Eu Sou a videira verdadeira - Sermão

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Eu Sou a videira verdadeira

“— Eu sou a videira verdadeira, e o meu Pai é o que cuida da vinha. […] — Eu sou a videira, vocês são os ramos. Quem permanece em mim, e eu, nele, esse dá muito fruto; porque sem mim vocês não podem fazer nada.” (João 15.1,5)
INTRODUÇÃO
Há alguns anos eu tive a experiência de visitar um sítio em Macaparana-PE, onde havia o cultivo de videiras. Caminhávamos entre as parreiras de uvas, desfrutando o gosto delicioso daquelas uvas ainda ligadas aos ramos que, por sua vez, estavam ligados no tronco. Aquela visão me trouxe à tona, imediatamente, essa passagem do evangelho de João. Esta é uma das sete declarações “Eu sou” do Senhor Jesus no Evangelho de João:
Eu Sou o Pão da Vida.
Eu Sou a Luz do Mundo.
Eu Sou a Porta das Ovelhas.
Eu Sou o Bom Pastor.
Eu Sou a Ressurreição e a Vida.
Eu Sou o Caminho, a Verdade e a Vida.
Eu Sou a Videira Verdadeira.
Aqui ele usa uma alegoria para falar de si e de sua relação com os seus discípulos. A alegoria inicia com uma metáfora em que nosso Senhor se define como uma videira; a partir disso, ele desenvolve uma sequencia de metáforas que apontam para a sua relação com os seus discípulos.
DIVISÕES:
É importante destacar algumas verdades que precisamos atentar no ensino do Senhor Jesus nessa passagem:
1. Ele se apresenta como o centro de nossa vida.
Mais uma vez nosso Senhor apresenta uma mensagem autocentrada n’Ele que aponta para a nossa necessidade d’Ele. Ele é a videira. No Antigo Testamento, Deus chamou Israel de sua videira pessoal, mas esta parreira, por vezes, não correspondeu a todo o investimento do Senhor:
Isaías 5.1–7 ARA
1 Agora, cantarei ao meu amado o cântico do meu amado a respeito da sua vinha. O meu amado teve uma vinha num outeiro fertilíssimo. 2 Sachou-a, limpou-a das pedras e a plantou de vides escolhidas; edificou no meio dela uma torre e também abriu um lagar. Ele esperava que desse uvas boas, mas deu uvas bravas. 3 Agora, pois, ó moradores de Jerusalém e homens de Judá, julgai, vos peço, entre mim e a minha vinha. 4 Que mais se podia fazer ainda à minha vinha, que eu lhe não tenha feito? E como, esperando eu que desse uvas boas, veio a produzir uvas bravas? 5 Agora, pois, vos farei saber o que pretendo fazer à minha vinha: tirarei a sua sebe, para que a vinha sirva de pasto; derribarei o seu muro, para que seja pisada; 6 torná-la-ei em deserto. Não será podada, nem sachada, mas crescerão nela espinheiros e abrolhos; às nuvens darei ordem que não derramem chuva sobre ela. 7 Porque a vinha do Senhor dos Exércitos é a casa de Israel, e os homens de Judá são a planta dileta do Senhor; este desejou que exercessem juízo, e eis aí quebrantamento da lei; justiça, e eis aí clamor.
Jeremias 2.21 ARA
21 Eu mesmo te plantei como vide excelente, da semente mais pura; como, pois, te tornaste para mim uma planta degenerada, como de vide brava?
Agora, então, Jesus está declarando que Ele é a videira verdadeira, isto é, em face do fracasso de Israel, o Senhor é perfeitamente aquilo para o qual a nação eleita apontou com imperfeição. Ao se colocar nesses termos, atentemos que Ele se põe como o centro do povo de Deus, inclusive, ao afirmar que os ramos estão ligados a Ele e recebem dele a seiva necessária para frutificar. Você já imaginou um homem comum dizendo isso? Soaria muito arrogante, ou louco, não é? E por que Ele pode dizer isso? Exatamente porque Ele é divino, Ele é o Messias; Ele é a Videira verdadeira e todos do povo de Deus, inclusive os crentes do antigo pacto, estão ligados n’Ele e são nutridos por Ele.
2. Ele demonstra a sua relação com o Pai.
Jesus diz que o pai é o viticultor, isto é, aquele que cuida da vinha. O filho não trabalha à parte do Pai. O agricultor trabalha levantando, limpando, podando os ramos e cortando aqueles que estão secos, os quais são queimados. Qualquer pessoa que cultiva planta sabe que as folhas e os ramos infrutíferos atrapalham o desenvolvimento sadio da árvore. Por isso, a poda é extremamente necessária e Deus Pai é aquele que cuida da videira frutífera para que ela frutifique ainda mais. Há uma relação de cuidado entre o Pai celestial, o Senhor Jesus, e nós, os seus discípulos. Se estamos como os ramos da videira, totalmente unidos ao tronco e às raízes, nosso Deus, certamente, cuidará da árvore completa.
