Consolo e Edificação

Uma Santa Igreja  •  Sermon  •  Submitted   •  Presented
0 ratings
· 6 views
Notes
Transcript

1 Tessalonicenses 5.12-28

1Tessalonicenses 5.12–28 “Agora, vos rogamos, irmãos, que acateis com apreço os que trabalham entre vós e os que vos presidem no Senhor e vos admoestam; e que os tenhais com amor em máxima consideração, por causa do trabalho que realizam. Vivei em paz uns com os outros. Exortamo-vos, também, irmãos, a que admoesteis os insubmissos, consoleis os desanimados, ampareis os fracos e sejais longânimos para com todos. Evitai que alguém retribua a outrem mal por mal; pelo contrário, segui sempre o bem entre vós e para com todos. Regozijai-vos sempre. Orai sem cessar. Em tudo, dai graças, porque esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus para convosco. Não apagueis o Espírito. Não desprezeis as profecias; julgai todas as coisas, retende o que é bom; abstende-vos de toda forma de mal. O mesmo Deus da paz vos santifique em tudo; e o vosso espírito, alma e corpo sejam conservados íntegros e irrepreensíveis na vinda de nosso Senhor Jesus Cristo. Fiel é o que vos chama, o qual também o fará. Irmãos, orai por nós. Saudai todos …”
_____________________________________________
Essa é a última parte da epístola, e temos nesta parte final o apóstolo Paulo dando um ensinamento geral à Igreja de Tessalônica. Eu considero estas últimas palavras como aquele ensino geral, ao que parece, é um ensino que não poderia ser negligenciado, mas, que, ele mesmo escolhe não se demorar no conteúdo final.
- Até aqui, Paulo lidou com as principais questões – conduta sexual, amor fraternal, confusão escatológica. Agora, encerrando a carta ele trata de uma série de questões gerais que abordam a vida em suas congregações individuais. Paulo selecionou, cuidadosamente, algumas questões que ainda faltam ser tratadas, para resumidamente apresenta-las aqui.
Eu retomo a exposição do versículo 11, onde Paulo termina a cessão anterior, tratando sobre o modo da igreja operar internamente.
v.11 – “Consolai-vos, pois, uns aos outros e edificai-vos reciprocamente, como também estais fazendo.” [1]
- Esse é um elemento vital para a vida e manutenção da Igreja de Deus. Que esta igreja se desenvolva na prática de cuidado mutuo, acolhimento e edificação mutua.
- Consolai-vos e edificai-vos reciprocamente.
- O que Paulo quer dizer com isso? Tenha e mente a grandeza da salvação e o grande amor do Senhor, e sua eminente volta. Esse é o ponto de partida, tendo isso em mente, devemos exortar uns aos outros por meio da doutrina, do encorajamento e de nosso exemplo. Devemos edificar uns aos outros com a palavra de Deus, com terno cuidado.
- Esse texto nos ensina que uma igreja santa, para usar os termos do Mark Dever, uma Igreja Saudável. Precisa buscar unir-se a Jesus e se edificarem mutuamente. Todos nós somos responsáveis por esta tarefa, uns com outros, aqui, e fora daqui. Nos nossos próprios lares, se o seu marido está fraco ou abatido, se sua esposa está fraca ou abatida, se teus filhos ou mesmo teus pais. Ore por eles, leve consolo e edificação a eles.
v.12 – “Agora, vos rogamos, irmãos, que acateis com apreço os que trabalham entre vós e os que vos presidem no Senhor e vos admoestam;[2]
- Como Paulo e sua equipe foram forçados a ir embora antes do planejado e havia uma severa perseguição praticamente desde o início, essas igrejas foram forçadas a crescer em um clima de hostilidade sob o comando de líderes jovens.
