O Desafio da Oração Pública

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Alguns de nós temos dificuldades em iniciar orações em público.

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Por que é difícil iniciar uma oração em público e como superar o desafio.

Mateus 6.5–8 ARA
E, quando orardes, não sereis como os hipócritas; porque gostam de orar em pé nas sinagogas e nos cantos das praças, para serem vistos dos homens. Em verdade vos digo que eles já receberam a recompensa. Tu, porém, quando orares, entra no teu quarto e, fechada a porta, orarás a teu Pai, que está em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará. E, orando, não useis de vãs repetições, como os gentios; porque presumem que pelo seu muito falar serão ouvidos. Não vos assemelheis, pois, a eles; porque Deus, o vosso Pai, sabe o de que tendes necessidade, antes que lho peçais.
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Filipenses 4.6 ARA
Não andeis ansiosos de coisa alguma; em tudo, porém, sejam conhecidas, diante de Deus, as vossas petições, pela oração e pela súplica, com ações de graças.
De cultos de oração à reuniões para almoço em família. Quando nos reunimos com nossos irmãos em ocasiões como estas, somos, frequentemente, colocados na posição oradores. Quando nosso Pastor nos pede para orarmos em voz alta pela congregação ou quando nossos pais, irmãos ou conjuges nos pedem para orar na mesa do almoço, em agradecimento, não é incomum sentirmos um certo frio na barriga. Claro que os mais acostumados tem mais facilidade (até uma certa vocação) para falar em público. Mas nem todos tem a mesma naturalidade.
Eu mesmo já me senti inibido quando me voluntariei para fazer uma oração em voz alta pela congregação.
Apesar de ter certa facilidade para falar em público e me definir como um homem que ora constantemtne, embora muito mais em secreto do que em publico, naquele momento, me senti inibido. Acredito que estar em constante contato com os estudo bíblicos também pode ter me deixado sem saber o que dizer, ou como fazer de forma que se alinhasse com a forma que a congregação já estava acostumada. Estudo constante e falta do que dizer no momento da oração podem parecer duas coisas que não se encaixam na mesma frase, mas, naquele momento, senti que as palavras que queriam sair de minha boca não iriam satisfazer os anseios da congregação.
Eu queria falar de arrependimento, de transformação, queria pedir a Deus que Ele nos capacitasse para suas boas obras, que nos tornasse evangelizadores poderosos e eficientes para espalhar o Evangelho da Salvação às pessoas que precisavam ouvir falar de Jesus Cristo. Eu queria pedir que Deus concedesse sabedoria e conhecimento aos meus irmãos para que a sua mensagem pudesse ser compartilhada da forma correta, inspirada e edificante.
Contudo, apesar de ter dito tudo isso, não o fiz em voz alta. Não o fiz de forma audível. Ouvir as orações que antecederam à minha me deixou inibido. O conteúdo de todas era muito justo e expressava a real necessidade dos oradores: bênção, saúde, auxílio para enfrentar algum problema específico, pedidos para que Deus cuidasse de situações específicas como uma futura cirurgia que um irmão faria dali a alguns dias, ou pela melhora da condição de saúde de outro irmão enfermo. Todas súplicas muito justas, sinceras e honestas. Mas, senti que se eu mudasse o tom, “quebraria” alguma coisa.
Nas reuniões em torno da mesa do almoço, quando estamos na companhia de familiares em visita, ocorre algo um pouco diferente, mas que está na mesma esfera de percepção. Normalmente, nestas ocasiões, não tenho nenhuma dificuldade em iniciar a oração (embora, às vezes, não consiga falar com clareza e até me enrole em pouco), mas quando peço para outra pessoa fazer a oração, percebo a dificuldade dos outros. Constrangimento. Vergonha e até medo. “Não sei orar” é uma justificativa comum de se ouvir.
Acredito que alguns, até eu mesmo, por vezes, esquecem à quem nossas orações devem ser direcionadas. No meu caso, na congregação, senti que quebraria o ritmo e a atmosfera que as orações anteriores criaram. No caso da mesa do almoço, talvez as pessoas pensem que serão julgadas pela falta de retórica, ou pela falta de entendimento ou por acharem que não tem capacidade para falar com o próprio Criador do Universo. Se nos preocupassemos mais em direcionar nossas orações à Deus, nenhuma dessas sensações ou pensamentos teria justificativa.
Em seu Sermão da Montanha, Jesus se propos a ensinar os disciplulos quanto a oração. o Primeiro ensinamento de Jesus diz respeito à motivação. Qual deve ser nossa motivação para orarmos? Na passagem, Jesus fala sobre a motivação hipócrita dos fariseus, que faziam suas orações em locais públicos para que fossem vistos e sua religiosidade fosse evidenciada. Podemos fazer um paralelo com a possível ideia de que uma boa oração é aquela que evidencia o quanto o orador é bom, o quanto tem conhecimento e intimidade com Deus. Talvez por isso que, nas reuniões ao redor da mesa, alguns se sintam inibidos de iniciar.
