#5 O EVANGELHO SEGUNDO JESUS: QUASE DEU CERTO

O EVANGELHO SEGUNDO JESUS  •  Sermon  •  Submitted   •  Presented
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MATEUS 19:16-22
INTRODUÇÃO
A palavra “quase” é muito comum em nossos dias. E eu, particularmente, não vejo nenhum problema com ela. Acredito que o “quase”, pode ser Deus nos dirigindo para um outro lugar, mudando os planos, diferente do que nós pensamos: eu quase passei no vestibular; eu quase me casei com fulano; eu quase comprei aquele carro; eu quase consegui aquela vaga de emprego; eu quase... eu quase... As vezes também, o quase é falha nossa, da nossa falta de planejamento. Como dizem: “se planejar, pode dar errado. Se não planejar, pode dar certo”. Quase...
Porém, quase conseguir algo, é não o conseguir por completo.
Mas trazendo esse resultado, o “quase”, para o texto e para nossa vida espiritual, devemos ter em mente que em algumas as áreas de nossas vidas, nós podemos falhar: eu quase... e pode ser que tenhamos outra oportunidade no futuro. Porém, há uma área de nossas vidas em que nós só temos uma chance: na área espiritual. Como nós iremos expor nessa noite, esse jovem “quase” foi salvo, porém, estava totalmente condenado. Aquele que está quase salvo, ainda não está salvo, na verdade, está totalmente perdido, entregue a ira e justiça de Deus que irá nos punir por nossos pecados e transgressões. Um Deus Santo e Justo há de julgar cada um de nós. Se faz necessário um derramamento de sangue pelos nossos pecados, ou o meu e o seu, individualmente, se confiamos em nós mesmo, ou o de Jesus Cristo, que foi derramado na Cruz para todo aquele que nEle crer, para todo aquele que confia nEle e tão somente nEle.
Ter uma convicção errada do Evangelho, do plano salvífico planejado pela Trindade, na Eternidade, da morte propiciatória, expiatória, justificatória, redentora de Cristo na cruz do calvário para nos salvar, é ser quase salvo, porém, inevitavelmente condenado ao inferno. Não há outro Evangelho a ser pregado, a não ser o de Cristo e este crucificado pelos nossos pecados.
Eu quero pregar esse sermão para 3 classes de pessoas essa noite:
O sermão dessa noite é para você que ainda não tem certeza da sua salvação. É você que sabe muito bem dessa incerteza. O coração do jovem rico também não andava em paz quanto sua salvação. Ainda há tempo de refletir e tomar a decisão certa.
Também é para você que tem certeza que não é salvo, mas que deseja ser salvo de seus pecado. Desde já te adianto, caso você precise sair antes que esse sermão finalize: em Cristo Jesus e somente nEle você pode ser salvo. Renda-se a Ele, viva para Ele, obedeça a sua palavra e terás a vida eterna.
E para vocês jovens, porque sois forte e vencestes o maligno. Vocês que estão passando por uma fase complicada, de tomada de decisões que podem trazer consequências boas ou ruins no futuro. Vocês podem “quase” em várias áreas de suas vidas, mas não podem “quase” ser salvos. Não podem ser “quase” cristãos e flertarem com o mundo, pois quem ama a Deus, odeia o mundo e tudo que nele há. É tempo de deixar de “quase” na vida espiritual e ter a certeza da salvação, enquanto é tempo.
Para finalizarmos essa introdução, gostaria de apresentar os irmãos o que será exposto nessa noite. Gostaria de traçar dois paralelos, trazer duas perspectivas desse texto: uma do jovem e a outra de Cristo. Farei de forma simultânea, juntas. A do jovem, de forma externa, centrada em si mesmo, em suas obras e suas posses. A outra, de Cristo, que conhece nosso interior, que sabe dos pecados mais íntimos de nosso coração e que quer nos tratar.
Para termos uma melhor compreensão do texto, precisamos analisar os outros evangelhos, visto que essa passagem também é relatada por Marcos e Lucas. Iremos nos apoiar nesses textos também.

1. Quem era o jovem (v. 16a)

Não sabemos o nome da pessoa que se aproxima de Cristo, mas temos algumas poucas informações, juntando com os outros evangelhos, a cerca de quem era esse jovem.
