divina (Conforme Pv 16:33, que diz que a “A sorte se lança no regaço, mas do Senhor procede toda decisão”. A sorte lançada aqui significa que eles se submeteram a sabedoria e a soberania de Deus e professaram uma disposição para aceitar o resultado do sorteio. Nesse sentido, diferentemente daquela época, a descoberta da vontade de Deus para nós cristãos não é uma questão de sorte. Em outras palavras, assim como Israel, isso requer obediência ao que já recebemos da direção de Deus em Sua Palavra revelada a nós, aproximação regular Dele em oração e consideração do conselho de cristãos maduros (cf. Atos 15:6, 12, 15, 28). Tudo isso nos fará compreender a vontade de Deus.
Em seguida, observamos que as pastagens dos levitas mencionadas aqui no texto aparecem tanto em Levítico 25:34 quanto em Números 32:1–5. Em Levítico 25:34, as terras próximas às cidades levíticas são reservadas para que os levitas, que não possuíam uma herança territorial própria como as outras tribos, pudessem sustentar-se. Em Números 32:1-5, as terras em Transjordânia também recebem menção especial, indicando a consideração de Deus pela provisão ao Seu povo. Isso mostra que, mesmo no meio de uma distribuição de herança voltada para as tribos guerreiras, Deus não se esquece de quem é separado para o Seu serviço.
Essa presença das pastagens nos lembra de que, na economia divina, cada função no meio do Seu povo é honrada. Os levitas, ao invés de receberem uma porção de terra para cultivo e guerra, recebem áreas de pastagens para sustento, simbolizando a dependência do Senhor e o serviço no culto. Essa designação nos ensina que, na missão e no cumprimento das promessas, há uma diversidade de chamados e vocações, e todos têm um papel único. Para a Igreja, isso reforça que cada membro é chamado a contribuir conforme os dons e funções dados por Deus, sendo todos sustentados e fortalecidos pelo Senhor.
Além disso, o verso 5 afirmar que "os filhos de Israel fizeram conforme o Senhor ordenara a Moisés", sela essa primeira parte com a seguinte reflexão: Israel não apenas recebe a terra, mas o faz em obediência, seguindo o padrão e o referencial Divino. A distribuição feita em obediência a Deus, inclusive a designação para os levitas, aponta para a fidelidade de Deus e do povo em seguir a Sua Palavra, ou seja, a Palavra era o referencial do Povo e não o mundo. Portanto, essa obediência conjunta – tanto dos líderes que distribuíram quanto do povo que recebeu – é uma lição para nós irmãos: que o cumprimento da promessa de Deus na missão não está separado de uma vida de obediência. Deus prometeu ao povo, mas foi necessário que eles obedecessem ao Senhor na distribuição das terras.
Assim sendo, Eleazar e Josué agem de acordo com a orientação divina, lembrando a todos que as promessas de Deus se cumprem quando somos fiéis à Sua vontade. A distribuição das terras não é apenas um ato administrativo, mas um testemunho da fidelidade de Deus em cumprir suas promessas. Para a Igreja, isso nos ensina que cada um de nós tem um papel a desempenhar na obra de Deus, e devemos buscar com diligência entender e obedecer a Sua vontade expressa em Sua Palavra, a fim de nos apropriarmos das promessas de Deus.
Agora, ao olharmos para o próximo ponto, é fundamental perceber que o cumprimento da promessa de Deus na missão não se limita a obediência de quem distribui a herança, mas também àqueles que a recebem. É aqui que entra uma outra referência, Calebe, que com fé e determinação reivindica o que é seu. Diante disso, em segundo lugar, o cumprimento da promessa de Deus na missão se dá pela obediência de quem reivindica a herança. Veremos isso nos versículos 6 a 15, onde Calebe nos mostra como a perseverança e a fidelidade são essenciais na nossa jornada de fé e na missão que Deus nos confiou.
