Proérbios 13:17-21
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Transcript
Conta se que um jovem que era frequentemente usado por seu pai como um tipo de mensageiro. Ele tinha de levar recados, alguns deles muito importantes, para outras pessoas onde não havia telefones. Infelizmente, o rapaz se equivocava na entrega das mensagens e criava situações embaraçosas para ele, para seu pai e para os destinatários dos recados. Como ele não prestava muita atenção aos detalhes da mensagem, fazia uma interpretação pessoal do conteúdo e o entregava como tinha entendido. Várias brigas quase começaram por essa razão. Decididamente, aquele jovem não era um bom mensageiro do seu pai.
Salomão tem em mente algo assim. Sua época tinha a figura do mensageiro como uma peça fundamental na administração de um reino e também de negócios familiares, visto que não havia meios remotos de comunicação. Por isso, um rei ou um chefe de família tinha de enviar um emissário a fim de fazer chegar a pessoas distantes seus tão importantes comunicados. Infelizmente, nem sempre o caráter do emissário era condigno do seu senhor. Alguns, considerados “mensageiros ímpios”, acabavam por perverter a mensagem com segundas intenções e, assim, prejudicar outras pessoas para obter vantagens pessoais. Como tudo tem consequências, o resultado é que esse tipo de emissário “cai em dificuldades” ou “cria dificuldades”. Seja para si ou para seu senhor, o problema de distorcer uma mensagem é certo.
Por outro lado, há também “o enviado digno de confiança”.
O mensageiro fiel é aquele que leva essa mensagem com fidelidade e agilidade. Ele não retarda o tempo nem muda a mensagem. O mau mensageiro é infiel àquele que o comissionou. É negligente com respeito ao conteúdo da mensagem e descuidado com sua urgência.
Ele não põe seus interesses em primeiro lugar, nem resolve ser criativo com a mensagem do seu senhor. Ele é fiel ao seu conteúdo. O resultado é que seu trabalho fiel “traz cura”, ou seja, resolve problemas e fornece o que é necessário.
Verso 18
“Pobreza e afronta sobrevêm ao que rejeita a instrução, mas o que guarda a repreensão será honrado.”
A pobreza é filha da ignorância – Pobreza e afronta sobrevêm ao que rejeita a instrução, mas o que guarda a repreensão será honrado (Pv 13.18). Rejeitar a instrução é consumada loucura. Desprezar a disciplina é uma insensatez. Fazer pouco caso da correção é cair nas malhas da afronta. A ignorância é a mãe da pobreza. Os tolos desprezam o conhecimento, abandonam a instrução e fogem da árdua lida dos estudos. Só não podem fugir da pobreza. Esta é filha da ignorância. O que guarda, porém, a repreensão recebe tratamento honroso. Aquele que tem humildade para aprender e coração quebrantado para ser repreendido é colocado em lugar de honra. Deus dá graça aos humildes, mas rejeita os soberbos. Deus exalta os humildes e humilha os arrogantes. Só os ignorantes rejeitam a repreensão. Só os tolos abandonam a instrução. Só os insensatos fazem troça da disciplina. Esses caminharão pela estrada sinuosa da pobreza e da desonra. Aqueles, porém, cuja cerviz se dobra diante da correção e cujo coração é humilde para receber instrução recebem honra e riqueza. Esses caminham pela estrada reta da bem-aventurança, alcançam os horizontes ensolarados da prosperidade e chegam ao destino certo da felicidade.
Quem rejeita a instrução seu orgulho o impede de aceitar que errou ou imaginar que precise de mudanças. Não admite que lhe apontem o erro. Para defender seu orgulho, ele rejeita a correção e permanece no erro. O sábio faz diferente: ele “acolhe a repreensão”. Não quer dizer que ela não seja dolorida para ele. Entretanto, o sábio quer tanto melhorar que agradece pelo fato de ser alertado e dá ouvidos aos conselhos, deixando de ser repreensível e evitando futuras correções. A humildade e o zelo são os tesouros do sábio para seu crescimento.
Como se isso não bastasse, Salomão reforça sua ideia apontando as consequências de cada uma dessas atitudes. O tolo, com o seu desprezo pela correção, “cai na pobreza e na vergonha”. Como ele não corrige seu erro, acaba fechando portas diante de si que seriam fundamentais para seu bem-estar. É um preço alto demais só para manter o orgulho! Por outro lado, o sábio, ao ouvir a correção e fazer mudanças pessoais, “recebe tratamento honroso”. As pessoas reconhecem o valor de alguém pela sua capacidade de aprender e melhorar e, valorizando tais qualidades, abrem as portas para o valoroso sábio. No final, a humildade que torna o homem pequeno o bastante para ouvir críticas e evoluir, também o torna grande o suficiente para ter a confiança e o respeito de todos.
Verso 19
“O desejo que se cumpre agrada a alma, mas apartar-se do mal é abominável para os insensatos.”
13:19 Os piedosos se alegram quando conseguem atingir seus objetivos, mas os insensatos odeiam a ideia de abandonar seus pecados. O provérbio contrasta homens bons que buscam objetivos louváveis e pecadores que não estão dispostos a se apartar do mal.