João 6.37–38 ARA
37 Todo aquele que o Pai me dá, esse virá a mim; e o que vem a mim, de modo nenhum o lançarei fora. 38 Porque eu desci do céu, não para fazer a minha própria vontade, e sim a vontade daquele que me enviou.
João 10.30 ARA
30 Eu e o Pai somos um.
3. Ele ensina a íntima união que existe entre Ele e o crente.
Sabemos que há uma união profunda entre os ramos de uma árvore e o seu caule. Eles estão tão ligados que é como se fosse uma coisa só. Nós, cristãos, somos assim; estamos tão ligados ao nosso Cristo, de tal maneira que desfrutamos de sua justiça, de seu poder santificador, de sua comunhão com o Pai, morremos com Ele e também fomos ressuscitados com Ele e, hoje, estamos assentados com Ele nas regiões celestiais:
Romanos 6.8 ARA
8 Ora, se já morremos com Cristo, cremos que também com ele viveremos,
Efésios 2.5–6 ARA
5 e estando nós mortos em nossos delitos, nos deu vida juntamente com Cristo, —pela graça sois salvos, 6 e, juntamente com ele, nos ressuscitou, e nos fez assentar nos lugares celestiais em Cristo Jesus;
Colossenses 3.1–5 ARA
1 Portanto, se fostes ressuscitados juntamente com Cristo, buscai as coisas lá do alto, onde Cristo vive, assentado à direita de Deus. 2 Pensai nas coisas lá do alto, não nas que são aqui da terra; 3 porque morrestes, e a vossa vida está oculta juntamente com Cristo, em Deus. 4 Quando Cristo, que é a nossa vida, se manifestar, então, vós também sereis manifestados com ele, em glória. 5 Fazei, pois, morrer a vossa natureza terrena: prostituição, impureza, paixão lasciva, desejo maligno e a avareza, que é idolatria;
É essa relação que o Novo Testamento designa pela expressão “estar em Cristo” e a teologia cristã chama de “União Mística”, isto é, estamos envolvidos, integrados, unidos, dentro de Cristo, numa nova dimensão de vida, de modo que nós não mais vivemos, mas Ele vive em nós. Por isso há muitas metáforas que refletem isso no Novo Testamento: o pastor e as ovelhas; o noivo e a noiva; a cabeça e o corpo; o fundamento e o edifício; etc. J.C.Ryle, em Meditações no Evangelho de João, diz: “Unidos pela fé ao Senhor Jesus, em uma misteriosa união realizada pelo Espírito Santo, os crentes permanecem firmes, andam e percorrem a jornada da vida cristã”. (Fiel, 2018). Por isso, não temos razão para duvidar de nossa salvação, pois estamos unidos ao Senhor Jesus e, mesmo que sejamos flexíveis como ramos, nossa raiz é Cristo e nada pode nos separar dele. Quanto à existência de ramos falsos, nosso Senhor diz que eles são logo cortados pelo Pai, pois não frutificam.
4. Ele ensina sobre a nossa dependência dele.
O ramo sozinho não possui vida e, se for cortado do caule, ele logo morrerá, pois depende inteiramente da seiva que vem do caule. Calvino, em seu Comentário do Evangelho de João, nos lembra que “o significado geral dessa comparação consiste em que somos, por natureza, estéreis e áridos, a não ser que sejamos enxertados em Cristo, e extraiamos dele um novo poder, o qual não procede de nós mesmos”. A videira é uma árvore trepadeira que, normalmente, possui um único tronco retorcido que cresce da raiz; o tronco é a base da planta, de onde saem os ramos, que são flexíveis, dos quais nascem o delicioso fruto. A beleza do ramo é apresentado nas folhas, nos botões, nas flores e nos frutos, mas tudo isso vem da seiva que vem do tronco e da raiz. Terrível condição seria um ramo achar que possui beleza, força e vigor de si mesmo; ao se portar, independente do caule, logo secaria e morreria. Assim, nós nunca podemos esquecer nossa total dependência do Senhor Jesus.
Jesus ensina que a evidência do discípulo verdadeiro é “permanecer nele” e “frutificar”, tal como o ramo que permanece na videira naturalmente produz fruto. Semelhantemente, o fruto do cristão é o arrependimento verdadeiro, fé genuína, santidade e tudo aquilo que a Escritura chama de “fruto do Espírito”:
Gálatas 5.22–23 ARA
22 Mas o fruto do Espírito é: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, 23 mansidão, domínio próprio. Contra estas coisas não há lei.
Não há segurança para quem não tem esses frutos, mesmo que tenha aparência de ramo, será logo cortado, por ser infrutífero. Por isso, em outra passagem, Jesus disse: “Assim, pois, pelos seus frutos vocês os conhecerão.” (Mt. 7.20). É vontade de Deus que nós, como crentes, frutifiquemos cada vez mais e, por isso, Ele haverá de nos purificar e santificar para podermos dar mais fruto.
Perguntas de reflexão:
1. Será que o Jesus é o centro de nossa vida, de modo que estejamos unidos a Ele tal qual o ramo depende do tronco de uma árvore?
2. Temos frutificado de modo a revelar nossa união com Cristo ou somos falsos ramos que logo serão cortados pelo Pai celestial?
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