A Ressureição da filha de Jairo

Marcos   •  Sermon  •  Submitted   •  Presented
0 ratings
· 93 views
Notes
Transcript
Este é o segundo sermão sobre Marcos 5:21-43. No primeiro sermão, Jesus é abordado por um oficial da sinagoga, chamado Jairo, que clamou pela vida de sua filha e também tratou da cura uma mulher que sofria há doze anos de forte hemorragia. Neste segundo sermão Jesus vai a casa de Jairo e ressuscita sua filha. Jesus deixa evidente tremendos aspectos de Sua vida e ministério.
INTRODUÇÃO
Nessa porção, Marcos registra dois incidentes com Jesus, um dentro do outro. Antes de prosseguirmos, vamos fazer uma pequena revisão dos versículos de 21 a 34. O que veremos nos versículos de 35 a 43 é Jesus ressuscitando a filha de Jairo, um oficial da sinagoga.
Os funerais são as ocasiões e experiências humanas mais desesperadoras. A Bíblia diz, com precisão, que toda a raça humana está escravizada ao medo da morte (Hebreus 2:15), que é o salário do pecado (Romanos 6:23). A morte, com sua realidade ameaçadora, é o medo supremo. É por isso que Jó 18:14 chama a morte de terror. O Salmo 55: 4-5 diz:
Estremece-me no peito o coração, terrores de morte me salteiam; temor e tremor me sobrevêm, e o horror se apodera de mim.
Toda a raça humana entende o medo e o terror da morte, e isso então levanta a questão de todas as questões: “Há alguém venceu a morte e pode me ajudar a triunfar sobre ela?”.
Os quatro Evangelhos trazem registros de que Jesus afirmou ter poder sobre a morte. Por exemplo, Jesus diz:
Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que morra, viverá; e todo o que vive e crê em mim não morrerá, eternamente. Crês isto? (João 11:25-26)
Em João 2:19 Jesus disse: “Destruí este santuário, e em três dias eu o ressuscitarei”. Os judeus não entenderam, pensando que Ele se referia ao templo de Jerusalém, que levou 46 anos para ser construído. Mas, Jesus se referia a Seu corpo e à Sua vitória sobre a morte. O verso 22 diz que quando Jesus ressuscitou dentre os mortos, os discípulos lembraram-se disso e creram Nele e nas Escrituras.
Os quatro Evangelhos terminam com o relato histórico da ressurreição de Jesus Cristo, relato esse inequivocamente verdadeiro, porque havia mais de quinhentas testemunhas oculares. Todas as evidências estão presentes. Ele conquistou a morte para Si mesmo.
Mas, não apenas para Si mesmo. Quando os discípulos de João Batista queriam saber se Jesus era o Messias, eles Lhe perguntaram: “És tu aquele que estava para vir ou havemos de esperar outro?” (Mateus 11:3). Ele respondeu: “Ide e anunciai a João o que estais ouvindo e vendo: os cegos veem, os coxos andam, os leprosos são purificados, os surdos ouvem, os mortos são ressuscitados, e aos pobres está sendo pregado o evangelho”. (Mateus 11:4,5)
Uma coisa é alguém afirmar que pode ressuscitar pessoas, outra é ressuscitá-las. Uma coisa é alguém afirmar que conquistará a morte, outra é conquistar a morte. E Jesus mostrou Seu poder sobre a morte nas ressurreições que operou e em Sua própria ressurreição. Hebreus 2:14-15 diz que Jesus destruiu aquele que tinha o poder da morte, isto é o diabo, e nos libertou do pavor escravizante da morte.
BREVE RESUMO DO PRIMEIRO SERMÃO
§ Em Marcos 5, temos uma visão do poder de Jesus.
§ Já tínhamos visto Seu poder sobre o mar e o vento em Marcos 4.
§ O capítulo 5 começa com uma legião de demônios se curvando diante Dele e a libertação de um homem que estava escravizado por essa legião.
§ Seguimos vendo no sermão anterior a cura milagrosa de uma mulher que sofria uma terrível hemorragia há 12 anos.
Vimos que Jairo era um pai desesperado, sua filha de 12 anos estava sucumbindo diante da morte. Ele era um oficial da sinagoga, então ele fazia parte do sistema religioso. Ele não era um rabino, sacerdote, fariseu ou um escriba, mas um leigo que fazia parte do sistema clerical sob a autoridade dos escribas e fariseus, que tinham ódio mortal de Jesus.