1) Sabemos por Mateus que a pessoa era jovem (v.20). Mesmo sabendo que ele era jovem, não podemos, com exatidão, definir sua idade. Esse jovem deveria ter, no máximo, 40 anos, com sugere alguns comentaristas.
Como jovem, assim como muitos aqui nessa noite, ele tinha toda uma vida pela frente para pregar o evangelho de Cristo. Ele tinha saúde, inteligência, força, sonhos e até recursos próprios para financiar o avanço do Evangelho de Cristo. Ele também tinha anseio pela vida eterna, porém, sua juventude vívida, empolgante, luxuosa, regada a posses e bens o impediu de viver, na sua juventude, para Cristo.
2) Sabemos que ele era rico (v. 22). Mateus nos informa que, desafiado a vender suas propriedades, o jovem ficou triste, pois era riquíssimo. Não sabemos, porém, com detalhe, quais eram suas posses, mas deveriam ser muitas, pela tristeza desse jovem ao ser desafiado a vende-las e dar aos pobres.
Sem dúvidas, pelas suas posses podemos dizer que ele era um jovem de destaque, muito inteligente, acima dos padrões de sua época. Talvez ela tenha herdado uma boa fortuna, mas era sábio suficiente para não a desperdiçar sua riqueza. Talvez ele vivesse em uma boa casa, regada a boa comida e bebidas, rodeando de pessoas importantes e interessantes. Mas tudo isso foi insuficiente para preenchê-lo e suficiente para afastá-lo da salvação. O amor ao dinheiro é a raiz de todos os nossos problemas!
3) Segundo Lucas, o jovem era um príncipe (Lc 18:18). Esse jovem era um jovem de destaque na sua época. Era um jovem rico, proeminente, sábio, de bom caráter, cumpria a lei. Embora com pouca idade, já era considerado um líder famoso e influente em sua sociedade. Ele tinha fama, glória, uma posição elevada na sociedade em que vivia. Talvez fosse até um oficial na sinagoga. Esse jovem era o sonho de consumo de qualquer sogro da época. Era o marido perfeito para a filha de qualquer mãe. Porém, não era bom o suficiente para entrar no céu.
4) Tinha um bom caráter (20). Seu zelo pela observância da lei era irrepreensível, aos seus olhos. Talvez pudéssemos comparar esse jovem com o jovem Saulo, entretanto, Paulo julgou ser tudo o que ele tinha, tudo o que ele viveu como escória, como fezes, como lixo, como nada, pois só o Evangelho de Cristo crucificado é tudo. Não há boas obras, as melhores que sejam, capazes de nos salvar, pois nossas obras não passam de trapos de imundícia, todas elas, manchadas pelo pecado. Embora esse jovem achasse estar agradando a Deus com suas obras, havia algo mais profundo e oculto em seu interior e nós iremos ver ao longo dos paralelos que iremos fazer.
Conhecendo quem era o jovem, iremos ver como ele “quase” estava salvo.

2) A quase salvação...

O jovem tem uma atitude correta: ele vai até Cristo (v.16). Segundo Marcos, o jovem foi correndo e se ajoelhou diante de Cristo. Esse mesmo jovem que acabamos de conhecer, proeminente, de uma posição elevada na sociedade, rico, agora corre atrás de um homem simples, pobre, um mero carpinteiro, mas que ele acreditava que poderia ter as respostas certas. O jovem ainda não conhecia quem era, verdadeiramente Jesus, mas o tinha como um mestre, como um professor, como alguém sábio com um notável conhecimento.
Chegando a Jesus, de forma reverente, humilde, se esforçando, pois, fora correndo, o jovem então interroga (v. 16). Não há pergunta melhor, mais interessante do que sobre a salvação, sobre a vida eterna, da vida após a morte, da eternidade de nossas almas. Esse jovem, como que de frente a um oráculo que lhe responderia apenas uma pergunta, faz a pergunta mais importante que poderia ser feita: como alcançar a vida eterna?
Seu coração estava ansioso por saber. Sua pressa foi tanta que ele correu atrás de Cristo, se curvou diante dEle e perguntou. Embora fosse um jovem inteligente, letrado na palavra de Deus, seu coração não estava em paz quanto a certeza da salvação. Em sua alma ecoava uma incerteza, que ele seria capaz de fazer qualquer coisa pela resposta que sua alma pedia. Ele se arriscou a ser visto, de joelhos, de frente a Jesus Cristo, Aquele que era odiado pelos judeus. Ele poderia sofrer retaliação por parte dos judeus por esse ato, mas embora ainda sem saber quem é Cristo, ele se dirige ao único que poderia lhe dar a resposta correta a respeito da salvação.
