CONSERVE O BOM TESTEMUNHO

Uma Santa Igreja  •  Sermon  •  Submitted   •  Presented
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2Tessalonicenses 1.3–12 “Irmãos, cumpre-nos dar sempre graças a Deus no tocante a vós outros, como é justo, pois a vossa fé cresce sobremaneira, e o vosso mútuo amor de uns para com os outros vai aumentando, a tal ponto que nós mesmos nos gloriamos de vós nas igrejas de Deus, à vista da vossa constância e fé, em todas as vossas perseguições e nas tribulações que suportais, sinal evidente do reto juízo de Deus, para que sejais considerados dignos do reino de Deus, pelo qual, com efeito, estais sofrendo; se, de fato, é justo para com Deus que ele dê em paga tribulação aos que vos atribulam e a vós outros, que sois atribulados, alívio juntamente conosco, quando do céu se manifestar o Senhor Jesus com os anjos do seu poder, em chama de fogo, tomando vingança contra os que não conhecem a Deus e contra os que não obedecem ao evangelho de nosso Senhor Jesus. Estes sofrerão penalidade de eterna destruição, banidos da face do Senhor e da glória do seu poder, quando vier para ser glorificado nos seus santos e ser admira…”
Mesmo depois de terem recebido a primeira epístola de Paulo, os cristãos de Tessalônica continuaram discutindo sobre a vinda do Senhor Jesus Cristo. Alguns até diziam que o Dia do Senhor já havia chegado, enquanto outros estavam tão certos de que Jesus voltaria logo, que largavam o trabalho e viviam às custas dos outros.
Então Paulo escreve a Segunda Epístola aos Tessalonicenses a fim de corrigir esses falsos ensinamentos e maneiras de agir.
- Nela, ele diz que, antes da vinda de Cristo, haverá um tempo da maldade e da pecado. Paulo fala também de um poder misterioso, a quem ele chama de “o iníquo”, que chefiará uma revolta mundial contra Deus. Mas Deus vencerá, e os que são escolhidos por ele para a salvação ficarão sempre seguros. Paulo pede que os leitores continuem firmes na fé e não andem atrás de ensinamentos falsos.
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Muito embora os problemas da igreja de Tessalônica tenham exigido uma segunda carta, o apóstolo Paulo apresenta grande contentamento com essa congregação e com o modo como ela tem crescido no Senhor.
- Ressalto que em ambas as cartas a saudação de Paulo é praticamente idêntica. Portanto para evitar repetição ou redundância, eu não vou repetir a exposição.
- Sabemos que Paulo é o autor da carta, como é de costume, ele trás seus companheiros de missão para se integrarem no núcleo da carta.
- Ambas as cartas provavelmente resultaram de suas extensivas discussões sobre a situação da igreja, onde as preocupações sobre a consolidação e expansão do Evangelho era o centro de toda discussão.
- Para que o Evangelho seja consolidade e cresça, é necessário que a Igreja de Deus compreenda clara e objetivamente seu papel e missão.
- Seu papel no sentido de viver de modo a testemunhar Jesus no mundo e sua missão em propagar continuamente essa santa mensagem.
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v.3 – “Irmãos, cumpre-nos dar sempre graças a Deus no tocante a vós outros, como é justo, pois a vossa fé cresce sobremaneira, e o vosso mútuo amor de uns para com os outros vai aumentando”[1]
- Buscando ser objetivo nesta exposição, o apóstolo Paulo, começa a carta agradecendo e elogiando a igreja pelo contínuo crescimento que tiveram no Senhor.
- Estamos diante de uma igreja que cresce na Fé e no Amor.
- O que leva a igreja de tessalonicenses crescer tão prontamente na Fé e no Amor?
- Eu sei, que para os que leram a primeira carta, podem concluir que foi a imediatidade da perseguição sofrida pela igreja. Sendo, neste caso, a perseguição a causa do contínuo crescimento.
- Lendo o texto, eu concordo que a perseguição seja um elemento presente, mas não é em si a causa do continuo crescimento da igreja. Examinando o texto, vemos aquilo que diz o apóstolo sobre o modo como a igreja recebeu o Evangelho, como Palavra de Deus e não como palavra de homens.
- Veja, o elemento que dá sustância à fé, não é a perseguição, a perseguição tende a provar a sustância dessa fé. Aquilo que alicerça, fortalece e dá crescimento à fé e ao amor, é a Palavra de Deus, em especial o modo como recebemos e cremos nesta palavra.
