ORDEM NO CAOS

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HABACUQUE 3.17
Nesses últimos dias Deus tem nos oferecido, por sua graça, maravilhoso ensino, que nos convoca a confiar nele, apesar dos pesares.
Na última semana, propus trazer alguns sermões, para esse último mês do ano, que retomasse o tema da Ordem. Hoje eu quero falar sobre a Ordem no Caos. Na verdade, buscar entender, por meio do texto bíblico, como nós, servos de Deus podemos mesmo em meio a um completo caos manter-se ordenado ou encontrar ordem.
O texto escolhido para esta noite é o famoso texto de Habacuque 3.17-18, famoso porque vez por outra estamos recitando-o em meio as canções ou no meio de pregações. Acredito que o teor desse texto é poderoso para falar-nos acerca da Suficiência de Deus para o mundo e para as nossas vidas.
Nós somos bombardeados por notícias de catástrofes no mundo, de injustiça e perversidade. Fatos como esses, podem levar as pessoas a questionarem a ação soberana de Deus no mundo.
· A Peste Negra (XIV) = 45 milhões de mortos
· O terremoto de São Francisco (1906)
· A Gripe Espanhola (1918) = 100 Milhões de Mortos
· A Segunda Guerra Mundial (1939) = 70 milhões de mortos
· Os campos de Concentração
· A bomba atômica
· O acidente de Chernobyl
· O Furação Katrina
· O Ataque as Torres Gêmeas
· O Corona Vírus (Covid-19)
· As lutas e sofrimentos cotidianas de nossas vidas.
Todas essas catástrofes sejam naturais ou mesmo causadas pelo homem, tem o poder de conduzir as pessoas a questionarem a soberana ação do Senhor sobre o mundo. As pessoas podem se perguntar: Deus está na regência do mundo? Ele tem realmente o controle? Pois por todo lado eu vejo dor, mortes e tribulação?
Esse sentimento de incerteza para com o mundo, tem conduzido as pessoas geraram incertezas internas sobre a sua própria relação com Deus. Olhando para tudo o que acontece no mundo, será que podemos confiar no Senhor?
O mundo está em caos, em completa desordem, vemos calamidade e males acontecendo o tempo todo. Neste caso é, até mesmo, natural as pessoas se perguntem se essa é realmente a vontade de Deus?
O profeta Habacuque aparenta carregar essa mesma dúvida, essa mesma incerteza, e por isso mesmo diz:
1 A mensagem que o profeta Habacuque recebeu. 2 Até quando clamarei, e não escutarás, SENHOR? Ou gritarei a ti: Violência! E não salvarás? 3 Por que razão me fazes ver a maldade e a opressão? A destruição e a violência estão diante de mim; também há contendas, e o litígio é comum. 4 Por causa disso a lei se afrouxa, e a justiça nunca se manifesta, pois o ímpio cerca o justo, de modo que a justiça é pervertida. (Habacuque 1.1-4)
Ele está clamando por justiça, gritando violência e não vê absolutamente nada mudar. Parece que Deus não escuta, parece que ele não vê, parece que ele não se atenta para tudo o que está acontecendo. E por conta disso a injustiça aumenta ainda mais.
O salmista, no Salmo 10 diz:
Por que, Senhor, te conservas longe?
E te escondes nas horas de tribulação?
2 Com arrogância, os ímpios perseguem o pobre;
sejam presas das tramas que urdiram.
3 Pois o perverso se gloria da cobiça de sua alma,
o avarento maldiz o Senhor e blasfema contra ele.
4 O perverso, na sua soberba, não investiga;
que não há Deus são todas as suas cogitações. [1]
Semelhante ao profeta Habacuque, o Salmista tem inicialmente a sensação de que Deus não vê, e se vê não atende, e se vê e atende, parece não se importar, ou se se importa, parece não ter poder.
- Por que os ímpios prosperam? Por que o mal prevalece no mundo?
