Trabalhar para quê?
Parábolas de Jesus • Sermon • Submitted • Presented
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· 14 viewsObjetivo Geral: Aprofundar o conhecimento acerca do ensino de Jesus e corrigir compreensões errôneas das parábolas de Jesus. Objetivo específico: Compreender as implicações de ser discípulo. Proposição: O discípulo confia seu futuro, seu trabalho e seus objetivos a Deus..
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Lucas 12.16-34 16E propôs-lhe uma parábola, dizendo: A herdade de um homem rico tinha produzido com abundância; 17E ele arrazoava consigo mesmo, dizendo: Que farei? Não tenho onde recolher os meus frutos. 18E disse: Farei isto: Derrubarei os meus celeiros, e edificarei outros maiores, e ali recolherei todas as minhas novidades e os meus bens; 19E direi a minha alma: Alma, tens em depósito muitos bens para muitos anos; descansa, come, bebe e folga. 20Mas Deus lhe disse: Louco! esta noite te pedirão a tua alma; e o que tens preparado, para quem será? 21Assim é aquele que para si ajunta tesouros, e não é rico para com Deus. 22E disse aos seus discípulos: Portanto vos digo: Não estejais apreensivos pela vossa vida, sobre o que comereis, nem pelo corpo, sobre o que vestireis. 23Mais é a vida do que o sustento, e o corpo mais do que as vestes. 24Considerai os corvos, que nem semeiam, nem segam, nem têm despensa nem celeiro, e Deus os alimenta; quanto mais valeis vós do que as aves? 25E qual de vós, sendo solícito, pode acrescentar um côvado à sua estatura? 26Pois, se nem ainda podeis as coisas mínimas, por que estais ansiosos pelas outras? 27Considerai os lírios, como eles crescem; não trabalham, nem fiam; e digo-vos que nem ainda Salomão, em toda a sua glória, se vestiu como um deles. 28E, se Deus assim veste a erva que hoje está no campo e amanhã é lançada no forno, quanto mais a vós, homens de pouca fé? 29Não pergunteis, pois, que haveis de comer, ou que haveis de beber, e não andeis inquietos. 30Porque as nações do mundo buscam todas essas coisas; mas vosso Pai sabe que precisais delas. 31Buscai antes o reino de Deus, e todas estas coisas vos serão acrescentadas. 32Não temais, ó pequeno rebanho, porque a vosso Pai agradou dar-vos o reino. 33Vendei o que tendes, e dai esmolas. Fazei para vós bolsas que não se envelheçam; tesouro nos céus que nunca acabe, aonde não chega ladrão e a traça não rói. 34Porque, onde estiver o vosso tesouro, ali estará também o vosso coração.
Introdução
Introdução
Continuamos com a série de pregações Parábolas de Jesus. Esta série busca aprofundar nosso conhecimento acerca do ensino de Cristo, bem como corrigir algumas compreensões equivocadas das parábolas dele.
Hoje o texto selecionado é um pouco mais extenso, então não avaliaremos versículo a versículo, mas a ideia central em cada uma das três partes.
Para termos um contexto, Jesus Cristo estava discursando sobre o cuidado de Deus para com os seus servos quando alguém o interrompe e pede que Jesus interfira numa questão sobre a partilha de herança.
Questões de herança costumam dar problemas. Na minha experiência como policial civil, registrei diversos boletins de ocorrência de agressões, ameaças e ofensas ocorridas por disputas entre os herdeiros.
O texto bíblico não se ocupa de avaliar o direito daquele que lhe interrompeu. Aparentemente, aquele homem era vítima de seu irmão que estava retendo alguma herdade.
Contudo, Jesus não parou para fazer perguntas e auxiliar o homem. Ao contrário, passou a falar sobre o que estava no centro do problema, que é a confiança nas riquezas.
Vamos novamente ao texto.
16E propôs-lhe uma parábola, dizendo: A herdade de um homem rico tinha produzido com abundância; 17E ele arrazoava consigo mesmo, dizendo: Que farei? Não tenho onde recolher os meus frutos. 18E disse: Farei isto: Derrubarei os meus celeiros, e edificarei outros maiores, e ali recolherei todas as minhas novidades e os meus bens; 19E direi a minha alma: Alma, tens em depósito muitos bens para muitos anos; descansa, come, bebe e folga. 20Mas Deus lhe disse: Louco! esta noite te pedirão a tua alma; e o que tens preparado, para quem será? 21Assim é aquele que para si ajunta tesouros, e não é rico para com Deus.
Como resposta à situação que surgiu, Jesus conta a parábola do homem rico. Nesta parábola podemos ver um homem que já é rico e está com seus celeiros cheios, fruto de sua administração. Ele produz com maior abundância e resolve, então, aumentar o espaço para seus bens.
A razão para isto, é que este homem planeja descansar e aproveitar de tudo que seus bens podem lhe dar: segurança e alegria para a alma. Alma aqui se refere ao eu interior, o centro das vontades e inclinações.
