Sermão - Quando o confronto é inevitável:

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TEXTO BASE:
João 6.60 NVI
60 Ao ouvirem isso, muitos dos seus discípulos disseram: “Dura é essa palavra. Quem pode suportá-la?”
INTRODUÇÃO:
A pregação da Palavra do Senhor sempre conduz os seus ouvintes a esquadrinharem o seu coração. Deus atrai os pecadores ao Salvador pelo poder da verdade, ou seja, pelo poder da Sua Palavra. Aqueles que a rejeitam, rejeitam também o Salvador, rejeitam Cristo Jesus. Por outro lado, aqueles que a acolhem em seus corações, recebem também o Salvador e experimentam de um novo nascimento em suas vidas.
O texto que lemos se inicia de maneira muito interessante. O texto diz que “Ao ouvirem isso...”. Afinal de contas, o quê os discípulos ouviram? Certamente o versículo que lemos é fragmento de um discurso anterior de Jesus que tinha como propósito esclarecer verdades espirituais ao povo, no entanto, essas verdades só podiam ser compreendidas de maneira espiritual.
Para que possamos entender todo o contexto, é preciso voltar alguns versículos. Existe uma sequencia de episódios que antecedem esse discurso:
Narrativa:
Jesus havia realizado uma sequência de milagres e dentre estes: Jesus havia alimentado uma grande multidão multiplicando uma pequena quantidade de pães e peixes. Após ter alimentado cerca de cinco mil pessoas, (isso, sem contar mulheres e crianças), Jesus despede a multidão e se retira para o monte a fim de orar, enquanto isso, seus discípulos caminhavam em direção ao barco que os levaria não apenas à Cafarnaum, mas também seria palco de uma grande demonstração do poder do Filho de Deus (Jesus anda sobre as águas).
Ao chegar do outro lado, Jesus percebe que uma grande multidão se aproxima d’Ele, desejosos de alimento físico. Então são surpreendidos pelas palavras do Mestre.
Jesus salientou que existem dois tipos de comida: aquela comida que satisfaz o corpo, que embora seja necessária, não é a mais importante e o alimento para o homem interior, o qual é essencial. “O que o povo precisava era de vida, não de comida”. Por mais que o alimento físico sustente a vida em nós, o alimento espiritual dado a nós por meio de Jesus é que de fato tem poder de gerar vida eterna em nós.
Jesus aproveita aquele momento para aplicar algumas verdades a respeito de si mesmo. Aquela multidão que o cercava desejava um sinal milagroso da parte de Cristo a fim testificar que Ele verdadeiramente era o Messias.
Estava diante de toda aquela multidão o verdadeiro Pão Vivo que desce do céu. O verdadeiro alimento espiritual. E diante dessa afirmação, os judeus começaram a se questionar “Como pode este, sendo filho de José, a quem conhecemos, dizer que desceu do céu?”. “Não é este o filho de José? Nós conhecemos o seu pai e a sua mãe!” - Então os Judeus começaram a discutir de forma exaltada: “Como pode esse homem nos oferecer a sua carne para comermos?”. O entendimento dos judeus em relação às analogias de Jesus era literal.
Provavelmente, em poucas partes da Bíblia encontram-se reunidas tantas “verdades profundas” como as de João na passagem em apreciação.
Quando Jesus se chamou “Pão da Vida”, ele não estava afirmando ser exatamente como o maná que fora dado no deserto. Ele estava afirmando ser ainda maior. Os judeus comeram maná diário e morreram; todavia, quem recebe Jesus Cristo em seu interior vive eternamente.
Esses versículos nos ensinam que alguns dos discursos de Cristo foram difíceis para o homem ouvir. Somos informados que “muitos” dos que há tempos estavam com Jesus, deixaram de segui-lo após as suas palavras. Muitos se sentiram ofendidos quando Jesus disse que era necessário “comer” e “beber” do Seu corpo. Como comer a carne do Filho do homem e beber do seu sangue?