Jesus recomenda que as orações devem ser feitas em secreto. Contudo, embora orações em secreto sejam de fato eficientes, como nosso Senhor ensina, há situações onde iremos precisar orar em público, como em nossos cultos de oração ou ao redor de nossas mesas, com nossas famílias. Nesses momentos, o ensinamento de Jesus é pela humildade de coração. Independete de onde estejamos, devemos orar com humildade intensa, nos esvaziando de qualquer ego, orgulho ou hipocrisia.
O segundo ensinamento de Cristo diz respeito às palavras. Orar ao Senhor é converar com Ele, levar à Ele nossas súplicas sinceras, nossas petições honestas e expressar nossa dependencia de sua Graça. Devemos orar com reverência, mas sem esquecer que Ele é nosso Pai e que temos livre acesso à Ele, por meio de Jesus Cristo. Quando utilizamos palavras repetidas, frases decoradas ou quando listamos fatos doutrinários em nossas orações, de forma mecânica e fria, não estamos falando com Deus. Estamos falando com nós mesmos ou para as pessoas que estão nos ouvindo. Deus irá ouvir, com toda certeza, mas como mero expectador de nosso show de retórica. Deus sabe do que precisamos e nossas orações devem levar isto em consideração. Devemos ser reverentes, objetivos, sinceros, humildes e honestos. Devemos expressar nossa dependência de Sua Graça, nossas súplicas e petições (ainda que Ele já saiba do que precisamos) como vindas de dentro de nossos corações quebrantados e agradecidos.
Um bom exemplo de oração reverente, objetiva, sincera, humilde e honesta foi feita por Pedro, quando se viu prestes a afundar nas águas profundas. Pedrou saiu do barco e andou por sobre as águas, na direção de Jesus. Enquanto mantinha os olhos e a mente em Cristo, andou firmemente. Contudo, quando sua fé vacilou, começou a afundar. Naquele momento, com toda certeza, não passou pela cabeça de Pedro que ele poderia nadar ou que havia nele qualquer capacidade flutuante. Ora, Pedro era pescador! Não seria surpresa se ele simplesmente começasse a nadar de volta ao barco. A não ser que consideremos a possibilidade de um pescador experiente como ele não saber nadar. Contudo, Pedro não nadou, não flutuou. Sequer tentou. Pedrou orou a Jesus, dizendo “Senhor, salva-me!”. Prontamente, Jesus estendeu sua mão e o resgatou.
Moisés, orando pela cura de Miriã - castigada pelo próprio Deus, por sua rebeldia - também usou de grande objetividade, simplicidade e reverência. “Moisés clamou ao Senhor, dizendo: Ó Deus, rogo-te que a cures”. Prontamente, o Senhor resolveu a questão. Miriã foi afastada do arraial por 7 dias, até que a lepra desaparecesse, e depois recolhida.
Que súplica seria mais difícil de se fazer, aos olhos humanos, do que pela ressuscitação de um jovem que acabara de morrer? Seria possível para mim ou para qualquer um de vocês debruçar-se sobre este jovem e pedir ao Senhor que o traga à vida novamente? Se um simples “obrigado pela refeição desta tarde” se torna difícil em certas ocasiões, quanto mais um pedido de milagre. Contudo, o profeta Elias orou ao Senhor e, de forma objetiva, clara, simples e reverente, obteve o favor de Deus. “Ó Senhor, Deus meu, rogo-te para que faças a alma deste menino tornar a entrar nele.” Prontamente, o Senhor fez com que o menino, filho da viúva que abrigara o profeta, voltasse à vida.
Acredito que estes exemplos, dentre tantos que podemos encontrar na Bíblia, deixam claro que não há nenhuma razão para acharmos que Deus necessita de qualquer outra coisa que não seja a objetividade, clareza, honestidade, humildade, reverência e temor em nossas orações. Também deixam claro que Ele deve ser o único destinatário de nossas súplicas e petições (em sua característica Trinitária) e que devemos abrir nossos corações para Ele, independente de onde estamos e quais são as circunstâncias (se diante dos irmãos em nossas congregações ou reunidos à mesa com a família).
Em algum momento desta conversa eu disse que me considero um homem que ora constantemente. Posso dizer que o hábito aperfeiçoa a prática, embora ainda tenha algum caminho a percorrer. Não poderia finalizar sem aconselhar que vocês também orem constantemente. Em secreto para reforçar a intimidade mas não se esquivando das oportunidades para orar em público. Sejamos simples, humildes e reverentes. Objetivos, claros e concisos. Deus se agradará em ouvir nossas súplicas, petições e expressões de nossa dependência de Sua Graça.
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