- A perseguição em Tessalônica não diminuiu após a primeira a carta. A igreja contínua enfrentando um momento conturbado em relação as perseguições. E mesmo assim, ela contínua exalando um testemunho de Fé e amor crescente.
v.4 – “a tal ponto que nós mesmos nos gloriamos de vós nas igrejas de Deus, à vista da vossa constância e fé, em todas as vossas perseguições e nas tribulações que suportais”[2]
- Tudo o que acabei de dizer encontra apoio neste versículo, pois o apóstolo diz: “nós mesmo nós mesmos nos gloriamos de vós nas igrejas de Deus, à vista da vossa constância e fé, em todas as vossas perseguições e nas tribulações que suportais”.
- Na Linguagem de hoje este texto é traduzido da seguinte forma: “É por isso que nas igrejas de Deus falamos com orgulho sobre vocês. Nós temos orgulho de vocês por causa da paciência e da fé que vocês mostram no meio de todas as perseguições e sofrimentos”.
- Irmãos, torna-se evidente que em toda esta passagem seja ela lida no original ou em traduções, não faz diferença – os escritores se revelam como homens jubilosos (veja também 2.13; 3.4) em vez de relutantes; exuberantes em vez de hesitantes.[3]
- O apóstolo aqui, Não está negando a presença de alguns poucos membros na congregação que não estavam vivendo de acordo com as normas requeridas. De fato, isso se constituía em um problema real, até mesmo pior que quando a primeira epístola foi escrita.
- Contudo na passagem alegre que agora consideramos, porém, as pessoas que viviam desordenadamente são conservadas, por enquanto, num plano secundário. O que temos aqui é uma alegria irresistível, uma alegria que, na forma de sinceras e humildes ações de graças, é dirigida ao Doador de todas as coisas boas.[4]
- A razão para incessantes ações de graças é que a fé dos tessalonicenses está crescendo além da medida (ὑπεραυξάνει) ou muitíssimo, e que o amor de cada irmão está constantemente aumentando (πλεονάζει), e que era o que Paulo exatamente desejava e pelo que orava de forma tão ardente (veja a exposição de 1Ts 3.12; 4.1,10). [5]
v.5 – “sinal evidente do reto juízo de Deus, para que sejais considerados dignos do reino de Deus, pelo qual, com efeito, estais sofrendo”;[6]
- Todos seus sacrifícios e sofrimentos valerão a pena no final?
- Será que você responder a essa questão? Será que realmente vale a pena as privações, lutas e tribulações que enfrentamos na caminhada?
- Paulo dá a resposta em um tom bastante assertivo. É raro imaginarmos algo mais encorajador do que conhecer a justiça de Deus e como isso compensará para eles tudo que estão suportando por Cristo.
- Paulo apresenta isso em um cenário de tribunal de justiça, com a “prova” diante deles de “que o juízo de Deus é justo”, dikaias, significando não só “correto”, mas, além disso, “justo”. Esse é o tema do livro de Apocalipse, uma teodiceia (defesa de Deus), provando a absoluta justiça dos julgamentos divinos.[7]
-As palavras de Paulo têm o objetivo de conduzir os irmãos a não duvidarem do benevolente propósito de Deus referente a eles, ou seja, de considera-los dignos de entrar no reino.
- Quem é digno e merecedor de entrar no Reino de Cristo? A resposta é: Absolutamente ninguém! Ninguém é digno! Não há obras ou méritos que nos façam ter direito de entrarmos no Reino. “Não por obras para que ninguém se glorie”.
- Mas, o texto fala de serem “considerados dignos do reino de Deus” – O que isso significa?
- Lembre-se de que todas as vezes que lemos os textos sagrados, fazemos uso do próprio texto e do seu contexto micro e macro para compreende-lo.
- Veja bem, o apóstolo está louvando a Deus pela Igreja de Tessalônica, que tem progredido, crescido na Fé e no amor, e estão fazendo isso em meio a muitas tribulações que suportam.
- As tribulações que a igreja tem suportado, não são causadas por sua inconstância, seu descaso com o Evangelho. Não é uma tribulação causada por eles. A causa da tribulação é o Evangelho, o qual eles tem se apegado mais e mais.
- Eles sofrem como discípulos de Jesus, são perseguidos pela causa do Reino.