Todavia, mesmo que esse jovem tenha tido uma atitude correta, fez a pergunta mais importante de toda a sua vida e procurou a pessoa mais certa para responder a esse questionamento, esse jovem, mesmo com toda sua sabedoria, todo seu ensino teológico, ainda não sabia quem era Cristo, que era o Filho do Homem, que era o Próprio Deus, capaz de olhar o mais íntimo de sua alma.
Ele inicia sua pergunta chamando Jesus de Mestre (v.16). Para esse jovem, Jesus era apenas um mestre, e como ele não tem um entendimento correto de quem Jesus era, ele também não obedeceria à sua vontade. Se esse jovem tivesse uma compreensão correta de quem Cristo era, ele obedeceria a aquilo que Cristo mandou que ele fizesse. E assim somos nós. Não obedecemos a palavra de Deus, porque não o conhecemos, porque não temos uma compreensão real e verdadeira de quem Cristo é. De quem Deus é. Não gastamos tempo procurando saber quem é Cristo e achamos, assim como esse jovem, que somente nos ajoelharmos diante de Cristo é suficiente. Não é irmãos, pois podemos estar ajoelhados diante de um deus que nós mesmo criamos, de um deus bonzinho, amorzinho, papaizinho, que vai ouvir e atender aos nossos caprichos. Não irmãos! Deus é Santo, Justo, Todo Poderoso, O Rei dos reis, O Senhor dos senhores e precisamos estar diante dEle com temor e tremor, com reverência, confiando que Ele tem o melhor para nós, que Ele sabe o que nós devemos pedir e que intercede por nós através do Espírito Santo.
Não adianta termos uma atitude correta, fazermos a pergunta correta, ir até Cristo, mas ter uma visão distorcida de quem Cristo é. De quem Deus é. Precisamos conhecer mais a Deus. Essa falta de entendimento de quem Cristo é vai afetar a decisão que esse jovem irá tomar ao final desse sermão.
Prosseguindo no texto, após ter uma atitude correta, fazer a pergunta certa à pessoa certa, Cristo dá uma resposta questionadora, um tanto insatisfatória e superficial ao jovem, mas com profundo senso crítico (v.17).
Na verdade, a resposta de Jesus primeiro aponta que o jovem não entendeu nada acerca da Lei e de quem ele era, pois ele não era bom e nada que ele tinha feito ou poderia fazer seria bom o suficiente. Ele estava diante do único que era bom o suficiente para cumprir a Lei. Ele mesmo não era capaz de cumprir a lei. Não há nada de bom que esse jovem e nós possamos fazer para alcançar a vida eterna.
Segundo, a Lei é um espelho que reflete a imagem do pecador. Observar a Lei é observar que somos falhos e pecadores e que não tem como por nós mesmos sermos salvos. Nós somos pecadores por natureza. Nós já nascemos em pecados. Nós somos todo pecado. Tudo que fazemos está manchado pelo pecado. Jesus, sabendo o que se passava no coração do jovem, falou para ele guardar a Lei, algo que ele achava que já fazia, para desperta-lo a enxergar que ele não conseguia guardar a Lei e estava em dívida com Deus. Cristo queria que esse jovem abrisse seu entendimento para entender que ele era um pecador, que ele não podia se salvar, que suas obras eram más, externas, vistosa aos homens, mas podres para Deus.
O jovem continua em busca de respostas, em busca da salvação. Ele questiona (v.18). O jovem deseja realmente a vida eterna. Ele quer, de forma honesta, saber como pode ter a vida eterna. O coração do jovem ainda clama por resposta. No fundo de sua alma ele sabia que não era simplesmente guardar a Lei, porque a Lei não era suficiente para trazer paz e segurança quanto a salvação, muito pelo contrário, como já dito, ela aponta nossos pecados e nos condena diante de Deus, por isso, talvez essa pergunta seja uma pergunta para tentar sondar a si mesmo com algum mandamento que ele deixou de cumprir. Talvez algo tenha passado despercebido e ele questiona, sem ainda entender o que significa guardar a Lei.
