A doutrina que o homem natural mais odeia!
Notes
Transcript
Perícope:
Sl 99:1: "1 O SENHOR reina; tremam os povos. Ele está assentado entre os querubins; comova-se a terra."
Introdução
No Salmo 99, versículo 1, a palavra de Deus diz: "Reina o Senhor, tremam os povos". É maravilhoso! Reina o Senhor, tremam os povos e as nações. Nós nunca, jamais, devemos tentar pregar para tornar a palavra de Deus interessante para o homem natural, porque a palavra de Deus não é interessante para o homem natural. Essa não é a minha tentativa e nem nunca deve ser; a palavra de Deus só é preciosa para as pessoas que têm um coração para sentir e ver a sua beleza.
Aquilo que é dito da palavra encarnada neste mundo pode ser dito da palavra escrita. A mesma coisa: "Não vimos nele beleza alguma que nos atraísse" (Isaías 53:2). É isso que o mundo é; o mundo não vê nada de belo na palavra de Deus, nada que o atraia. Então, por que nós pregamos? Porque a mesma palavra de Deus que disse: "Não vimos nele beleza alguma para que nos atraísse" diz: "Todo aquele que o Pai me deu, esse virá a mim; e o que vier a mim, de maneira nenhuma o lançarei fora" (João 6:37). É a mesma coisa com a palavra de Deus. Então nós pregamos. Pregamos porque Deus escolheu não só quem Ele iria salvar, mas também os meios dos quais iria fazer isso. Como vemos em 1Co 1:21: "21 Visto como na sabedoria de Deus o mundo não conheceu a Deus pela sua sabedoria, aprouve a Deus salvar os crentes pela loucura da pregação."
O Homem Natural e a Palavra de Deus
Quando vemos um texto desse, nós pensamos em quanto o homem natural odeia a palavra de Deus. Quando eu falo de homem natural, falo sobre todos eles fora da igreja e na igreja. A Bíblia, em Isaías 53:3, diz: "Era desprezado e o mais rejeitado entre os homens; homem de dores e experimentado nos trabalhos; e como um de quem os homens escondiam o rosto, era desprezado, e não fizemos dele caso algum." Assim que Jesus foi tratado. Um dos motivos foi por causa daquilo que Ele pregava. Todas as doutrinas da graça são odiadas pelo homem, e esse ódio tem sido mostrado no mundo e na igreja.
Mas há uma doutrina que é a mais odiada de todas as doutrinas. E Jesus, como esteve neste mundo para glorificar o Pai, Ele pressionou aquela geração com essa doutrina: a doutrina da Absoluta Soberania de Deus sobre todas as coisas. Um dos motivos pelos quais as pessoas odiaram Jesus é que ele pressionou-os com essa doutrina.
Muitas pessoas pensam: "Olha, nós devemos pregar mensagens práticas e devemos deixar as doutrinas para lá." Poucas coisas são tão desagradáveis para o coração orgulhoso do homem natural como a verdade de que Deus faz tudo que lhe agrada, e tudo que lhe agrada será feito com sucesso. Deus faz tudo sem consultar nem a mim, nem a vocês, nem a nenhum outro ser humano, e que Ele dispensa os seus favores inteiramente por Sua graça, que Ele não é obrigado a dispensar a favor de ninguém, nem físico, nem espiritual. Nada! E que o homem natural não tem nenhuma reivindicação a fazer diante de Deus, já que o homem natural, destituído de todo mérito, ele não merece nada. Então, ele não tem nada a fazer para ganhar algo de Deus. O homem caído é morto espiritualmente e é totalmente dependente da caridade de Deus.
O homem lá fora que vive está vivendo da caridade de Deus até o momento em que Deus achar por bem dar a ele essas coisas, e quando Ele quiser, Ele as retira. A misericórdia de Deus, tanto na vida quanto na salvação e em todas as coisas, é totalmente regulada pela vontade de Deus. O ser humano odeia isso. Essa é a doutrina mais odiada.
Então, Mateus 20:15, Jesus disse: "Não é bom aos seus olhos eu fazer o que eu quero do que é meu." Jesus pressionava aquelas pessoas com essa doutrina. "Não é bom? Você vê com maus olhos o fato de que eu faço o que eu quiser do que é meu?" As coisas não são minhas? e essa questão irrespondível era um desafio para aquelas pessoas. Mas como Jesus veio para glorificar o Pai, Ele pressionou eles. Ele disse: Lc 4:25-28: "25 Em verdade vos digo que muitas viúvas existiam em Israel nos dias de Elias, quando o céu se cerrou por três anos e seis meses, de sorte que em toda a terra houve grande fome; 26 E a nenhuma delas foi enviado Elias, senão a Sarepta de Sidom, a uma mulher viúva. Deus só abençoou aquela viúva e nenhuma outra. Por quê? Porque Ele quis. É o que Jesus estava ensinando.
O Exemplo de Eliseu
E Ele disse mais: havia muitos leprosos em Israel no tempo de Eliseu, mas Deus resolveu curar Naamã, o sírio, e em vez de curar todos os leprosos que tinham em Israel. Essa era a pressão. E qual foi a sequência dessa mensagem de Jesus? Que o Pai curou o leproso que Ele quis e ainda curou um leproso estrangeiro e não curou os leprosos de Israel. Que visitou de maneira especial através do profeta. Uma viúva estrangeira não visitou as de Israel.
A Bíblia diz assim: "Quando ouviram isso, todos na sinagoga ficaram furiosos; levantaram-se, expulsaram-no da cidade e o levaram para a beira da colina em que a cidade foi construída, pretendendo arremessá-lo do penhasco" (Lucas 4:28-29). Esse foi um dos motivos de Jesus ser desprezado e odiado. Ele pressionou as pessoas com a doutrina mais odiada para o homem natural: a doutrina da soberania absoluta de Deus.
Muitas pessoas dizem: "Olha, essa doutrina não é útil por pregar sobre ela, por não pregar sobre algo prático". Isso levou o evangelho a ser o que ele é hoje. Uma monstruosidade.
