O que semeia discórdias
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Introdução
Introdução
16 Seis coisas o Senhor Deus odeia,
e uma sétima a sua alma detesta:
17 olhos cheios de orgulho,
língua mentirosa,
mãos que derramam sangue inocente,
18 coração que faz planos perversos,
pés que se apressam a fazer o mal,
19 testemunha falsa que profere mentiras
e o que semeia discórdia entre irmãos.
Hoje estamos encerrando a nossa série Detox, onde ao longo das últimas semanas falamos sobre um lista de coisas que o Senhor odeia que giram em torno do interior do coração. Semelhantemente a outros elementos numéricos, essa lista representa de alguma forma a totalidade de pecados do coração congra o próximo. Assim vemos nas sete cartas de Apocalipse às sete igrejas que representa a totalidade da igreja de Cristo, e assim por diante. Aqui vemos como devemos guardar o nosso coração, e o quanto Deus se importa com isso. Não é a toa que o próprio Jesus eleva o padrão quando resume a Lei de Deus o amor ao próximo como a evidência de uma vida transformada de alguém que realmente teve um encontro com Deus.
Ao chegarmos neste último pecado, o que nós vemos é que o sétimo representa a totalidade dos pecados listados e de alguma forma todos os outros pecados do coração contra o próximo. Logo, o que semeia discórdia é o elemento culminante, o desejo de ruptura, luta e hostilidade resume os vícios listados nos versículos 16-19, define o perverso e explica o julgamento de Deus para essa pessoa. Semear discórdia passa por alimentar o conflito e promover aquilo que popularmente chamamos de fofoca.
Não é a toa que a fofoca é colocada por último e classificada como como a alma do Senhor detesta (abomina). De certa forma a fofoca é o conjunto das outras seis coisas que Deus odeia.
A fofoca nasce de olhos altivos por cultivar uma soberba moral, social ou espiritual onde o fofoqueiro se julga superior e no direito de falar depreciativamente de quem é o alvo da fofoca.
A fofoca nasce de uma língua mentirosa porque profere inverdades sobre alguém.
De mãos que derramam sangue inocente porque a fofoca fere, mata e as vezes se torna a arma mais fácil para quem quer ferir, quer matar, mas não pode ou não tem coragem de fazer fisicamente.
Nasce de um coração que traça planos perversos, porque não existe fofoca bem intencionada. A bíblia fala que a boca diz aquilo que o coração está cheio.
De pés que se apressam para fazer o mal, porque a fofoca por si só é um ato de maldade.
E lógico que a fofoca não deixa de ser um falso testemunho sobre alguém, porque sempre se trata de mentira ou uma verdade manipulada sobre alguém.
A fofoca geralmente se apresenta de forma sorrateira. Ela entra nas nossas conversas disfarçada de preocupação ou curiosidade, mas carrega consigo um poder destrutivo enorme. Deus a classifica como abominável (Provérbios 6.16-19), algo que Ele detesta. E, no entanto, como um pecado tão grave pode ser tratado com tanta leveza em nossas comunidades?
Imagine que você está em uma roda de amigos e alguém começa a compartilhar algo sobre outra pessoa que não está presente. As palavras parecem inofensivas no início, mas logo a conversa toma um tom mais crítico. Você percebe que o alvo daquela conversa, mesmo sem estar ali, está sendo julgado e diminuído. A fofoca é como uma fagulha que incendeia uma floresta inteira (Tiago 3.5-6). E o mais assustador? Muitos de nós participamos dessas conversas sem percebermos o quanto estamos semeando discórdia.
Ilustração:
Lembro-me de uma história contada por um pastor sobre um jovem que se arrependeu de ter espalhado fofocas sobre um amigo. Ele foi até um sábio em busca de orientação. O sábio entregou-lhe um travesseiro cheio de penas e pediu que ele as soltasse ao vento. Depois, ordenou que recolhesse todas as penas espalhadas. O jovem protestou: "É impossível!" O sábio então respondeu: "Assim são as palavras que você soltou. Você nunca poderá recolhê-las completamente."
Assim como o jovem da história, precisamos entender que as palavras têm poder. Elas podem curar, mas também podem ferir profundamente. Hoje, veremos como Jesus confronta a fofoca em Mateus 11.16-24, revelando que ela é fruto de imaturidade, distorção da verdade e incredulidade. Mais do que evitar esse pecado, somos chamados a sermos agentes de reconciliação e verdade em um mundo dividido.
16 — Mas a que compararei esta geração? É semelhante a meninos que, sentados nas praças, gritam aos companheiros:
17 “Nós tocamos flauta,
mas vocês não dançaram;
entoamos lamentações,
mas vocês não prantearam.”
