A Sinceridade pedida, mas não acolhida

Livro de Oseias  •  Sermon  •  Submitted   •  Presented
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Oséias 6.4-11

Introdução:
Quando observamos as palavras dos versos 1 a 3, notamos uma bela expressão de arrependimento. Há uma clara ideia de que Deus agiu com castigos sobre o povo, mas que o Deus que castiga é também o Deus que sara. O verso deixa isso bem evidente e enfatiza a ideia ao repetir o conceito com palavras semelhantes. Além disso, há uma forte confiança na ação de Deus, a ponto de Ele sarar o povo de forma rápida e plena. Quando isso acontecer, o povo afastado estará diante daquele que os feriu, arrependido e temendo-O novamente. E, como já mencionei, embora haja uma certa semelhança com a situação pós-morte de Cristo, o que vemos aqui é apenas uma afirmação de como Deus poderia rapidamente transformar o quadro negativo de Israel.
No verso 3, há um chamado para nos aprofundarmos no conhecimento de Deus, um convite que serve para cada um de nós hoje. É necessário que busquemos conhecer a Deus mais profundamente. Tão certo quanto a manhã, Ele virá e sarará o povo, trazendo refrigério como a chuva para aqueles que precisam ter seus campos regados. Para as almas quebradas e sedentas de um Salvador, Deus agiria assim no povo, para redimi-los dos seus erros.
No entanto, será que essa foi a ação do povo? Será que eles se arrependeram de tudo o que fizeram até ficar muito mal? Estamos diante de um arrependimento genuíno, fruto de pessoas que reconhecem sua situação triste, longe de Deus, ou apenas temos o ideal que deveria ser seguido pelo povo, mas que eles não seguiram? Quando observamos os primeiros versos, surge um certo clarão de esperança: chegou o momento de restauração para o povo, mas a restauração não ocorre logo em seguida. O povo não seguiu o caminho do arrependimento, não dobrou seus joelhos diante de Deus. É triste notar pessoas tão duras assim.
Mas quantos não são assim também hoje? Israel, como povo da aliança, sabia que o pecado não deveria ser prolongado, mas abandonado. Porém, não agiram dessa forma! Essas palavras não foram de um povo arrependido, mas do caminho que eles deveriam trilhar, mas que, infelizmente, não trilharam. O profeta, por meio dessas palavras, mostra o caminho correto, o caminho que agrada ao Senhor. Isso ficará claro nos versos 4-11, Deus, no texto, nos alerta para: É necessário ações sinceras de arrependimento! Vamos perceber essa ideia de dois modos a partir do texto, o primeiro modo é:
1 - Deus não se agrada de um sentimento passageiro.(4-6)
Observando os versos anteriores, podemos imaginar que o povo respondeu positivamente ao chamado ao arrependimento. Se esse fosse o caso, haveria em seguida a promessa de restauração, como é o padrão no livro de Oséias, repetindo o ciclo: Advertência, Juízo, Arrependimento e Restauração.
Mas, aqui, não foi o caso. Também não estamos diante de uma condenação de uma falsa conversão, o que também seria possível. Nas palavras dos versos 4 a 6, Deus descreve a condição triste de Israel. Eles eram um povo que não seguia o caminho esperado.
Verso 4
1. Por isso, Ele diz: "Que te farei, Israel/Judá?" Deus lamenta a condição tão distante d'Ele; o povo estava quebrado em seu caminho.
2. Isso faz com que o amor deles por Deus seja algo insignificante, passageiro, e, por isso, não seguiriam o bom caminho exposto por Oseias.
3. Israel, de maneira completa, perdeu seu amor principal e entregou seu coração aos ídolos, sobrando apenas o que restava para Deus.
4. O que Israel poderia, naquele momento, entregar ao Senhor era um amor incompleto. Esse resto era passageiro, como aquela boa sensação ao amanhecer, mas logo vem o calor que apaga o clima agradável de antes.