Não existe nada prático sem a doutrina certa. Se você ler Romanos, você vai perceber que a primeira admoestação de Romanos vem no capítulo 5, depois que Paulo já expôs grande parte das doutrinas essenciais, porque a prática só pode vir de uma doutrina correta. A ordem de apresentação é essa: primeiro, a exposição da doutrina; depois, uma exortação da vida prática para nós.
Em Efésios, a primeira exortação não aparece antes do capítulo 4. Durante esses capítulos, Paulo fala sobre a doutrina grandiosa de quem Deus é. Quando nós substituímos a pregação da doutrina pela prática, como é feito hoje, graves enfermidades espirituais se desenvolvem, mortais no coração das pessoas e da igreja. O resultado é que poucos crentes hoje têm uma fé firmada na verdade. Ouviram coisas práticas. Muitas pessoas dizem: "Ah, não! Nós não queremos teologia, nós queremos viver, queremos algo que nos ajude a viver." Não pode haver vida sem ter esse alicerce poderoso.
Mas Paulo 2Tm 4:3-4: "3 Porque virá tempo em que não suportarão a sã doutrina; mas, tendo comichão nos ouvidos, amontoarão para si doutores conforme as suas próprias concupiscências; 4 E desviarão os ouvidos da verdade, voltando às fábulas."
Essa doutrina é fundamental e é a mais odiada de todas as doutrinas, mas ela é o centro gravitacional sobre o qual giram todas as outras coisas. Quando essa doutrina não está no lugar dela, é por isso que Jesus pressionou-a sobre a geração dele,t udo mais está errado porque só isso pode dar a glória devida ao nome de Deus. Como tudo existe para a glória de Deus, essa doutrina está no centro. O Soli Deo gloria! É óbvio que essa doutrina faz algo através do poder do Espírito Santo na aplicação dessa doutrina que mais nenhuma outra doutrina pode fazer.
Então, é estranho porque ela é tão odiada, mas nós podemos entender por que ela é odiada, apesar de ser central, de ser o centro gravitacional.
Resultados da Soberania de Deus
Em primeiro lugar, quais são os resultados que a visão da completa soberania de Deus traz em nós? Todos os resultados que a alma do homem que um dia não é estará para sempre com Deus precisa manifestar na terra.
Em primeiro lugar, essa doutrina aprofunda a nossa admiração pelo caráter de Deus. Não existe nenhuma outra doutrina que gere uma admiração tão grande por quem Deus é do que a doutrina da soberania absoluta de Deus, porque ela oferece um elevado conceito das perfeições de Deus.
É óbvio que se ela é a doutrina que mais exalta Deus, o coração orgulhoso humano odiaria ela, e é o que acontece. Porque essa doutrina mantém que Deus tem o direito de criador, Ele tem o direito de ser o oleiro, Ele tem o direito de dispor daquilo que é dEle como Ele quiser. Nada pode exaltar mais Deus.
Em 1 Coríntios 8:6 diz para nós: "Para nós, porém, há um só Deus, o Pai, de quem são todas as coisas e para quem nós existimos; e um só Senhor, Jesus Cristo, pelo qual são todas as coisas e nós, por Ele". O apóstolo Paulo está dizendo que tudo existe por causa e para Deus. Ele é o Criador. Nada existe para nós e por causa de nós, mas por causa dEle. Essa doutrina gera o sentido verdadeiro dessas palavras que Paulo está dizendo, porque só essa doutrina declara que os direitos de Deus são os direitos do Oleiro sobre o barro para fazer vasos como Ele quiser.
É por isso que Jesus pressionou aquelas pessoas. Havia muitos leprosos, mas Deus quis curar Naamã e mais ninguém. E mais ninguém foi curado. Havia muitas viúvas, mas Deus não quis mandar o profeta a elas. Deus não deve nada às viúvas. É o que Jesus está dizendo. Porque, se Ele devesse, então Ele teria sido injusto. Deus não deve nada aos leprosos, porque senão Ele teria que curar todos, mas Ele quis curar só Naamã e mais ninguém, porque Ele faz isso segundo a Sua vontade. É o direito do Oleiro sobre o barro.
A Doutrina da Soberania Exalta Deus
Só essa doutrina exalta Deus. Ap 4:11: "11 Tu és digno, Senhor e Deus nosso, de receber a glória, a honra e o poder, porque todas as coisas tu criaste, sim, por causa da tua vontade vieram a existir e foram criadas."Então, essa doutrina sustenta algo fundamental: ninguém tem qualquer direito de reagir contra Deus, seja qual for a decisão que Deus tome. A única atitude adequada da criatura para com Deus é uma reverente submissão. Como o Salmo diz: "Reina o Senhor; tremam os povos" (Salmo 99:1). É a única atitude correta.
Então, essa é a primeira coisa que essa doutrina faz.
Por que que hoje Deus é tão desprezado e nos cultos, e na igreja o homem é tão exaltado? Porque essa doutrina foi esquecida. Porque essa doutrina produz é essa reverência, essa submissão. Ninguém tem nada que reivindicar diante de Deus. Mas por que as pessoas reivindicam hoje? Porque essa doutrina foi tirada. Quando ela foi tirada, se pregou coisas práticas, mas essas coisas práticas são abomináveis. Não há prática sem doutrina correta. Essa doutrina é a doutrina central, mas é a doutrina mais odiada. Isso nos mostra em que ponto nós estamos.
A Reação do Homem Contra a Doutrina
Mas nós devemos lembrar que, em nenhum momento, essa doutrina foi amada. Quando Jesus falou sobre ela, queriam jogá-lo do precipício. Em todos os momentos em que Ele pressionou-os com a soberania de Deus, Deus nunca será honrado nos pensamentos que as pessoas nutrirem sobre Ele, se essa doutrina não tiver no seu lugar em nossas vidas. Então, olhe para todos os cultos, para tudo aquilo que nós chamamos culto a Deus, em que isso não é colocado no centro. Não pode honrar Deus.
