Não julgueis
Gostamos de rebaixar o outro para que nós mesmos pareçamos grandes.
A afirmação de Jesus: “Não julguem”, não significa ser cego para as injustiças praticadas pelas pessoas
O NT contém muitos exemplos de julgamentos legítimos da condição, da conduta ou do ensinamento de outros. Além disso, há várias áreas em que se ordena ao cristão tomar uma decisão, para discernir entre o bom e o mau ou entre o bom e o melhor. Alguns exemplos:
1. Quando surgem contendas entre cristãos, elas deveriam ser acertadas na igreja perante membros que podem decidir a questão (1Co 6:1–8).
2. A igreja local deve julgar pecados sérios dos membros e tomar as devidas providências (Mt 18:17; 1Co 5:9–13).
3. Os cristãos têm de julgar os ensinamentos doutrinários dos ensinadores e pregadores através da palavra de Deus (Mt 7:15–20; 1Co 14:29; 1Jo 4:1).
4. Os cristãos têm de discernir se os outros realmente são cristãos a fim de obedecer à ordem de Paulo em 2Coríntios 6:14.
5. Os membros da igreja precisam julgar quais homens têm as qualificações necessárias para serem líderes (1Tm 3:1–13).
6. Temos de discernir quais pessoas são desordeiras, covardes, fracas etc., e tratálas de acordo com as instruções da Bíblia (p. ex., 1Ts 5:14).
Não, é tarefa de cada seguidor de Cristo, bem como dever incessante da comunidade de Jesus, “examinar, vigiar e precaver-se” de tudo o que não é correto perante Deus. Nisso se fundamenta também a chamada “função
Jesus não espera que a comunidade cristã seja perfeita. Ele compreende que haverá desentendimentos e problemas. Em particular, Jesus se concentra no modo como os cristãos devem se relacionar uns com os outros quando um deles se comporta mal.
Desapercebidamente nos promovemos à função de inspetor, fiscalizamos os movimentos do outro, controlamos sua fala, e anotamos, e julgamos, e condenamos. Essa atitude de fiscalizar ao redor é o julgar sem amor que Jesus repudia. Esse julgar delata o farisaísmo secreto, que é o pecado mortal dos crentes.
O seguidor de Cristo tem a tarefa de colocar, no lugar da atitude de julgar, o serviço de ajuda ao próximo.
As instruções de Jesus são bem conhecidas, mas muitas vezes mal interpretadas: “Não julguem, para que vocês não sejam julgados”.
Jesus não está dizendo que devemos suspender qualquer julgamento moral em relação a outras pessoas, que devemos fechar os olhos para as falhas delas e nos negar a fazer a distinção entre verdade e erro ou entre boa conduta e comportamento pecaminoso
O que Jesus se nega a tolerar aqui não é o julgamento, mas o “julgamentalismo” – ou seja, ser crítico, alguém que está propenso a julgar duramente, sem misericórdia, graça ou amor.
Ele se refere à atitude condenável de julgar sem amor, a qual ocorre com especial facilidade pelas costas do próximo.
Costumamos ver nossa própria injustiça com lente de redução, enquanto a do outro com lente de aumento. Gostamos de falsificar a nosso favor a avaliação de nós mesmos. A avaliação do outro falsificamos freqüentemente em sua desvantagem. É condenável ver o mal do outro sempre agudo e grande, combatendo-o, e não ser primeiro irredutivelmente duro e severo com a própria pecaminosidade.
Temos a tendência de exagerar os erros e as falhas de outros enquanto minimizamos a seriedade de nossos próprios erros e falhas.
Precisamos ser tão críticos de nós mesmos quanto o somos dos outros, e tão generosos para com os outros quanto o somos sempre para com nós mesmos.
A vida de Davi fornece uma ilustração óbvia de um coração endurecido. Ele, por conta de sua cobiça, pecou gravemente com Bate-Seba, cometendo adultério com ela e planejando a morte de seu marido