Mas Jesus, o próprio Deus entre os homens, que conhecia o mais profundo do coração daquele jovem, sabe da sua ignorância acerca da salvação. Cristo sabia que o jovem ainda não tinha compreendido o que era necessário para ser salvo e responde (v. 18,19). Interessante notar a reposta de Cristo. Note que Cristo menciona somente a segunda parte do decálogo e finaliza com a síntese da segunda parte do mandamento “amarás o teu próximo com a ti mesmo”. Não sabemos qual foi a intensão de Jesus por omitir a primeira parte da tábua, que está ligada aos aspectos do amor a Deus e só mencionou a segunda parte, que está relacionada ao amor ao próximo.
Matthew Henry traz uma colocação interessante. Para ele, os judeus tinham muita dificuldade em evidenciar a conversão. Eles pregavam mais os rituais do que a misericórdia, a ética, a moral para com o próximo. Talvez tenha sido por isso que Cristo enfatizou a segunda parte, pois era onde eles tinham mais dificuldades com a Lei. E também, porque amar o próximo é uma evidência de que amamos a Deus. Se dissemos que amamos a Deus, mas odiamos o próximo, somos mentirosos. “a nossa luz arde pelo amor que temos por Deus; mas ela brilha no amor que temos pelo próximo”.
Mas o que se revela é que o jovem tinha dificuldade nas duas partes da tábua, ou seja, em amar a Deus e ao próximo. Como veremos mais a frente, ele amava mais a mamon do que a Deus, por isso, não amava o próximo da forma como deveria.
O jovem ainda continua sem um autoconhecimento. Sem olhar pelo espelho da Lei e se ver um pecador. Ele se coloca em um patamar elevado. Ele se diz cumpridor de toda a Lei (v. 20a). Ele se considerava um modelo. Considerava-se íntegro, o detentor da moral. Não vivia em orgias e bebedeiras, era um bom filho, talvez um bom marido, trabalhador, pagava seus impostos em dia, não adulterava, não matou ninguém, roubar então, nunca nem pensou. Não mentia, não era caluniador. Talvez até desse umas esmolas. Entretanto, nada disso era suficiente, porque tudo isso está manchado pelo pecado.
(como vimos hoje de manhã, Deus deu ordem explícitas e claras em Levíticos, que devemos seguir para adora-lo, cultua-lo, louva-lo e não podemos quebrar essas leis, não podemos viver do jeito que achamos que deve ser. Vimos hoje Nadabe e Abiu, filhos de Arão, que acenderam fogo estranho ao Senhor e foram consumidos, foram mortos. Eles tentaram adorar a Deus como queriam e morreram. Esse jovem também adorava a Deus da forma como ele achava que era certo. Embora com um respaldo bíblico, tendo a Lei como base, mas não fazia da forma correta. E nós também devemos ter muito cuidado com o que fazemos pra Deus, pra não acender um fogo estranho para Deus, achando que estamos agradando a Deus e não estamos. Iremos morrer se fizemos dessa forma, iremos para o inferno, uma morte eterna).
E o texto continua (v.20b).
O jovem ainda necessita de respostas. O que eu preciso? Eu sei que eu preciso de algo mais. Meu coração está inquieto. Não tenho paz. Esse jovem estava passando por uma crise existencial. Esse jovem estava insatisfeito com a vida que vivia. Jesus tenta a todo momento colocar um espelho diante dele para que ele pudesse se enxergar, ver a podridão que ele é. Ver os seus pecados, ver que, na verdade, ele não estava cumprindo mandamento nenhum, não amava a Deus e muito menos ao próximo, embora não matasse, não roubasse, honrava o pai e mãe, mas não amava o próximo.
Esse jovem tinha tudo que a maioria de nós deseja hoje: é jovem, atraente, rico, inteligente, ocupa um bom lugar na sociedade. Se fosse solteiro, deveria haver uma fila de pais querendo vender o dote de suas filhas para esse jovem. Mas suas posses, sua inteligência, seu status, sua moral, nada disso era suficiente para esse jovem ter paz. Nada disso era bom o bastante para preencher um vazio na vida daquele jovem.
E eu quero dizer para você essa noite: você pode ter muitas posses, muito dinheiro, ser muito inteligente, ter a melhor esposa ou o melhor marido, ter a melhor família, ter a melhor saúde, mas sempre haverá um espaço a ser preenchido dentro de você, que está posto dentro de nós, que é preenchido somente com uma pessoa: Jesus Cristo.
