(Êx 36:8-38) A Igreja e a Construção do Tabernáculo
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Nós temos aqui a repetição de muita coisa que já havia sido dita antes. Os capítulos 25 a 31 tratam das instruções para a construção, e os capítulos 35 à 39 tratam do cumprimentos dessas instruções. Então agora, finalmente, o Tabernáculo começa a ser edificado.
Mas ainda assim, qual a necessidade de repetir todos esses detalhes no texto bíblico? O que Deus quer nos ensinar fazendo com a gente leia tanta coisa tudo de novo?
Primeiro, Deus quer nos ensinar a fidelidade de Moisés em transmitir ao povo exatamente a mensagem que ele recebeu. Tudo aquilo que ouviu de Deus ele repassou. Esse é o papel do profeta. Ele deve ser fiel na sua mensagem, em cada detalhe.
Segundo, quando o texto repete todas essas informações a gente pode perceber um contraste entre o que o povo fez no capítulo 32 sob a supervisões de Arão (o bezerro de ouro) e o que o povo está fazendo agora sob a supervisão de Bezalel e Aoliabe, de 35-39 (o Tabernáculo).
Terceiro, Deus quer nos ensinar que ele cumpre suas promessas. A repetição mostra um padrão de promessa e cumprimento. Deus prometeu libertação no capítulo 6, e cumpriu no capítulo 12 à 14. Ele prometeu a construção do lugar de culto nos capítulos 25 à 31, e está cumprindo nos capítulos 35-39.
Finalmente, a gente aprende com essa repetição que a intenção de Deus não era apenar perdoar o povo, se fosse, então o livro de Êxodo teria terminado no capítulo 34 quando deus renova a aliança. Seria maravilhoso o livro terminar com Deus perdoando seu povo e renovando a aliança, mas ainda há mais do que perdão. Deus levaria o seu povo à plena comunhão com ele. Por isso o lugar de adoração devia ser construído. Porque o perdão não basta, devemos ser trazidos à presença de Deus, à comunhão com Deus. É pra lá que o perdão leva, e é assim que o livro vai terminar.
Essa é o grande plano de Deus desde o início, é recuperar a comunhão com sue povo, desde que fomos expulsos do primeiro templo, do jardim no Éden. Então Deus está reconstruindo esse lugar, ele está reconstruindo nossa relação. A primeira fase é o Tabernáculo e o Templo do Antigo Testamento. Mas essa é só a primeira fase. O grande plano Deus é habitar no meio de seu povo, e assim ser Deus conosco - Emanuel.
Êxodo 36.8–13 “Assim, todos os homens hábeis, entre os que faziam a obra, fizeram o tabernáculo com dez cortinas de linho fino retorcido, estofo azul, púrpura e carmesim com querubins; de obra de artista as fizeram. O comprimento de cada cortina era de vinte e oito côvados, e a largura, de quatro côvados; todas as cortinas eram de igual medida. Cinco cortinas eram ligadas uma à outra; e as outras cinco também ligadas uma à outra. Fizeram laçadas de estofo azul na orla da cortina, que estava na extremidade do primeiro agrupamento; e de igual modo fizeram na orla da cortina, que estava na extremidade do segundo agrupamento. Cinquenta laçadas fizeram numa cortina, e cinquenta, na outra cortina na extremidade do segundo agrupamento; as laçadas eram contrapostas uma à outra. Fizeram cinquenta colchetes de ouro, com os quais prenderam as cortinas uma à outra; e o tabernáculo passou a ser um todo.”
Essas cortinas eram muito coloridas, azul, roxo e vermelho. Eram unidas com fivelas de ouro, colchetes. Elas formavam as paredes do centro do Tabernáculo.
Ryken: Visto que cercavam as partes mais centrais do tabernáculo, essas cortinas ficavam mais próximas da presença de Deus e, por isso, eram as mais ornamentadas. Eram adornadas com querubins, os santos anjos que guardam o trono celestial de Deus. Isso tornava o tabernáculo um pouquinho do céu na terra. Sob a luz tremeluzente do candelabro, os sacerdotes que serviam no interior do tabernáculo podiam olhar para as cortinas azuis e ver as asas dos anjos. Assim, sabiam que aquele era o lugar em que Deus estava – a sala do trono de Deus.
Então vinha a segunda descrição, o teto da Tenda, feito de camadas de peles.