18 — Pois veio João, que não comia nem bebia, e as pessoas dizem: “Ele tem demônio!” 19 Veio o Filho do Homem, comendo e bebendo, e as pessoas dizem: “Eis aí um glutão e bebedor de vinho, amigo de publicanos e pecadores!” Mas a sabedoria é justificada por suas obras.
20 Então Jesus começou a repreender as cidades nas quais ele tinha feito muitos milagres, pelo fato de não terem se arrependido:
21 — Ai de você, Corazim! Ai de você, Betsaida! Porque, se em Tiro e em Sidom se tivessem operado os milagres que foram feitos em vocês, há muito que elas teriam se arrependido com pano de saco e cinza. 22 Mas eu digo a vocês que, no Dia do Juízo, haverá menos rigor para Tiro e Sidom do que para vocês.
23 — E você, Cafarnaum, pensa que será elevada até o céu? Será jogada no inferno! Porque, se em Sodoma se tivessem operado os milagres que foram feitos em você, ela teria permanecido até o dia de hoje. 24 Mas eu digo a vocês que, no Dia do Juízo, haverá menos rigor para a terra de Sodoma do que para você.
Explicação do texto
Explicação do texto
Em Mateus 11.16-24, Jesus critica a geração contemporânea por sua inconstância e resistência à mensagem divina, comparando-os a crianças que, insatisfeitas, rejeitam tanto celebrações alegres quanto lamentações. Essa metáfora ilustra a obstinação do povo em não aceitar a verdade, independentemente da forma como é apresentada. João Batista, com seu estilo de vida austero, foi acusado de ter demônio, enquanto Jesus, que se associava com pessoas comuns, foi chamado de glutão e beberrão. Essas reações demonstram uma resistência deliberada à verdade, independentemente da forma como ela é apresentada.
Jesus prossegue repreendendo as cidades onde realizou a maioria de Seus milagres—Corazim, Betsaida e Cafarnaum—por não se arrependerem, apesar das evidências claras de Seu poder. Ele declara que, no Dia do Juízo, será mais tolerável para cidades pagãs como Tiro, Sidom e até mesmo Sodoma, do que para aquelas que testemunharam Suas obras e ainda assim permaneceram impenitentes. Essa passagem enfatiza a gravidade da incredulidade diante da revelação divina e a severidade do julgamento para aqueles que rejeitam a mensagem de Deus.
Teologicamente, essa passagem destaca a responsabilidade que acompanha a revelação divina. Aqueles que recebem maior luz são chamados a uma resposta correspondente; a rejeição consciente da verdade resulta em um julgamento mais severo. Historicamente, as cidades mencionadas eram centros significativos na Galileia, e a menção de Tiro, Sidom e Sodoma, conhecidas por sua impiedade, serve para intensificar a seriedade da advertência de Jesus. Culturalmente, a comparação com crianças brincando nas praças reflete práticas comuns da época, tornando a mensagem de Jesus acessível e relevante para Seus ouvintes.
E o que essa passagem tem a ver com o tema? A impenintência daqueles que são advertidos por Jesus é manifesta através da maledicência, indicando para nós o que o sábio escreve em Provérbios, que a alma do Senhor detesta aqueles que semeia discórdias porque este é um traço de um coração impenitente.
1. A Fofoca e a Imaturidade Espiritual
1. A Fofoca e a Imaturidade Espiritual
(Mateus 11.16-17)
Jesus descreve sua geração como crianças que, mesmo em um ambiente preparado para elas, não conseguem se alegrar nem lamentar no momento apropriado. Ele usa uma metáfora simples: brincadeiras infantis em que as crianças reclamam porque nada as agrada. Assim, Ele revela a raiz do problema: imaturidade espiritual.
Explicação
A fofoca é fruto dessa mesma imaturidade. Ela surge em corações que não cresceram na graça e no conhecimento de Deus. Como crianças que brigam em um parquinho, pessoas imaturas usam palavras para ferir, manipular e criar conflitos. Ao invés de edificar, suas conversas trazem desunião e atrapalham a comunhão. Sim, o quanto mais amadurecemos espiritualmente mais satisfeitos em Deus somos. Nós damos pouca ênfase a pecados terríveis como reclamação e crítica, ignoramos a foram como Deus por exemplo puniu severamente o seu povo conforme o relato de Números 11 desse pecado. Conforme o Pator Rennan Dias em seu livro, “Os pecados do deserto e o triunfo da Graça", a reclamação alimenta a nossa natureza pecaminosa. Libera energia emocional negativa de modo a propiciar alívio momentâneo em meio a uma situação que nos traz frustração. Da mesma foram a crítica (pessoas com o espírito crítico vs ter senso crítico) nasce dos corações que se acham superiores e nos afastamos das pessoas, da mesma forma por se acharem superiores as pessoas se afastam dos críticos. QUem aguenta viver com alguém de espírito crítico o tempo todo?