É fácil abrirmos os noticiários e ler sobre pessoas que tinham tudo que o mundo pode oferecer e tiraram a própria vida. Por que irmãos? Porque não acharam mais significado na vida. Significado esse que é encontrado somente em Jesus Cristo. Somente Ele pode preencher esse vazio dentro de você.
-- exemplo Ramon academia—

Agora entraremos na parte do desafio (v.21)

Ansiando por uma resposta, o jovem questiona Jesus, que o chama para nada mais, nada menos do que a perfeição. Não que Jesus estivesse pregando uma salvação pelas obras. Não é isso. Como tenho sempre dito, a salvação é pela fé em Jesus Cristo, mas se somos salvos, vamos praticar boas obras. Mas o ponto aqui é, como esse jovem poderia ser perfeito? Como esse jovem poderia alcançar essa perfeição? E a resposta está no próprio versículo (v. 21.d).
(e foi esse um dos pontos do estudo de hoje, do sacerdote se apresentar perfeito, mas antes ele tinha que sacrificar um animal, perfeito, para Deus e Deus, em seu sacrifício nos tornou perfeito)
Era isso que ainda precisava na vida do jovem. Suas boas obras, sua guarda da Lei, nada disso era suficiente, porque era obras externas, falhas, de um coração de pedra, não regenerado, de uma “quase” conversão, mas que não evidenciava uma conversão interna, verdadeira, de um coração de carne, disposto a amar a Deus acima de todas as coisas e o próximo como a si mesmo. Faltava para o jovem entender que é preciso buscar o Reino de Deus e sua justiça acima de todas as coisas, e o demais, o restante, o que vem depois, é consequência, é mero favor, é mero ganho, é puramente graça de Deus.
Para esse jovem e para nós alcançarmos a perfeição, somente seguindo a Cristo, somente entregando nossas vidas a Ele, porque Ele, sendo perfeito, nos torna perfeito diante do Pai. Não há outra maneira de ser perfeito, a não ser sendo lavado pelo sangue do Cordeiro. A não ser, reconhecendo que somos pecadores, que por nós mesmo é impossível ser salvo e se entregar a Cristo. Cristo é perfeito e Ele nos torna perfeito. Somente os que são chamados a perfeição entrarão no céu.
Mas até agora, esse jovem ainda não reconheceu o perigo eminente que sua alma estava correndo com ele confiando em si mesmo. Achando que suas “boas obras” eram suficientes para lhe salvar. Mas após seu questionamento e um chamado à perfeição, Jesus toca agora no fundo da alma daquele jovem. No amago de seu problema. Na raiz do seu pecado. (v.21b)
O jovem não estava na frente de um sábio qualquer, um filósofo, um professor, um mestre como ele imaginava, ele estava diante dAquele que conhece todo nosso ser, o mais profundo do nosso coração, o autor da vida, engenheiro Mór que criou os céus e a terra. E Jesus descortina o coração desse jovem trazendo à tona o seu pecado. Seu pecado não estava em roubar, matar, desobedecer a pai e mãe, adulterar, nada disso, seu pecado era idolatria. Seu pecado era dar mais valor a seus bens do que a Deus. Seu pecado era querer ter seus tesouros neste mundo, onde a traça e a ferrugem corroem, do que ajudar o próximo em suas necessidades para ter um tesouro no céu. Seu pecado era amar a mamóm mais do que a Deus. E como esse pecado é comum em nossos dias...
Não se engane irmãos, nós não somos diferentes desse jovem. Nós não somos diferentes dos católicos que idolatram santos, porque todos nós temos nossos pecados de estimação, nossos ídolos. Como já disse João Calvino: “nosso coração é uma fábrica de ídolos”. Todos nós temos algo que podemos nos apegar mais do que a Deus. Pode ser seu trabalho, sua família, suas posses, seu dinheiro, a igreja, ao estudo da Palavra, um pastor, uma banda de música evangélica - e como a idolatria gospel tem crescido – e vamos dar as desculpas mais esfarrapadas possíveis para justificar nossas ações. Voilà, esse é o ser humana, caído, pecador e idólatra! Esse é você. Esse sou eu.