Êxodo 36.14–19 “Fizeram também de pelos de cabra cortinas para servirem de tenda sobre o tabernáculo; fizeram onze cortinas. O comprimento de cada cortina era de trinta côvados, e a largura, de quatro côvados; as onze cortinas eram de igual medida. Ajuntaram à parte cinco cortinas entre si e, de igual modo, as seis restantes. E fizeram cinquenta laçadas na orla da cortina, que estava na extremidade do primeiro agrupamento. Fizeram também cinquenta colchetes de bronze para ajuntar a tenda, para que viesse a ser um todo. Fizeram também de peles de carneiro tintas de vermelho uma coberta para a tenda e outra coberta de peles finas.”
Então eram quatro camadas de teto. Primeira camada, a camada de dentro, era colorida, de fios azuis e púrpura. Depois vinha uma cortina cinzenta de pelo de cabra, depois outra avermelhada de pele de carneiro, e por fim mais uma de pele de cabra.
Para sustentar o peso enorme de todas essas cortinas, o tabernáculo precisava de uma estrutura sólida. Enquanto alguns trabalhadores estavam ocupados fabricando a tenda, outros construíram a estrutura de madeira que a sustentava.
Êxodo 36.20–34 (ARA) Fizeram também de madeira de acácia as tábuas para o tabernáculo, as quais eram colocadas verticalmente. Cada uma das tábuas tinha dez côvados de comprimento e côvado e meio de largura. Cada tábua tinha dois encaixes, travados um com o outro; assim fizeram com todas as tábuas do tabernáculo. No preparar as tábuas para o tabernáculo, fizeram vinte delas para o lado sul. Fizeram também quarenta bases de prata debaixo das vinte tábuas: duas bases debaixo de uma tábua para os seus dois encaixes e duas bases debaixo de outra tábua para os seus dois encaixes. Também fizeram vinte tábuas ao outro lado do tabernáculo, para o lado norte, com as suas quarenta bases de prata: duas bases debaixo de uma tábua e duas bases debaixo de outra tábua; ao lado do tabernáculo para o ocidente, fizeram seis tábuas. Fizeram também duas tábuas para os cantos do tabernáculo de ambos os lados, as quais, por baixo, estavam separadas, mas, em cima, se ajustavam à primeira argola; assim se fez com as duas tábuas nos dois cantos. Assim eram as oito tábuas com as suas bases de prata, dezesseis bases: duas bases debaixo de uma tábua e duas debaixo de outra tábua. Fizeram também travessas de madeira de acácia; cinco para as tábuas de um lado do tabernáculo, cinco para as tábuas do outro lado do tabernáculo e cinco para as tábuas do tabernáculo, ao lado posterior, que olha para o ocidente. A travessa do meio passava ao meio das tábuas, de uma extremidade à outra. Cobriram de ouro as tábuas e de ouro fizeram as suas argolas, pelas quais passavam as travessas; e cobriram também de ouro as travessas.
Eram 48 tábuas verticais, com uma altura de mais ou menos 5 metros. Então toda a estrutura era coberta de ouro.
Depois os artesãos fizeram a cortina principal, que dividia o Tabernáculo em duas partes - o Santo Lugar e o Santo dos Santos.
Êxodo 36.35–36 “Fizeram também o véu de estofo azul, púrpura, carmesim e linho fino retorcido; com querubins o fizeram de obra de artista. E fizeram-lhe quatro colunas de madeira de acácia, cobertas de ouro; os seus colchetes eram de ouro, sobre quatro bases de prata.”
Esse era o véu pelo qual apenas o Sumo Sacerdote podia passar, e apenas uma vez ao ano, no Dia da Expiação. Era decorado com Querubins, para indicar que após estava a presença de Deus.
Por fim os artesãos fizeram as cortinas para a entrada do Tabernáculo.
Êxodo 36.37–38 “Fizeram também para a porta da tenda um reposteiro de estofo azul, púrpura, carmesim e linho fino retorcido, obra de bordador, e as suas cinco colunas, e os seus colchetes; as suas cabeças e as suas molduras cobriram de ouro, mas as suas cinco bases eram de bronze.”
Algo muito importante que devemos perceber em tudo isso que lemos, é que as palavras faça/fizeram ou feito se repetem cerca de 323 vezes em todo o livro de Êxodo, dessas 323x, 236 aparecem aqui na construção do Tabernáculo, dos capítulos 25 à 40. É importante a gente perceber que no Tabernáculo, ou seja, na adoração, Deus requer grande cuidado pra que as coisas sejam feitas exatamente do jeito que ele ordena. Deve haver em nosso coração pra que a gente pergunte: eu tenho adorado a Deus do jeito que ele quer ser adorado? Ele diz: faça… eu tenho feito como Deus disse?!