2. PELA OBEDIÊNCIA DE QUEM REIVINDICA A HERANÇA (14.6-15)
2. PELA OBEDIÊNCIA DE QUEM REIVINDICA A HERANÇA (14.6-15)
Irmãos, vejam que o relato sobre Calebe é dividido em duas partes: a primeira aparece em Josué 14:6–15, e a segunda em 15:13–19. Focaremos apenas a primeira parte. Calebe representa uma entre muitas famílias de Judá que receberam suas terras. Esse trecho corresponde à designação tribal geral dada a Judá (14:6–15). Calebe, porém, representa todo o Israel como alguém que recebe uma herança e, com confiança, toma posse dela.
As palavras e ações de Calebe são registradas somente aqui e em Números 13–14. Lembramos que Calebe foi um dos dois espias enviados para explorar Canaã e encorajar o povo a entrar na terra. Após Números 14, ele se retira para o pano de fundo e não volta a falar ou agir até Josué 15. Com paciência, Calebe esperou quarenta anos até que a promessa de Deus se cumprisse, e ele finalmente pudesse possuir a terra prometida.
Assim como os levitas em Josué 21:1, os homens de Judá se aproximaram de Josué com uma solicitação formal para receber sua herança. Gilgal, sendo o quartel-general de Josué e centro do serviço sacerdotal ao Senhor, serve como o ponto de referência. Nos capítulos de Números 13 e 14, Calebe é descrito como representante de Judá, enviado para espiar a terra; ele e Josué foram os únicos a trazer um relatório favorável. Em Cades-Barnéia, onde os espias apresentaram o relatório e onde o castigo divino foi decretado pela falta de vontade de Israel de entrar na terra, Deus recompensou Calebe e Josué com a promessa de que ambos entrariam na terra e receberiam uma herança.
Calebe então relembra sua experiência e testemunha como os outros espias trouxeram um relatório desanimador que fez o coração do povo desfalecer de medo. Em contraste, ele seguiu ao Senhor de todo o coração. A expressão “seguir ao Senhor” é usada para Calebe e Josué (Nm 32:12; Dt 1:36), enquanto o resto de Israel recusou-se a seguir o Senhor (Nm 14:43). Essa expressão é também um lembrete de servir exclusivamente ao Deus de Israel.
Nos versículos 9 a 12, Calebe menciona a promessa de Moisés e a fidelidade de Deus em mantê-lo vivo por quarenta e cinco anos, conectando a promessa passada com seu cumprimento presente. Josué, como sucessor de Moisés, é o representante ideal para cumprir a promessa. A menção à força e vigor de Calebe reforça que ele é o mesmo homem que recebeu as promessas e que está fisicamente apto para possuir a herança prometida. Sua confissão de que Deus o manteve vivo indica que a sua confiança é garantida divinamente.
Assim, não havia razão para recusar a promessa. Pelo contrário, Josué, o servo fiel do Senhor, deveria cumpri-la. Os temíveis anaquins representavam o inimigo que anteriormente havia desencorajado Israel. O relato de Calebe desenvolve a campanha do capítulo 11, onde ambos os relatos terminam com a frase “Então a terra teve descanso da guerra”, apontando a conquista do sul como parte do plano divino.
A resposta de Josué é consistente com seu papel de sucessor de Moisés, cumprindo as promessas feitas por ele. O presente de Hebrom reafirma o propósito teológico do texto, demonstrando a bênção de Deus para aqueles que, como Calebe, permanecem comprometidos com Ele, apesar da impopularidade. Hebrom, que antes se chamava Quiriate-Arba, era originalmente possuída pelos anaquins, conforme destacado por Calebe no versículo 12. A narrativa então confirma as palavras de Calebe e nos lembra como um servo fiel pode vencer até os maiores inimigos.
