Ouvir, não só escutar

Parábolas de Jesus  •  Sermon  •  Submitted   •  Presented
0 ratings
· 24 views

Objetivo Geral: Aprofundar o conhecimento acerca do ensino de Jesus e corrigir compreensões errôneas das parábolas de Jesus. Objetivo específico: Instruir sobre a importância da audição de pregações e aprender como reagir a elas. Proposição: ouvir a palavra de Deus gera efeitos poderosos que afetam nossa eternidade.

Notes
Transcript
Lucas 8.16-18 16E ninguém, acendendo uma candeia, a cobre com algum vaso, ou a põe debaixo da cama; mas põe-na no velador, para que os que entram vejam a luz. 17Porque não há coisa oculta que não haja de manifestar-se, nem escondida que não haja de saber-se e vir à luz. 18Vede, pois, como ouvis; porque a qualquer que tiver lhe será dado, e a qualquer que não tiver até o que parece ter lhe será tirado.

Introdução

Continuamos com a série de pregações Parábolas de Jesus. Esta série busca aprofundar nosso conhecimento acerca do ensino de Cristo, bem como corrigir algumas compreensões equivocadas das parábolas dele.
A parábola de hoje é uma continuação do assunto introduzido na parábola anterior, a parábola do semeador. Como vimos na última pregação, Jesus havia ensinado aos discípulos sobre quatro tipos de ouvintes do Evangelho:
1) aqueles que ouvem, mas desdenham ou não dão o devido valor às palavras;
2) aqueles que ouvem com alegria, mas tornam o evangelho somente “mais uma verdade” em sua vida, não sendo de fato “a” verdade para eles;
3) aqueles que ouvem, mas tem outras prioridades na vida, amores muito mais poderosos e importantes, de forma que não se dispõe a resistir às tentações na prática; e, finalmente,
4) aqueles que ouvem e vivem na prática o evangelho, pois tiveram seus corações transformados. Estes últimos são os que verdadeiramente são cristãos.
Ouvir é um tema central em ambas as parábolas e veremos como o Senhor quer que lidemos com a pregação da Palavra de Deus, pois ouvir a palavra de Deus gera efeitos poderosos que afetam nossa eternidade.
Vamos novamente ao texto.
16E ninguém, acendendo uma candeia, a cobre com algum vaso, ou a põe debaixo da cama; mas põe-na no velador, para que os que entram vejam a luz.
Jesus, continuando a falar acerca da relação das pessoas com o Evangelho, ele faz uma comparação para expor a situação ridícula que seria uma pessoa querer ouvir o evangelho sem o compromisso de que ele afete sua casa, sua vida, suas relações.
É como um homem que pega uma lâmpada (uma lâmpada a óleo) e colocasse abaixo de seu local para dormir (uma espécie de sofá/cama). Para que impedir a luz de algo que foi feito para iluminar se era mais fácil não acendê-la? Quando se acende o fogo da lâmpada, faz mais sentido coloca-la em um local onde se torne mais eficiente e ela atinja seu propósito de existência.
Jesus e sua vida em nosso favor é o evangelho. Ele expôs publicamente a verdade sobre sua divindade, sua santidade, nossa pecaminosidade e o juízo iminente de Deus contra nós. Ele também deixou explícito e público que ele é o caminho para o Pai e a única maneira de não sermos justamente condenados por nossos pecados, mas sermos considerados santos e justos baseado no sacrifício dele em nosso lugar.
Esta história deve refletir não somente nossa fé verbal, mas a totalidade do que nós somos. Ou o evangelho nos ilumina, substituindo nossas trevas por luz, ou não tem sentido nenhum se dizer cristão.
17Porque não há coisa oculta que não haja de manifestar-se, nem escondida que não haja de saber-se e vir à luz.
Jesus justifica o que foi dito acima fazendo menção de um ditado que é comumente utilizado para se referir aos crimes ocultos que, um dia, serão trazidos à luz, contudo o Senhor o utiliza mais de uma vez para se referir à impossibilidade do Evangelho não fazer efeito visível naquele que realmente o recebe. (Jo 3.18-21)
O impacto do evangelho no crente é profundo e altera modos de pensar, de agir e de reagir, causando a impressão visível de que a pessoa não é mais a mesma e que ela destoa das demais pessoas da cultura onde está inserida.
O cristão é, por assim dizer, um estrangeiro, com seus costumes estranhos e seu sotaque (jeito de se expressar) que denuncia ser de outro lugar. Um cidadão do céu é diferente do cidadão da terra e isso ficará mais e mais evidente com o passar do tempo.
18Vede, pois, como ouvis; porque a qualquer que tiver lhe será dado, e a qualquer que não tiver até o que parece ter lhe será tirado.
Jesus encerra com uma advertência para que os ouvintes avaliem a si próprios. “Como vocês estão ouvindo o evangelho?” – é a pergunta de Jesus. Aquele que está ouvindo bem, como aquela pessoa que é um solo bom na parábola anterior, ou seja, meditando, crendo e aplicando na própria vida, este receberá ainda mais do Senhor.
Mas aquele que ouve levianamente, colhendo das palavras do evangelho de Deus somente aquilo que gosta, mas rejeitando o que não lhe interessa, ou ainda ouvindo, mas sem compromisso de praticar, este, cedo ou tarde viverá frustração de uma fé vacilante, que não se sustenta diante dos prazeres do mundo ou do terror das provações.
O ouvinte ou medita e prospera no amor a Cristo, ou apenas se entretêm e naufraga.
Isto é tão importante para Jesus Cristo que, alguns versículos adiante o texto diz:
Lc 8.19-21 19E foram ter com ele sua mãe e seus irmãos, e não podiam aproximar-se dele, por causa da multidão. 20E foi-lhe dito: Estão lá fora tua mãe e teus irmãos, que querem ver-te. 21Mas, respondendo ele, disse-lhes: Minha mãe e meus irmãos são aqueles que ouvem a palavra de Deus e a executam.
A qualidade da nossa disposição em ouvir a pregação do Evangelho é determinante em nosso relacionamento com Jesus.
Dito isto, quero deixar algumas aplicações para nós