- Isso, provavelmente, significava que esses líderes tiveram de emergir de forma rápida e decisiva para dar as orientações em tempos tão difíceis. Paulo começa com um pedido e não uma ordem, provavelmente por causa de sua grande afeição por essas pessoas. O verbo para “pedir” (erōtaō) é extraído do capítulo 4 (v. 1) (“lhes pedimos e exortamos no Senhor”), e aqui a súplica também está combinada a urgente exortação para destacar a importância do pedido.[3]
- Um outro aspecto, é que o próprio Paulo, e seus companheiros Silas e Timóteo, não podem serem fixados como ministros em Tessalônica. Neste caso, cabe ao apóstolo, reforçar entre os irmãos, o respeito e apreço pela liderança estabelecida na igreja.
- Paulo destaca três aspectos do trabalho desses líderes aqui: primeiramente, “se esforçam no trabalho entre vocês”. Esse é um termo que Paulo utilizou diversas vezes em suas epistolas para enfatizar o trabalho dirigente de ministros. Esses não são ministros caçadores de glória, estão prontos a servir na linha de frente do Evangelho sem prejudicar a Igreja.
Em segundo lugar, esses homens estão ali para liderá-los “no Senhor”. Esse termo pode ter um duplo significado, e os dois podem estar corretos. “No Senhor” pode significar que o cuidado realizado tem o padrão de Deus, o que fazem, “fazem no Senhor”, e em segundo lugar, significa a autoridade em que fazem. Ou seja, eles foram estabelecidos pelo Senhor para presidirem os irmãos.
Em terceiro lugar, a expressão “admoestam” ou “aconselham”. Este termo “Noutheteō” – Significa colocar algo na mente de alguém. Neste caso, o apóstolo salienta à igreja a importância do ensino recebido.
v.13 – “e que os tenhais com amor em máxima consideração, por causa do trabalho que realizam. Vivei em paz uns com os outros”.[4]
- O apóstolo continua dizendo que não basta ouvi-los, mas que é necessário que esses irmãos apresentem amor ao máximo por ele. Saibam reconhecer o trabalho que eles realizam.
- Daí nós passamos para uma parte final do texto, que muito me chama atenção, como disse anteriormente, Paulo sintetiza uma série de ensinamentos nos últimos versículos desta carta, alguns desses ensinos, retomados de maneira mais amplificada na segunda epístola.
v.14 – “Exortamo-los, também, irmãos, a que admoesteis os insubmissos, consoleis os desanimados, ampareis os fracos e sejais longânimos para com todos”
- Esse versículo parece dirigido aos líderes espirituais da congregação, pois ensina como tratar com irmãos problemáticos.
Havia na congregação de Tessalônica três grupos que necessitavam de atenção especial: os que viviam desordenadamente, os desanimados e os fracos.[5]As palavras vivem desordenadamente(ἄτακτος-οι, 3 Macabeus 1.19, na LXX) e desanimados (ὀ λιγόψυχος-οι – as “almas pequenas” – Is 35.4,na LXX) não ocorrem em nenhum outro lugar no Novo Testamento. A palavra fracos (ἀσθενής-εῖς, ou seja, sem força) ocorre com frequência, e é usada em referência tanto a debilidade física (Mt 25.39,43,44; Lc 10.9; At 4.9; 5.15,16) como a enfermidade moral e espiritual (Rm 5.6; 14.1; 1Co 8.7,9,10; 9.22; 11.30, etc.).[6]
1. Que admoesteis os insubmissos — A saber, os que se recusam a agir em concordância com todos os outros crentes, antes insistem em perturbar a paz da igreja com um comportamento irresponsável. Nesse caso, os insubmissos são os que se recusam a trabalhar. São os mesmos citados em 2Tessalonicenses 3:6–12, que andam desordenadamente, não trabalhando, intrometendo-se na vida alheia.