Salomão fala do “tolo”, dizendo que ele “detesta afastar-se do mal”. Não importa se ele é prejudicado. Seu gosto e seu desejo falam mais alto que a razão. Não importa quanto sofra. Ele teima em fazer o que quer, ainda que tenha de colher o mal que plantou.
Será que não vale a pena abandonar o mal, ainda que seja gostoso para o corpo, para alcançar um bem maior que “agrada a alma”?
Verso 20
“Quem anda com os sábios será sábio, mas o companheiro dos insensatos se tornará mau.”
Certo pastor comenta...
Como pastor, tenho de tratar com gente de todo tipo e com os mais variados problemas. Ao longo do tempo tenho me deleitado em pessoas que buscam sempre o bem e estão sempre em boas companhias. Dificilmente me dão trabalho. Contudo, há aqueles que se parecem com imãs e só atraem companhias ruins. Não sei que gosto um crente tem de buscar a presença de pessoas sem caráter e distantes do Senhor, mas há gente que é especialista nessa prática. A impressão é que os tais só ficam felizes entre os mundanos. Infelizmente — para essas pessoas e para mim —, sempre há consequências dolorosas, apesar de quase todos afirmarem que isso não as afeta, dizendo-me: “Pastor, eu me garanto!”. Quanta tolice!
Salomão assevera que as companhias que uma pessoa tem infalivelmente a influenciam e acabam dando um destino diferente ao seu futuro. Ele começa falando dos sábios. Eles buscam a presença de pessoas que têm as características que lhes agradam e que eles valorizam, de modo que esse homem sensato “anda com os sábios”. A influência deles é tão positiva que o sábio fica “cada vez mais sábio”. Por fim, essa companhia benéfica age tanto tolhendo e impedindo o que é mal, como cultivando o que é bom, justo e agradável a Deus. Normalmente, esses relacionamentos são bons para ambas as partes e todos eles se tornam mais sábios e tementes ao Senhor.
Mas que dizer daquele que atrai as más companhias? O texto diz que “acabará mal”. O “companheiro dos tolos”, por mais que tenha confiança em si mesmo, demonstra não ser confiável desde a desobediência de se afastar de pessoas ruins e rebeldes diante de Deus. A partir daí, cada prática corrompida é cultivada aos poucos e desenvolvida sem que se perceba, até que o tolo se torna tão mal quanto seus pares — ou pior. E é muito triste ver isso acontecer com gente que tinha tudo para obedecer a Deus e ser por ele abençoado. E quanto às consequências ruins, essas eu garanto.
Cuidado com suas amizades – Quem anda com os sábios será sábio, mas o companheiro dos insensatos se tornará mau (Pv 13.20). Há um ditado popular que diz: “Dize-me com quem andas, e eu te direi quem és”. Esse adágio é verdadeiro. Nossas amizades dizem muito a nosso respeito.
a Palavra de Deus nos exorta: Filho meu, se os pecadores querem seduzir-te, não o consintas. Se disserem: Vem conosco, embosquemo-nos para derramar sangue, espreitemos, ainda que sem motivo, os inocentes; traguemo-los vivos, como o abismo, e inteiros, como os que descem à cova; acharemos toda sorte de bens preciosos; encheremos de despojos a nossa casa; lança a tua sorte entre nós; teremos todos uma só bolsa. Filho meu, não te ponhas a caminho com eles; guarda das suas veredas os pés; porque os seus pés correm para o mal e se apressam a derramar sangue(Pv 1.10–16). É melhor viver só que mal acompanhado. Busque amigos verdadeiros, amigos que o inspirem a viver mais perto de Deus.
13:20Devemos procurar a companhia dos sábios, pois eles edificam. “Não vos enganeis: as más conversações corrompem os bons costumes” (1Co 15:33). O caráter do indivíduo pode, com frequência, ser inferido com base em suas companhias. Aquele que anda na companhia dos insensatos acabará em ruína.
Verso 21
“A desventura persegue os pecadores, mas os justos serão galardoados com o bem.”
O que você planta, isso você colhe – A desventura persegue os pecadores, mas os justos serão galardoados com o bem (Pv 13.21). A lei da semeadura e da colheita é um princípio universal. Colhemos o que plantamos e colhemos mais do que plantamos. Quem semeia com fartura ceifará com abundância. A natureza da semente que plantamos determina a natureza da colheita que teremos. Não podemos plantar o mal e colher o bem. Não podemos colher figos dos espinheiros. A árvore má não produz bons frutos. A Palavra de Deus diz que aquele que semeia ventos colhe tempestade, e quem semeia na carne, da carne colherá corrupção. A desventura, o infortúnio e o mal perseguem os pecadores. Mas os justos serão galardoados com o bem. A prosperidade é a recompensa do justo. A prática do bem, ainda que fique sem a recompensa humana, jamais ficará sem a recompensa divina. José do Egito foi injustiçado por seus irmãos, mas Deus transformou essa injustiça em bênção. O apóstolo Paulo investiu sua vida na plantação de igrejas nas províncias da Galácia, Macedônia, Acaia e Ásia Menor. Sofreu açoites e prisões. Foi apedrejado e fustigado com varas. Carregou no corpo as marcas de Cristo. No final da vida, foi abandonado numa masmorra romana, mas Deus o assistiu e o revestiu de forças. Mesmo não recebendo sua herança na terra, recebeu seu galardão no céu.