Essa doutrina exibe que Deus é inescrutável, que o que Ele faz está além das nossas capacidades de entender. Quando Ele se decide pela Cruz, nós não éramos capazes de entender. Nós acharíamos uma loucura. Sem sentido. Essa doutrina afirma isso: que Ele é um Deus infinito em santidade, mas que, embora Ele seja infinito em santidade, permitiu que o mal entrasse no mundo. Que, apesar de possuir todo o poder para esmagar todos os homens e Satanás, Ele permite que eles continuem sua guerra, uma guerra inútil, por milhares de anos. Que, embora Ele seja a perfeita expressão do amor, Ele mesmo seja a definição do que é amor, já que Deus é amor, Ele não poupou seu próprio Filho, derramando sobre Ele a Sua ira. Que, embora Ele seja o Deus de toda graça, Ele não deve ela a ninguém. Ele não deve ela a nenhum leproso. Portanto, Ele cura o leproso que quiser, não deve nada a nenhuma viúva. Portanto, Ele manda o profeta à viúva que Ele achar melhor. Ele não deve a salvação a homem algum. Portanto, Ele não é obrigado a salvar ninguém.
A Sabedoria de Deus
É isso que mostra a nós essa doutrina. Que os juízos de Deus são inescrutáveis. Em Romanos 11:33 Paulo diz: "Ó profundidade da riqueza, tanto da sabedoria como do conhecimento de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos e quão inescrutáveis os seus caminhos!" Paulo está dizendo isso: "Olha, esse Deus soberano, nós não conseguimos sondar Sua mente." Então, Ele reina, e nós nos prostramos.
Essa doutrina torna conhecida que a vontade de Deus é irreversível. Deus não volta atrás. Por que Ele voltaria?
Em Atos 15:18 diz: "Conhecem ao Senhor os seus santos desde a eternidade." Ele faz isso ser conhecido desde todos os tempos; Ele nunca muda um plano. Sua vontade é irreversível. Desde o princípio, Deus propôs tudo para glorificar a Si mesmo. A Bíblia não coloca isso em alguns lugares periféricos. Em Efésios 3.21“21 a ele seja a glória, na igreja e em Cristo Jesus, por todas as gerações, para todo o sempre. Amém!”
Ele fez tudo isso para glorificar o Seu nome, para exaltar Seu Filho. Então, visando esse fim, Deus criou o mundo e os homens. Quem pode discutir com Deus que fim Ele devia dar à Sua criação? Que propósito ela teria? Que propósito maior ela podia ter a não ser glorificar quem Ele é em Suas perfeições?
Reconhecendo a Soberania
O plano de Deus jamais sofreu qualquer alteração. A Bíblia diz, em Apocalipse 13.8 “o Cordeiro foi morto desde a fundação do mundo." Tudo foi preparado, planejado por Deus. E a Bíblia diz que Deus permite toda essa guerra inútil, este coração natural voltado contra Ele, que faz essa doutrina ser horrível para o homem natural, quer no mundo, quer na igreja, mas até essas coisas redundarão em glória para Deus. Que a queda do homem em Adão de maneira nenhuma se levanta para frustrar o que Deus vai fazer. No Salmo 76.10“10 Pois até a ira humana há de louvar-te; e da ira restante te cingirás.”
Os propósitos de Deus se originaram na eternidade. Eles são imutáveis. Eles estão determinados por Ele. Nenhum homem, nem o diabo, pode resistir a Deus.
E no Salmo 99, então diz: "Reina o Senhor; tremam os povos." A graça é um favor imerecido. E visto que é graça, ela pode ser dada ao pior, em detrimento daqueles que nós achamos ser melhor, já que ninguém merece nenhum favor de Deus e não pode reivindicar. Então, a Sua graça é livre; Ele não a deve a ninguém.
A Soberania de Deus na Graça
Ele, em vez de escolher um leproso judeu, que as pessoas achavam piedoso, pode escolher o leproso Naamã, a viúva gentia. Ele pode manifestar Seu amor ao pior dos pecadores porque Ele concede a graça como Lhe apraz. Esse é o primeiro efeito dessa doutrina maravilhosa. Todos merecem um fim de condenação e juízo, mas a graça intervém, retira o homem dentre a humanidade perdida, e durante toda a eternidade Deus fez isso, não porque esse homem tinha valor; ele será um monumento da Sua graça, da Sua graça imerecida. Ele vai existir para o louvor da Sua graça.
Então, a Bíblia nos mostra que Deus quebranta qualquer oposição em qualquer coração e traz rendido a Ele, e faz qualquer homem em inimizade e com uma mente carnal amá-lo quando Ele coloca os Seus olhos sobre ele. Essa é a primeira coisa que essa doutrina faz. Essa doutrina tão odiada faz nós reverenciarmos a Deus em detrimento dos homens.
O Alicerce da Fé
Em segundo lugar, ela é o alicerce para a verdadeira fé. Sem esse alicerce, a fé não é verdadeira, visto que a doutrina da soberania absoluta de Deus é a única que atribui a Deus o lugar que lhe é devido. Qualquer doutrina que se levante contra essa não dá a Deus o lugar que lhe é devido, rouba a Sua glória. Então, só essa doutrina pode oferecer um alicerce pra vida prática.
Toda vida prática que não é baseada nela rouba a glória de Deus. Não pode haver progresso na vida espiritual quando nós não colocamos Deus no lugar ao qual Ele deve estar. Deus é Supremo; Ele deve ser temido e deve ser reverenciado. Ele deve ser reconhecido como Senhor de todas as coisas, visto que só essa doutrina leva o homem a isso. Ela é o alicerce da verdadeira relação com Deus. Tudo que é feito em detrimento dela fará com que todas as coisas que as pessoas façam sejam inaceitáveis. Nós vamos ler a Bíblia em vão se Deus não for visto como completamente soberano. Nós vamos ler a Bíblia em vão se nós não lemos a Bíblia para conhecer a vontade dEle. Porque se não é para conhecer a vontade de Deus que você lê a Bíblia, então você está sendo motivado por motivos egoístas, por interesses mesquinhos. Você está lendo a Bíblia voltado para você mesmo.