- Em Mt. 5.10-12 diz: “10 Bem-aventurados os perseguidos por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus. 11 Bem-aventurados sois quando, por minha causa, vos injuriarem, e vos perseguirem, e, mentindo, disserem todo mal contra vós. 12 Regozijai-vos e exultai, porque é grande o vosso galardão nos céus; pois assim perseguiram aos profetas que viveram antes de vós[8]
- Esse é o elemento de dignidade, a vida radiante do Evangelho que eles tem vivido que tem incomodado brutalmente o mundo ao redor.
v.6-8 “se, de fato, é justo para com Deus que ele dê em paga tribulação aos que vos atribulam 7 e a vós outros, que sois atribulados, alívio juntamente conosco, quando do céu se manifestar o Senhor Jesus com os anjos do seu poder, 8 em chama de fogo, tomando vingança contra os que não conhecem a Deus e contra os que não obedecem ao evangelho de nosso Senhor Jesus”.[9]
- Paulo reafirma a premissa básica, “Deus é justo”, e logo estabelece os dois lados de sua justiça; punição para os malfeitores e “alívio” para os que sofrem com os obstáculos.
- Deus é, no âmago, um Deus “santo”; santidade é seu atributo principal. Isso pode ser subdividido em dois aspectos interdependentes, sua justiça e seu amor, e esses juntos definem sua santidade. Ele é um Deus reto, e justiça e retidão são o mesmo termo, dikaiosynē, constituindo a base de suas ações. Sua justiça é o marco-padrão de toda a Escritura[10]
- Como tal, sua justiça exige a ele “retribuir com tribulação aos que lhes causam tribulação”. Esse princípio é denominado de lex talionis, “a lei da retribuição”: o que você faz ao povo de Deus, ele faz a você.
- O sofrimento do povo de Deus pode ser confortado pelo fato de ser temporário e que, por fim, levará à glória, enquanto seus perseguidores sofrerão “aflição” ou “tormento” (thlipsis) eternos.
- O verbo para “retribuir” é antapodounai, eventualmente uma metáfora comercial para devolver o que foi ganho.
- Aqui tem um significado judicial significando apenas reparação pelos crimes cometidos. Os perseguidores ficarão diante do trono do julgamento de Deus ouvindo a narração de seus malfeitos e recebendo as punições cabíveis por seus atos nefastos.
- O tema dominante é reciprocidade, e a absoluta justiça da penalidade é suprema[11]
- Nos versos 7 e 8, Paulo agora explora o tempo do dia do julgamento. Ele acontecerá “quando o Senhor Jesus for revelado lá do céu, com os seus anjos poderosos, em meio a chamas flamejantes”.
- A parousia (“vinda”) de Cristo é encontrada em 1Tessalonicenses capítulo 2 (v. 19; 3.13 e 4.15; 5.23), e, nesta carta, no capítulo 2 (v. 1–8).
- O foco muda de Deus, o Juiz, nos versículos 5–7a, para Jesus, o Guerreiro Divino, e sua vinda agora não é para capturar os santos como em 1Tessalonicenses capítulo 4 (v. 13–18), mas sim para a destruição dos pecadores como em 1Tessalonicenses capítulo 5 (v. 2–3).
- O evento é o apocalipse (apokalypsis, “revelação”) e sua origem é “do céu”. O mundo não o conhece ou reconhece, mas se trata de uma manifestação pública de dimensões espantosas, e as pessoas tomarão conhecimento disso e tremerão de medo. Ele não é apenas o Jesus Messias ou o Grande Profeta e sim o Senhor Jesus, e sua suprema autoridade será exibida para todos verem. Ele tem estado no céu ao lado do Pai e do Espírito Santo desde o dia de sua ascensão, mas agora aparecerá visivelmente mais uma vez na Terra.[12]
No versículo 9, vemos a punição infligida sobre eles. A ênfase de Paulo tem sido na absoluta justiça que reside por trás da severa penalidade recebida pelos pecadores. Os não salvos alardearam a justiça de Deus e zombaram de seu amor, de modo que Deus estava lhes dando o que eles obtiveram com suas ações. A imagem do tribunal continua, pois agora que Paulo anuncia as sentenças de Deus pelos atos mais terríveis já feitos. Ele deu uma dupla descrição dos crimes cometidos, e agora dá uma dupla penalidade.[13]
v.10-11 – “9 Estes sofrerão penalidade de eterna destruição, banidos da face do Senhor e da glória do seu poder, 10 quando vier para ser glorificado nos seus santos e ser admirado em todos os que creram, naquele dia (porquanto foi crido entre vós o nosso testemunho).”[14]
- Os pecadores receberiam o que merecem justamente, assim como os santos. O julgamento dos ímpios se dará “no dia em que ele vier para ser glorificado em seus santos.” É certo que tudo isso não acontece em um único período de 24 horas.