Mas Jairo se tornou infiel ao seu sistema religioso. Ele passou a crer em Jesus e em Seu poder. Ele estava tão confiante, que não mediu as consequências do ato de crer e buscar Jesus. Ele se prostrou em adoração diante de Jesus e fez uma confissão pública de reconhecimento do poder de Jesus: “Vem, impõe as mãos sobre ela, para que seja salva, e viverá”.
A RESSURREIÇÃO DA FILHA DE JAIRO
Marcos 5 34 E ele lhe disse: Filha, a tua fé te salvou; vai-te em paz e fica livre do teu mal. 35 Falava ele ainda, quando chegaram alguns da casa do chefe da sinagoga, a quem disseram: Tua filha já morreu; por que ainda incomodas o Mestre?
Jesus ainda estava conversando com a mulher quando chegam mensageiros disseram a Jairo: “Sua filha morreu, não incomode mais o Mestre”. Em outras palavras: “O Mestre demorou de vir, e sua filha morreu, não há nada mais que possa ser feito”. São palavras semelhantes a que Marta disse a Jesus antes da ressurreição de Lázaro: “Senhor, se estiveras aqui, não teria morrido meu irmão” (João 11:21).
Essas pessoas viram o poder milagroso de Jesus, mas acharam difícil acreditar que Ele poderia ressuscitar os mortos. A confiança que Jairo tinha em Jesus não era a mesma dos seus servos. Note que eles chamam Jesus de Mestre, pois Sua mensagem era mais importante do que Seus milagres. Seus milagres mostraram que Ele era divino, mas Sua mensagem impactou a nação.
Jesus está no meio de uma multidão barulhenta, exigente, que O pressionava, e era até mesmo agressiva. E no meio dela surgem os mensageiros para trazer a notícia da morte da filha de Jairo, dizendo, em outras palavras: “Tudo está perdido, volte para casa, não incomode mais o Mestre”.
Marcos 5 36 Mas Jesus, sem levar em conta tais palavras, disse ao chefe da sinagoga: Não temas, crê somente.
Em todo este cenário de caos, Jesus estava tranquilo e sereno, movendo-se segundo o propósito soberano de Deus. Ele desconsiderou as palavras dos mensageiros e disse a Jairo, em outras palavras: “Pare de temer, creia apenas, substitua o teu medo pela fé”.
Em Lucas 8:50, Jesus disse: “Não temas, crê somente, e ela será salva”. E aí Jesus lhe disse o que ele tanto queria ouvir. A perspectiva de nosso Senhor é completamente diferente de todos ao Seu redor, porque Ele se move no conhecimento perfeito da vontade de Seu Pai.
Marcos 5 37 Contudo, Jesus não permitiu que alguém o acompanhasse, senão Pedro e os irmãos Tiago e João.
Essa é a primeira vez no ministério de nosso Senhor que Ele separa Pedro, Tiago e João de todos. Eles foram três dos primeiros quatro apóstolos que Jesus chamou. Tiago e João eram irmãos, Pedro e André eram irmãos. Pedro se tornou o líder de todos os apóstolos. Foi através destes três que se disseminaram as experiências e as instruções para os demais.
Marcos 5 38 Chegando à casa do chefe da sinagoga, viu Jesus o alvoroço, os que choravam e os que pranteavam muito.
Demorou um pouco até que Jesus chegasse à casa de Jairo. Eu imagino que a ocasião com a mulher foi mais longa do que podemos perceber na leitura do texto. As histórias foram resumidas nos Evangelhos, certamente foram muito mais extensas do que possamos imaginar ao ler o texto.
Quando Jesus chegou à casa de Jairo, já havia um funeral em andamento. As pessoas estavam chorando e lamentando ruidosamente. Mateus 9:23 diz que no local havia “tocadores de flauta e o povo em alvoroço”. Mas, Jesus permanecia tranquilo, pois sempre Se movia no tempo e no propósito do Pai.
Os funerais judeus tinham três elementos:
1. A pessoa ia e expressava sua dor em voz alta; depois disso, chorava em voz alta.
2. O segundo elemento de um funeral era trazer os lamentadores profissionais que haviam desenvolvido a arte de chorar de forma muito alta, com uivos e gritos. Pode-se dizer, para fazer todo mundo chorar. A agonia era ampliada através deles.
3. E então, o terceiro elemento de um funeral judeu era que eles tinham que tocar flautas. Esse era o instrumento mais comum. Muitas pessoas sabiam tocar flautas e muitos iam aos funerais para tocar flautas. O mais pobre dos israelitas precisava contratar pelo menos duas flautas e uma mulher que chorasse.