Então, só uma maneira de ler a Bíblia: é buscarmos: qual é a vontade de Deus para mim? Qual é a vontade desse Deus soberano para a minha vida? Quando a Bíblia é lida para ver se eu consigo nela alguns esquemas para melhorar a minha vida, essa é uma maneira diabólica de usar a Bíblia. Porque ela parte do princípio de que a Bíblia existe para nós e não para nos revelar a vontade soberana de Deus. A vontade de Deus para a vida dos homens é um motivo egoísta, inadequado e indigno. Portanto, muitas pessoas leem a Bíblia para a sua própria condenação. Quando Deus não é soberano, ler a Bíblia se torna algo fútil e inútil. Cada oração que é oferecida a Deus se torna uma afronta se ela não é oferecida com um conhecimento certo dessa doutrina que nos leva a dizer"seja feita a Tua vontade". Nós oramos porque sabemos que tudo Tu controlas; tudo Tu faz como Lhe apraz. Qualquer coisa que não tenha esse objetivo é pedir mal; a Bíblia diz: "pedis mal para gastar com vossos próprios deleites" (Tiago 4.3 “3 pedem e não recebem, porque pedem mal, para esbanjarem em seus prazeres.”
Quando a nossa oração não é inclinada à vontade de Deus, conhecer a vontade de Deus para que ela seja feita, isso é orar para a nossa própria condenação. Cada culto que prestamos a Deus será uma obra morta se não visar a glória de Deus. Se não for para a glória dEle. Você vê por que essa doutrina é o centro gravitacional em que todas as outras coisas podem ser feitas?
O Cristianismo Prático
O cristianismo prático consiste na percepção da Vontade Divina, na submissão à Vontade Divina, na glorificação a Deus pela Vontade Divina. O cristianismo prático é sermos conformados à imagem de Cristo. A Bíblia diz: "Fomos predestinados para sermos conforme à imagem do Seu Filho" (Romanos 8:29). Sermos como Ele era quando andou no mundo. E como Ele era quando andou no mundo? Ele disse: "A minha comida e a minha bebida é fazer a vontade daquele que me enviou" (João 4:34).
Nós fomos separados na eternidade para sermos assim, para que a nossa comida e bebida fosse fazer a vontade dEle. Isso é cristianismo prático. Só essa doutrina não te leva a ver um Deus subserviente à vontade humana que existe para nós e não o oposto. Quando nossa comida e bebida é fazer a vontade de Deus, então a única coisa que te interessa quando lê a Bíblia, quando ora e quando cultua é saber: "Eu quero saber a vontade de Deus, seja feita a Tua vontade." A Tua vontade é maravilhosa!
Então, essa é a segunda coisa: só a doutrina da soberania absoluta de Deus nos faz viver o cristianismo prático. Nenhuma outra doutrina pode fazer isso.
A Salvação e as Obras
Em terceiro lugar, ela expulsa completamente dos nossos corações e da igreja a ideia herética de que o homem pode ser salvo por aquilo que ele faz, pelas suas obras. Ou seja, que ele faz algo que deixa Deus na obrigação de salvá-lo. A Bíblia diz em Provérbios 14:12: "Há caminho que ao homem parece direito; mas o fim dele são os caminhos da morte."
Se há uma coisa que nós podemos aplicar isso é isso: as pessoas acreditam que parece direito que a eterna salvação dependesse do nosso esforço, dependesse do nosso mérito; que nós tivéssemos que contribuir para ela. Ao coração do homem, esse caminho parece ser bom. Mas esse caminho é um caminho de morte. Não há como. A crença na salvação pelas obras é típica da natureza humana. Naturalmente, o homem acredita que ele deve fazer alguma coisa para ser salvo e, se ele não fizer nada poderá ser salvo, que a salvação depende dele.
A Graça de Deus
Nós achamos as obras da Igreja Católica, pela qual foi feita a reforma, um afronta, um absurdo. Mas qualquer coisa que conceda ao ser humano a uma participação na salvação é a mesma coisa; mudou a forma, mas é a mesma essência. Quando nós pregamos: "Deus já fez a parte dele; agora faça a sua", nós estamos negando o evangelho, negando a verdade. Essa é uma miserável indesculpável negação da mensagem da graça divina.
A graça divina não é: "Deus fez a parte dele; você faz a sua." Não é “Deus ajuda aqueles que se ajudam” Não! A graça diz: Deus ajudou aqueles que não podiam se ajudar. Deus salvou homens que não podiam fazer nada pela sua salvação. O que a graça diz é que o homem era miserável e nada podia fazer; então Deus foi lá e o salvou. Não diz que Deus ajudou quem se ajudou. Quando um homem pensa que ele pode se ajudar para merecer a ajuda de Deus, ele jogou a graça no lixo. Ele pisou na cruz de Cristo.
Então, essa doutrina da soberania de Deus produz isso, pois tira de nós toda a heresia de que nós podemos merecer a salvação. O homem é incapaz de ajudar a si mesmo. O homem esta morto espiritualmente. Dizer que a salvação depende da vontade do pecador expressa o dogma da salvação pelo esforço humano. Esse dogma avilta Deus porque agora a graça já não é mais graça; é salário, é pagamento, é obra humana. Rm 11:6: "6 Mas se é por graça, já não é pelas obras; de outra maneira, a graça já não é graça. Se, porém, é pelas obras, já não é mais graça; de outra maneira a obra já não é obra." Rm 11:35: "35 Ou quem lhe deu primeiro a ele, para que lhe seja recompensado?"
É isso que as pessoas imaginaram: os leprosos de Israel fizeram muito mais para merecer a cura do que Naamã. Jesus estava pressionando eles, dizendo: "Não, o homem não pode fazer nada para merecer o que Deus faz." Então, em Romanos 9:16 diz assim: "Portanto, não depende de quem quer, ou de quem corre, mas de Deus que usa de misericórdia." Isso é esmagar toda a heresia de que a salvação flui de qualquer obra humana.
