Vida sem calços

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Uma igreja apoiada na verdade, nos mandamentos e no amor não balança na fé.

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2Jo 1.1-6 - 1​O presbítero à senhora eleita e aos seus filhos, a quem eu amo na verdade e não somente eu, mas também todos os que conhecem a verdade, 2​por causa da verdade que permanece em nós e conosco estará para sempre, 3​a graça, a misericórdia e a paz, da parte de Deus Pai e de Jesus Cristo, o Filho do Pai, serão conosco em verdade e amor. 4​Fiquei sobremodo alegre em ter encontrado dentre os teus filhos os que andam na verdade, de acordo com o mandamento que recebemos da parte do Pai. 5​E agora, senhora, peço-te, não como se escrevesse mandamento novo, senão o que tivemos desde o princípio: que nos amemos uns aos outros. 6​E o amor é este: que andemos segundo os seus mandamentos. Este mandamento, como ouvistes desde o princípio, é que andeis nesse amor.

Introdução

(Bíblia)
Alguém aqui já teve que colocar um calço em algum móvel porque um dos pés do móvel não encostava no chão? Isso é particularmente chato quando é uma mesa que está bamba, porque, durante a refeição, ela balança cada vez que você encosta nela, podendo acabar derrubando o suco ou refrigerante do copo.
Mas já repararam que se a mesa ou cadeira tem três pernas ela nunca precisa de calço? Não importa o quão torto é o terreno, o móvel com tripé sempre fica firme!
E você? Anda balançando muito? Não sabe muito bem que decisão tomar na vida? Você se acha muito inseguro? Acha que as pessoas podem confiar num conselho seu?
A carta de 2 João fora escrita com o intuito de alertar e auxiliar a “Senhora eleita” e “seus filhos” contra alguns falsos mestres, talvez um tipo inicial de gnósticos, que estavam se infiltrando entre eles para deturpar o ensino de Cristo.
Essa “senhora eleita” e “seus filhos” podem ser uma igreja e seus membros, ou literalmente uma mulher e seus filhos, mas não são dados detalhes que nos permitam saber com certeza. É provável que alguma perseguição contra os cristãos já estivesse ocorrendo em algumas cidades e, falando dessa forma, João estaria evitando a identificação dos irmãos, caso a carta caísse em mãos erradas.
Seja como for, o que mais chama atenção nessa carta é que três palavras são repetidas com muita frequência, de maneira que é evidente que Deus, através do apóstolo João, nos diz que andar na verdade, nos mandamentos e no amor é o tripé do cristão que não vacila.
As três bases da vida que não vacila

1ª Base: Andar na verdade

1​O presbítero à senhora eleita e aos seus filhos, a quem eu amo na verdade e não somente eu, mas também todos os que conhecem a verdade, 2​por causa da verdade que permanece em nós e conosco estará para sempre, 3​a graça, a misericórdia e a paz, da parte de Deus Pai e de Jesus Cristo, o Filho do Pai, serão conosco em verdade e amor. 4​Fiquei sobremodo alegre em ter encontrado dentre os teus filhos os que andam na verdade, de acordo com o mandamento que recebemos da parte do Pai.
A palavra “verdade” (ἀλήθεια) é muito importante nos textos de João e é citada nesse texto cinco vezes, mas com dois significados diferentes que analisaremos a seguir:

I. Verdade: Sinceridade cristã

​1O presbítero à senhora eleita e aos seus filhos, a quem eu amo na verdade...
3a graça, a misericórdia e a paz, da parte de Deus Pai e de Jesus Cristo, o Filho do Pai, serão conosco em verdade e amor.
João começa sua carta dizendo que ama aqueles irmãos na verdade. Ou seja, não é qualquer amor, mas um amor sincero. Depois, ele evoca as bênçãos do Senhor Jesus e do Pai num ambiente de sinceridade e amor.
Para nós, que achamos que não é possível haver um amor que não seja sincero, devemos lembrar que na Bíblia, o amor não é tratado como um sentimento, mas como uma atitude, como podemos ver no texto 1Co 13.
Então, vemos aqui que a sinceridade nos relacionamentos e nas nossas atitudes tem tudo a ver com a benção de Deus sobre nós.
Mt 6.12 12 e perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós temos perdoado aos nossos devedores;
Você não deve esperar a paz de Deus se finge amar os irmãos. Você não deve esperar misericórdia de Deus se você finge perdoar seus irmãos. E você somente será capaz de agir contra suas falsidades quando for alcançado pela graça de Deus.
Isso nos leva ao outro significado da palavra “verdade” no texto.

