SINAIS DE UMA IGREJA VIVA - ATOS 2.42-47
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INTRODUÇÃO
INTRODUÇÃO
Irmãos, infelizmente, algumas igrejas nos dias de hoje têm perdido a essência da igreja primitiva, desviando-se dos elementos fundamentais que caracterizam uma igreja viva. A doutrina tem sido banalizada, a oração se tornado escassa, e a comunhão muitas vezes é superficial a solidariedade não tem se visto. O ensino fiel da Palavra de Deus está sendo substituído por entretenimento ou discursos vazios que colocam o homem no centro, em vez de exaltar a Cristo.
Além disso, vemos templos transformados em ambientes que mais parecem shows, tudo pensado para atrair as multidões, especialmente os jovens. Em muitas dessas igrejas, não há pregação fiel da Palavra, e, como consequência, também não há administração correta dos sacramentos, como o batismo e a ceia, nem há disciplina bíblica — pecados são ignorados ou escondidos em de tratados. Evangelização é esquecida, o cuidado com os necessitados é negligenciado, e a unidade, a solidariedade e a adoração fundamentada na Palavra acabam sendo substituídas por práticas superficiais.
Em contraste a isso, o texto que lemos nos apresenta um exemplo claro de uma igreja viva, que não dependia de entretenimento ou artifícios, mas sim de perseverança, unidade, amor genuíno e crescimento tanto em qualidade quanto em quantidade. Vale destacar irmãos, que a igreja primitiva não era perfeita, como alguns imaginam. Ela também enfrentava desafios e tinha falhas, como vemos no caso de Ananias e Safira.
Porém, apesar dessas imperfeições, era uma igreja centrada, que seguia o caminho correto e exibia sinais claros de vitalidade espiritual e estava sendo aprovada por Deus pelo fato de Deus acrescentar os salvos. Por isso, à luz deste texto e considerando que estamos celebrando este culto de ação de graças pela reinauguração deste templo, a fim de aprender com a Igreja primitiva e sermos encorajados por ela, seremos instruídos a meditar sobre o seguinte tema: Sinais de uma Igreja Viva. Em primeiro lugar, os sinais de uma igreja viva são visíveis na adoração comunitária da Igreja.
VISÍVEIS NA ADORAÇÃO COMUNITÁRIA (2.42-44)
Mas antes, é importante destacar que a passagem que acabamos de ler, está localizada após o relato de Pentecostes, quando o Espírito Santo foi derramado sobre os discípulos, marcando o início da Igreja (Atos 2.1-41). Após a poderosa pregação de Pedro, cerca de 3 mil pessoas se convertem, formando uma comunidade cristã vibrante e focada em alguns pilares que são regidos pela palavra perseverança. A igreja primitiva, como já vimos, não era perfeita, mas era uma igreja vibrante e perseverante. Mas em que eles perseveravam? Perseveravam em quatro pilares, primeiro na doutrina dos apóstolos.
E a doutrina dos apóstolos não era qualquer doutrina, pois consistia no evangelho de Cristo, que havia designado os apóstolos para serem os professores dos discípulos que viessem a crer (Mt 28.20). Antes de sua ascensão, Ele delegou essa autoridade aos apóstolos, que agora falavam em Seu nome. Essa doutrina, em um sentido amplo, refere-se às boas-novas de tudo o que Jesus disse e fez; de forma específica, era o evangelho transmitido oralmente pelos apóstolos aos novos convertidos. Esse ensino acontecia especialmente nos cultos públicos, onde os apóstolos pregavam e instruíam a Igreja. O que fica claro é que, diferentemente de muitas igrejas, a Igreja primitiva valorizava a doutrina dos apóstolos.
Irmãos, infelizmente, a doutrina tem sido banalizada em muitas igrejas, que não suportam o termo doutrina e tentam até mesmo abolir o termo. Isso porque o foco de tais igrejas não está na doutrina. E Paulo já havia alertado Timóteo sobre a importância de ensinar a sã doutrina, quando disse: “Pois haverá tempo em que não suportarão a sã doutrina; pelo contrário, cercar-se-ão de mestres segundo as suas próprias cobiças, como que sentindo coceira nos ouvidos; e se recusarão a dar ouvidos à verdade, entregando-se às fábulas” (2Tm 4.3-4). Vejam que não suportar a doutrina não é novidade. Muitos estão buscando sentir uma coceira nos ouvidos, e coceira aqui se refere a uma coceira gostosa nos ouvidos, ou seja, algo gostoso de se ouvir.