Você pode dizer, e muitas pessoas dizem para mim: "Essa pregação e essa afirmação levam o homem ao desespero". E eu penso que bom. Nada melhor do que pecadores desesperados. O problema do pecador é que ele é muito orgulhoso. Se ele ficar desesperado, melhor para ele, não é? "Reina o Senhor", não! Mas se reina o Senhor, os povos vão tremer. Que tremam! Era o que eles deviam fazer. Os demônios tremem, por que eles não tremem?
“Essa mensagem deixará desesperado” Isso é muito bom! Porque só quando você está desesperado, você diz: "Miserável homem que sou! Quem me livrará?" É exatamente desse lugar que o ser humano tem que chegar e que Deus o leva para dizer: "Ser propício a mim, pecador!" Tem misericórdia de mim! Esse homem não está mais pensando no que ele merece, no que ele faz. Só o senso da nossa total incapacidade, nos coloca no lugar certo. Essa é a principal condição prévia para a conversão sadia, para a conversão verdadeira. Quem se converteu sem sentir sua total incapacidade não se converteu nunca. Continua afirmando em suas obras. Essa é a terceira coisa que essa doutrina faz.
E por isso, em quarto lugar, só essa doutrina tem o poder de humilhar o ser humano. E como o ser humano precisa ser humilhado, precisa se humilhar diante de Deus. Essa é a doutrina central. Ela tem esse poder. A doutrina da Absoluta Soberania de Deus é a única poderosa arma contra o orgulho humano. Nisso se contrasta todas as doutrinas humanas. As doutrinas humanas não humilham o ser humano. O ser humano gosta por isso: coloca ele no alto, coloca ele para cima, enquanto rebaixa Deus. Mas essa doutrina não. Por isso, ela é mais odiada. Ela tira aquela atitude de jactância de glorificação da carne. Rm 3:27: "27 Onde está logo a jactância? É excluída. Por qual lei? Das obras? Não; mas pela lei da fé." Ela tira aquela sensação de chance nas realizações do homem, no seu desenvolvimento, no seu progresso, na arrogância humana que acha que vai consertar o mundo.
Quantos crentes acreditam que nós vamos mudar o mundo pelas leis, que vamos mudar o mundo com a nossa luta política? Essa é a arrogância humana. O homem sempre achou que poderia resolver as coisas, mas não pode. Não pode! É fútil nós queremos fazer as coisas para que o homem se ame. Os homens não vão se amar! Os homens não se amam.
E por que não se amam? Porque a Bíblia diz que o primeiro mandamento é: "Amarás ao Senhor, teu Deus, de todo o teu coração e de toda a tua alma e de toda a tua força" (Deuteronômio 6:5). E quando o homem faz isso, então ele pode amar o próximo. Agora, se o mundo odeia a Deus, ele não pode amar o próximo. Ele é egoísta. Tudo que ele faz, mesmo a sua caridade, tem que ser para alimentar o seu orgulho.
Só quando o primeiro grande mandamento é vivido, o segundo pode ser vivido. Portanto, os crentes deviam ser os únicos seres humanos que saberiam que não há nada que faça os seres humanos se amarem de fato. Porque o homem não pode amar o próximo como ele se ama, porque ele não ama a Deus. E esse é o primeiro grande mandamento. Você não pode colocar o homem na frente. Não ame a Deus de todo o seu coração, ame o homem de todo o seu coração. Isso é impossível.
Mas a verdade da soberania de Deus remove os alicerces da soberba humana. Que alicerce você pode ter para a sua soberba se você acredita na soberania absoluta de Deus? Essa doutrina declara, como Jonas: "A salvação vem do Senhor!" A salvação vem do Senhor! Não vem das nossas estratégias, não vem do homem, não vem de eu tornar o evangelho relevante. A salvação vem do Senhor; ela vem de Deus.
Só Deus tem um poder não somente para iniciar, mas para completar a nossa salvação. Você vê como ela arranca o nosso orgulho.
Muitas pessoas dizem: "Deus te salvou, agora você tem que ir até o fim." Você agora, a bola está contigo! O arremesso final, nos segundos finais, como um jogo de basquete, é seu! Se você jogar fora do aro, você tá fora. Mas a doutrina da soberania de Deus diz: "Não! Deus não só vai iniciar, mas se Ele não te levar até o fim, você vai fracassar." Você não pode; você é incapaz!
A Necessidade de Sustentação
Essa doutrina diz não só que Deus precisa nos restaurar, mas nos sustentar até o fim. Porque, se Ele nos restaurasse e não nos sustentasse, nós cairíamos de novo. Nossos pais caíram no paraíso, caíram no lugar perfeito, sem a luta que nós temos contra a carne, contra o diabo e contra o mundo. Pecaram, fracassaram. Nós fracassariamos. Essa doutrina diz que nós não nascemos do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus (João 1.13)
Tudo isso é muito humilhante. Só essa doutrina tem o poder de nos humilhar, humilhar todo homem que deseja contribuir com a sua salvação. Fazendo com que nós tenhamos motivo para nos jactar dos testemunhos, para contarmos sobre como nós éramos e como nós somos. Não temos. Essa doutrina nos humilha. Mas, ao mesmo tempo que ela nos humilha, ela reduz a todo louvor a Deus.
Todo o Louvor a Deus
E é óbvio que uma doutrina que dá todo o louvor a Deus e nenhum para o homem tinha que ser odiada no mundo. Odiada na igreja visível. A luz da soberania de Deus, nós reconhecemos a nossa indignidade. Você vê como ela dá toda glória a Deus. Nós reconhecemos a nossa inutilidade. Então, nós clamamos junto com Davi, no Salmo 87: "Todas as minhas fontes estão em Ti" (Salmo 87:7). Todas elas. Tudo que eu sou flui de Ti. De mim não flui nada.