II. Verdade: Evangelho de Cristo

​2por causa da verdade que permanece em nós e conosco estará para sempre...
4Fiquei sobremodo alegre em ter encontrado dentre os teus filhos os que andam na verdade, de acordo com o mandamento que recebemos da parte do Pai.
Nos versículos 2 e 4, verdade significa o “Evangelho”, ou seja, as boas novas da salvação em Jesus Cristo. Não há como você ter uma vida firme em Cristo, sem haver primeiro entendido que seus pecados são terríveis, que você merece o inferno, mas que Jesus foi punido em seu lugar e agora você será salvo SE você se submeter a Ele.
Isso significa que, se desejamos estar firmes, devemos nos humilhar perante Jesus, pois Ele resiste aos soberbos. Aliás, vejamos:
1Pe 5.5 5Rogo igualmente aos jovens: sede submissos aos que são mais velhos; outrossim, no trato de uns com os outros, cingi-vos todos de humildade, porque Deus resiste aos soberbos, contudo, aos humildes concede a sua graça.
O mais interessante é que João já estava falando com crentes quando ele diz que ficou contente de saber que alguns deles estão na verdade.
Isso deveria ser óbvio também, afinal quem está na igreja é crente, não é? É claro que isso não é verdade. Frequentar a igreja é o certo a se fazer, mas somente tem sentido se você já se entregou ao dono da Igreja: Jesus Cristo.

2ª Base: Andar nos mandamentos

4​Fiquei sobremodo alegre em ter encontrado dentre os teus filhos os que andam na verdade, de acordo com o mandamento que recebemos da parte do Pai. 5​E agora, senhora, peço-te, não como se escrevesse mandamento novo, senão o que tivemos desde o princípio: que nos amemos uns aos outros. 6​E o amor é este: que andemos segundo os seus mandamentos. Este mandamento, como ouvistes desde o princípio, é que andeis nesse amor.
A segunda base do nosso tripé é chamada por João de “andar nos mandamentos”. O apóstolo repete a palavra mandamento(s) (ἐντολή) quatro vezes nesse texto, num total de 22 (vinte e duas) em todos os seus escritos, sendo o escritor que mais se refere aos mandamentos no NT.
E porque é tão importante repetir tantas vezes a importância dos mandamentos?
Primeiro, porque parece que há certa confusão com relação ao que é ser salvo pela graça e não pelas obras. Algumas pessoas pensam que Paulo era contra seguir regras, porque somos salvos pela graça, mas ele mesmo disse em:
Rm 6.1-2 1Que diremos, pois? Permaneceremos no pecado, para que seja a graça mais abundante? 2​De modo nenhum! Como viveremos ainda no pecado, nós os que para ele morremos?
Em segundo lugar, porque a obediência aos mandamentos prova que nós somos cristãos, como o próprio Senhor Jesus Cristo disse em:
Jo 14.21a 21Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda, esse é o que me ama; e aquele que me ama será amado por meu Pai, e eu também o amarei e me manifestarei a ele.
Os mandamentos norteiam nossa vida em direção a Jesus, pois expressam Sua vontade. Se você não sabe quais mandamentos seguir, siga os maiores:
Mc 12.30-31 30​Amarás, pois, o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu entendimento e de toda a tua força. 31​O segundo é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Não há outro mandamento maior do que estes.
E chegamos a última palavra de nosso tripé.

