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NO PRINCÍPIO
NO PRINCÍPIO
No princípio, antes que o silêncio tivesse nome ou as palavras tivessem som, o Eterno, com Sua vontade soberana, convocou todas as coisas ao ser. De Sua palavra emanou a luz que rompeu a escuridão primordial, iluminando não apenas a matéria, mas revelando propósitos, destinos e relacionamentos. Era a origem não só da existência, mas do significado por trás da criação. Cada elemento do cosmos, cada lei que governa a natureza, cada sopro de vida, tudo surgiu desse momento singular.
No princípio criou Deus o céu e a terra
Moisés, ao narrar a criação, escolheu a palavra Elohim, que Elohim (אֱלֹהִים, elohim). Uma forma masculina plural de El (אֵל, el). Lexicamente, essa palavra tem vários significados; nas Escrituras, normalmente significa "Deus" ou "deuses" e também se refere a Yahweh (יהוה, yhwh), o Deus de Israel. literalmente pode ser traduzida como "deuses", pois a terminação "-im" no hebraico indica plural. No entanto, quando se refere ao Deus de Israel, Elohim é usado no singular, enfatizando um conceito único de majestade e grandeza. Ao usar esse termo, Moisés revelou a supremacia do Criador, sublinhando Sua unidade mesmo em meio à pluralidade do Seu ser. A intenção era clara: comunicar a totalidade do Eterno, o Autor incomparável de tudo o que existe.
No princípio era o Verbo
Cerca de 14 séculos depois, sob a luz da revelação, o apóstolo João trouxe um entendimento ainda mais profundo. Ele abre seu Evangelho com uma declaração que ecoa as palavras de Gênesis, mas que revela algo que jazia oculto nos tempos de Moisés: "No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus." (João 1:1). João nos conduz a um novo horizonte de compreensão, mostrando que o "princípio" de todas as coisas não era apenas um ato, mas uma Pessoa — o Verbo, identificado como Cristo.
Quando João escreve sobre o Verbo, ele escolhe a palavra grega Logos, um termo profundamente carregado de significado tanto para os judeus quanto para os gentios, especialmente os de tradição filosófica grega. Logos, em grego, significa "palavra", mas seu alcance vai além. Na filosofia grega, Logos representava a razão cósmica, a ordem racional que permeia e sustenta o universo — o princípio fundamental pelo qual tudo existia e era mantido.
João revela que Cristo é o verdadeiro Logos, a manifestação viva e encarnada da sabedoria e do poder de Deus. Essa revelação torna mais clara a pluralidade contida no nome Elohim: o Deus que criou o mundo não estava só.
Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança.
Neste versículo do primeiro capítulo de Gênesis, o uso do plural — "façamos" e "nossa" — indica a comunhão eterna dentro de Deus, onde Pai, Filho e Espírito Santo atuam em perfeita unidade na criação do ser humano.
E o Espírito de Deus se movia sobre a face das águas
A palavra hebraica para “espírito” é Ruach, que, dependendo do contexto, pode ser traduzida como “sopro”, “vento” ou “espírito”. Esse termo carrega a ideia de movimento e energia vital que permeiam e sustentam a criação. No contexto de Gênesis, o Ruach Elohim (“Espírito de Deus”) não é uma força vaga ou abstrata, mas a manifestação viva da presença divina, que séculos mais tarde os autores do Novo Testamento expressariam em grego como Pneûma Hágion (“Espírito Santo”)
Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez.
O Verbo — a Palavra viva — esteve presente desde o princípio, como a fonte primordial de tudo o que existe. Quando o Eterno pronunciou “Haja luz”, foi a manifestação desse Verbo que fez com que o universo, até então sem forma e vazio, começasse a pulsar com vida e significado. Cristo é o princípio de toda existência, a força que dá sentido a tudo o que foi criado.
A criação, então, é muito mais do que a obra de um instante passado. Ela é contínua, viva, permeada pela presença do Verbo que a mantém. A força que ordenou o caos primordial é a mesma que dá forma à nossa vida, que transforma o caos em ordem, que traz luz à escuridão, tanto no cosmos quanto em nossos corações.
Dessa forma, entendemos que Cristo já estava presente nos primeiros versículos de Gênesis, não como um observador, mas como o agente ativo que moldou o universo. Ele é o centro de toda a realidade, o ponto de partida e a força que sustenta cada ser e cada coisa. Ele é o Verbo, a palavra criadora que dá vida a tudo o que existe e, sem Ele, nada seria.
