Jesus e Pedro são interrogados (Mc 14.53-72)
Jesus: Vida e Obra • Sermon • Submitted • Presented
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Introdução
Introdução
Marcos tem um estilo de escrita que algumas histórias são intercaladas, entrelaçadas, de modo que uma ajuda no entendimento da outra. O interrogatório de Pedro deve ser entendido aqui em paralelo com o interrogatório de Jesus.
Enquanto Jesus, sob pressão, confessou ser o Messias, Pedro, de maneira vergonhosa, negou ter conhecido o Senhor. Em seu teste, Jesus triunfou; Pedro, falhou.
João Marcos escreve seu evangelho através das memórias de Pedro para a igreja em Roma, que estava sob grande perseguição. Esse relato, deste modo, ganha a maior importância, e deixa no ar uma pergunta crucial: em uma situação de extrema pressão, você irá confessar ou negar a Cristo?
Vamos meditar nos dois interrogatórios e, em seguida, destacar algumas aplicações práticas para nossa vida.
1. Jesus é interrogado e assume Sua divindade (vv. 53-65).
1. Jesus é interrogado e assume Sua divindade (vv. 53-65).
a. Uma falsa testemunha mentirá, não importando os fatos (vv. 53-59).
a. Uma falsa testemunha mentirá, não importando os fatos (vv. 53-59).
Por diversas vezes, Jesus já tinha predito que Ele tinha que sofrer nas mãos das autoridades religiosas, morrer e ressuscitar. Contudo, os discípulos não foram capazes de entender realmente o que Jesus lhes ensinou. De qualquer modo, agora a hora havia chegado: o fim havia começado.
Marcos aponta que os primeiros a sentenciarem Jesus à morte são os sacerdotes e o Sinédrio.
O que era o Sinédrio?
O que era o Sinédrio?
O conjunto dos 71 maiores líderes do judaísmo: sumo sacerdote em exercício e os que não exerciam mais o cargo; e os mestres da lei (maioria fariseus). O líder do Sinédrio era o sumo sacerdote, e ele acumulava poderes tanto eclesiásticos quanto jurídicos. Mateus: Caifás.
O que estava acontecendo nesse interrogatório?
O que estava acontecendo nesse interrogatório?
V. 53: “se reuniram todos os principais sacerdotes, os anciãos e os escribas”.
Não um julgamento, mas uma espécie de audiência preliminar, onde o Sinédrio tentava reunir provas consistentes contra Jesus para, então, pedir Sua execução a Pilatos. Apenas Roma tinha poder para dar uma pena capital.
Pedro seguiu a Jesus à distância.
Pedro seguiu a Jesus à distância.
Merece algum reconhecimento até aqui, mas em breve não mais.
O Sinédrio não encontrava provas para condenar Jesus à morte.
O Sinédrio não encontrava provas para condenar Jesus à morte.
No v. 56: várias testemunhas davam seus relatos, todos falsos. Os testemunhos não se confirmavam.
Houve um mal entendido (v. 58).
Houve um mal entendido (v. 58).
Jesus nunca disse que destruiria o templo de Jerusalém, mas falou metaforicamente, referindo-se ao Seu próprio corpo (Ele morreria)!
A destruição de um local de adoração era um crime capital, mas era necessário duas ou três testemunhas. Os testemunhos continuavam atravessados, uma mistura de mentiras e incompreensões.
Resumindo, o Sinédrio (ou toda a liderança judaica), antes do amanhecer, na madrugada em que a Páscoa foi celebrada, mandaram prender a Jesus e o interrogaram a fim de levantar provas contra Ele. A liderança judaica queria dar cabo da vida de Jesus. Mesmo sem provas, não descansariam enquanto Sua sentença não fosse a morte.
b. Uma testemunha verdadeira dirá a verdade, não importando as consequências (vv. 60-65).
b. Uma testemunha verdadeira dirá a verdade, não importando as consequências (vv. 60-65).
Apesar do grande esforço por parte do Sinédrio, ainda não tinham provas a fim de convocar Roma para matar Jesus. Então, o sumo sacerdote se dirige diretamente a Jesus, perguntando: “Você não dirá nada?”