E isso acontece nos dias hoje, inclusive, muitas igrejas estão abolindo até mesmo a escola dominical, algumas estão menosprezando o tempo da Palavra e focando mais no tempo de músicas ou em outras atividades. Há igrejas que focam na ação social e desprezam o ensino. Vejam irmãos, que a igreja primitiva estava focada no ensino primeiramente. Nada poderia entrete-los mais do que a doutrina dos apóstolos.
Além disso, tendo em vista que se tratava de um contexto de culto, essa igreja que estava apegada a doutrina, também estava desfrutando de comunhão. Os cristãos estavam juntos e demonstravam visivelmente sua união em Jesus Cristo nos cultos de adoração, onde provavelmente chamavam uns aos outros de irmãos e irmãs porque tinham tudo em comum. Vejam que muitas igrejas vivem uma comunhão superficial comparado a igreja primitiva, que tinha unidade de mente, unidade de pensamento, a mente de Cristo. A igreja primitiva era unida de tal forma que eles: Atos 4.32 , Fp 2.1-3 . E uma igreja unida começa na mesma disposição mental, os crentes creem na mesma doutrina.
Inclusive, essa comunhão no partir do pão, com base no contexto, parece sugerir que a passagem se refere à celebração da Ceia do Senhor e não a uma refeição. E essa santa comunhão era acompanhada do ensino do evangelho e de orações. Percebam que eles perseveravam na comunhão do partir do pão, bem como nas orações e na comunhão na fé (v.43) Havia temor naqueles irmãos. E os milagres e os poderes e os sinais dos apóstolos eram as credenciais dos apóstolos para que as pessoas cressem na mensagem de Deus.
E eles tinham essa comunhão na fé, especialmente porque eles temiam a Deus e perseveravam unanimes diariamente (estavam na Igreja todos os dias). No entanto, hoje o que se exige de nós é que nós tenhamos comunhão com Deus todos os dias por meio do culto familiar e uma vez por semana, no dia do Senhor no culto público. Nós precisamos perseverar nisso e não negligenciar. As vezes nós achamos que ir no estudo bíblico, na reunião de oração ou na o estudo de jovens ou na Escola dominical substitui o culto onde nós desfrutamos de todos os elementos que sustentam a nossa fé, que não estão todos presente nas demais atividades. Irmãos precisamos levar a sério o culto ao Senhor.
E no livro de Atos a Igreja constantemente estava orando de forma regular.
Em resumo, os quatro elementos mencionados por Lucas nesse versículo (v.42) parecem se ligar ao culto público: ensino e pregação apostólica, comunhão dos crentes, celebração da Ceia do Senhor e orações comunitárias. Isso confirma que esses sinais demonstravam que a igreja primitiva, apesar de suas falhas, era uma igreja espiritualmente viva que estava focada e centrada no ensino, na comunhão, na Santa Ceia e nas orações. Ou seja essa igreja perseverava em práticas que honravam a Deus.
Assim como aqueles irmãos eram falhos, também somos pecadores, muitas vezes distraídos por desejos e prioridades que nos afastam daquilo que é essencial. Contudo, o mesmo Espírito que sustentava a Igreja primitiva a perseverar na adoração comunitária, está presente conosco, chamando-nos ao arrependimento, à mudança de mente, a darmos prioridade na adoração que é regida pela perseverança. Quando reconhecemos nossa fraqueza e nos voltamos para Cristo, encontramos esperança e força para perseverar na doutrina, na comunhão, na participação da Santa Ceia (levando esse sacramento a sério) e nas orações (uma prática que muitos de nós tem negligenciado individualmente e ainda mais coletivamente - são poucos os que oram na Igreja). Mesmo diante dessas falhas, o Senhor, que é fiel e justo, perdoa nossos pecados e nos restaura, capacitando-nos a ser uma Igreja viva que glorifica Seu nome e reflete a Sua graça. Que nossa adoração e comunhão sejam sempre uma resposta àquilo que Cristo fez por nós, refletindo Sua glória e apontando para Sua vinda.
Dito isso irmãos, que aprendamos com o exemplo da Igreja primitiva, mantendo nosso foco em Cristo e no que realmente importa, mesmo diante de nossas limitações, que não podem ser uma justificativa para não mudarmos.
Em segundo lugar, os sinais de uma igreja viva vão muito além de cultuar a Deus, pois também são visíveis na comunhão solidária da Igreja.
2. VISÍVEIS NA COMUNHÃO SOLIDÁRIA (2.45-47).
Irmãos, além de perseverarem na adoração comunitária, os cristãos da Igreja primitiva demonstravam sinais claros de vida espiritual na maneira como viviam em comunhão uns com os outros. A partir do versículo 45, vemos que eles não apenas compartilhavam da mesma fé, mas também estavam atentos as necessidades daqueles que precisavam. Por isso, os sinais também são visíveis na comunhão solidária da Igreja.
