Eu sou o Senhor que o chama pelo seu nome - Sermões

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Eu sou o Senhor que o chama pelo seu nome
“Darei a você os tesouros escondidos e as riquezas encobertas, para que você saiba que eu sou o Senhor, o Deus de Israel, que o chama pelo seu nome.” (Isaías 45.3)
Estas palavras são pronunciadas por Deus dirigidas a Ciro, um rei Persa que é levantado pelo Senhor, com o propósito de trazer de volta o povo de Deus para sua terra. Por causa de sua idolatria, o reino de Judá foi levado cativo para a Babilônia, sofrendo um terrível cativeiro por setenta anos, longe de sua terra, do culto e do conforto do seu lar. Jerusalém foi completamente assolada, os muros da cidade foram destruídos, o templo, derribado, bem como as casas do povo; os adultos, jovens e crianças foram levados enfileirados para a Babilônia, restando na cidade apenas os fracos e doentes. O profeta Jeremias anunciaria que aquele sofrido cativeiro duraria setenta anos:
Jeremias 29.10 ARA
10 Assim diz o Senhor: Logo que se cumprirem para a Babilônia setenta anos, atentarei para vós outros e cumprirei para convosco a minha boa palavra, tornando a trazer-vos para este lugar.
Aparentemente, o reino do Sul não teria qualquer condição humana e política para se soerguer. Mas Deus, para cumprir suas promessas acerca do seu povo eleito, resolveu levantar um rei pagão e usá-lo para cumprir suas promessas e propósitos.
Isaías profetizou durante quarenta anos, entre 740 a 701 a.C., mas ele tem uma profecia de longo alcance, chegando a profetizar sobre o exílio de Judá na Babilônia, a queda dessa nação, o soerguimento de Ciro, como rei que promoverá o retorno dos Judeus para a sua terra, entre outras questões relacionadas ao Messias. É como se o profeta estivesse num platô e sua vista a longo prazo percebe uma linha contínua, sem considerar que, entre espaços e espaços, há vales e montes, entre outros platores. Para ele, contudo, parece uma coisa só.
Em Isaías 45, Deus está identificando o libertador de Judá, mais de um século antes dele nascer. No versículo primeiro, lemos:
Isaías 45.1 ARA
1 Assim diz o Senhor ao seu ungido, a Ciro, a quem tomo pela mão direita, para abater as nações ante a sua face, e para descingir os lombos dos reis, e para abrir diante dele as portas, que não se fecharão.
Vejamos que Deus designa Ciro pelo nome e o chama de seu Ungido. A palavra aqui é a tradução para a palavra hebraica transliterada por “Messias” que era o termo usado para o rei redentor prometido por Deus. Por diversas vezes, esse é o termo para se referir à promessa da vinda de Cristo, tal como usada em Salmo 2.2 “2 Os reis da terra se levantam, e os príncipes conspiram contra o Senhor e contra o seu Ungido, dizendo:” ou Daniel 9.25–26 “25 Sabe e entende: desde a saída da ordem para restaurar e para edificar Jerusalém, até ao Ungido, ao Príncipe, sete semanas e sessenta e duas semanas; as praças e as circunvalações se reedificarão, mas em tempos angustiosos. 26 Depois das sessenta e duas semanas, será morto o Ungido e já não estará; e o povo de um príncipe que há de vir destruirá a cidade e o santuário, e o seu fim será num dilúvio, e até ao fim haverá guerra; desolações são determinadas.”
Mas aqui o significado é outro. É uma referência a um rei pagão que Deus designou para salvar o seu povo de uma situação de opressão. Uma salvação provisória que aponta simbolicamente para uma salvação Eterna, de modo que Ciro acaba sendo, de certo modo, um tipo de Cristo.
O Senhor está revelando o seu próprio poder, a sua onisciência e os seus atos providenciais na história. A passagem trata exatamente da profecia acerca de Ciro. Deus está revelando Ciro e, ao mesmo tempo, se revelando a este rei pagão, o qual precisará entender que o Senhor o ergueu por causa do seu povo eleito. Em Isaías 45.3, encontramos quatro noções importantes:
Em primeiro lugar, Deus se revela ao rei pagão. Ciro não conhecia ao Senhor. Trata-se de um imperador pagão, a quem Deus está se revelando: “[…] para que você saiba que eu sou o Senhor, o Deus de Israel”. “Senhor”, traduz o tetragrama hebraico YHWH, o nome de Deus cuja pronúncia se perdeu na história; aquele mesmo nome que Deus revelou a Moisés quando resolveu salvar o seu povo da escravidão do Egito, revelando-se como o grande Eu Sou, como podemos ler:
Êxodo 3.13–15 ARA
13 Disse Moisés a Deus: Eis que, quando eu vier aos filhos de Israel e lhes disser: O Deus de vossos pais me enviou a vós outros; e eles me perguntarem: Qual é o seu nome? Que lhes direi? 14 Disse Deus a Moisés: Eu Sou o Que Sou. Disse mais: Assim dirás aos filhos de Israel: Eu Sou me enviou a vós outros. 15 Disse Deus ainda mais a Moisés: Assim dirás aos filhos de Israel: O Senhor, o Deus de vossos pais, o Deus de Abraão, o Deus de Isaque e o Deus de Jacó, me enviou a vós outros; este é o meu nome eternamente, e assim serei lembrado de geração em geração.