Marcos 5
39 Ao entrar, lhes disse: Por que estais em alvoroço e chorais? A criança não está morta, mas dorme.
Mateus registra uma palavra mais dura de Jesus: “Retirai-vos, porque não está morta a menina, mas dorme”. Em Atos 9:40, quando Tabita foi ressuscitada na casa de Dorcas, Pedro disse o mesmo aos pranteadores, “pedindo a todos que saíssem do quarto” e então pelo poder de Cristo a ressuscitou dentre os mortos.
Em outras palavras, Jesus disse: “Parem com isso, este não é um lugar para gritar, uivar e lamentar. Afastem-se, o funeral acabou”. É Jesus em Sua autoridade magnífica e majestosa. Claro que essas palavras chocariam a multidão. Eles faziam o que sua tradição mandava. E então, o Senhor explica o motivo de suas palavras: “A criança não morreu, mas está dormindo”.
Naquele momento, Jesus redefiniu a morte como uma condição temporária. É por isso que Ele usa a metáfora do sono. O sono é uma desconexão temporária, somos insensíveis ao ambiente ao nosso redor quando estamos dormindo.
Eles nunca tinham visto alguém sendo ressuscitado. Para eles, a morte não era algo temporário. A definição de Jesus sobre a morte ser como um sono foi repetida pelos apóstolos. Por exemplo, em I Tessalonicenses 4:13-17, Paulo diz:
Irmãos, não queremos que vocês sejam ignorantes quanto aos que dormem, para que não se entristeçam como os outros que não têm esperança […]Os que ficarmos até a vinda do Senhor, certamente não precederemos os que dormem. Pois, dada a ordem, com a voz do arcanjo e o ressoar da trombeta de Deus, o próprio Senhor descerá dos céus, e os mortos em Cristo ressuscitarão primeiro. Depois nós, os que estivermos vivos, seremos arrebatados com eles nas nuvens.
Aqueles que conhecem ao Senhor e morrem, o corpo dorme, mas a alma imediatamente vai para a presença do Senhor. Filipenses 1:21-23 diz:
Porquanto, para mim o viver é cristo, e o morrer é lucro. Entretanto, se o viver na carne traz fruto para o meu trabalho, já não sei o que hei de escolher. Ora, de um e outro lado estou constrangido, tendo o desejo de partir e estar com Cristo, o que é incomparavelmente melhor.
Essa é a alma. Mas o corpo dorme até a gloriosa ressurreição no retorno de Cristo, quando ganharemos um novo corpo glorificado, incorruptível, semelhante ao de Cristo, para estarmos na presenta de Deus por toda a eternidade. I Coríntios 15:51-53 diz:
Nem todos dormiremos, mas transformados seremos todos, num momento, em um abrir e fechar de olhos, ao ressoar da última trombeta. A trombeta soará, os mortos ressuscitarão incorruptíveis, e nós seremos transformados. Porque é necessário que este corpo corruptível se revista da incorruptibilidade, e que o corpo mortal se revista da imortalidade.
Então, podemos nos referir à morte de um cristão como uma liberação da alma para a presença do Senhor, mas o corpo dorme até o dia da ressurreição. E assim, a morte, em certo sentido para um cristão, é descrita como sono, porque é um estado temporário.
Marcos 5 39 Ao entrar, Jesus lhes disse: Por que estais em alvoroço e chorais? A criança não está morta, mas dorme. 40 E riam-se dele. Tendo Jesus, porém, mandado sair a todos, tomou o pai e a mãe da criança e os que vieram com ele e entrou onde ela estava.
A reação daquelas pessoas enlutadas dá uma impressão de que não tinham nenhum respeito por Jesus. Elas riram de Jesus porque Ele havia dito que a menina apenas dormia. As risadas foram de escárnio e desprezo. Jesus não respondeu ao escárnio deles, apenas mandou que todos saíssem dali e deixou no ambiente apenas os pais da menina e Pedro, Tiago e João.
O mundo ainda zomba da realidade do poder de Cristo sobre a morte, mas isso não O limita de forma alguma. Jesus permaneceu ali acessível, disponível, imperturbável e perfeitamente calmo.
E por último, Jesus demonstrou Sua ternura, amor e bondade. Ele exibiu Seu poder e ternura. Ele afastou a multidão e levou consigo os pais da menina. Ele os trouxe para Si naquele momento, confortando seus corações. E ali também estavam Pedro, Tiago e João.