“Eles compartilhavam todas as coisas.” Enquanto os israelitas viajavam pelo deserto durante 40 anos, Deus provia diariamente para as suas necessidades. Estavam todos no mesmo nível econômico; ninguém era rico e ninguém era pobre. Quando chegaram na Terra Prometida, cada um recebeu a sua herança. Com o decorrer do tempo, eles começaram a experimentar tanto riqueza quanto pobreza em suas comunidades. Tal diferença foi evidenciada através dos séculos, pois sabemos que os judeus se recusaram a observar as estipulações de Deus para que cuidassem dos pobres e fossem generosos para com eles (Dt 15.1–11; Mq 2.1,2). Depois de um longo período, o nosso Senhor Jesus pregou o evangelho e disse: “Bem-aventurados vós, os pobres, porque vosso é o reino de Deus” (Lc 6.20; Mt 5.3). Ele também instruiu o jovem rico a vender suas propriedades e dar o dinheiro aos pobres (Mt 19.21).
Depois do Pentecoste, os novos convertidos em Jerusalém “compartilhavam todas as coisas com os necessitados, especialmente com os da família da fé, contando. Começaram a vender suas propriedades e bens e davam a qualquer um que tivesse necessidade”. O compartilhar comunitário de bens materiais não era um despojamento de riquezas. Mas contava com a boa vontade da parte dos proprietários em colocar seus pertences à disposição de todos os crentes que se encontravam necessitados. A meta dos cristãos primitivos era abolir a pobreza de forma que os carentes, como uma classe de pessoas, não existisse mais no meio deles (4.34a) o objetivo não era vender tudo. Em vez disso, Lucas faz alusão ao estabelecimento de um fundo geral mediante o qual os pobres eram sustentados e no qual os ricos depositavam o dinheiro conseguido com a venda de propriedades (4.34b,35; 6.1). Ademais, os que tinham bens os vendiam em base voluntária a medida que cada um tinha necessidade, ou seja, ninguém passava necessidade irmãos (Cf. 5.4).
Lucas continua a descrever a vida da comunidade cristã, destacando suas atividades diárias com a expressão todos os dias. Os cristãos de Jerusalém frequentavam o templo, que consideravam a casa de Deus, pois se viam como judeus que reconheceram o cumprimento das Escrituras do Antigo Testamento na vida, morte e ressurreição de Jesus Cristo. Reuniam-se nos pátios do templo, provavelmente no Pórtico de Salomão (3.11; 5.12), para oração e louvor. Viviam em plena união, comparada por Lucas a um cenário de beleza e harmonia semelhante à primavera. Nesse momento, ainda não enfrentavam oposição dos judeus nem de seus líderes religiosos, e sua vida exemplar atraía outras pessoas a Cristo.
Além disso, os cristãos reuniam-se diariamente em suas casas para compartilhar refeições e confirmar sua unidade em Cristo. Embora partilhar pão em casa fosse algo comum, Lucas destaca a união e harmonia entre os crentes, evidenciadas tanto no templo quanto em suas refeições nos lares. Eles “comiam juntos com alegria e sinceridade de coração”, refletindo uma comunhão única. Essa prática pode ser comparada à festa do amor, mencionada por Paulo em 1 Coríntios 11.20-22, por Pedro em 2 Pedro 2.13 e por Judas em Judas 12. Em Jerusalém, Lucas indica que tais refeições ocorriam “todos os dias” (v.46a). É importante distinguir essas refeições da Ceia do Senhor mencionada no versículo 42. Era um momento como fazemos hoje, quando somos convidades pelos nossos irmãos para desfrutarmos de comunhão fraternal, incluindo uma boa comida
Lucas enfatiza a união, harmonia, alegria e singeleza dos crentes, frutos do Espírito Santo agindo em suas vidas. Essa alegria aparece repetidamente no livro de Atos, muitas vezes relacionada à ação do Espírito (8.8,39; 13.48,52; 15.3; 16.34). Já a palavra "singeleza", usada apenas aqui no Novo Testamento, significa "terreno plano, sem pedras", indicando algo puro e íntegro, sincero que estava acontecendo na Igreja primitiva. Não era superficial.
No versículo 47, Lucas afirma que os cristãos viviam “louvando a Deus e gozando do favor de todo o povo”. A primeira parte refere-se à relação com Deus, enquanto a segunda reflete seu testemunho diante das pessoas. Esse comportamento diário dos crentes era um testemunho vivo do poder do evangelho e da ação do Espírito Santo. A conduta deles despertava a atenção e o respeito do povo, atraindo outros a Cristo. Assim, vemos a igreja missionária em ação, demonstrando o verdadeiro Cristianismo por meio de vidas transformadas.