5. Esse amor superficial não seria aceitável para o Senhor. Deus os queria de maneira integral; não os dividiria com a idolatria, o pecado que os levava à impureza. Em Colossenses 3:5, Paulo afirma que devemos fazer morrer a nossa natureza terrena.
6. Não podemos permitir uma vida entre o pecado e a santidade. Se vivermos assim, a verdade é que o pecado ainda impera em nós.
Verso 5
1. Pelo fato de o povo viver assim, Deus os chamava ao arrependimento por meio dos profetas, como dito no verso 5, e muitos passaram advertindo o Reino do Norte.
2.Elias e Eliseu foram dois que sofreram e advertiram seu povo em pecado. Mas o povo não os ouvia, não mudava seu pensamento e, ao rejeitar as palavras dos profetas, estavam rejeitando a Deus, que os usava como Seus porta-vozes.
3.Assim, Deus os abateria, não teria mais misericórdia de suas ações. Logo, Deus derramaria Sua condenação: “os juízos sairão como a luz.”
4.Essa luz não é a que ilumina o caminho, mas a luz do sol escaldante, que queima a pele daqueles que tentam enfrentá-la. Ao não ouvir as advertências, Israel se coloca contra Deus e assegura a própria ruína.
Verso 6
1.No final, no verso 6, Deus explica que deseja algo mais do que formalidades. Ele não quer uma religião formal, mas um coração sincero, todo voltado para Ele.
2.Podemos, irmãos, realizar as seguintes ações na igreja: ir ao culto, ter algum grau de envolvimento com os irmãos, dar o dízimo, tomar a ceia.
3.Mas isso pode não passar de uma aparência de piedade, caso façamos essas coisas apenas por hábito e não por um verdadeiro apego ao Senhor.
4.Israel oferecia seus sacrifícios, mas eram sacrifícios de aparência, sem arrependimento genuíno.
Conclusão: Versos 4-6
1.Podemos seguir o mesmo caminho sem perceber, oferecendo ao Senhor um culto cheio de formalidades, sem qualquer grau de envolvimento com Ele. Deus nos quer além do que muitas vezes entregamos.
2.Não adianta dar apenas um resto para o Senhor; Ele quer o melhor de nós, que é todo o nosso ser, todo o nosso amor. Falhamos quando não damos isso a Ele, e podemos cair no erro de oferecer um sacrifício sem misericórdia, sem reflexão.
3.Devemos nos examinar e perceber se estamos, de fato, firmes com o Senhor. Se não for o caso, que nos arrependamos e mudemos nossas ações.
4.Seguindo adiante, dos versos 7-11, entendemos que, além de Deus não se agradar de um sentimento passageiro, ele também:
2 - Deus não se agrada de pessoas traiçoeiras. (7-11)
No início do verso 7, vemos que a infidelidade de Israel é comparada à de Adão no jardim. Assim como ele, os israelitas falharam em obedecer aos mandamentos do Senhor e em permanecer puros diante das tentações. Agiram de maneira traiçoeira perante Deus.
Verso 7
1.E, de modo semelhante a Adão, perderam o direito de permanecer na terra prometida. Assim como Adão foi expulso do jardim, o povo foi expulso da terra dada por Deus, pois não cumpriram sua parte no pacto com o Senhor.
2.Algo que sempre permanece como um alerta para todos os homens é o seguinte: a desobediência nos afasta das bênçãos do Senhor. Infelizmente, de maneira constante, a humanidade tem caído no mesmo erro cometido por Adão: não dar ao Senhor o lugar apropriado.
3.Por conta disso, a humanidade não reflete a fidelidade do Senhor, mas a traição que nos marca desde o jardim.
Verso 8
1.Gileade, que era uma região situada entre os territórios de Ruben, Gade e Manassés, e na qual havia uma cidade de refúgio que protegia aqueles que matassem acidentalmente uma pessoa, se torna uma cidade de sangue, um local onde o sangue era derramado sem qualquer receio.