Se como a Bíblia diz, nós éramos filhos da ira por natureza e, na prática, éramos rebeldes contra o governo divino. Se nós, de maneira justa, estávamos debaixo da maldição da Lei, se Deus não tinha nenhuma obrigação de nos salvar do inferno, mas sim nos colocar no inferno. E, se apesar disso, Ele entregou Seu Filho para separar para Si um povo, nossos corações se derretem de amor por Ele. Porque Ele não está fazendo algo porque nós merecemos. Então, por isso que Paulo diz: "O amor de Cristo nos constrange" (2Coríntios 5:14). Nos constrange. Ficamos constrangidos!
A verdadeira Adoração
Só essa doutrina pode levar um homem a esse constrangimento, a esse amor. Sabe? Só essa doutrina pode levar você a cantar e eu a cantar junto com Davi: "Não a nós, Senhor, não a nós, Senhor, mas ao Teu nome dá a glória" (Salmo 115:1). Quando essa doutrina é tirada, sobra glória para os homens. E nós não podemos cantar com Davi, no Salmo 115:1. Então, quando nós podemos cantar de fato por causa dessa doutrina: "Não a nós, Senhor, não a nós, Senhor, mas ao Teu nome dá a glória", nós podemos dizer como o apóstolo Paulo, este grande homem de Deus. Qual é a conclusão que ele chegou? Ele disse: "Pela graça de Deus eu sou o que sou" (1Coríntios 15:10). Não há nenhuma explicação. Um homem mau que odiava a Cristo. Não é que eu fiz a minha parte e Deus fez a dele. Não é que eu me ajudei e Deus me ajudou. Pela graça de Deus eu sou o que sou. Isso humilhou o orgulhoso Paulo.
A Segurança na Soberania
E depois, em quinto lugar, só essa doutrina nos dá um senso de segurança absoluta. Se nós ganhássemos a salvação de Deus e tivéssemos que vencer a carne, o diabo e o mundo, que chance nós teríamos? Era melhor não ganharmos nada!
Mas Deus, segundo essa doutrina da soberania absoluta de Deus, é infinito em seu poder. Portanto, é impossível alguém se opor à Sua vontade. Ele diz: "Operando eu, quem pedirá?" (Isaías 43:13). É essa a base da nossa segurança.
Só essa doutrina nos dá segurança. O resto fica pensando: "Olha, mas e se quando eu tiver perto de morrer eu pensar um pensamento mau, eu vou pro inferno?" O cara está desesperado! Ele perde a salvação e ganha cinco vezes por dia. Ele está salvo agora e perdido de tarde, salvo de noitinha e perdido de madrugada. Esse cara está perdido! Não há segurança. Ele tem que temer, ele tem que estar desesperado!
Mas Deus é infinito em poder. Portanto, a Bíblia diz no Salmo 118:6: "O Senhor é para mim, não temerei; que me poderá fazer um homem?" (Salmo 118:6). Por causa do poder infinito de Deus, por causa da Sua soberania, não há poder maior que o d'Ele. Nada pode frustrá-Lo. Então, o que me pode fazer o homem? Mas o que me pode fazer também os demônios ou qualquer outra coisa? Paulo diz: "Nada nos separará do amor de Cristo" (Romanos 8:39). Nem a morte, nem a perseguição, nem um assassinato, nada! Nem os anjos, nem os demônios. Onde está essa segurança? Em Deus. Ele nos amou em Cristo. Nada mais pode fazer. Só essa doutrina nos traz segurança; qualquer outra coisa é areia movediça. Então, nós podemos dizer, como o Salmo 56:3: "Em vindo o temor, eu hei de confiar em Ti" (Salmo 56:3).
Não é em mim, "em vindo o temor, eu hei de confiar em mim." Eu vou ficar firme! Eu vou conseguir? Não, vou confiar em Ti! Porque não há inimigos maiores que Tu. Não há nenhum acontecimento fora do Teu controle. Só essa doutrina nos dá segurança. Assim, Deus é infinito em poder. No Salmo 4:8 diz: "Em paz me deito e logo pego no sono. Porque? Porque eu estou seguro? Não pode cair um avião na minha cabeça durante a noite? Não pode homens invadirem minha casa? Não pode baterias e virus invadirem o meu corpo? Não podem celular se multiplicarem errado e virarem um cancer? Lógico que pode! Então como em paz eu me deito e pego no sono? “porque só Tu, Senhor, me fazes repousar em segurança" (Salmo 4:8).
É isso! A soberania de Deus é a única base da nossa segurança. Nada mais, nada em nós. Através do tempo, essa tem sido a fonte de confiança dos santos, dos mártires, dos apóstolos, dos profetas. Então, Moisés, quando em suas palavras de despedida do Povo de Israel, ele diz algo maravilhoso em Deuteronômio 33:26-27: "Não há outro, ó amado, semelhante a Deus, que cavalga sobre os céus para a tua ajuda, e com a sua majestade sobre as nuvens. O Deus eterno é a tua habitação, e por baixo de ti estende os braços eternos." Ele está dizendo: "Israel, Deus é a tua segurança. Eu estou morrendo, mas vocês vão entrar na terra porque Deus vai colocar vocês lá. Deus é soberano; não existem faraós, não existem poderes, não existe demônio, nem a própria incredulidade de vocês impedirá a Deus de fazer o que Ele quer."
Foi esse senso de segurança que fez Davi escrever: "Aquele que habita no esconderijo do Altíssimo descansa a sombra do Onipotente" (Salmo 91:1). Se Ele é onipotente, você pode descansar à sombra dEle. Quem pode penetrar lá? Quem tem um poder semelhante? É o Senhor, é o meu refúgio, fizeste do Altíssimo a tua morada (Salmo 91:9).