Para nós, assim como para Israel, Calebe representa o ideal do crente que age com coragem com base nas promessas de Deus (Hb 11). Em Números, Calebe tomou uma posição impopular, apoiado unicamente na promessa divina de que Israel receberia a terra. Mesmo com a incredulidade dos outros, Calebe não abandonou o povo de Deus; ao contrário, permaneceu paciente e fiel, aguardando o cumprimento da promessa (Hc 2:3–4), que veio em sua velhice. Embora fosse um homem idoso enfrentando os poderosos anaquins, sua fé não se abalou. Ele agiu com ousadia, demonstrando uma fé que move montanhas (Mt 17:20; Lc 17:6). Assim, ele recebe sua herança como sinal da bênção de Deus.
Por último, se o termo “quenezeu” sugere que a ascendência de Calebe era originalmente não israelita, sua história nos lembra de como Deus incorpora “estrangeiros” ao Seu povo, como Raabe e os gibeonitas (Ef 2:11–13), apontando para o caráter inclusivo da graça divina.
CONCLUSÃO
CONCLUSÃO
o concluir nossa reflexão, percebemos que, embora o texto nos ensine que o cumprimento da promessa de Deus na missão se dá tanto pela obediência de quem distribui a herança quanto pela obediência de quem a recebe, essa narrativa aponta para Cristo, o verdadeiro herdeiro e consumador da promessa divina. Assim como Calebe esperou pacientemente pelo cumprimento da promessa, confiando plenamente na direção de Deus, Cristo aguarda o tempo determinado pelo Pai para a consumação de todas as coisas. Ele é o modelo perfeito de obediência e perseverança, cumprindo Sua missão ao reivindicar, não apenas uma terra, mas o próprio Reino de Deus para Seu povo (Hebreus 12:2). Em Cristo, temos a plena segurança de que as promessas de Deus jamais falharão, pois Ele é a garantia e a realização de todas elas (2 Coríntios 1:20).
Para nós, como Igreja, Cristo é o referencial supremo de obediência e fidelidade, Aquele a quem podemos olhar e encontrar o exemplo perfeito. Diferente de Calebe, que recebeu um pedaço de terra em Canaã, Cristo nos oferece uma herança incorruptível e eterna junto a Deus (1 Pedro 1:4). Assim, somos chamados a segui-lo, obedecendo à Palavra e vivendo com a expectativa da nossa verdadeira herança, que está guardada nos céus. Que essa certeza nos fortaleça a cada dia, renovando nossa confiança no Deus que cumpre Suas promessas e que, em Cristo, nos dá não apenas a terra, mas a Si mesmo.
Diante de tudo isso, o que devemos fazer? Primeiro, é essencial que busquemos a Cristo de todo o coração. Para você que está desanimado, olhe para Ele, que suportou o peso da cruz e nos oferece perdão e graça. Ele é fiel e justo para perdoar nossos pecados (1 João 1:9) e promete estar conosco, suprindo nossas necessidades. Se você está aflito quanto ao futuro, lembre-se de Suas palavras: “Eis que estou convosco todos os dias” (Mateus 28:20). Ele é o nosso amparo e segurança.
Aos que negligenciam a oração e o compromisso com Deus, pergunto: quando foi a última vez que você buscou a Jesus com ousadia, dizendo: “Senhor, fortalece-me para viver em Tua presença”? As bênçãos em Cristo não vêm sem o esforço da fé e paciência. Hebreus 6:11-12 nos lembra de que devemos imitar aqueles que herdam as promessas pela perseverança e pela fé, sendo Cristo o exemplo perfeito. Portanto, que busquemos a Ele em oração, renovando nosso compromisso com Sua Palavra e com nossa vida espiritual.
E para os que lutam contra o pecado, lembrem-se de que Jesus prometeu estar conosco, fortalecendo-nos e renovando-nos. Ele é a fonte da santidade que buscamos, e é Ele quem nos purifica (1 Tessalonicenses 5:23). Que nossa oração seja: “Senhor, quero andar contigo e viver em pureza, pois Tu és a minha maior promessa.”
Que, em Cristo, vivamos como Calebe, herdeiros das promessas de Deus, perseverando na fé e firmes na esperança que Ele nos dá. Que nossa resposta a essas verdades se manifeste em ações de fé, oração e um compromisso renovado de seguir a Cristo, nosso exemplo e esperança.