A INSUFICIÊNCIA DE DEUS – A INSUFICIÊNCIA DA GRAÇA
Há muito falso ensino sendo difundido, que anuncia a dependência dos homens em si mesmo e não em Deus. Deus seria apenas um tipo de ideal, um ser supremo que aponta o caminho, e que tal caminho deve ser seguido e trilhado pelos homens, sendo esses autônomos e completamente responsáveis por esse caminho. Dessa forma, não se pode linkar o que acontece de mal no mundo com Deus, haja visto que o próprio homem, sem qualquer influência ou ação de Deus, é responsável pelo que acontece.
- Não são poucos, os que não conseguem conciliar todas as maldades causadas pelo homem, e todas as demais catástrofes do mundo com o Governo Soberano do Senhor.
- E nesse caso, são levados a questionar se devem mesmo confiar e descansar no Senhor, se de fato devem confiar na “vara e no cajado” que consolam, como diz o Salmo 23.
Quando o profeta Habacuque se viu frente a esse caos interior, que parecia encaminhar o seu coração para a dúvida, para o medo, se achega ao Senhor esperando que nele, em Deus, possa encontrar resposta então ele diz: “Eu me colocarei sobre a minha torre de vigia; ficarei sobre a fortaleza e vigiarei, para ver o que ele me dirá e o que terei como resposta a minha queixa” (Hc.2.1)
- O profeta apresenta ao menos duas “Queixas”, a primeira delas sobre a maldade e injustiça no mundo, e a segunda delas, que diz respeito ao que o próprio povo de Deus que está para sofrer sendo levado cativo pelos Babilônicos.
- Isso se parece muito com a forma como as pessoas agem quando lhes falta fundamento de fé. Elas olham para o mundo ao redor, e toda maldade que o permeia, olham para as suas próprias vidas, e com o fato de não conseguirem ter e possuir o que o mundo tem e perguntam-se: Isso é justo? Deus não está vendo? Ele não tem controle?
OBSERVE!
“O maior problema de Habacuque não era fazer um diagnóstico da doença de sua nação, mas um estudo do comportamento de Deus'.' O que mais lhe causou espanto não foi a derrocada moral da sua gente, mas a demora e o silêncio de Deus diante da calamidade do Seu povo? Habacuque teve dificuldade de conjugar o caráter santo de Deus com a sua aparente inação diante do prevalecimento do mal.
- Gerard Van Groningen salienta que: “Habacuque entrou em crise quando suas orações deixaram de ser atendidas no tempo que gostaria de ver respondidas, e sua crise ainda se agravou por demais quando Deus respondeu a elas de maneira inimaginável. Os caminhos de Deus não são os nossos caminhos. (Deus tem métodos estranhos à nós).
Deus não pode ser domesticado.
Ele é soberano e não segue a agenda que tentamos traçar para Ele. Ele faz todas as coisas conforme o conselho da Sua vontade. Deus diz a Habacuque que não estava inativo, mas trabalhando para responder à sua oração, trazendo os caldeus para serem a vara da disciplina contra o Seu povo.”
A RESPOSTA DO SENHOR
- Deus diz ao profeta: “Vede o arrogante! A sua alma não é correta; mas o justo viverá por sua fé”
- Nos vv. 5-7 ele diz que o ímpio não ficará sem punição, o juízo virá sobre ele.
- Nos vv. 12-13 – O Senhor é soberano sobre as nações, as suas ações não estão alheias a sua providência.
- A RESPOSTA DE HABACUQUE (A ORAÇÃO)
- O profeta se viu contrariado com a resposta de Deus que lhe trouxe consolo, o ímpio não passará impune, e “o meu Justo viverá pela fé”.
- As palavras do Senhor levam o profeta a sossegar o seu próprio coração na Graça divina, na Soberana vontade de Deus, e que nenhum dos planos desse Senhor são contrariados ou frustrados, muito pelo contrário, Ele é soberano sobre o universo.
- v.1-2 – Senhor, eu ouvi a tua fama e temi!
- A resposta do profeta ao Senhor, é que ele tomou conhecimento dos feitos do Senhor, de suas obras, de como operou providencialmente sobre o seu povo, e sobre o próprio mundo.