Quando os israelitas antes não fizeram como Deus havia ordenado, eles acabaram com um bezerro de ouro. A desobediência à Palavra de Deus leva à idolatria. Veja só, não é apenas fazer uma imagem. A imagem pode ser a consequência, mas é a desobediência, é acrescentar ou tirar algo da Palavra. É isso que nos ensino Deuteronômio 4.
Deuteronômio 4.2–3 “Nada acrescentareis à palavra que vos mando, nem diminuireis dela, para que guardeis os mandamentos do Senhor, vosso Deus, que eu vos mando. Os vossos olhos viram o que o Senhor fez por causa de Baal-Peor; pois a todo homem que seguiu a Baal-Peor o Senhor, vosso Deus, consumiu do vosso meio.”
Deuteronômio 4.15–18 “Guardai, pois, cuidadosamente, a vossa alma, pois aparência nenhuma vistes no dia em que o Senhor, vosso Deus, vos falou em Horebe, no meio do fogo; para que não vos corrompais e vos façais alguma imagem esculpida na forma de ídolo, semelhança de homem ou de mulher, semelhança de algum animal que há na terra, semelhança de algum volátil que voa pelos céus, semelhança de algum animal que rasteja sobre a terra, semelhança de algum peixe que há nas águas debaixo da terra.”
Mas foi exatamente isso que os israelitas haviam feito, eles acrescentaram e tirar coisas da Palavra de Deus, e por isso fizeram um bezerro de ouro. Porque a desobediência leva à idolatria. E como podemos nos preservar disso?! Fazendo tudo o que a Palavra de Deus nos. Essa é a única forma de não acabarmos indo após outros deuses. Essa é a relação entre o primeiro e o segundo mandamento.
Êxodo 20.3–4 “Não terás outros deuses diante de mim. Não farás para ti imagem de escultura, nem semelhança alguma do que há em cima nos céus, nem embaixo na terra, nem nas águas debaixo da terra.”
Certe vez disseram ao puritano Richard Rogers: Gosto muito do Senhor e de sua companhia, mas o senhor é muito exato. Ao que ele respondeu: Eu sirvo a um Deus exato.
Lembrem-se irmãos, isso é assim pra que Deus possa habitar entre nós. Ele pede que a gente obedeça a ele pra que ele possa estar conosco. Pra que o anseio mais profundo da alma humana fosse satisfeito - a necessidade de Deus; a sede de Deus.
Ryken: As pessoas sempre quiseram saber onde podiam ter um encontro com o Deus vivo. Se Deus existe, como posso conhecê-lo? Onde posso encontrá-lo? Existe alguma maneira de obter acesso aos mistérios de seu ser eterno? Na época de Moisés, a resposta era ir ao tabernáculo. Esse era o único lugar onde Deus descia para viver com seu povo.
Mas houve uma segundo fase dessa intenção de Deus. No AT o Tabernáculo estava em determinado lugar. E ainda, ele foi substituído, pelo Templo. E depois, o Templo foi destruído. Não existe mais Templo. Mas uma aconteceu...
João 1.14 “E o Verbo se fez carne e habitou [TABERNACULOU] entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos a sua glória, glória como do unigênito do Pai.”
Deus tabernaculou entre os homens.
Mateus 1.23 “Eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho, e ele será chamado pelo nome de Emanuel (que quer dizer: Deus conosco).”
Ryken: Esse novo tabernáculo não era feito de pelos de cabra e madeira de acácia; não exigiu que o linho fosse retorcido e cortinas fossem costuradas; não foi construído estendendo-se uma tenda sobre colunas. Esse novo tabernáculo era feito de carne e sangue, formado no ventre de uma virgem pelo poder milagroso de Deus, o Espírito Santo.
Jesus é o lugar onde Deus se revela perfeitamente. Paulo diz que nele reside toda plenitude da divindade. Ele mesmo disse aos judeus: “Destruí este santuário, e em três dias o reconstruirei”, e João explica que ele falava do seu próprio corpo e da sua morte e ressurreição. Jesus disse aos discípulos que ninguém vai ao Pai senão por ele; e disse a Filipe que quem o vê, vê o Pai. Você quer ir até Deus? Você precisa ir até Cristo Jesus. Sem ele não há comunhão, sem ele não há salvação.