- O “dia” é o tempo de sua aparição. Embora o calendário possa ser diferente, dependendo de sua visão sobre a relação entre o retorno de Cristo e a derrota das forças do mal, eu sou adepto ao pós-tribulacionismo (veja comentários em 1Ts 4.13–18) e vejo a ordem dos eventos assim: quando Cristo voltar, ele reunirá os vivos e os mortos entre seus seguidores e lhes dará seus corpos glorificados (1Ts 4.13–18; 1Co 15.51–53). Nessa hora, eles se juntarão aos anjos celestiais e formarão o exército do Senhor (Ap 19.19–21), e descerão à Terra com Cristo para derrotar o anticristo e seu exército na Batalha do Armagedom (Ap 19.19). Então, isso será seguido pelo reino milenar de Cristo (Ap 20.1–10), no final do qual haverá o julgamento do grande trono branco, onde os pecadores serão lançados no lago de fogo para começarão sua destruição eterna (Ap 20.11–15) e o início do reino eterno de Cristo com seus santos (Ap 21). O “dia do Senhor” de 1Tessalonicenses capítulo 5 (v. 1–11) abrange todos esses eventos e é descrito como um único “dia” do tempo apocalíptico.
O foco aqui é sobre Cristo mais que sobre os santos. Alguns tessalonicenses estavam muito angustiados de que poderiam perder esse dia (isso está implícito em 1Ts 5.1–11 também) e precisavam ficar assegurados da fidelidade de Cristo para com eles. Veremos esse ponto novamente no próximo capítulo. É difícil saber por que estavam tão confusos e inseguros, mas realmente estavam. No próximo capítulo, a culpa disso recai em uma falsa profecia, mas aqui parece ser algo de caráter mais geral. Pode ter sido simplesmente dúvidas sobre a segurança de sua salvação. De qualquer modo, Paulo deseja consolá-los, não precisam mais se angustiar nem duvidar. O futuro para eles é seguro.[15]
[1] Almeida Revista e Atualizada (Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 1993), 2Ts 1.3. [2] Almeida Revista e Atualizada (Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 1993), 2Ts 1.4. [3] William Hendriksen, 1 e 2 Tessalonicenses, Colossenses e Filemon, trans. Hope Gordon Silva, Valter Graciano Martins, e Ézia Cunha Mullins, 2a edição., Comentário do Novo Testamento (São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2007), 180. [4] William Hendriksen, 1 e 2 Tessalonicenses, Colossenses e Filemon, trans. Hope Gordon Silva, Valter Graciano Martins, e Ézia Cunha Mullins, 2a edição., Comentário do Novo Testamento (São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2007), 180. [5] William Hendriksen, 1 e 2 Tessalonicenses, Colossenses e Filemon, trans. Hope Gordon Silva, Valter Graciano Martins, e Ézia Cunha Mullins, 2a edição., Comentário do Novo Testamento (São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2007), 181. [6] Almeida Revista e Atualizada (Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 1993), 2Ts 1.4–5. [7]Grant R. Osborne, 1 e 2 Carta aos Tessalonicenses, trans. Renato Cunha, Comentário Expositivo do Novo Testamento (Bellingham, WA; São Paulo: Lexham Press; Editora Carisma, 2023), 168–169. [8] Almeida Revista e Atualizada (Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 1993), Mt 5.10–12. [9] Almeida Revista e Atualizada (Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 1993), 2Ts 1.6–8. [10] Grant R. Osborne, 1 e 2 Carta aos Tessalonicenses, trans. Renato Cunha, Comentário Expositivo do Novo Testamento (Bellingham, WA; São Paulo: Lexham Press; Editora Carisma, 2023), 169–170. [11]Grant R. Osborne, 1 e 2 Carta aos Tessalonicenses, trans. Renato Cunha, Comentário Expositivo do Novo Testamento (Bellingham, WA; São Paulo: Lexham Press; Editora Carisma, 2023), 170. [12]Grant R. Osborne, 1 e 2 Carta aos Tessalonicenses, trans. Renato Cunha, Comentário Expositivo do Novo Testamento (Bellingham, WA; São Paulo: Lexham Press; Editora Carisma, 2023), 171. [13]Grant R. Osborne, 1 e 2 Carta aos Tessalonicenses, trans. Renato Cunha, Comentário Expositivo do Novo Testamento (Bellingham, WA; São Paulo: Lexham Press; Editora Carisma, 2023), 172. [14] Almeida Revista e Atualizada (Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 1993), 2Ts 1.9–10. [15]Grant R. Osborne, 1 e 2 Carta aos Tessalonicenses, trans. Renato Cunha, Comentário Expositivo do Novo Testamento (Bellingham, WA; São Paulo: Lexham Press; Editora Carisma, 2023), 173–174.
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