Antes de prosseguirmos no texto, preciso deixar claro que Jesus não estava pedindo para esse jovem fazer um voto de pobreza, vender tudo que ele tinha, de forma literal e dar aos pobres. Jesus estava desafiando o jovem a renunciar àquilo que ele tinha como mais importante. A renunciar a suas riquezas. A colocá-la a disposição do reino de Deus. Para ser perfeito, como Cristo advertiu o jovem a ser, ele deveria abrir mão do amor ao dinheiro.
John McArthur diz: “não se pode ir a Jesus Cristo pedindo salvação tão somente com base em carências psicológicas, ansiedade, falta de paz, sensação de desespero, falta de alegria, ou desejo de ser feliz. A salvação é para aqueles que odeiam o seu pecado e desejam dar as costas às coisas desta vida. É para pessoas que compreendem que têm vivido em rebeldia contra o Deus santo. É para aqueles que querem dar meia-volta e viver para a glória de Deus”.
Se te pregaram um evangelho onde você vai ser próspero, vai ser curado das enfermidades, vai viver uma vida feliz e contente e nada de mal vai te acontecer, lamento te dizer, te contaram uma história e não o Verdadeiro Evangelho. Porque o verdadeiro Evangelho não são bênçãos para essa vida, mas é a esperança de uma vida melhor com Cristo na Eternidade, sem pecado e suas consequências. O verdadeiro Evangelho nos mostra quem somos, de verdade: pecadores imundos, destituídos da glória de Deus, separados de Deus por um muro de pecados, mas fomos salvos por Cristo, porque Deus nos amou. Não merecíamos, foi pela Graça mas não foi de graça, foi pago um alto preço. E Deus nos salvou em Cristo Jesus na Cruz não para gozarmos deste mundo, mas para vivermos ansiosos pelo mundo vindouro que Ele fez para nós.
Mas continuando ainda no versículo 21, há um segundo desafio: o de seguir Jesus. Jesus não fala: “vem comigo e depois você vende suas coisas”. “vem comigo, depois você resolve esse pecado”. Não irmãos, primeiro devemos ter um arrependimento genuíno, devemos reconhecer nosso pecado para depois seguir a Cristo.
(mais uma vez, abro um parênteses para a aula de hoje cedo, de levíticos, onde o sacerdote se purificava, para depois apresentar-se diante de Deus).
E seguir a Cristo não é um estilo de vida, ir aos cultos, conhecer gente legal, que não bebe, não fuma, mas que come demais e tem boas atitudes. Não! Seguir a Cristo é abandonar tudo que você tem de melhor, tudo que ocupa o seu coração no lugar de Deus, tomar uma cruz e segui-lo, ser crucificado com Ele e sofrer com Ele, por Ele e através dEle. Morrer para este mundo e seus prazeres. Seguir a Cristo deve ser acompanhando de uma vida ativa de testemunho e transformação de vida, porque fomos justificados e agora somos santificados. Seguir a Cristo é ter uma vida de confrontamento interior, à Luz do Espírito Santo, sobre seus pecados e se arrepender. É buscar viver pela Palavra e não mais na prática do pecado. Seguir a Cristo e tomar a Cruz é entender que somos escravos de Cristo e vivemos para ele, não mais escravo de Mamóm, não mais escravo de nossos ídolos, de nossos caprichos, não mais escravo do mundo.
Falando assim, parece até que ser crente é a coisa mais difícil, que é chato, que nesta vida iremos viver só em desgraça e que nada de bom vai nos acontecer aqui nessa terra. Não é isso. O que quero dizer é que quando abandonamos os nossos pecados, tudo aquilo que nos separada de Deus e o seguimos, iremos fazer tudo para sua honra e glória.
Não posso ter um carro? Pode! Para glória de Deus. Usando o carro para o servir os irmãos e a igreja. EXEMPLO DO ADESIVO NO CARRO.
Não posso ter dinheiro? Pode! Para glória de Deus. Ajudando os irmãos da fé com seus recursos.
Não posso ter uma carreira profissional bem sucedida? Pode! Para glória de Deus, fazendo do seu serviço um motivo para glorificar o nome de Deus.
Não posso ser político, ser um artista, ser um jornalista, um pastor, um jogador de futebol, um rapper ou qualquer outra coisa que você queira ser? Pode. Desde que isso não ocupe em seu coração o lugar que está reservado para Deus e que seja para glorificar o nome de Deus.