- Já nos deparamos com cada grupo antes. Portanto, os que vivem desordenadamente – ou seja, aqueles que não mantém o passo, à semelhança do soldado que perde o compasso nas fileiras – são os fanáticos, os intrometidos e os ociosos (4.11,12; 5.12,13; e cf. 2Ts 3.10).[7]
2. Consoleis os desanimados — São os que necessitam de exortação para superar suas dificuldades e continuar fiéis ao Senhor.
- Os desanimados são provavelmente os preocupados com os amigos e parentes que já morreram e/ou com sua própria condição espiritual (4.13–18; 5.4,5,9). E os fracos podem bem ser aqueles que eram caracterizados por sua tendência para a imoralidade (4.1–8). Assim interpretada, cada passagem é explicada à luz de outras dentro da mesma epístola, sem introduzir novidades. Naturalmente, estamos dispostos a reconhecer que essa representação pode não ser exata.[8]
3. Ampareis os fracos — Quer dizer ajudar os que são espiritual, moral e fisicamente fracos. A ideia principal é amparar espiritual e moralmente os fracos na fé, porém não devemos negar ajuda financeira também.
- o terceiro grupo (“os fracos”) pode ter incluído indivíduos que, embora fossem espiritualmente imaturos, não estavam particularmente em perigo de ultrapassar os limites de propriedade em matéria de sexo. Além disso, os três grupos podem, até certo ponto, se justapor.[9]
4. Sejais longânimos — Significa demonstrar a graça da tolerância para com os que nos irritam e provocam.
Observação: Fica claro como o dia que essas admoestações são dirigidas à congregação toda – note a palavra irmãos (veja 1.4) – ou seja, em cada caso, a todos os membros, exceto aqueles que são especificamente mencionados na admoestação. Sendo assim, todos, com exceção dos que vivem desordenadamente, devem admoestar os que vivem desordenadamente; todos, com exceção dos desanimados, devem encorajar os desanimados, etc. A disciplina mútua deve ser exercida por todos os membros. É errôneo deixar tudo isso sob a responsabilidade do pastor e dos anciãos[10]
v.15 – “ Evitai que alguém retribua a outrem mal por mal; pelo contrário, segui sempre o bem entre vós e para com todos”.
- Exercer essa virtude – paciência ou longanimidade – não só é um dever de todos os membros da igreja, mas a irmandade deve também vigiar para que cada membro individualmente cultive e manifeste essa graça para com todos. Daí, ele prossegue: Cuidem para que ninguém retribua a alguém mal por mal, mas que sempre busquem fazer o bem uns aos outros e a todos.[11]
- A pessoa impaciente procura retaliar quando é ferida. Ela “retribui (ἀποδῷ: devolve) mal por mal”. Paulo condena tal prática (veja também Rm 12.17,19; cf. 1Co 4.12; 6.7), e assim o faz Pedro (1Pe 3.9), em completa harmonia com a injunção de Jesus: amar não só àqueles que nos amam, mas até mesmo àqueles que nos odeiam, e que são, nesse sentido, nossos inimigos (Mt 5.44).
Temos que ressaltar aqui, que não é verdade que, ao proibir o exercício da vingança pessoal, Jesus estabelece um princípio que era inteiramente novo e em vivo contraste com o espírito e ensinamentos do Antigo Testamento.
O mandamento– “olho por olho, dente por dente, mão por mão, pé por pé, queimadura por queimadura, ferida por ferida, açoite por açoite” (Êx 21.24,25; cf. Lv 24.20; Dt 19.21) – é relativo à admoestação públicada lei criminal (veja Lv 24.14), e foi promulgada a fim de a prática da vingança pessoal ser desestimulada.
- A oposição de Jesus em Mateus 5.38–42 não era com relação à lei do Antigo Testamento, e, sim, à falsa interpretação farisaica.
- O que o Senhor ensinou, e que Paulo em essência reitera, está plenamente em harmonia com (e é um desenvolvimento posterior de) passagens do Antigo Testamento, tais como Levítico 19.18; Deuteronômio 32.35; Provérbios 20.22; 24.20.