Todavia, a alma, significando a vida agora, está prestes a ser tirada deste homem. Ele não poderá continuar trabalhando. Não continuará juntando e, pior, não poderá desfrutar do que trabalhou para ter.
Este homem parece ser um bom administrador, mas não teve como planejar estar vivo. Isto não estava sob o controle dele. Também não teve como prever que morreria cedo – quem sabe, teria aproveitado antes?
O versículo 21 transparece dois erros deste homem.
O primeiro é ter ajuntado tesouros para si. Gastou suas forças, seu tempo e sua inteligência para buscar segurança material pensando somente no próprio desfrute.
O segundo erro foi não ser rico para com Deus, ou seja, não confiar em Deus para seu sustento e segurança. Depositou sua confiança nas riquezas matérias deixando o Senhor de lado. Sua riqueza não era Deus.
Seu trabalho, por assim dizer, foi inútil, pois não produziu o efeito esperado.
22 E disse aos seus discípulos: Portanto vos digo: Não estejais apreensivos pela vossa vida, sobre o que comereis, nem pelo corpo, sobre o que vestireis. 23 Mais é a vida do que o sustento, e o corpo mais do que as vestes. 24 Considerai os corvos, que nem semeiam, nem segam, nem têm despensa nem celeiro, e Deus os alimenta; quanto mais valeis vós do que as aves? 25 E qual de vós, sendo solícito, pode acrescentar um côvado à sua estatura? 26 Pois, se nem ainda podeis as coisas mínimas, por que estais ansiosos pelas outras? 27 Considerai os lírios, como eles crescem; não trabalham, nem fiam; e digo-vos que nem ainda Salomão, em toda a sua glória, se vestiu como um deles. 28 E, se Deus assim veste a erva que hoje está no campo e amanhã é lançada no forno, quanto mais a vós, homens de pouca fé? 29 Não pergunteis, pois, que haveis de comer, ou que haveis de beber, e não andeis inquietos. 30 Porque as nações do mundo buscam todas essas coisas; mas vosso Pai sabe que precisais delas. 31 Buscai antes o reino de Deus, e todas estas coisas vos serão acrescentadas.
Jesus prossegue instruindo os discípulos. Ele cita a ansiedade que é gerada no coração daqueles que sentem que são responsáveis pelo próprio sustento. Jesus obviamente não está dizendo que não é necessário trabalhar. A Bíblia é clara quanto a importância e obrigatoriedade de trabalhar para obter o mantimento. 2Ts 3.10
Todavia, Jesus demonstra aqui que, apesar de o trabalho ser o meio regular que Deus usa para nos sustentar, a CAUSA do nosso sustento é Deus, e Ele pode empregar os meios que quiser para isso.
Ele usa como exemplo os pássaros e os lírios, que não têm como planejar como ter o que comer ou o que vestir, contudo o Senhor os supre diariamente. A preocupação exagerada em ter essas coisas deveria ser um hábito dos descrentes, não dos discípulos.
É como se Deus fizesse um acordo com eles. “Cuidem do meu Reino, que eu cuido de sua vida”. Vale lembrar que este trecho da Bíblia muitas vezes é deturpado, como se Deus estivesse prometendo dar tudo o que a gente quer, caso trabalhemos em seu reino.
Ele não diz “todas as coisas vos serão acrescentadas”, mas “todas ESSAS coisas”. Que coisas? Alimento e roupa básica. Este deve ser o objetivo do trabalho quanto a nós mesmos, um sustento básico. Agora, a real ocupação do coração deve ser o Reino de Deus.
O trabalho fora do rumo certo traz ansiedade (v.22) e revela falta de fé / confiança em Deus (v.28). O trabalho correto é feito na expectativa de que Deus dará o sustento. É um trabalho descansado.
32 Não temais, ó pequeno rebanho, porque a vosso Pai agradou dar-vos o reino. 33 Vendei o que tendes, e dai esmolas. Fazei para vós bolsas que não se envelheçam; tesouro nos céus que nunca acabe, aonde não chega ladrão e a traça não rói. 34 Porque, onde estiver o vosso tesouro, ali estará também o vosso coração.
No último bloco, Jesus carinhosamente chama os discípulos de pequeno rebanho, expressão que mais uma vez remete ao cuidado de Deus, uma vez que o rebanho obtém o que necessita quando é guiado pelo Pastor, que é Jesus.
Não há o que temer. Se o Pai quis dar o Reino aos discípulos, porque não daria coisas menores? Por isso, eles não devem temer auxiliar as pessoas com seus bens materiais, mesmo que isso lhes faça perder a “segurança financeira”. Ele diz até sobre vender bens para ter o que repartir.