Os ensinamentos de Jesus não eram difíceis de ser compreendidos, mas uma vez que eram compreendidos, eram difíceis de ser aceitos. Os líderes religiosos judeus interpretavam erroneamente suas palavras e as rejeitaram. Jesus explicou que sua linguagem era figurativa e espiritual, não literal. Não existe salvação na “carne”. Na verdade o Novo Testamento não apresenta um aspecto positivo da “carne”. O Apóstolo Paulo escreveu certa vez: “na minha carne, não habita bem nenhum” - Romanos 7.18
Romanos 7.18 NVI
18 Sei que nada de bom habita em mim, isto é, em minha carne. Porque tenho o desejo de fazer o que é bom, mas não consigo realizá-lo.
Primeiramente precisamos entender que o “comer” e “beber” usados por Jesus aqui, não se referem à ceia. É possível participarmos da Ceia do Senhor e não comermos do seu corpo e bebermos do seu sangue. É possível que você faça parte de uma igreja local, sem fazer parte de uma igreja espiritual, invisível. É possível que você tenha o nome em um Rol de membros e não o tenha no Livro da Vida.
A verdade é que o homem caído tem a doentia ansiedade de atribuir sentido carnal às coisas espirituais. O “sangue e a carne” do Filho do homem referem-se ao sacrifício do próprio Cristo, oferecido por Ele na cruz em favor dos pecadores. Comer e beber, sem os quais não haveria vida em nós, significa receber o sacrifício de Cristo; isto acontece quando o homem crê em “Cristo crucificado” para sua salvação. Em qualquer momento que o homem, ao sentir sua culpa e pecaminosidade, busca a Cristo e confia na obra redentora de Cristo, nesse mesmo instante ele come e bebe o corpo e o sangue de Cristo. Pela fé, sua alma se alimenta do sacrifício de Jesus, assim como na nossa vida o corpo físico se alimenta do pão.
Em decorrência dessa mensagem, Jesus Cristo perde a maioria dos seus discípulos. Quase todos voltaram para sua antiga vida, sua antiga religião e para sua antiga situação desesperadora. Jesus Cristo é o caminho, mas eles se recusaram a andar por ele.
1. DESCONFORTO DO CONFRONTO:
O texto nos mostra que muitos dos que ouviram esse discurso, abandonaram Jesus. Alguns murmuravam, dizendo: “Duro é este discurso; quem pode o ouvir?”. Murmúrios e queixas assim são muito comuns. Não nos surpreende, pois existiram, existem e existirão sempre. Para algumas pessoas, as palavras de Jesus são muito complexas. Já para outros, elas não são tão complexas, mas são difíceis de ser cridas ou até mesmo obedecidas. Essa é uma das maneiras pelas quais se manifesta a corrupção natural do coração humano.
O discurso era duro, pois se tratava de total entrega e submissão, devoção, autonegação... Enquanto o coração do homem for orgulhoso, mundano, incrédulo, inclinado a se justificar por seus atos e pecados, sempre existirá pessoas que dirão: “Duro é este discurso”. Aprendemos que a Salvação para nós não custa nada, enquanto o discipulado nos custa tudo. As pessoas, não somente naquela época, mas também nos dias de hoje, tem dificuldade em aceitar o confronto e o fato de que caminhar com Cristo, implica em uma vida de autonegação.
Se acharmos difícil compreender quaisquer dos ensinos de Cristo, precisamos lembrar humildemente nosso estado de ignorância no presente e crer que saberemos mais, em breve. O verdadeiro discípulo tem um coração ensinável. Se para nós é difícil obedecer as suas palavras, devemos também, humildemente recordar que Ele nunca nos exigirá algo impossível; Ele nos concede força para realizar o que nos ordena.
É inutil contestar que, sem a graça de Deus, alguém pode tornar-se um cristão verdadeiro. Estamos espiritualmente mortos e não temos capacidade para dar vida a nós mesmos. Precisamos que uma nova vida do alto, seja implantada em nós.
Meditações no Evangelho de João A Humildade de Cristo: Ofensa para Alguns; a Incapacidade do Homem Natural; Salvação: Algo para o Presente (Leia João 6.41–51)

O décimo artigo da Igreja Anglicana declara expressamente: “Após a Queda de Adão, a condição do homem é tal que, por sua força natural e suas boas obras, não pode mudá-la e preparar-se para crer ou clamar por Deus”

O coração daqueles que até então, eram discípulos de Cristo, havia se rebelado contra Ele e suas palavras. Jesus diante disso, os questiona: “Isso os escandaliza?”. Sem dúvidas eles estavam insatisfeitos com o sermão em sua totalidade. Está evidente que esses que O abandonaram, não eram de fato discípulos. Mais à frente no capítulo 8, versículo 31 do Evangelho de João, Jesus vai descrever como ser verdadeiramente um discípulo. E certamente, abandonar suas palavras e dar as costas a Ele, não é uma característica de alguém que está disposto a segui-Lo - João 8.13
João 8.31 NVI
31 Disse Jesus aos judeus que haviam crido nele: “Se vocês permanecerem firmes na minha palavra, verdadeiramente serão meus discípulos.