- Naturalmente, aqui existe um progresso, isto é, em ideia de que jamais se deve retribuir mal por mal, a quem quer que seja, nunca foi expressa de forma tão notável como o foi por Jesus, quando disse: “Amém a seus inimigos”.
- Também neste sentido Jesus “veio cumprir” a lei (Mt 5.17), e igualmente neste sentido Paulo (aqui em 1Ts 5.15) põe em vigor um princípio que ele derivou do Senhor.
- Em vez de “retribuir mal por mal”, é dever do crente seguir o que é bom – ou seja, o que é benéfico– e isso não apenas com referência uns aos outros (crentes com crentes), mas mesmo com referência a todos (entre crentes e descrentes, cf. 3.12). Este bem que os crentes devem buscar (procurar com ardoroso empenho) é o amor, como se vê comparando a presente passagem com 3.12; Romanos 13.10; e 1 Coríntios 14.1.[12]
v.16-18 “16 Regozijai-vos sempre. 17 Orai sem cessar. 18 Em tudo, dai graças, porque esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus para convosco”.
- Enquanto nos versos 12–15 Paulo mostrou qual deveria ser a atitude dos tessalonicenses para com seus líderes, para com os membros da igreja, caracterizados por suas imperfeições específicas, para com aqueles que os tinham lesado e, finalmente, uns para com os outros e para com todos, nos versos 16–18 ele estabelece qual deveria ser sua atitude interior e como tal atitude interior deveria expressar-se com referência a Deus. Portanto, são-nos oferecidas agora três maravilhosas admoestações, intimamente relacionadas e concisamente expressas:
Sejam sempre alegres.
Orem incessantemente.
Dêem graças em todas as circunstâncias.[13]
- Os irmãos em tessalônica não desconheciam (veja sobre 1.6) a “alegria indizível” e cheia de glória” (1Pe 1.8), a “grande alegria” que resultou na encarnação de Cristo e da redenção efetuada através de sua cruz. Todavia, em face da perseguição externa e dos distúrbios internos, havia perigo (humanamente falando, naturalmente) de que essa alegria se dissipasse. Por isso Paulo, que experimentou reiteradas vezes profunda alegria em meio à perseguição e penúrias (3.7–9; cf. Fp 3.1; 4.4,10), insta com seus leitores a se regozijarem sempre.[14]
- Naturalmente, o único que pode achar alívio e até mesmo regozijar-se em tempos de angústia e tristeza (à luz de Rm 8.28,35–39) é aquele que faz conhecidas suas necessidades e desejos diante do trono do Pai.
- É por isso que a diretiva (regozijai-vos sempre” é imediatamente seguida de “orai incessantemente”.[15]
- Usa-se aqui a palavra mais abrangente que existe para oração προσευχή, προσεύχομαι). Para sinônimos, veja a notável passagem de Filipenses 4.6. O que Paulo está querendo dizer é o seguinte: não deve haver declínio na regularidade do hábito de “agarrar-se a Deus” em meio a todas as circunstâncias da vida (cf. Rm 12.12; Ef 6.18; Cl 4.2). O apóstolo tinha condições de afirmar tal coisa, porquanto ele mesmo deu o exemplo (3.10; 2Ts 1.11; Ef 1.16; 3.14).[16]
- Quando uma pessoa ora sem dar graças, ela está cortando as asas da oração, de forma que a mesma não pode voar.
- É por isso que o trio de admoestações se encerra com: “daí graças em todas as circunstâncias”.
- Esta frase em todas as circunstâncias (ἐν παντί provavelmente é subentendido com χρήματι) inclui aflição porque, até mesmo em meio a todas essas coisas (“tribulação, angústia, perseguição, fome, nudez, perigo e espada”), os crentes não são simplesmente vencedores, mas, sim, “mais que vencedores” (superinvencíveis), uma vez que todas essas coisas de fato os auxiliam a alcançar o seu alvo predestinado (veja Rm 8.35–37).