Foi isso que Cristo quis dizer ao jovem rico quando pediu que ele vendesse tudo.
Indo para o final desse sermão, iremos ver que o jovem tomou a decisão errada, escolheu o tesouro errado (v.22)
Como já dito, o jovem tomou uma decisão errada por não saber de fato quem Cristo era. O coração desse jovem não estava ligado nas coisas do céu, mas nas coisas dessa terra. Ele ficou demasiadamente triste com a resposta de Cristo. E veja, Cristo nem falou contra sua observância da Lei, mas ele foi direto em seu pecado. Ele sabia que, muito além de uma falta de compreensão acerca da Lei, esse jovem estava preso ao tesouro neste mundo, à suas posses nessa terra e preferia ter um tesouro aqui, do que um tesouro no céu. Em seu coração ainda não reinava a esperança de uma vida melhor, de uma vida eterna com Cristo. Ele estava ansiando por uma vida eterna diferente do que Deus tinha planejado. Talvez, assim como muito de nós, esse jovem pensava que poderia viver da forma como queria, guardando a Lei como ele achava que estava certo, desfrutando dos manjares deste mundo e que ainda seria salvo. Ledo engano.
Ouro e prata são corruptíveis, a traça e a ferrugem vão corroê-los. Não devemos ansiar por essas coisas, porque o anseio a riqueza é a raiz de todos os males. Vejamos quantas pessoas roubam, matam, sequestram, fraudam, enganam e outras barbáries por conta do amor ao dinheiro.
A falta riquezas não nos deve deixar triste. Muito menos a abundância de riqueza deve nos deixar alegre. Nossa alegria, como verdadeiros Cristãos, está no fato de termos esperança de uma vida melhor, termos fé em Cristo Jesus e Amar a Deus e ao próximo. Não devemos cobiçar os tesouros dessa vida, mas ansiar por uma coroa incorruptível, eterna, sem pecados.
Devemos hoje, conhecer a Cristo e tomar uma decisão correta. Devemos hoje, ainda hoje, literalmente, abrir mão de tudo e seguir a Cristo.
Não sei qual é o seu pecado. Não sei o que te prende ainda neste mundo, mas abra mão e siga a Cristo. Não vai ser fácil, alguns processos são dolorosos, mas vale uma vida eterna com Cristo.
Talvez é seu trabalho que te impede de seguir a Cristo, mas você não quer abrir mão dele porque tem uma boa remuneração. Talvez é seu namoro, mas você não quer terminar com seu namorado ou namorada porque gosta muito dele ou dela. Talvez é uma amizade, talvez é uma faculdade... há tantas coisas que nos prender neste mundo e nos fazem querer viver as coisas deste mundo, nos fazem desejar as coisas deste mundo e que tomam o lugar de Deus em nossos corações. Mas nada é bom o suficiente para ocupar o lugar de Deus em nosso coração. Porém, Deus não vai disputar espaço em nosso coração com nada nem ninguém. Ou você deixa Ele preencher seu coração ou você sempre terá um espaço a ser preenchido.

CONCLUSÃO

Quero concluir o sermão de hoje recapitulando um pouco do texto
1) Não é o bastante ter a atitude certa, ir a pessoa certa e fazer a pergunta certa
2) Não há nada de bom que possamos fazer. Não há como nos salvarmos por nossas obras
3) Não podemos viver para Deus do nosso modo, devemos andar em obediência à sua palavra e viver conforme sua palavra manda.
4) Precisamos ser perfeitos, mas só seremos perfeitos em Cristo, que é perfeito e nos torna perfeito.
5) Devemos abrir mão de tudo que toma o lugar de Deus em nossos corações e dar lugar somente para Deus, viver para Deus, glorificar o nome de Deus, honrar o nome de Deus, buscar o reino de Deus acima de todas as coisas, Amar a Deus e ao próximo.
6) Devemos tomar uma decisão, mas para tomar uma decisão correta, precisamos ter uma compreensão correta de quem Deus é. De quem Cristo é.
Busque a Deus. Leia sua Palavra. Estude bons Livros. Ore ao Espírito Santo para te dar sabedoria. Fique à vontade para procurar o pastor dessa igreja para tirar alguma dúvida. Deus te abençoe!
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