Essa imaturidade se manifesta também na dificuldade de aceitar a diferença: João Batista veio com um estilo de vida austero e foi criticado como possuído por demônios. Jesus veio vivendo de forma mais acessível e foi acusado de glutão e beberrão. A geração daquela época, incapaz de discernir as obras de Deus, usava a língua para atacar o que não compreendia.
Aplicação
Quantas vezes não agimos da mesma forma, somos imaturos e tendemos a reclamação e a crítica o tempo todo, nada está bom. E pior, assim como a geração daquela época e usamos a língua para atacar o que não compreendemos. Não damos o benefício da dúvida aos nossos irmãos diante de situações que não sabemos de todos os fatos, ou até mesmo em questões que por vezes nem nos diz respeito.Precisamos nos perguntar: em que áreas da nossa vida espiritual ainda somos imaturos? Será que usamos nossas palavras para promover reconciliação ou estamos entre aqueles que semeiam discórdia?
Um crente maduro fala com graça, moderação e amor. Ele não se envolve em fofocas ou conversas que depreciam outros (não é o emissor e também não se presta a ser o receptor). Ao contrário, ele busca sempre edificar. A maturidade espiritual começa com o domínio da língua, pois como Tiago nos ensina, a língua pode tanto incendiar quanto curar (Tiago 3.5-6).
Convite à Reflexão:
De que maneira suas palavras têm influenciado o ambiente ao seu redor? São como o vento que espalha fagulhas destrutivas ou como bálsamo que promove cura e unidade?
2. A Fofoca como Distorção da Verdade
2. A Fofoca como Distorção da Verdade
(Mateus 11.18-19)
João Batista foi criticado por sua disciplina rigorosa e chamado de endemoniado. Jesus, por outro lado, foi acusado de ser glutão e beberrão. Essas acusações não eram mentiras completas, mas distorções da verdade. A geração que Jesus confronta em Mateus 11 não apenas falava inverdades, mas manipulava fatos para descreditar e dividir.
Explicação
A fofoca, muitas vezes, não é uma mentira descarada, mas uma meia-verdade, uma manipulação de fatos ou a má interpretação de intenções. Pessoas fofoqueiras buscam moldar as narrativas para se encaixarem em seus interesses ou preconceitos. Essa distorção da verdade revela um coração que não confia na justiça de Deus e tenta assumir o controle, mesmo que isso custe a reputação do outro.
João Batista vivia em santidade, e Jesus vivia com misericórdia, mas ambos foram criticados porque suas vidas expunham os pecados daqueles ao redor. A fofoca é frequentemente uma tentativa de nivelar moralmente o campo: se eu consigo criticar ou diminuir alguém, automaticamente ele não parece melhor do que eu. O pecado da maledicência por vezes tem esse objetivo, atacar uma pessoa afim de descredibilizar a sua mensagem ou até mesmo a sua posição. Manipular um fato, colocar seu caráter em cheque afim de que sua mensagem ou sua posição sejam questionadas.
Aplicação
Quantas vezes somos rápidos para julgar e comentar sobre algo que ouvimos sem sequer verificar os fatos? Como cristãos, somos chamados a sermos promotores da verdade e não participantes de conversas que manipulam informações para causar divisões.
Devemos não apenas evitar mentiras, mas também sermos cuidadosos para não manipular ou espalhar informações que possam ferir outros.
Convite à Reflexão:
Você já parou para pensar em como suas palavras podem estar distorcendo a percepção de outras pessoas sobre alguém? Como podemos cultivar um coração que busca a verdade sem cair no pecado da fofoca?
Desafio Prático:
Comprometa-se a buscar a verdade em todas as situações. Antes de compartilhar algo sobre outra pessoa, pergunte a si mesmo: "Isso é necessário? É edificante? Reflete o caráter de Cristo?" Seja alguém que sim defende a verdade, mesoo que isso implique em conversas desconfortáveis, mas faça em amor, e acima de tudo, sonde a motivação real do seu coração antes.
3. A Fofoca como Fruto da Incredulidade
3. A Fofoca como Fruto da Incredulidade
(Mateus 11.20-24)
Jesus passa a denunciar as cidades onde realizou muitos milagres, mas que, mesmo assim, não se arrependeram. Ele compara essas cidades com Tiro e Sidom, que eram conhecidas por sua maldade e rebelião. A incredulidade dessas cidades não apenas os afastava de Deus, mas também produzia um coração crítico e fofoqueiro, sempre pronto para julgar e difamar.