Marcos 5 41 [Jesus] Tomando-a pela mão, disse: Talitá cumi!, que quer dizer: Menina, eu te mando, levanta-te! 42 Imediatamente, a menina se levantou e pôs-se a andar; pois tinha doze anos. Então, ficaram todos sobremaneira admirados.
Marcos é o único evangelista que registra as palavras originais de Jesus em aramaico: “Talitá cumi”. “Talitá” é uma forma feminina de “cordeiro” ou “jovem”. “Cumi” é um imperativo, com o sentido “levante-se”.
Como em outras circunstâncias semelhantes, Jesus dirigiu-se à pessoa que estava sendo ressuscitada, não apenas ao corpo sem vida. Assim também foi quando Jesus ressuscitou o filho único de uma viúva (Lucas 7:12-15) e na ressureição de Lázaro (João 11: 43-44).
Assim como nas outras ressureições, Jesus falou diretamente com a pessoa morta, dando ordens diretamente a ela. E ela imediatamente reviveu. Ela estava viva, respirando normalmente e sem sequelas. Ela levantou e andou como se nada tivesse acontecido. O sentido original do texto diz que ela se levantou e caminhou por toda a parte. Não houve necessidade de reabilitação.
É assim que aconteceu em cada milagre que Jesus fez. Não há nenhum registro na Bíblia onde precisou-se de reabilitação, cada milagre foi um milagre completo. Ela reviveu saudável e com todo vigor de sua idade.
Marcos 5 43 Mas Jesus ordenou-lhes expressamente que ninguém o soubesse; e mandou que dessem de comer à menina.
O Senhor poderia tê-la curado de longe. Ele não precisava ir para a casa de Jairo. Mas Jesus foi lá por Sua bondade, simpatia, compaixão e amor. Ele ainda pediu para que dessem algo para a menina comer. Houve ali uma grande festa, alegria e emoção.
E ninguém sequer pensou em dar a ela algo para comer. Com a doença terminal que tinha, provavelmente ela não comia há muito tempo. E então, vem a terna sensibilidade de Jesus, atendendo à sua necessidade mais simples de comida, de nutrição.
Marcos 5:42 diz que houve grande espanto por parte dos pais e de todos os outros que estavam na sala, incluindo Pedro, Tiago e João. O texto tem o sentido de “perplexidade”. Eles viram acontecer algo inexplicável, sobrenatural, uma demonstração do poder divino de nosso Senhor.
Conclusão:
Meditemos, por alguns instantes, sobre quão maravilhosa foi a transformação ocorrida naquele lar. Do pranto ao regozijo, da lamentação à congratulação, da morte à vida — quão grandiosa e admirável deve ter sido a transição! Só pode dizer isso quem viu a morte face a face, quem teve apagada a luz de seu tabernáculo, quem sentiu o ferro entrando em sua própria alma. Esses, somente esses, são capazes de conceber o que a família de Jairo deve ter sentido quando viu aquela querida menina de volta ao seu convívio, por efeito do poder de Cristo. Naquela noite, a família deve ter-se reunido alegre e transbordante de felicidade!
Vejamos, nesse glorioso milagre, uma prova daquilo que Jesus Cristo pode fazer em favor das almas espiritualmente mortas. Jesus pode ressuscitar nossos filhos que estão mortos em delitos e pecados, levando-os a andar diante dele, em novidade de vida. Ele pode tomá-los pela mão e dizer-lhes: “Levanta-te”, ordenando-lhes que não vivam mais para si mesmos, mas, sim, para ele, que por eles morreu e ressuscitou dos mortos. Há, em nossa família, alguma alma morta em seus pecados? Clamemos ao Senhor, para que ele venha e a vivifique (Ef 2.1). Em oração, enviemos ao Senhor mensagem após mensagem, rogando-lhe socorro. Aquele que veio socorrer Jairo continua pleno de misericórdia e de poder.
E, finalmente, em Marcos 5:43 Jesus pede para que aquilo não fosse contado para ninguém. Jesus pediu a mesma coisa em outras situações, a exemplo de Marcos 7:36, na cura de um surdo e gago; Marcos 9:9, na Sua transfiguração; Marcos 8:30, em relação a afirmação de Pedro de que Jesus era o Cristo etc.
Nosso Senhor dá esta declaração explícita: “Não fale a ninguém”. Mas Ele não diz o porquê. E nas outras vezes que Ele disse isso, nunca foi dito o motivo.
Related Media
See more
Related Sermons
See more
Earn an accredited degree from Redemption Seminary with Logos.