3ª Base: Andar no amor

1​O presbítero à senhora eleita e aos seus filhos, a quem eu amo na verdade e não somente eu, mas também todos os que conhecem a verdade,
3​a graça, a misericórdia e a paz, da parte de Deus Pai e de Jesus Cristo, o Filho do Pai, serão conosco em verdade e amor.
5​E agora, senhora, peço-te, não como se escrevesse mandamento novo, senão o que tivemos desde o princípio: que nos amemosuns aos outros.
6​E o amor é este: que andemos segundo os seus mandamentos. Este mandamento, como ouvistes desde o princípio, é que andeis nesse amor.
A terceira e última palavra de destaque nesse trecho da Palavra do Senhor é amor, que aparece cinco vezes, seja como substantivo, seja como verbo. João é por muitos chamado o apóstolo do amor, tamanha a ênfase que ele dá a esse tema.
Ele nos mostra neste pequeno trecho que:
· Quem conhece a Cristo (verdade) ama os irmãos (v.1);
· O amor e a verdade são fruto da ação de Cristo em nós – e são inseparáveis (v.3);
· Deus não é de muita novidade: ele quer que nos amemos como irmãos (v.5); e
· O amor a ele nos direciona a conhecer e obedecer os mandamentos dele (v.6).
E o que isso significa pra nós hoje?
Muitos erros que cometemos na nossa vida pessoal, muitas heresias que aparecem nas igrejas, muitos estresses que passamos e cansaços que temos ocorrem porque nós complicamos tudo!
Se achamos que a igreja não vai bem, inventamos vários modos de as coisas ficarem mais legais, mas tudo o que Deus nos diz é “ame a Deus acima de tudo e ao próximo como a você mesmo”.
Se temos uma decisão difícil a tomar, ficamos procurando soluções mágicas como livros de autoajuda ou profetas, mas tudo o que Deus te diz é “ame a Deus acima de tudo e ao próximo como a você mesmo”.
Não querendo ser simplista, mas o fato é que, no fim, tudo se resume no amor.
Como disse Santo Agostinho,
“Ama e faz o que quiseres. Se calares, calarás com amor; se gritares, gritarás com amor; se corrigires, corrigirás com amor; se perdoares, perdoarás com amor. Se tiveres o amor enraizado em ti, nenhuma coisa senão o amor serão os teus frutos.”[1]
Amar é aprender de Cristo e imitar a Cristo. Amar é ser como Ele. Como disse Spurgeon,
Lembramo-nos do teu amor, ó Jesus, como nos foi manifestado na tua vida santa, desde a manjedoura de Belém até ao jardim do Getsêmani!
Nós o rastreamos do berço ao túmulo, pois cada palavra e cada ação sua foi amor.
Especialmente, ó Jesus, nos lembramos do seu amor por nós na cruz!
Olhamos para ti com as mãos e os pés pregados no madeiro amaldiçoado.
Nós nos lembramos do seu amor que manifestastes através de suas pobres mãos, pés e flancos sangrando.
Nós nos lembramos desse seu amor até que ele nos revigore e nos anime:
o amor que você exerceu desde sua morte,
o amor de sua ressurreição,
o amor que o leva continuamente a interceder perante o trono de seu Pai,
aquela lâmpada ardente de amor que nunca permitirá que te cales até que todos os seus escolhidos estejam bem acomodados, e Sião seja glorificada, e a Jerusalém espiritual esteja assentada em seus fundamentos eternos.

Conclusão

Então, irmãos, sempre que vocês sentirem que sua vida está “faltando algo” (bamba) não procure colocar calços nela.
Cada um aqui sabe o tipo de calço tem usado. Uns podem se afogar de tanto trabalhar. Outros vão atrás de pequenos ou grandes vícios. Tem aqueles que procuram o reconhecimento dos homens (querem cargos e títulos). E ainda aqueles que tem necessidade de novidade (moda, shows, eletrônicos).
Mas quem precisa de calço é porque está desequilibrado.
Apoie-se no tripé de Deus. Ande na verdade, nos mandamentos e no amor que sua vida não vacilará, não importa onde você esteja.
[1] “dilige et quod vis fac”. http://en.wikiquote.org/wiki/Augustine_of_Hippo acessado em 27/03/2015.
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