Casamento e Divórcio
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Perdão
Perdão
Depois que Jesus concluiu suas palavras sobre o perdão, deixou a Galileia e foi para a Judeia, a leste do Jordão. Multidões o seguiram e ali, além do Jordão, ele curou seus enfermos (19.1,2). É nessa geografia que Jesus é abordado pelos fariseus sobre a questão do divórcio. Mais uma vez, os fariseus se esforçam para encontrar meios de desacreditar Jesus e seu ensino.
Os fariseus estavam constantemente testando Jesus ou mesmo se opondo a ele (12.2,14; 15.1; 16.1). Eles já tinham tentado pegar Jesus em contradição a respeito do sábado e dos sinais, mas haviam fracassado. Agora, eles tentam Jesus novamente acerca de um dos mais controversos assuntos, o divórcio.
O propósito deles era colocar Jesus em uma situação embaraçosa: contra Moisés ou contra Herodes, que tinha casado com a mulher de seu irmão.
A resposta de Jesus aos fariseus revela que, antes de tratar do divórcio, devemos entender o que as Escrituras ensinam sobre o casamento:
Então, respondeu ele: Não tendes lido que o criador, desde o princípio, os fez homem e mulher e que disse: Por esta causa deixará o homem pai e mãe e se unirá a sua mulher, tornando-se os dois uma só carne? De modo que já não são mais dois, porém uma só carne. Portanto, o que Deus ajuntou não o separe o homem (Mt 19.4–6).
O casamento é a mais básica e influente unidade social no mundo. Precisamos entender o que significa casamento antes de começar a discutir sobre divórcio.
Muitos divórcios acontecem porque os casais não entendem ou não creem no que Deus ensina sobre o casamento, o casamento é a estrada que abre os horizontes para o estudo sobre o divórcio.
Homem e mulher, portanto, têm a capacidade de conhecer Deus e amá-lo. Eles também têm a capacidade de conhecer e amar um ao outro. O ser humano é um ser moral e espiritual. Mas Jesus disse, também, que Deus criou o casamento.
Deus diz que ele mesmo estabeleceu, instituiu e ordenou o casamento desde o início da história humana.
O texto de Gênesis 2.18–24 revela que o casamento nasceu no coração de Deus quando não havia ainda legisladores, leis, Estado nem igreja. Walter Kaiser Jr. afirma que o casamento é um dom de Deus aos homens e às mulheres. Deus não somente criou o casamento, mas também o abençoou (Gn 1.28). O casamento, portanto, nasceu no céu, e não terra; nasceu no coração de Deus, e não no coração do homem.
De acordo com a interpretação de Jesus, a natureza do casamento deve ser considerada como:
o casamento é heterossexual (19.5). Deus criou o homem e a mulher, macho e fêmea (Gn 1.27); assim, o relacionamento conjugal só é possível entre um homem e uma mulher, entre um macho e uma fêmea biológicos.
o casamento é monogâmico (19.5). A monogamia é o padrão de Deus para o casamento. Deus não criou duas mulheres para um homem nem dois homens para uma mulher (Gn 2.24). Tanto a poligenia (um homem com várias mulheres) quanto a poliandria (uma mulher com vários homens) estão fora do padrão de Deus.
A monogamia é o padrão de Deus para a humanidade em todas as gerações. O apóstolo Paulo diz: cada um [singular] tenha a sua própria esposa, e cada uma [singular], o seu próprio marido (1Co 7.2). Falando sobre a qualificação do presbítero, Paulo adverte: É necessário, portanto, que o bispo seja […] esposo de uma só mulher… (1Tm 3.2)
o casamento é monossomático (19.5). A Bíblia diz: Por isso, deixa o homem pai e mãe e se une à sua mulher, tornando-se os dois uma só carne (Gn 2.24). Marido e mulher eram dois antes do casamento, mas, agora, são um. Não obstante continuem sendo duas pessoas distintas, são, entretanto, uma só carne.
vínculo do casamento é mais sagrado do que o vínculo que prende os filhos aos seus pais. A esposa é mais preferida do que o pai e a mãe. O marido deve ser mais intimamente unido à esposa do que aos seus próprios pais
o casamento é indissolúvel (19.6). O casamento deve ser para toda a vida. É uma união permanente. No projeto de Deus, o casamento é indissolúvel. Ninguém tem autoridade para separar o que Deus uniu. Marido e mulher devem estar juntos na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, na prosperidade e na adversidade. Só a morte pode separá-los (Rm 7.2; 1Co 7.39).