- Porque esta é a vontade de Deus (não meramente a palavra de Paulo, Silas e Timóteo) em Cristo Jesus para com vocês. A vontade de Deus, como claramente se manifesta por meio da obra redentora e da revelação de Jesus Cristo, é exatamente isto: que os crentes devem regozijar-se sempre, orar incessantemente e dar graças em todas as circunstâncias.
v.19-22 “Não apagueis o Espírito. 20 Não desprezeis as profecias; 21 julgai todas as coisas, retende o que é bom; 22 abstende-vos de toda forma de mal.”
- O Espírito Santo conferira à Igreja primitiva certos dons especiais ou carismas. Contavam-se entre eles: a capacidade de realizar milagres de cura, falar em línguas e profetizar.
- Embora, segundo alguns intérpretes, não houvesse nada de miraculoso em profetizar, não compartilhamos de tal opinião. A Igreja, em sua infância, não possuía ainda a Bíblia completa (Antigo Testamento e Novo Testamento). Não possuía ainda um vasto acervo de literatura cristã, tal como possuímos hoje.
- A hinologia cristã também estava ainda em sua fase incipiente. Numericamente falando, também, a Igreja ainda era bastante insignificante. Além disso, ela era objeto de escárnio e desprezo de todos os lados. Em tal situação, Deus, graciosamente, providenciou apoios ou dotações especiais, até que chegasse o tempo quando esses dons não mais seriam necessários. Um desses dons era a profecia.
- Como mostra esse termo – e seus derivados – (visto que neste caso o sentido etimológico continua apegado a ele), um profeta (προφήτης de πρόdiante, e φημί falar) é “uma pessoa que fala diante de”. E o que ele fala diante de ou declara publicamente é a vontade e a mente de Deus. Ele é aquele que “proclama”, e não necessariamente (ainda que às vezes também) aquele que “prediz”.
- Ora, ainda que esse dom específico de profecia fosse um dos maiores dos carismas, de categoria ainda mais elevada que a capacidade de falar em línguas – porquanto a mensagem do profeta, em contraste com o pronunciamento de quem falava em línguas, era prontamente entendida (1Co 14.1,2,4,5,6) – contudo era tida em pouca estima por alguns dos membros da igreja de Tessalônica, como acontece, ainda hoje, em nossos dias.
- Tal coisa era deplorável diante do fato de que, ao fazer pouco das declarações proféticas, estes membros se privavam da “edificação”, encorajamento e consolação” (1Co 14.3) pronunciados pelo profeta.
- Além do mais, por meio do desprezo feito ao pronunciamento profético, seu Autor, o Espírito Santo, era desonrado. Na Igreja primitiva, o dom de profecia era como uma chama ardente. Tal chama não deveria ser apagadaou extinta (para o verbo, cf. Mt 12.20; 25.8; Mc 9.48; Ef 6.16; Hb 11.34).
- Portanto, lemos literalmente: “Ao Espírito não apaguem. Aos pronunciamentos proféticos não desprezem”. É preferível começar a frase com o sujeito (“ao Espírito, não o apaguem”), para que haja mais ênfase sobre eles.
- É como se Paulo dissesse: “Ao menosprezarem os pronunciamentos dos profetas que se encontram em seu meio, estão depreciando a obra daquele que não é outro senão o próprio Espírito Santo”.
- A razão para tal descrédito das palavras proféticas pode ser facilmente percebida. Onde quer que Deus plante trigo, Satanás semeia o seu joio. Onde quer que Deus estabeleça uma igreja, o diabo erige uma capela.
- E assim também, sempre que o Espírito Santo capacita determinados homens para operarem curas miraculosas, o diabo semeia suas “maravilhas da mentira”. E sempre que o Paracleto põe em cena um autênticoprofeta, o enganador apresenta seu falsoprofeta.