1ª Aplicação: Ouvir a Palavra de Deus é adorar

Quando cultuamos ao Senhor, talvez tenhamos a impressão que a única maneira ativa de prestar culto a Deus durante o culto dominical é através das nossas orações e durante as canções.
Pensamos: “Durante a pregação estamos sentados, ouvindo, sem fazer nada.” E isto muitas vezes nos faz dar menos valor à audição da Palavra. Talvez achamos até que o pregador está cultuando a Deus, mas os ouvintes não. “Ouvir não é adorar”, pensamos.
Cristo deixou claro que ouvir a pregação é bem diferente dessa passividade imaginária. Ouvir a pregação deve ser um culto ativo, participativo por parte de cada um de nós. Todos são convidados a ouvir e meditar em seu íntimo sobre o que está sendo dito. Essa meditação deve ser a permissão que damos à Palavra a ferir nossas consciências e consolar nossos corações à medida que o texto bíblico é exposto.
Ouvimos a exposição para descobrirmos:
· que instrução devemos receber de Deus;
· que devemos deixar de acreditar;
· que atitude devemos tomar;
· que atos devemos abandonar; além de
· sermos tocados e fortalecidos em nossos medos;
· e descobrir a atual saúde de nosso relacionamento com Cristo.
Ouvir a pregação não é um ato passivo, mas participativo, onde Deus manifesta a sua vontade através da Palavra e nós, em humilde submissão, analisamos o que em nós não se enquadra na santa vontade dele, reconhecendo que Ele, como Pai amoroso, quer o nosso bem e nos quer instruir para nos livrar do mal.
Isto faz da pregação da Palavra o ponto central do culto, não porque o pregador é habilidoso ou carismático, mas pela dignidade da própria exposição do texto bíblico. Imagine o culto como um diálogo: Quando cantamos e oramos, falamos com Deus. Quando a palavra é pregada com fidelidade, Deus fala conosco e a voz dele é mais importante que a nossa.
Sendo assim, por mais virtuoso que sejam os momentos de adoração musicada e de oração, estes não devem possuir supremacia no culto público, pelo contrário, eles são momentos que elevam nosso espírito, preparam nossas mentes para receber a instrução do Senhor para as nossas vidas atribuladas através da pregação.
Por isso, analise sua forma de ouvir um sermão. Se você tem sido um ouvinte passivo, é hora de mudar. Deixe o sermão confrontar você, imagine as situações que a palavra expõe, veja se o que o pregador está fazendo uma aplicação fiel ao significado do texto.
Se o que o pregador fala não pode ser provado no texto, sinta-se desobrigado a seguir. Mas, se a pregação for fiel ao texto selecionado, encare-a como palavra do próprio Deus e a receba com alegria e reverência. Fazendo isso, o que você tem (o relacionamento com Cristo), será aumentado!