Agora, o povo de Israel necessita novamente de uma nova libertação e Deus permanece sendo o Senhor. Claramente, Deus deseja que Ciro reconheça que é Ele quem o comissionou com a tarefa de salvar e levar o povo do Senhor de volta para a sua terra. Não podemos acertadamente confirmar, por essa passagem, que Ciro tenha, de fato, se convertido ao Senhor. Porém, o texto nos ensina que Deus sempre nos chama com algum propósito no mundo, de tal forma que nenhum de nós é produto do acaso. Afinal, a Escritura nos ensina, em Provérbios 16.4, que “o Senhor fez todas as coisas para determinados fins; até o ímpio, para o dia da calamidade”.
Em segundo lugar, Deus concede poder ao rei. Deus promete dar tesouros escondidos e riquezas encobertas ao rei. Isso inclui as diversas conquistas que o rei Ciro vai realizar, como a tomada da fabulosa riqueza da Lídia em 546 a.C. Ciro precisaria entender que todas as suas conquistas e o seu próprio poder como imperador seriam façanhas de Deus e não meramente produto de sua expertise, pois o Senhor dissera: “Eu irei adiante de você, endireitarei os caminhos tortuosos, quebrarei os portões de bronze e despedaçarei as trancas de ferro.” (Isaías 45.2). As portas aqui se refirem às conquistas do poderoso rei, tal como os muitos portões que haviam nos muros da antiga e poderosa Babilônia, nas quais Ciro e seu exército entreou com relativa facilidade. Eles deixaram abertos os portões interiores que levavam para dentro da cidade pelo rio ficaram abertos, assim como as portas do palácio. O historiador grego Heródoto descreve que o arrombamento da Babilônia foi tão intenso que os persas iam fazendo seus prisioneiros enquanto iam entrando na cidade a caminho para o palácio real, no centro da cidade. Deste modo, esse rei seria tentado a achar que tamanho poder era fruto de sua própria capacidade, artimanha ou planejamento. À semelhança de Ciro, precisamos sempre entender que todas as nossas proezas nesse mundo são resultado da providência de Deus.
Em terceiro lugar, Deus se identifica com o seu povo. O Senhor se apresenta nos seguintes termos: “[…] Eu sou o Senhor, o Deus de Israel”. Judá estava aparentemente derrotada como nação, pois Deus a havia castigado, mas nunca deixou de ser o seu Deus pessoal. A aliança do Senhor com seu povo, conforme prometida em Jeremias 30.22, incluía uma relação pessoal entre Deus e o seu povo: “Vocês serão o meu povo, e eu serei o seu Deus”. Por vezes, nos envolvemos em situações difíceis e somos tentados a achar que Deus se esqueceu de nós. Essa passagem, contudo, nos mostra que, mesmo diante de nossa infidelidade, Deus não desiste de sua aliança conosco, tal como fez com Israel. Na verdade, acima de tudo, o oráculo que consta em Isaías 45, não é dirigido simplesmente a Ciro, mas aos judeus destituídos de qualquer esperança, com o fito de perceberem que Deus não desistiu de seu povo eleito. Por isso, John Oswalt, em seu Comentário de Isaías, tem razão ao dizer: “A grande questão é convencer o próprio povo de Deus de que ele pode libertar, e à sua própria maneira” (Cultura Cristã, 2023).
Em quarto lugar, Deus designa o rei pelo seu nome. Isaías profetizou no séc. VIII a.C., mas Ciro só viveu no séc. VI a.C., mais de 100 anos antes dele nascer e se tornar rei da Pérsia. Em sua onisciência, Deus está anunciando, antes que aconteça, para mostrar que Ele é o Senhor da história, inclusive dando nome ao rei, antes mesmo que ele existisse. De certa forma, ter antecipadamente o nome do rei revelava o controle do Senhor sobre o próprio rei pagão. Talvez o profeta Daniel tenha influenciado o rei a partir das profecidas de Isaías. Flávio Josefo, historiador judeu, escreve, em Antiguidades Judaicas, que o próprio Ciro, admirado, teria lido essa profecia de Isaías sobre ele, razão pela qual “mandou reunir na Babilônia os principais dos judeus e anunciou que lhes permitia voltar ao seu país e reconstruir a cidade de Jerusalém e o Templo, que eles não deveriam duvidar de que Deus os auxiliaria nesse desígnio e que escreveria aos príncipes e governadores de suas províncias vizinhas da Judeia para que lhes fornecessem o ouro e a prata de que iriam precisar” (CPAD, 2004). Essa declaração coincide exatamente com a descrição de Esdras (Ed. 1), ao introduzir o relato da reconstrução do templo de Jerusalém. Talvez Ciro nunca tenha se convertido sinceramente ao Senhor, mas, ainda assim, estava sob o controle absoluto de Deus. Precisamos confiar que o nosso Deus tem o controle de todas as coisas e que não há nada que aconteça sem o seu controle soberano.
A profecia de Isaías visa consolar o povo de Deus, apontando para o controle do Senhor na história e de sua permanente intenção de cumprir a sua aliança conosco. Como povo de Deus, somos chamados a descansar no "Eu Sou”, aquele que cuida de cada um de nós.
Deus se revela, concede poder, se identifica com seu povo e designa o rei pelo seu nome.
Perguntas de reflexão:
1. Frequentemente você consegue perceber que Deus usa situações inusitadas – tal qual Ciro – para conduzir você ao plano d’Ele?
2. Você já parou para pensar qual o propósito de Deus para a sua vida nesse mundo?
Oração:
Pai, louvo-te porque tens um plano na minha vida e nada será casual. Agradeço-te por se revelar a mim, em Cristo. Sei que nesse mundo tu me concedes bênçãos e quero que todas elas glorifiquem o teu nome. Não deixe que meu coração se distancie de Ti. Ajuda-me a confiar na tua providência, mesmo quando eu não compreender o teu plano. Rogo-te que me dirija a cumprir a tua vontade, em nome de Jesus! Amém!
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