É isso, sabe? Pestes e mortes voam ao nosso redor, mas se Ele não quiser, eu não morrerei. Doenças estão no ar, mas se Ele quiser, eu não morrerei. Flecha nenhuma me tocará enquanto Deus não queira. Quão preciosa essa verdade! Aqui estou eu, aqui está você. O que nós somos? Pobres ovelhas desamparadas. Ovelhas não podem se defender, ovelhas não podem lutar. A Bíblia diz que o diabo é como um leão; ovelhas não enfrentam leões.
Nós não podemos depender de nada de nós, mas essa doutrina nos dá segurança. Há um puritano que disse: "Ora, se o pastor das ovelhas é um leão, por que nós íamos temer o lobo?" Não é? "Se o leão da tribo de Judá é o pastor das ovelhas, por que as ovelhas têm que ficar com medo de alguma coisa?" Essa é a verdade! Ninguém pode me tirar dali porque a mão de Deus me segura, e a Ele pertence todo o poder no céu e na terra.
Nós não ficamos assim: 'Olha, quem sabe o que vai me trazer o futuro? Quem sabe o meu fim é no inferno?'" Nós podemos dizer, como o apóstolo Paulo, em 2 Timóteo 1:12: "Porque eu sei em quem tenho crido, e estou bem certo de que é poderoso para guardar o meu depósito até aquele dia" (2 Timóteo 1:12).
Amém, queridos! Essa doutrina traz segurança e só ela. Essa é a base, sabe? E como eu sei que Deus é poderoso para guardar aquilo? Eu sei porque Ele é todo-poderoso, e ninguém pode tirar algo que Ele está guardando.
Consolação e Resignação na Soberania
Em sexto lugar, só essa doutrina oferece consolação na tristeza. Não existe consolação verdadeira se nós não acreditamos nessa doutrina, se ela não está no centro. A soberania de Deus é um alicerce quando a terra se abalar, quando o mal sobrevir, como bem-aventurado é saber que não há recanto do universo onde Deus não esteja. No Salmo 139:7-10, Davi diz: "Para onde me ausentarei do teu espírito? Para onde fugirei da tua face? Se subir ao céu, lá estás; se fizer na morte a minha cama, eis que lá estás" (Salmos 139:7-8).
É bom saber que a poderosa mão onipotente de Deus está em todos os lugares. É maravilhoso saber que nenhum pardal cai morto sem que seja da vontade dEle. Que o controle dEle está sobre tudo, desde cada átomo até o movimento das galaxias. Em 1Tessalonicenses 3.3 “3 a fim de que ninguém se inquiete com essas tribulações. Porque? Porque vocês mesmos sabem que fomos designados para isto.” Não é maravilhoso? Não fiquem inquietos com essa tribulação porque Deus nos designou para passar por elas. Ele é quem nos colocou nisso! Ele está no controle de todas essas coisas. Ele é nosso Deus, que está acima de tudo.
Ele tem um poder infinito e Ele é infinitamente poderoso e infinitamente bom, é o que Paulo quer dizer. Ele nos colocou nisso, então isso deve ser o melhor para nós. Não pode deixar de ser! A vontade dEle é irresistível e irreversível. Se Ele determinou que Pedro vai ser o mártir, então ele vai ser. Isso será melhor para Pedro. Só a doutrina da soberania absoluta de Deus pode trazer consolo para o coração de Pedro, de saber que vai ser mártir anos antes de ser assassinado. Mas como ele sabia que Deus era soberano, então ele podia ter paz.
Porque Deus é por demais sábio para errar: se Deus determinou esse fim para ele, esse tem que ser o melhor fim. Ele é amoroso demais para provocar uma única lágrima em nós que seja desnecessária. Todas as lágrimas que Deus determinou para a nossa vida são necessárias para as nossas vidas, para operar em nós a salvação que Ele está operando. Ele é amoroso demais para fazer nós derramarmos lágrimas desnecessárias nesse mundo. Rm 8:28: "28 E sabemos que todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito."
A Paz da Soberania
Em Jó 9.12 “12 Eis que arrebata a presa! Quem o pode impedir? Quem lhe dirá: ‘O que estás fazendo?’” É consolador! É maravilhoso saber que quem decide o dia da nossa morte é Deus e não o diabo. É maravilhoso saber que quem decide as enfermidades que nós enfrentamos é Deus e não o diabo. Quanta paz isso traz para os pobres e fracos! Sabemos, como diz "O número dos nossos dias estão nas mãos de Deus" (Jó 14:5).
Não estão nas mãos dos homens, nem nas mãos do diabo, nem na mão dos vírus e bactérias. Os nossos dias estão nas mãos de Deus. Isso traz paz na aflição! Sabemos que a doença e a morte são mensageiros de Deus e não do diabo. São mensageiros de Deus, sempre marchando sobre as Suas ordens. Sabendo que é Deus que dá e Deus que tira. É Deus que nos dá a vida, e Ele nos vai chamar. Não o diabo, não o homem, não qualquer outro poder, mas o nosso bom Deus, o Deus que morreu por nós na cruz; é Ele que vai dizer: "Acabou, meu filho! Vem!" Ele que dá e Ele que tira. Que maravilha! Nós podemos sofrer, então, cheios de consolo e alegria como nos diz Pedro 1Pe 4:13: "13 Mas alegrai-vos no fato de serdes participantes das aflições de Cristo, para que também na revelação da sua glória vos regozijeis e alegreis."
Em sétimo lugar, então, só a doutrina da soberania absoluta de Deus pode fazer fluir dos corações verdadeira adoração. Porque quem não adora um Deus assim não adora o Deus verdadeiro. Nós pensamos: "Por que motivo eu?" "Por que motivo vocês, que temos uma natureza ímpia,? Que somos cercados por uma multidão de homens ímpios também." Porque nós fomos amados e escolhidos antes do mundo; porque agora, em Cristo, nós somos abençoados com toda sorte de bênçãos espirituais (Efésios 1:3). Por que eu que antes era estranho e odiava Deus, um rebelde contra Ele, fui escolhido? Isso é maravilhoso! Isso faz brotar no coração verdadeira adoração: "Não a nós, Senhor, não a nós, Senhor, mas ao Teu nome dá a glória" (Salmo 115:1). Verdadeira adoração! Por quê? Porque tal amor excede a todo entendimento!