2ª Aplicação: Ouvir a Palavra de Deus fortalece

Com o tempo a gente se acostuma a ouvir os mesmos conselhos dos cristãos mais velhos: não pare de ler a Bíblia, não falte aos cultos, estude a Palavra. Esse é quase um mantra dentro da igreja e para alguns soa como uma panaceia simplista, quase um chá da vovó que cura tudo, até câncer, mas você realmente duvida da eficiência.
De fato, a audição da exposição da Palavra num culto ou o estudo regular das Escrituras se for um ato com finalidade em si mesmo será decepcionante. Saber intelectualmente que Jesus morreu por mim não muda nada na minha vida se eu não for grato por isso. E eu só serei grato por isso se achar que realmente sou pecador.
Também não muda nada saber intelectualmente que meus sofrimentos se acabarão quando estiver definitivamente com Deus se meus reais interesses estão aqui na terra. E não há consolo diante da morte se não estiver convencido e apaixonado pelo caráter de Deus apresentado na Bíblia.
Todas estas coisas são alcançadas quando deixam de ser mero conhecimento para ser tudo o que importa, quando, ao saber delas, suplico a Deus que, assim como o pai desesperado por seu filho (Mc 9.16-27), clamo para que Deus me ajude a crer e, após isto aplico em minha própria vida.
Por isso, ouça a Palavra de Deus orando a Ele dizendo: “Senhor, fala comigo, por favor. Tenha misericórdia de mim e me ajude a entender o que eu tenho que mudar. Não me deixe, Senhor, achar que o que a Palavra diz serve para os outros, mais do que a mim.”
O resultado de uma disposição assim é que Deus responde e você perceberá que quando a Palavra de Deus toca você, o próprio Deus te dará força e crescimento. Com esse hábito, o pouco do seu relacionamento com Deus se tornará em uma amizade profunda e com o tempo você se acostumará a saber a vontade de Deus para situações mais complexas.
Não há quem se aproxime de Deus, vire seu amigo, e não se torne sábio e forte, pois Ele acrescenta àquele que já tem.

3ª Aplicação: Ouvir a Palavra de Deus ilude

Calma que eu já explico! Eu disse acima que a receita para ler a Bíblia soa como chazinho da vovó para quem quer tratar um câncer. A questão é que tem gente que lê a Palavra como que para cumprir um ritual.
Você pode ser:
· o tipo de pessoa que decidiu “dar uma chance pra esse negócio de Jesus”, ou
· alguém que crê tanto no poder do pensamento positivo que imagina que pelo simples fato de repetir algumas palavras da Bíblia um poder místico resolverá sua vida, ou ainda
· acredita que a igreja é um lugar bom e santo e, se frequentar os cultos, automaticamente você desfrutará de alguma benção.
Não se iluda com isso. Muitos dos que estavam com Jesus ouvindo os sermões dele, se juntaram à multidão dos que disseram: “Crucifica-o!”. A Bíblia fala que pessoas que até fazem milagres e expulsam demônios em nome de Jesus fazem isto sem compromisso real com ele e não entrarão no Reino dos Céus! (Mt 7.21-23)
Estes acham que estão com Cristo, acham que são religiosos, mas até o que têm (o orgulho religioso) lhes será tirado. Ouviram o evangelho e se iludiram de que isso bastava. Ouviram sobre Cristo, mas não se comprometeram com ele.
Se é o seu caso, há tempo para mudar isso. Avalie sua vida e veja se você é um ouvinte sem compromisso. Se for, mude isso hoje! Reconheça seu pecado, reconheça sua falta de confiança genuína em Jesus, reconheça que você precisa dele, peça perdão e se entregue a Jesus. Ele não rejeita ao que clama humildemente. (Sl 22.24; 66.20; 69.33; 102.17; Jn 2.2)

Conclusão

O Evangelho não é algo para que apenas escutemos alguém falar, mas é a história que se ouvida de todo o coração, transforma quem ouve.
Ouça direito, e as trevas jamais poderão te sufocar. Ouça direito, e Jesus te usará para iluminar.
Related Media
See more
Related Sermons
See more
Earn an accredited degree from Redemption Seminary with Logos.