O que se acumula aqui pode ser roubado ou destruído, mas se colocamos nosso coração naquilo que agrada a Deus, obedecendo Seus mandamentos (resumo da Lei) e confiando Nele, teremos recompensa segura quando estivermos com Jesus.
Dito isto, vamos a algumas aplicações.
1ª Aplicação: Confie seu futuro a Deus
1ª Aplicação: Confie seu futuro a Deus
É um ditado popular muito conhecido que “dinheiro não traz felicidade”. Apesar de muito conhecido, a verdade é que isso é mais fácil ser dito que vivido. Tanto é que fizeram algumas alterações nesse ditado.[1]
Nós vivemos em um mundo sob maldição do pecado de Adão. Doenças, prejuízos, fomes, inseguranças, tudo isso é efeito colateral daquele primeiro pecado e enquanto Jesus não voltar estaremos sujeitos a essas coisas.
Por essa razão, tentamos driblar os efeitos do pecado buscando segurança no dinheiro e poder que estiver ao nosso alcance.
Fico preocupado quando vejo adolescentes cristãos escolhendo faculdade baseados no dinheiro que supostamente poderão obter com tal diploma. Os pais ainda dizem que assim seus filhos “terão um futuro”.
Este e outros exemplos semelhantes mostram onde está o coração de muitos dos nossos irmãos. Para eles, o “futuro” é limitado a esta vida, então se sentem pressionados a confiar sua segurança ao deus dinheiro. A confiança que deveríamos depositar no Senhor, como nosso provedor diário, depositamos no dinheiro.
Mas quero desafiá-los a confiar seu futuro e de sua família a Deus. Como?
Estamos acostumados a aceitar certas “oportunidades de futuro melhor” baseado no quanto ganhar com elas. Ex.: proposta de mudança de emprego; proposta de chefia; proposta de novos clientes. Se ao invés de escolher uma profissão baseado no que se ganha, você escolher (ou incentivar seu filho) uma em que você servirá a Deus e ao próximo melhor?
A ideia é refletir não baseado em “garantir seu futuro”, mas em “servir mais no futuro enquanto Deus cuida de mim”.
Se você se entregou a Jesus Cristo, Ele se encarrega do seu futuro.
2ª Aplicação: Confie seu trabalho a Deus
2ª Aplicação: Confie seu trabalho a Deus
Além disso, lembre-se que o que você faz interessa ao Senhor. Você pode encarar o seu trabalho meramente como o seu “ganha-pão”. Se fizer isso, sua vida será frustrante, pois, como o homem rico da parábola, você perceberá que seu trabalho não te dará a segurança que você espera dele.
Você também terá pouca razão para continuar fazendo. Um médico sabe que, por mais que se esforce, ele não tem poder real de salvar vidas. Um advogado sabe que não pode realmente fazer justiça. Um comerciante sabe que seus produtos não podem trazer soluções definitivas para os problemas dos clientes.
Nosso trabalho não pode frear os problemas do mundo e também não é capaz de evitar os nossos próprios problemas. O que resta? Trabalhar para ganhar dinheiro? Tem que haver algo mais! E tem.
Ao invés de trabalhar por coisas para as quais não se pode dar garantias, você pode encarar seu trabalho como uma extensão do Reino de Deus. Trabalhe como quem sabe que você faz parte do grande quebra-cabeças que Deus está montando para o dia em que Cristo volta.
Trabalhe como quem espalha o amor e a verdade do reino Deus. Faça do seu trabalho o seu campo missionário. Trabalhe porque o seu trabalho serve para diminuir os efeitos que o pecado trouxe sobre o mundo.
O pecado trouxe violência? Policiais, juízes, promotores, advogados, militares.
O pecado trouxe egoísmo? Políticos, ONGs.
O pecado trouxe ignorância? Professores, pedagogos, cientistas.
O pecado trouxe desordem? Coletores, faxineiros, ambientalistas, donas de casa.
E por aí vai. Seu trabalho é importante quando feito para satisfazer as necessidades do Reino.
3ª Aplicação: Confie seus objetivos a Deus
3ª Aplicação: Confie seus objetivos a Deus
Existem objetivos melhores do que se sentir seguro ou dar um futuro para os seus filhos. Acredite-me: esses objetivos podem ter seus méritos, mas você não tem controle nenhum sobre eles.
Nada garante que obtendo dinheiro, se esforçando e juntando bens você terá segurança. Ricos também morrem de câncer (Steve Jobs). Herdeiros de fortunas milionárias também são infelizes (Paris Hilton).
Tenha como objetivo ser fiel a Deus. Leia a Palavra de Deus para saber qual é a vontade dele. Obedeça-o, e você acumulará o verdadeiro tesouro.
Conclusão
Conclusão
x.
[1] “Dinheiro não traz felicidade, manda buscar.” “Dinheiro não traz felicidade. Me dê o seu e viva feliz.” “Dinheiro não traz felicidade – para quem não sabe o que fazer com ele.” (Machado de Assis)