O divórcio é uma coisa horrenda aos olhos de Deus. Não há divórcio sem dor, sem trauma, sem feridas, sem vítimas. É impossível rasgar o que marido e mulher se tornaram (uma só carne), sem muito sofrimento. Embora a sociedade pós-moderna esteja fazendo apologia do divórcio, os princípios de Deus não mudaram, não mudam e jamais mudarão. Somente a morte (1Co 7.2).
O casamento foi criado por Deus para resolver o problema da solidão do homem.
Os fariseus formularam a pergunta sobre divórcio para Jesus a fim de experimentá-lo (19.3). Talvez esperassem que ele falasse sobre o divórcio de um modo ofensivo a Herodes e a Herodias (14.3)
Os fariseus desejavam enredar Jesus no surrado debate Shammai-Hillel. A. T. Robertson diz que a escola de Shammai assumia o ponto de vista rígido e não popular do divórcio só por falta de castidade, ao passo que a escola de Hillel defendia a visão liberal e popular do divórcio fácil por qualquer capricho momentâneo. O marido poderia se divorciar caso visse uma mulher mais bonita ou se a esposa deixasse queimar o almoço.
Jesus, obviamente, dissociou-se da frouxidão do rabino Hillel. No entanto, ele não entrou no jogo estéril de uma discussão inútil
Jesus declarou que a provisão mosaica do divórcio era uma concessão temporária ao pecado humano. O que os fariseus denominavam “mandamento”, Jesus chamava de “permissão” e permissão relutante, em razão da obstinação humana, antes que da intenção divina.
O casamento agrada a Deus, mas o divórcio não. Ao contrário, Deus odeia o divórcio (Ml 2.16).
Moisés não ordenou o divórcio; ele o permitiu. É de suma importância entender pelo menos três ensinos fundamentais de Jesus sobre esse magno assunto, em sua resposta aos fariseus.
O primeiro ensino é que há uma absoluta diferença entre ordenança (eneteilato) e permissão (epetrepsen)
O segundo ensino de Jesus é sobre relações sexuais ilícitas (19.9).É importante observar que a lei de Moisés prescrevia a penalidade de morte para todos aqueles que cometiam adultério. Os próprios inimigos de Cristo, os escribas e fariseus, apelaram para essa lei quando tentaram Jesus, lançando a seus pés uma mulher apanhada em flagrante adultério e exigindo dele uma posição (Jo 8.1–11)
O terceiro ensino de Jesus sobre o divórcio diz respeito à dureza do coração (19.8). O divórcio acontece porque o coração não é sensível. O divórcio é um produto do coração duro. O divórcio só floresce no deserto árido da insensibilidade e da falta de perdão. O divórcio representa a desobediência aos imutáveis princípios de Deus.
A dureza de coração é a indisposição de obedecer a Deus e perdoar um ao outro. Onde não há perdão, não há casamento. Onde a porta se fecha para o perdão, abre-se uma avenida para a amargura, e o destino final dessa viagem é o divórcio. O divórcio acontece não por determinação divina, mas porque o coração é duro. O divórcio não é uma ordenança divina. Não é compulsório nem mesmo em caso de adultério. O perdão e a restauração são melhores do que o divórcio.
Existe outro caminho que pode e deve ser percorrido: o caminho do perdão, da cura paciente e da restauração do relacionamento quebrado. Essa deve ser a abordagem cristã para esse problema. Mas, infelizmente, por causa da dureza de coração, é impossível, algumas vezes, curar as feridas e salvar o casamento. O divórcio é a opção final, e não a primeira opção.
“Jesus estava dizendo que, se um casal se divorcia em oposição à lei divina, os cônjuges permanecem casados aos olhos de Deus mesmo se o Estado tiver dissolvido o casamento. Logo, alguém que se divorcia de forma não bíblica e se casa novamente entra em um relacionamento adúltero”.