Por mais que seja duro e desconfortável o confronto, as palavras de Jesus sempre visam o crescimento e amadurecimento da nossa fé. Suas palavras não são para nos causar feridas, ao contrário, são para curá -las. Ao longo do seu ministério, Jesus confrontou veemente o pecado, mas em nenhum dos seus confrontos deixou de expressar amor e compaixão para com o pecador. O confronto de Jesus dói, pois nos deixa frente a frente com nossa pecaminosidade, com quem nós somos.
É muito comum, nos dias de hoje, pessoas abandonarem a fé em Jesus quando ouvem verdadeiramente o Evangelho. O verdadeiro evangelho realmente é assustador na ótica humana. Ele nos convida a uma vida de renuncia da própria carne, a uma vida de partilha do que temos com aquele que necessita e nos convida a incluir o outro na nossa agenda considerando as suas necessidades superiores às nossas, um evangelho de cruz, de morte, de perseguição; onde os perseguidos por causa da justiça de Deus, são considerados bem-aventurados. As pessoas não estão em busca disso. Os auditórios estão cada vez mais cheios para ouvir as mensagens motivacionais que massageiam o ego e prometem uma vida totalmente contrária a que Jesus viveu.
Se naqueles dias o confronto era pesado demais para aquelas pessoas, nos dias de hoje não é diferente. Mas creia que esse confronto com Jesus, nos coloca diante da nossa humanidade e incapacidade de conduzir nossas vidas por nós mesmos. O confronto, nos leva a esquadrinhar nosso coração e reconhecer que precisamos de um Salvador.
2. A CARNE NÃO PRODUZ NADA QUE SE APROVEITE:
O sentido parece muito claro dentro de todo esse conteto. Jesus quer dizer aqui: “Minha carne, no sentido físico, não pode beneficiá-los. Parem de pensar que estou pedindo para que se alimentem do meu corpo físico”. Por mais que algumas palavras de Jesus fossem complexas para o entendimento, existe uma ideia central no texto, ou no discurso de Jesus e ela pode ser entendida de maneira clara. Vamos então, nos apropriar de algumas verdades:
a) - O Espírito é o que Vivifica: Ficou claro que Jesus não se referia à matéria física, mas sim, ao seu Espírito. Ao ato de oferecer o seu corpo para ser moído e seu sangue para ser derramado em favor da humanidade. Isso é o que de fato concede e sustenta a vida, inclusive a vida eterna. Jesus estava dizendo que o Espírito Santo, em especial, é o Autor da vida espiritual no homem. É por meio d’Ele que essa vida nos é concedida e também por Ele que essa vida é nutrida dia após dia, por meio do nosso relacionamento com Ele. Com essas palavras, Jesus desconstrói a ideia de que é possível nutrir a vida espiritual de modo carnal.
b) - As Palavras que eu vos tenho dito são Espírito e Vida: As palavras do Mestre são cheias do seu próprio espírito e vida. Elas não são letra morta. Ao contrário, suas palavras são capazes de produzir em nós vida eterna. Não são apenas metáforas, mas quando são aceitas, pela fé, se tornam um instrumento de Salvação ao perdido. Jesus assevera que, se aplicadas ao coração pelo seu Espírito, suas palavras e ensinamentos são os meios apropriados para despertar em nosso coração o interesse por aquilo que é Espiritual. Por meio das suas palavras, a nossa mente e coração são estimulados. As palavras de Cristo concedem vida e despertam nosso espírito.