2.O texto pode estar se referindo a algum golpe de estado ocorrido no reino do Norte, onde um rei foi morto e aquele que o matou tomou seu lugar. A injustiça acontecia ali, e não havia misericórdia.
Verso 9
1.Os sacerdotes são novamente citados no verso 9. Eles agiam com a mesma traição, sendo comparados a bandidos que aguardam o momento oportuno para atacar aqueles que saem em viagem.
2.Praticam abominações, pois não obedecem ao Senhor e tiram a vida daqueles que não seguem sua perspectiva.
3.Ou seja, eram pessoas traiçoeiras que não honravam seu papel de liderança espiritual, não prezavam pela vida dos seus irmãos de sangue, mas agiam conforme seus próprios interesses, sem se importar com as consequências.
Verso 10-11
1.Nos versos 10 e 11, Deus, mais uma vez, revela a condição espiritual do Seu povo. No verso 10, Ele explica que dentro do povo havia algo horrível: a própria conduta perversa do povo em relação à fidelidade conjugal.
2.O povo não se importava com seus votos diante de ninguém, seja de Deus ou do seu cônjuge. Não havia fidelidade no território de Israel; cada um agia conforme achava mais correto, e, naqueles dias, a infidelidade era vista como a melhor ação.
3.A ausência do amor de Deus pode ser refletida nos relacionamentos entre as pessoas. Quantos por aí não vivem suas vidas sem honrar o compromisso do casamento?
4.Adquirem vários parceiros além do seu marido/esposa, o que demonstra apenas a falta de respeito pela ordem do casamento proposta pelo Senhor. Judá também tinha parte na culpa e seria igualmente ceifada.
Conclusão: Versos 7-11
1.Isso nos esclarece o seguinte: apesar de nosso pecado permanecer encoberto diante das pessoas, ele não está encoberto diante de Deus.
2.O Senhor agirá sobre aqueles que permanecem sem retroceder em seu erro. Que possamos abrir os ouvidos e escutar a repreensão do Senhor.
Aplicação:
Nós não estamos mais em Adão, estamos em Cristo. A infidelidade que nos remete ao jardim deve terminar, pois vimos em Cristo a fidelidade, mesmo no deserto. Ele é o nosso exemplo e o fiel a quem aguardamos. Por isso:
1. Que possamos oferecer ao Senhor o modelo de fidelidade que Cristo nos propõe: uma entrega sem reservas, como uma criança que confia totalmente em seu Pai. Assim devemos ser nós em relação a Ele, demonstrando um sentimento firme e convicto pelo amado Pai.
2. Apesar de a infidelidade conjugal ser pregada pelo mundo, nós somos contra isso. Somos aqueles que refletem o modelo do Senhor, que foi leal até a morte — a morte de cruz. Apenas a morte põe fim às nossas promessas de fidelidade para com os outros, seja em amizade, seja no casamento. Que possamos ser fiéis a todos que confiam em nós.
Conclusão:
Que lembremos, irmãos: é necessário agir com sinceridade de arrependimento! Isso fica claro no texto, ao ser enfatizado que Deus não se agrada de sentimentos passageiros nem de pessoas traiçoeiras.
Portanto, Oseias nos ensina nesta passagem que Deus busca não meros sacrifícios, mas um coração fiel para com Ele, como Samuel já havia advertido ao rei Saul. Deus busca um compromisso sério com os Seus; é nosso dever cultivá-lo em nosso coração, entregando-nos sem receio ao Senhor. A morte de Cristo demonstra o grande amor d'Ele por nós.
O que podemos entregar que se compare a isso? Nada! Por isso, devemos dar tudo o que temos, sem medo, mas por causa do amor que Ele plantou em nosso coração. Conheçamos e prossigamos em conhecer verdadeiramente o Senhor, pois, assim como Ele veio uma vez, virá outra vez para que estejamos para sempre com Ele. Amém!
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