Jesus, porém, não lhe deu resposta alguma. Ele agiu como profetizado em Is 53.7:
7 Ele foi oprimido e humilhado, mas não abriu a boca. Como cordeiro foi levado ao matadouro e, como ovelha muda diante dos seus tosquiadores, ele não abriu a boca.
Agora, o sumo sacerdote faz uma pergunta mais direta: “Você é o Cristo, o Filho do Deus Bendito?” O silêncio de Jesus levou o sumo sacerdote a fazer uma espécie de confissão implícita em sua pergunta.
Jesus, assim, deixa o silêncio e assume Sua própria identidade no v. 62: “— Eu sou, e vocês verão o Filho do Homem sentado à direita do Todo-Poderoso e vindo com as nuvens do céu”.
Em diversos momentos nos evangelhos, Jesus ordena aos que O seguiam que mantivessem segredo sobre quem Ele era. Agora esse segredo messiânico chegou ao fim. Jesus declara: “eu sou”.
“Finalmente, esse grande falsário, causador de problemas e que ameaça todo o judaísmo foi pego em suas próprias palavras! Agora podemos levá-Lo à condenação!” - o sumo sacerdote deve ter pensado algo desse tipo.
“Finalmente, esse grande falsário, causador de problemas e que ameaça todo o judaísmo foi pego em suas próprias palavras! Agora podemos levá-Lo à condenação!” - o sumo sacerdote deve ter pensado algo desse tipo.
As testemunhas não eram mais necessárias. Eles todos se tornaram testemunhas da suposta blasfêmia de Jesus. O Sinédrio, unânime, o julgou “réu de morte”.
Agora, além de acusarem a Jesus falsamente, começaram a maltratá-Lo. Cuspiram Nele. Cobriram Sua face para zombar e blasfemar contra Ele. Bateram Nele. Estapearam Sua face.
É difícil classificar o que fizeram com Jesus em palavras. Mas Seu sofrimento estava apenas começando.
Jesus, além de ser o Messias salvador, é também uma testemunha fiel; que assume a verdade não importando as consequências.
2. Pedro é interrogado e nega a Jesus (vv. 66-72).
2. Pedro é interrogado e nega a Jesus (vv. 66-72).
Algumas horas antes desse momento, Pedro tinha se comprometido no v. 29: “ainda que todos os discípulos te deixem, eu nunca te deixarei!” Pedro insiste e, no v. 31: “Ainda que eu morra por Ti, de modo nenhum de negarei.” Porém, no v. 50, Pedro correu e fugiu dos que prenderam a Jesus. No v. 54, vemos Pedro seguindo a Jesus de longe. Ele certamente não queria estar perto de Jesus naquele momento, mas também não queria abandoná-Lo, Estava num dilema, assim como nós ficamos, muitas vezes. [NÃO]
Pedro aqui é relatado como um exemplo de falsa testemunha. Vejamos o que uma falsa testemunha de Jesus pode fazer.
a. As falsas testemunhas dizem “Não sei do que você está falando” (vv. 66-68).
a. As falsas testemunhas dizem “Não sei do que você está falando” (vv. 66-68).
Pedro estava “embaixo no Pátio”.
Uma das empregadas do sumo sacerdote o percebeu e lhe perguntou: “Você também estava com Jesus, aquele nazareno”. Dado compromisso feito por Pedro com Jesus, esperamos que ele dê uma resposta confiante. Ficamos decepcionados com sua resposta: “não sei do que você está falando”.
A fim de evitar mais perguntas, Pedro se dirige ao pórtico, área frontal de uma construção.
E o galo cantou. Aparentemente, Pedro não percebeu o sinal de alerta do galo. Ele estava ocupado demais tentando passar despercebido.
Enquanto Jesus estava sob fogo pesado do Sinédrio, Pedro se aquecia no fogo. Noites frias naquela região.
b. As falsas testemunhas dizem “Eu não pertenço a Jesus” (vv. 69-70).
b. As falsas testemunhas dizem “Eu não pertenço a Jesus” (vv. 69-70).