Explicação
A fofoca é, em sua essência, um reflexo de incredulidade. Quando deixamos de confiar na justiça e no caráter de Deus, sentimos a necessidade de controlar narrativas, mesmo que isso signifique ferir ou destruir a reputação de outros. Em Mateus 11, a incredulidade daquelas cidades não foi apenas a rejeição de Jesus, mas também uma postura de crítica constante e maliciosa.
A incredulidade nos torna inseguros, e essa insegurança alimenta o desejo de falar mal de outros como forma de nos sentirmos superiores ou no controle. É a tentativa de substituir a justiça de Deus pela nossa própria “justiça,” frequentemente manipulando palavras e espalhando discórdia.
Aplicação
Precisamos reconhecer que confiar em Deus inclui entregar a Ele as situações que nos frustram ou nos ferem. Quando falamos mal de alguém, muitas vezes é porque não acreditamos que Deus pode lidar com aquela pessoa ou situação melhor do que nós. A fofoca é uma forma de incredulidade prática: dizemos que confiamos em Deus, mas nossas palavras e ações mostram o contrário.
A solução para esse problema é o arrependimento. Jesus denunciou as cidades incrédulas porque elas não se arrependeram, mesmo após testemunharem os milagres. Da mesma forma, quando reconhecemos que nossos atos de fofoca revelam incredulidade, somos chamados a nos arrepender e buscar a reconciliação.
Convite à Reflexão:
Você confia plenamente na justiça de Deus ou sente que precisa “corrigir” as coisas com suas palavras? Será que a sua incredulidade está se manifestando na forma de críticas, fofocas ou conversas que semeiam divisão?
Desafio Prático:
Nesta semana, quando se sentir tentado a falar mal de alguém, pergunte a si mesmo: “Estou agindo em confiança na justiça de Deus ou tentando assumir o controle?” Ore por aqueles que o incomodam e peça a Deus que transforme seu coração para refletir a graça e a verdade de Cristo. Seja alguém que constrói pontes de reconciliação, não muros de discórdia.
Conclusão
Conclusão
A fofoca, como pecado que semeia discórdia, pode ser entendida como um "anti-evangelho." Enquanto o evangelho é a boa nova que une, cura e reconcilia, a fofoca faz o oposto: divide, destrói e semeia desconfiança. Quando escolhemos palavras que alimentam conflitos e criam rupturas, nos colocamos contra a obra redentora de Jesus, que veio para reconciliar todas as coisas em Si mesmo (Colossenses 1.20).
Pense na metanarrativa do evangelho: no Éden, o pecado quebrou a harmonia perfeita entre Deus, o homem e a criação. E o que estava no centro dessa queda? Uma mentira, uma distorção da verdade, que semeou desconfiança e discórdia. Desde então, a língua humana, destinada a louvar a Deus e edificar o próximo, frequentemente tem sido usada para ferir e destruir.
Mas Deus, em Sua graça, enviou Seu Filho, a Palavra encarnada, para reverter os efeitos do pecado. Jesus proclamou a verdade, viveu em perfeita unidade com o Pai, e morreu para reconciliar pecadores como nós. Onde usamos a língua para dividir, Ele usou Sua para proclamar vida. Onde nossos corações são inclinados a destruir, o coração de Cristo escolheu perdoar e restaurar.
Quando nos entregamos à fofoca, de forma prática, estamos negando a mensagem central do evangelho. Estamos trabalhando contra a unidade que Cristo veio estabelecer. Mas o evangelho nos oferece uma nova maneira de viver. Nele, encontramos perdão pelas nossas palavras destrutivas e capacitação para usar nossas palavras como instrumentos de graça. A união que o evangelho produz nos chama a sermos agentes de reconciliação, promovendo a paz que Cristo conquistou na cruz.
O evangelho transforma nossas palavras porque transforma nossos corações. Ele nos liberta da necessidade de usar palavras para justificar ou exaltar a nós mesmos, pois Jesus já nos justificou e nos exaltou em Si. Agora, somos chamados a refletir o caráter de Cristo, proclamando vida em vez de morte, promovendo unidade em vez de discórdia.
Encerramento:
Portanto, ao combatermos a fofoca, não estamos apenas lutando contra um pecado isolado; estamos participando da obra redentora de Cristo, que une todas as coisas Nele. Que nossas palavras sejam um reflexo dessa verdade, edificando e curando, em vez de destruir. Afinal, Cristo sofreu em silêncio por nós, pagando o preço por nossas palavras imprudentes, para que agora possamos viver como agentes de reconciliação e unidade. Que sejamos conhecidos como aqueles que proclamam a paz e a comunhão, para a glória de Deus.