Lucas encerra essa seção afirmando que o Senhor acrescentava novos convertidos à igreja. Em primeiro lugar, observe que ele utiliza o título "Senhor" referindo-se a Jesus, e não diretamente a Deus. Em segundo lugar, o texto mostra que o Senhor Jesus continua sua obra de expandir a comunidade cristã. Entre os habitantes de Jerusalém, Ele transforma 3 mil pessoas, conduzindo-as à conversão e integrando-as à igreja como crentes. Lucas descreve os convertidos como “os que estavam sendo salvos”, destacando que o próprio Senhor é o Agente da salvação de Seu povo, cumprindo assim a profecia de Joel: “Todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo” (v.21; Jl 2.32).
Além disso, o uso da palavra "diariamente" é significativo. Esse termo está conectado à frase “os que estavam sendo salvos”, não sugerindo uma salvação gradual de cada indivíduo, mas evidenciando que o milagre da salvação ocorre continuamente, a cada dia. Hoje, essa obra divina permanece ativa, pois o Senhor continua a salvar e a acrescentar pessoas à sua igreja, chamando-as para serem cidadãs espirituais da cidade celestial, Sião. Isso nos encoraja, como igreja, a sermos fiéis na proclamação do evangelho e a cultivar um ambiente de solidariedade e discipulado, reconhecendo que, embora sejamos chamados a pregar o evangelho
CONCLUSÃO
Por fim, queridos irmãos, diante do que aprendemos hoje, é evidente que uma igreja viva não é uma igreja cheia de entretenimentos para atrair multidões que menosprezam a doutrina, a comunhão, a ceia, as orações e a solidariedade para com o próximo, mas sim, uma igreja viva se destaca por sua adoração comunitária, comunhão solidária e pelo testemunho que glorifica a Deus. Esses sinais são reflexos do poder transformador do Espírito Santo em nossas vidas e mostram que, mesmo sendo imperfeitos, podemos ser instrumentos nas mãos do Senhor para o avanço de Seu reino. À medida que reinauguramos este templo e enfrentamos os desafios de um longo trabalho pela frente, sejamos inspirados pelo exemplo da Igreja primitiva. Que nossa doutrina seja sólida, nossa comunhão profunda e nossa adoração sincera. Mais que estruturas físicas renovadas, precisamos de corações renovados em Cristo, que atraiam outros a Ele. O Senhor continua acrescentando os que são salvos à Sua Igreja, e nossa missão é perseverar em fidelidade, refletindo os sinais de uma igreja viva e vibrante para a glória de Deus.
Dito isso, precisamos levar algumas lições conosco:
Primeiro, invistamos em aprender e ensinar a sã doutrina, priorizando o culto público e participando ativamente da Escola Dominical, reuniões de oração e estudos bíblicos sem substituir tais atividades como se elas fossem o culto público. E aqui não estou incentivando você a não participar das demais atividades da Igreja, mas sim, ter cuidado para não substituí-las pelo Culto.
Segundo, cultivemos relacionamentos genuínos na igreja, atentos às necessidades uns dos outros, e demonstremos a solidariedade cristã, especialmente cuidando dos mais necessitados. Hoje vivemos dias que as pessoas não se conhecem na Igreja e nem procuram saber quem está tendo necessidades. Precisamos olhar a Igreja primitiva e ficar atentos para que ninguém da família da fé passe necessidade.
Terceiro, comprometamo-nos a proclamar o evangelho, não apenas em palavras, mas por meio de vidas transformadas que glorifiquem a Deus e atraiam outros à fé em Cristo. A igreja primitiva atraía as pessoas, hoje no entanto, nós mas temos espantado do que atraído. Precisamos estar prontos para que as pessoas nos imitem, porque imitamos a Cristo na sua humildade, na sua dedicação em aprender, na sua bondade, na sua misericórdia, a fim de que Ele seja honrado.
Quarto, reconheçamos que precisamos depender do Senhor mesmo que tenhamos a tarefa de proclamar o evangelho cumprindo o nosso chamado como Igreja. Lembremo-nos de que o Senhor continua operando salvação hoje apesar de nós. Devemos buscar ser uma igreja viva, centrada na Palavra, unida na comunhão, generosa com os necessitados e fervorosa em oração, pois essas práticas atraem as pessoas para Cristo. Que cada crente aqui se comprometa com o discipulado, demonstrando, através de sua vida, o poder transformador do evangelho, e confiando que o Senhor, em Sua fidelidade, continuará a salvar e edificar a Sua Igreja. Confiemos nisso e continuemos sendo perseverantes