O significado desses versículos e a verdade nele contida merece nossa atenção. Em muitos corações existe a tendência de atribuir excessiva importância àquilo que é externo e visível, ou seja, às atividades religiosas. Muitos acreditam que a essência do Cristianismo se resume ao batismo e Ceia, ou nas cerimônias públicas e formais, que servem de apelo aos olhos e ouvidos. Certamente, são ordenanças claras de Jesus ao perdido que se arrepende. São atos externos que evidenciam uma transformação que começou dentro do coração humano. Mas é possível que se tenha uma vida religiosa aos olhos humanos, no entanto, vazia por dentro. Se as palavras de Cristo não penetrarem em nossos corações, teremos uma vida vazia e carnal. Viver essa vida, sem ser vivificado pelo Espírito, é como correr atrás do vento.
3. JESUS CONHECE O CORAÇÃO HUMANO:
Jesus sabia de tudo isso desde o início do seu ministério. E mais uma vez, João enfatiza a previsão e o entendimento que Jesus tinha do coração humano. Jesus não se surpreendeu com o abandono dos seus “discípulos”. Jesus sabia desde o início quais eram os que criam e quem haveria de traí-lo. O Salvador, com quem nos relacionamos, conhece todas as coisas.
É interessante notar que no texto que precede esses acontecimentos, o momento em que Jesus ao ser questionado pela multidão, de imediato revela a intenção do coração do homem. Aquelas pessoas estavam naquele lugar em busca de algo que Jesus poderia lhes oferecer momentaneamente. O confronto de Jesus revela a carnalidade existente no coração humano e ao relutar contra as palavras de Jesus e dar-lhe as costas, testifica que Jesus realmente conhecia a intenção do coração daquelas pessoas.
Entre os seguidores que se afastaram d’Ele, existia um que não apenas se afastou, mas posteriormente, haveria de traí-Lo. Jesus conhecia a tristeza e a humilhação que estava diante d’Ele e quão dolorosa seria a traição de um dos doze a quem Ele mesmo havia escolhido. Ele conhecia a incredulidade do coração daqueles que O seguiam apenas enquanto lhes era conveniente.
Isto também esclarece a loucura da hipocrisia e da falsa religiosidade daqueles que “apenas professam” discípulos ou seguidores de Cristo. A esses que levam esse tipo de vida, cabe lembra-los da onisciência do Salvador. O Salmo 139 nos revela que nada está oculto aos olhos do Senhor e que Ele nos conhece em nosso íntimo.
Cristo é a luz que ilumina toda escuridão existente em nós e torna notória toda nossa pequenez e vulnerabilidade. Não importa a condição da nossa vida cristã, precisamos ser verdadeiros e sinceros diante d’Ele. Isso deve fortalecer aqueles que verdadeiramente se empenham em peregrinar diariamente. Feliz é aquele que apesar de todas as suas fraquezas, pode dizer assim como Pedro: “Senhor, Tu sabes de todas as coisas e sabes que eu te amo” (João 21.17).
CONCLUSÃO:
Jesus aproveita a ocasião para testar a fé daqueles que permaneceram. Então se dirige aos doze e faz a seguinte pergunta: “E vocês, também não querem ir?”.
A essa altura, podemos concluir que apenas os doze haviam permanecido naquele lugar. Não devemos ficar surpresos ao ver e ouvir que nos dias de hoje casos semelhantes acontecem. Se isso aconteceu nos dias do Senhor Jesus a pessoas que receberam o seu ensino, podemos esperar que ocorra muito mais nos dias de hoje.
Acima de tudo, essas coisas não devem abalar a nossa fé ou nos desencorajar na jornada. Antes de tudo, temos de conservar em nosso coração o fato de que, na igreja, sempre haverá pessoas se afastando, enquanto ela permanecer neste mundo. A pessoa infiel e escarnecedora, que defende sua incredulidade, apontando-nos os que se afastamram, precisa encontrar um argumento mais convincente do qeu o mau exemplo. O incrédulo esquece que sempre haverá moedas falsas no meio das verdadeiras.
Após apresentar todas aquelas verdades duras àquela multidão, Jesus esperava uma resposta também daqueles que partilhavam da sua intimidade. Semelhantemente, cabe a nós responder a esse questionamento seguindo-O fielmente e declarando como Pedro: “Senhor, para onde iremos nós, se somente Tu tens as palavras de vida eterna?”. Ou rejeitando o seu convite e suas palavras, por julgarmos serem duras demais.
SOLI DEO GLÓRIA.
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