- Temi! – Mas, quem que um dia teve o coração coberto de incertezas e dúvidas, e se vê agora iluminado pela Graça divina, não teme diante de um Deus tão poderoso?
- Então vem um pedido do profeta: “Senhor, aviva a tua obra no decorrer dos anos; faz que ela seja conhecida no decorrer dos anos, na tua ira, lembra-te da misericórdia”
- (Eu sei que esse texto é muito utilizado para se falar sobre a igreja, como tema de aniversário de instituições e tudo mais) – Bem, o que posso dizer é que: Há muito mais nesse texto do que uma ideia de “avivamento” local.
- Diante da obscuridade dos eventos que se apresentam ao profeta, a falta de compreensão das ações soberanas de Deus o profeta Habacuque pede ao Senhor, que torne seus feitos conhecidos. Afinal, Deus tem métodos que são estranhos a nós.
É verdade que nem sempre entendemos os planos de Deus, sua forma de agir ou operar.
- Lembramos do apóstolo Paulo (2 Coríntios 12) que quando lhe é posto um espinho da carne, ele clama, pede por três vezes que lhe seja removido. E então, escuta do Senhor: “minha graça te basta, pois o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza”. Deus revelou seu propósito, seus caminhos, mas não antes de feri-lo na carne, e de fazê-lo suplicar para que a ferida fosse tirada.
DEUS É O BASTANTE
- O profeta Habacuque continuará em sua oração, e a terminará de forma magistral, na verdade, como todo aquele que se conforma a vontade de Deus terminaria, confiando e reconhecendo Deus é suficiente, soberano, o bastante.
v.17 – “Ainda que a figueira não floresça, nem haja fruto na vide; o produto da oliveira minta, e os campos não produzam mantimento; as ovelhas sejam arrebatadas do aprisco, e nos currais não haja gado,”[2]
- Ainda que as coisas não sejam como eu quero, como eu espero.
- Ainda que as coisas não corram na direção que eu desejo;
- Ainda que eu não veja ou não receba o retorno esperado;
- Ainda que não tem o lucro procurado;
- Ainda que tudo se feche, tudo acabe;
- Ainda que tudo me seja contrário...
- O Texto é maravilhoso, o profeta apresenta uma conformação de sua vida com a vontade de Deus. Deus não pode ser moldado a nossa vontade ou querer, nesse caso, somos nós que temos que aprender a conformar-nos a vontade dele.
- Uma analise mais minuciosa do texto nos leva a considerar que dentro dessa estrutura formal, pode-se observar uma tríade dupla de objetos, movendo-se dos itens opcionais para os essenciais para a sobrevivência humana.
- A figueira, o fruto e a oliveira representam os produtos mais excelentes da terra como vistos nas passagens de Joel 1.7; Oseias 2.12; Miqueias 4.4; 6.15; Deuteronômio 6.11; 8.8. O grão dos campos, as ovelhas e o gado compreendem as necessidades de pão, leite e carne. A ausência desses itens significa que não haveria bolos de figo, vinho, óleo de unção para a jovem queimada do sol. Não haveria cereais, vegetais, leite, carne de carneiro, lã – nenhuma dessas necessidades ou prazeres estariam disponíveis ao profeta e seu povo.[3]
- No contraste mais nítido com o espírito de queixa e descrença manifestado por Israel no deserto, Habacuque abertamente reconhece a perda iminente desses luxos, bem como as necessidades da vida; mas, mesmo assim, ele crê. Toda a ordem existente no presente mundo passará, mas a graça de Deus para seu povo durará para sempre.
v.18 – “todavia, eu me alegro no Senhor, exulto no Deus da minha salvação”.
- Mesmo eu me alegrarei no Senhor
- Mesmo assim serei fiel ao meu Deus
- Mesmo assim exultarei no Deus que me salvou.
- Mesmo que o mundo se volte contra nós, mesmo que os montes se abalem.