Aquela mulher insiste com Pedro. Ela dizia aos outros que estavam ali: “Esse homem é um deles”. E Pedro nega a Jesus outra vez. O tempo imperfeito do verbo indica que Pedro ficava negando a Jesus repetidamente.
c. As testemunhas falsas dizem “Eu nunca conheci a Jesus” (vv. 70-72).
c. As testemunhas falsas dizem “Eu nunca conheci a Jesus” (vv. 70-72).
Diferente de Jesus, Pedro cede à pressão pela terceira vez, negando com ainda mais ênfase. Pedro falhou com Jesus três vezes ao dormir no jardim do Getsêmani (vv. 37-42). Agora, nega a Jesus por três vezes no pátio do sumo sacerdote.
Desconfiados de Pedro, aqueles que estavam ali afirmaram: “você com certeza é um dos que estavam com Jesus, o galileu, pois você é de lá também”.
Então Pedro começou a “praguejar” (amaldiçoar). Quem?
David Garland relata dois episódios históricos esclarecedores:
1. Um jovem chamado Plínio relatou ao imperador Trajano, como comissário especial para Ponto-Bitínia (ca. 110), que quando interrogava suspeitos cristãos, perguntava ao prisioneiro três vezes: "Você é cristão?" com ameaças de punição. O acusado provava sua inocência amaldiçoando Jesus, o que apenas um não-cristão era capaz de fazer. Essa maldição era prova suficiente para as autoridades de que a pessoa não era cristã.
2. De acordo com Justino Mártir, o líder rebelde judeu Bar Kochba (132-135) deu aos cristãos a opção entre a morte e amaldiçoar Cristo (1 Apol. 31.6). Portanto, amaldiçoar Cristo era uma prova de que a pessoa não era cristã. Em minha opinião, Marcos dá a entender que Pedro comete essa blasfêmia.
Entendo que Pedro aqui está praguejando contra Jesus.
O galo cantou uma segunda vez.
Pedro se lembrou da palavra de Jesus de que Ele o negaria três vezes antes que o galo cantasse duas vezes.
Pedro caiu em si e pôs-se a chorar de tristeza.
Quando Pedro confessou que Jesus era o Cristo, Jesus advertiu Seus discípulos:
38 Pois quem, nesta geração adúltera e pecadora, se envergonhar de mim e das minhas palavras, também o Filho do Homem se envergonhará dele, quando vier na glória do seu Pai com os santos anjos.
Para aquele que peca, há esperança. Jesus nunca despreza o pecador arrependido.
9 Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça.
Há esperança para você, não importa a quantidade e a gravidade dos seus pecados.
Considerações finais
Considerações finais
Através de Pedro, Deus nos mostra o modelo de discipulado: um homem cheio de falhas e contradições, porém sincero em seu amor por Jesus. Pedro, apesar de todos os seus pesares, foi transformado por Jesus ao ponto de entregar sua própria vida em fidelidade a Jesus.
Aplicações
Aplicações
Três aplicações através de três palavras-chave:
Vigie.
Vigie.
Negamos a Jesus quando deixamos de vigiar. A história de Pedro nos mostra que Pedro falhou três vezes em entender o ensino de Jesus de que Ele iria sofrer.Por três vezes Pedro não obedece ao apelo de Jesus para vigiar, ficar acordado e orar. Por três vezes Pedro nega a Jesus.
Se até o príncipe dos apóstolos negou a Jesus, nós também estamos sujeitos a esse pecado.
Anuncie.
Anuncie.
Muitos cristãos hoje não enfrentam duras perseguições. Nossas formas comuns de negar a Jesus são mais sutis, como o silêncio. Às vezes não queremos ser identificados como cristãos. Às vezes não falamos contra aqueles que consideram o cristianismo uma mentira. Às vezes tentamos nos misturar à multidão dos inimigos do nosso Senhor.
Arrependa-se.
Arrependa-se.
A história de Pedro também nos serve de consolo. Pedro pensou que morreria por Jesus, mas Jesus teve que morrer por Ele.
Talvez houvesse membros na igreja de Roma que traíram a Jesus e O negaram. Se Pedro pôde ser restaurado depois de negar e amaldiçoar ao Senhor, então há esperança para outros que têm falhado com Cristo. As lágrimas de Pedro mostram o início da sua restauração espiritual.