Imagine uma pessoa no Antigo Testamente, que ouve falar que existe um lugar em Deus vem ao encontro do povo. Um lugar lindo, feito ouro, peles de cabra e madeira de acácia. E que nesse há uma manifestação teofânica de Deus, uma aparição sobrenatural, em que o transcendente se torna imanente de um modo sem igual. Essa pessoa iria fazer de tudo pra ir até lá. Ia preparar uma caravana, ia levar sua família… Hoje ouvimos falar de Jesus. Nele Deus se fez presente. Ele é Deus encarnado. E todo aquele que confessá-lo, que crer nele, que orar em nome dele, encontrará o Deus vivo e verdadeiro, e terá comunhão eterna com ele. Assim, eu quero encerrar com uma terceira fase desse Tabernáculo - a Igreja!
Quando vamos até Deus pela fé em Jesus Cristo, algo maravilhoso acontece - Deus vem até nós. O Pai e o Filho enviam o Espírito Santo para habitar em nosso meio e dentro de nós. A Bíblia diz:
Efésios 3.16–17 “para que, segundo a riqueza da sua glória, vos conceda que sejais fortalecidos com poder, mediante o seu Espírito no homem interior; e, assim, habite Cristo no vosso coração, pela fé, estando vós arraigados e alicerçados em amor,”
Quando o Espírito vem habitar em nós e no meio de nós, ele da seguimento a terceira fase dessa construção. A igreja, dentre tantos nome que recebe, ela também descrita como um prédio.
Efésios 2.19–22 “Assim, já não sois estrangeiros e peregrinos, mas concidadãos dos santos, e sois da família de Deus, edificados sobre o fundamento dos apóstolos e profetas, sendo ele mesmo, Cristo Jesus, a pedra angular; no qual todo o edifício, bem ajustado, cresce para santuário dedicado ao Senhor, no qual também vós juntamente estais sendo edificados para habitação de Deus no Espírito.”
O povo de Deus é um Tabernáculo vivo, feito de não peles, ouro, madeira, mas de vidas. O Tabernáculo foi construído por mãos humanas, mas a igreja é construída diretamente pelo Espírito Santo, pela Pregação da Palavra, pelo exercício dos dons espirituais, de ensino e serviço. O que significa isso pra nós?!
O fato de sermos o Tabernáculo de Deus nos livra de pensar que nosso relacionamento é muito mais importante que nosso relacionamento com a igreja e eu não preciso tanto da Igreja, porque o fato de a Igreja ser um Tabernáculo significa que é ali de modo especial que eu me encontro com Deus. Deus vive na Igreja.
Saber também que a Igreja é um Tabernáculo me ajuda a ter mais paciência com meus irmãos, porque somos uma obra em andamento, somos uma obra ainda inacabada.
A Bíblia também chama o Tabernáculo de Santuário, ou seja, um lugar santo, para habitação de um Deus Santíssimo. Precisamos ser santos.
1Coríntios 6.18–19 “Fugi da impureza. Qualquer outro pecado que uma pessoa cometer é fora do corpo; mas aquele que pratica a imoralidade peca contra o próprio corpo. Acaso, não sabeis que o vosso corpo é santuário do Espírito Santo, que está em vós, o qual tendes da parte de Deus, e que não sois de vós mesmos?”
Devemos fugir da impureza com nosso corpo, da impureza sexual. Isso inclui também fugir de associação com esse mundo, como o jugo desigual e amizades ruins. Essa ideia da Igreja como Tabernáculo que vai nos ajudar a fugir disso.
2Coríntios 6.14–7.1 “Não vos ponhais em jugo desigual com os incrédulos; porquanto que sociedade pode haver entre a justiça e a iniquidade? Ou que comunhão, da luz com as trevas? Que harmonia, entre Cristo e o Maligno? Ou que união, do crente com o incrédulo? Que ligação há entre o santuário de Deus e os ídolos? Porque nós somos santuário do Deus vivente, como ele próprio disse: Habitarei e andarei entre eles; serei o seu Deus, e eles serão o meu povo. Por isso, retirai-vos do meio deles, separai-vos, diz o Senhor; não toqueis em coisas impuras; e eu vos receberei, serei vosso Pai, e vós sereis para mim filhos e filhas, diz o Senhor Todo-Poderoso. Tendo, pois, ó amados, tais promessas, purifiquemo-nos de toda impureza, tanto da carne como do espírito, aperfeiçoando a nossa santidade no temor de Deus.”