- Aqui, temos uma resolução do conflito que começou o livro. O profeta agora entende, por meio da revelação divina, a justiça dos caminhos de Deus com os homens e o juízo inevitável que deve sobrevir ao remanescente fiel de Judá. Mesmo o próprio profeta deverá sofrer privação de todas as coisas necessárias que sustentam a vida.
Contudo ele viverá! Ele se regozijará! Ele subirá aos picos mais altos da terra!
Seria a ressurreição da fé que vem à expressão nessas palavras finais do profeta? Estaria ele falando de uma expectativa de vida depois que o último inimigo fez tudo quanto quis de pior?
- Certamente sua fé não está longe deste ponto. A despeito de todas as tragédias previstas, ele de fato pode regozijar-se em sua confiança de que o vigor da vida será seu. Pois “o justificado (pela fé) viverá por sua sólida confiança” (ver a exposição de 2.4).
Note bem que é na pessoa do próprio Senhor que o profeta se regozija. Ele agora aprendeu que pode privar-se de todos os bens materiais, confortos e bênçãos – contudo ele pode regozijar-se porque sua fé está no Senhor.
18. Ele chama o Senhor Deus de minha salvação. Por meio de tal designação, o profeta expressa sua confiança de que o Senhor por fim efetuará seu livramento. De uma perspectiva do AT, esta salvação não pode ser percebida como uma realidade meramente espiritual em contraste com sua perda de todas as posses materiais. Ao contrário, a salvaçãodeve incluir todas as bênçãos materiais que a vida pode oferecer, juntamente com a integridade de uma alma unida a Deus.
A transição de um profeta queixoso para um profeta jubiloso certamente deve ser vista como obra da graça soberana de Deus. Nada mais pode explicar como uma pessoa pode estar feliz e contente quando enfrenta as calamidades que Habacuque haveria de experimentar. Que o Senhor mesmo continue a fornecer a graça da vida ao povo desta geração, pela fé que justifica.
v.19 – “O Senhor Deus é a minha fortaleza, e faz os meus pés como os da corça, e me faz andar altaneiramente”.[4]
- A única forma pela qual o profeta poderia fazer tal asseveração é porque ele podia afirmar: O Senhor é “meu Deus e minha força”.
Como ao contrário ele poderia antegozar o triunfo final e viver na mera esperança da vitória além da devastação?
- Como uma corça, ele subirá com um andar altaneiro até o topo das montanhas. O profeta ecoa as palavras do salmo de triunfo de Davi, quando o Senhor o livrou de todos os seus inimigos: “Ele deu a meus pés a ligeireza das corças e me firmou em minhas alturas” (Sl 18.33).
- Com andar seguro, incansável, cheio de energia o povo do Senhor pode esperar subir às alturas da vitória a despeito de seus muitos reveses. As alturas da terra, os lugares de conquista e domínio, deverão ser a possessão final do povo de Deus.
- Como um porta-voz do povo de Deus nesse cântico para ser celebrado ao longo das eras futuras, o profeta demonstra a magnificência de uma fé vitoriosa. Mesmo o revés mais horrendo não pode romper a confiança na vitória final
Conclusão
- O sermão de hoje nos ensina, que mesmo em meio ao Caos, vemos ordem, vemos a soberania de Deus agindo.
- Por isso somos convocados a confiar no Senhor, essa confiança, essa vida pela fé, é o que nos faz permanecer firmes, quando o mundo está de cabeça para baixo.
[1]Hernandes Dias Lopes, Bíblia Pregação Expositiva: Sermões, Estudos e Reflexões, trans. João Ferreira de Almeida, 2a edição Revista e Atualizada. (São Paulo: Hagnos, 2020), Sl 10.1–4. [2] Almeida Revista e Atualizada (Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 1993), Hc 3.17. [3]Palmer Robertson, Naum, Habacuque e Sofonias, ed. Cláudio Antônio Batista Marra, trans. Neuza Batista da Silva, 1a edição., Comentários do Antigo Testamento (São Paulo, SP: Editora Cultura Cristã, 2011), 309. [4] Almeida Revista e Atualizada (Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 1993), Hc 3.19.
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