Não conseguimos entender, porque não podemos, o meu coração então, já que a minha mente não pode entender por que eu, tão mal quanto todos os que hoje já estão no inferno, fui salvo pela Sua graça então essa mente que não pode entender pode se constranger, se prostrar e adorar! Essa é a verdadeira adoração.
Se Deus não fosse soberano, que garantia nós teríamos? Se não fosse a mão d'Ele mesmo que Ele nos desse a vitória, que certeza nós teríamos de que no final o bem vai vencer?
A Bíblia diz: "Deus faz todas as coisas conforme o conselho da sua vontade" (Efésios 1:11). Essa é a garantia! A única garantia de que tudo vai acabar bem é a soberania de Deus. Quando a igreja tira isso, ela puxou o seu próprio chão. Não há mais o que pregar. A única confiança que nós temos é que Deus está em Seu trono.
Reina o Senhor! Tremam os povos! A nossa única confiança é o que está em Jó 23:13: "Se ele resolveu alguma coisa, quem pode dissuadi-lo?" O que Ele desejar, isso Ele fará. Não pode haver falhas no plano de Deus. Números 23:19 diz: "Deus não é homem para que minta, nem filho do homem para que se arrependa; porventura, tendo ele prometido, não fará? Ou, tendo ele falado, não cumprirá?”
Essa é a única garantia de que o bem vencerá e vai triunfar sobre o mal. Tudo será cumprido como Ele disse. Em Isaías 34:1-2 diz: "Chegai-vos, nações, para ouvir; e vós, povos, escutai; ouça a terra e sua plenitude, o mundo e tudo quanto produz; porque a indignação do Senhor está contra as nações, e o seu furor contra todo o exército delas; ele as destinou para destruição e as entregou para a matança."
É o que Ele vai fazer! É o que Ele tem feito. Isaías 2:11 diz: "Os olhos altivos dos homens serão abatidos, e o seu orgulho será humilhado; só o Senhor será exaltado naquele dia." Grande dia! Ele fará isso! É por isso que o bem vai vencer. O bem não vai vencer porque eu e você vamos lutar pelo bem. Porque se o bem dependesse de nós, nós somos maus! Como o bem poderia depender de quem é mal para vencer? Mas Deus é bom e todo poderoso e soberano.
Conclusão
Em último lugar, só a soberania de Deus oferece descanso para os nossos corações cansados. Aquele que governa as nações. Aquele que determinou e regula todas as coisas. Aquele que está conduzindo tudo tem um poder infinito. Aquele que fez tudo foi manifestado na carne, andou neste mundo, morreu aqui e ressuscitou.
Nenhum ser humano, nenhum poder pode lutar contra Ele! Então, a glória de Deus não consiste somente no fato d'Ele ser altíssimo. Apesar d'Ele ser sublime, Ele desceu humildemente em amor para levar o fardo da Sua igreja. Em 2Coríntios 5:19 diz: "Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo". A igreja foi comprada com Seu próprio sangue. Não é maravilhoso a maravilhosa cruz? O nosso destino foi mudado por um Deus que andou aqui.
Então, nós podemos cantar, como em Apocalipse 5:12: "Digno é o Cordeiro que foi morto de receber o poder, a riqueza, a sabedoria, a força, a honra, a glória e o louvor". Nosso Deus soberano! Agora, então, por que essa doutrina é odiada? Porque há pessoas que têm vergonha de pregar sobre ela. Porque algumas pessoas dizem que ela é uma doutrina perigosa e horrível.
Se essa doutrina é a única que dá a Deus o lugar de toda a glória, como ela pode ser horrível ou perigosa? Se ela é a única doutrina que mantém os direitos de Deus governar soberanamente, os direitos do Oleiro sobre o barro, como alguém pode achá-la horrível? A não ser um homem que odeia Deus. Se essa doutrina é a única que exalta a graça de Deus, então como ela pode ser perigosa se ela é a única doutrina que atribui toda a glória a Deus e nenhuma glória ao homem?
Como ela pode ser ruim ou perigosa, se ela é a única doutrina que remove de você e de mim todo motivo de orgulho? Como ela pode ser perigosa? Ela é a mais necessária de todas as doutrinas! Não pode ser perigosa, não deve ser escondida! Sem ela, todo o evangelho é falso, toda oração é inútil, toda piedade é trapo imundo! Como? Se ela é a única doutrina que faz com que nós tenhamos segurança no meio do perigo, que nos dá consolação na tristeza, que nos dá paciência na adversidade, sabendo que Deus controla tudo!
Se ela é a única coisa que estimula a verdadeira adoração, como ela pode ser terrível ou perigosa? Se ela é a única doutrina que nos garante o triunfo do bem sobre o mal no fim, como ela pode ser perigosa ou ruim? Não, queridos! Longe de ser terrível e perigosa, a doutrina da soberania de Deus é a única doutrina que faz o ser humano ver Deus como Ele é. Não há salvação quando nós não damos a Deus o lugar que Ele tem, o lugar de Senhor sobre todas as coisas, no céu e na terra.
E você vê, só ela nos dá uma prática de vida cristã que realmente pode exaltar a Deus. É por isso que Jesus pressionou essa doutrina e foi odiado! Então Moisés diz assim, em Êxodo 15.11“11 Ó Senhor, quem é como tu entre os deuses? Quem é como tu, glorificado em santidade, terrível em feitos gloriosos, que operas maravilhas?”. Esse é um homem que adorava um Deus soberano.
Essa é a doutrina mais odiada pelos homens. Por quê? Porque ele não gosta da vontade de Deus. Mas para os filhos de Deus, a ideia de que Deus faz tudo que Lhe apraz é uma alegria, porque a oração deles é: "Faça a Tua vontade" "Reina o Senhor, tremam os povos" "Reina o Senhor, tremam os povos"