- A mais fácil – não, porém, a mais sábia – reação a esse estado de coisas é o desprezo a toda profecia. Acrescenta-se a isso o fato de que os fanáticos, os intrometidos e os ociosos de Tessalônica talvez não gostassem de alguns dos pronunciamentos dos legítimos profetas, o que nos faz entender prontamente por que entre alguns membros da congregação a proclamação profética caíra em descrédito.
- Paulo, pois, estabelece o correto curso de ação que a congregação deveria seguir: “Não desprezeis os pronunciamentos proféticos, provai (sobre o verbo [provar], veja 1Ts 2.4), porém, todas as coisas”.
- O padrão pelo qual o verdadeiro profeta se distingue do falso é que o primeiro nunca declarará nada que seja contrário ao que Deus tornou conhecido previamente em sua revelação especial (cf. Dt 13.1–5; Rm 12.6).
- Na nova dispensação, o critério seria a revelação de Deus através do testemunho de Cristo e dos apóstolos. Além disso, na Igreja primitiva, parece que alguns homens foram dotados com a rara habilidade de distinguir entre a genuína e a falsa profecia (veja 1Co 12.10: “e a outro, a capacidade de discernir os espíritos”).
- Uma vez alcançado um veredicto genuíno, a regra prática deve ser aplicada: “apeguem-se (κατέχετε) ao bem; abstenham-se (ἀπέχεσθε) de toda forma (ou espécie, não aparência, neste caso) de mal”.
- Note: toda forma, quer as mensagens ímpias e não inspiradas se refiram à doutrina quer à vida prática. É provável que esse toda seja ainda mais amplo, para que seja tomado de forma absoluta.
Quando os versos 19–22 são estudados juntos, como uma unidade, torna-se imediatamente visível que a regra Provem todas as coisas” não pode significar “Experimentem tudo de uma vez”, ou “entrem em cada lugar de impiedade e descubram por vocês mesmos o que se faz ali”.
- No contexto dado, significa simplesmente que, em vez de menosprezar toda e qualquer palavra profética, é preciso testar aquelas que se apresentam como tal. O que é bom deve ser aceito; toda espécie de mal (sem exceção alguma; portanto, seja o mau conselho – dado por um falso profeta – ou qualquer outra forma de mal) deve ser evitada.
O que vem em seguida é um desejo final e algumas poucas e urgentes petições, como as que esperaríamos encontrar na conclusão desta carta; em seguida, a bênção.[17]
SDG.
[1] Almeida Revista e Atualizada (Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 1993), 1Ts 5.11. [2] Almeida Revista e Atualizada (Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 1993), 1Ts 5.12. [3]Grant R. Osborne, 1 e 2 Carta aos Tessalonicenses, trans. Renato Cunha, Comentário Expositivo do Novo Testamento (Bellingham, WA; São Paulo: Lexham Press; Editora Carisma, 2023), 142–143. [4] Almeida Revista e Atualizada (Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 1993), 1Ts 5.13. [5]William Hendriksen, 1 e 2 Tessalonicenses, Colossenses e Filemon, trans. Hope Gordon Silva, Valter Graciano Martins, e Ézia Cunha Mullins, 2a edição., Comentário do Novo Testamento (São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2007), 160. [14]William Hendriksen, 1 e 2 Tessalonicenses, Colossenses e Filemon, trans. Hope Gordon Silva, Valter Graciano Martins, e Ézia Cunha Mullins, 2a edição., Comentário do Novo Testamento (São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2007), 163. [17]William Hendriksen, 1 e 2 Tessalonicenses, Colossenses e Filemon, trans. Hope Gordon Silva, Valter Graciano Martins, e Ézia Cunha Mullins, 2a edição., Comentário do Novo Testamento (São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2007), 164–166.
Related Media
See more
Related Sermons
See more
Earn an accredited degree from Redemption Seminary with Logos.