O que disto passar...
A moralidade cristã • Sermon • Submitted • Presented
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· 20 viewsObjetivo Geral: Apontar para o valor da Lei, enquanto santificadora do crente. Proposição: As verdades sobre a mentira nos animarão a lutar pela verdade a todo custo.
Notes
Transcript
(Bíblia)
Hoje continuamos com nossa série de pregações sobre os 10 Mandamentos. Estamos no nono mandamento e este é mais um que, se lermos de maneira corrida, podemos ficar apenas com a superfície da vontade de Deus expressa nele.
Literalmente, o texto aqui fala sobre não mentir em um julgamento de forma a prejudicar alguém. Então alguém poderia concluir que mentir fora do ambiente jurídico não tem problema, não é mesmo. Ocorre que, assim como não furtarás inclui uma série de atitudes, o nono mandamento também é uma sinédoque, aquela figura de linguagem que pega uma parte para se referir ao todo[1]. Então, este mandamento se refere ao uso das palavras para expressar qualquer coisa que não seja a verdade, como a mentira e a verdade maldosa (com o intuito de denegrir a reputação de alguém).
A verdade é um assunto muito importante na Bíblia, de maneira que há nela amplas referências ao valor da verdade e severas repreensões ao uso da mentira. Para termos uma ideia, existem quase o triplo de referências à palavra mentira na Bíblia que à palavra adultério[2]. A própria identificação do Filho com a verdade, em João 14.6, demonstra a importância desse mandamento.
Por isso, hoje veremos algumas verdades acerca da mentira. Verdades estas que nos animarão a lutar pela verdade a todo custo.
Verdades acerca da mentira
1ª Verdade: Esse é um pecado de todos
1ª Verdade: Esse é um pecado de todos
Tg 3.2 2Porque todos tropeçamos em muitas coisas. Se alguém não tropeça no falar, é perfeito varão, capaz de refrear também todo o corpo.
A carta de Tiago é um texto muito prático acerca de como viver a fé cristã. Como ela foi escrita para cristãos que estavam muito distantes geograficamente, Tiago, inspirado pelo Espírito, achou por bem dar instruções que os animassem a uma fé viva.
Mas, curiosamente, o assunto que ele mais trata é sobre a santidade no falar. Ele diz que uma religião verdadeira inspira o bom uso da língua (1.26), que falar levianamente ao ensinar é prejudicial (3.1-2), que usar a língua por inveja atrapalha a oração (4.1-3) e que falar mal do próximo é pecado (4.11-12).
O texto que eu separei tem um valor específico, por causa da sua universalidade. A Palavra do Senhor diz que os pecados da língua são generalizados, ou seja, todos os homens tropeçam bastante quando o assunto é o falar.
Ninguém gosta de gente mentirosa. Esse não é um privilégio dos cristãos. Mas é difícil encontrar quem se admita mentiroso ou maledicente (fofoqueiro). Aliás, até o fofoqueiro mais venenoso dificilmente admite seu pecado. A Bíblia diz que todos nós somos, em algum nível.
Não é uma questão de que este é um problema dos outros. Esse é um problema nosso e, se não tratarmos, certamente nossa língua nos dominará e causará um incêndio à nossa volta (3.6).
Isso ocorre pelo mesmo motivo que cometemos todos os demais pecados. Nosso coração é profundamente corrupto e uma das principais maneiras dele expressar essa corrupção é através das nossas falas, como disse o próprio Jesus:
Mt 15.18 18Mas o que sai da boca vem do coração, e é isso que contamina o homem.
Por isso, tenha em mente que estou pregando para mim mesmo e para você mesmo. Não caia na tentação de achar que você não precisa ouvir isso.
Vou relacionar alguns tipos de pecado da língua:
· Pecar por lazer. São aquelas pessoas que tem imenso prazer em contar “os podres” dos outros. Eles não têm um objetivo específico quando fazem isso, apenas sentem que “devem contar senão morrerão” (circo pegando fogo).
· Pecar por inveja. Aqueles que se sentem de alguma forma inferiores ao próximo (gostariam de ter a autoridade, os bens, o estilo de vida ou qualquer coisa superior ao próximo). Esses desejam compensar sua “inferioridade” espalhando defeitos reais ou inventados de seu desafeto (diminuir, já que não supera).
· Pecar por ira. Aqueles que são tomados de ira de tal forma, que se aproveitam desse momento de raiva para descontar na reputação de alguém. Fazem isso tanto na presença quanto distante dela (xingar, tocar na ferida).
· Pecar por conveniência. Aquele que, para proteger a própria reputação, ou livrar um amigo, ou ainda obter algum lucro, se dispõe a atacar a reputação de alguém, nem que para isso tenha que mentir.
· Pecar por desajuste. Aquele que tem bons motivos para falar mal de alguém, mas não se ajusta à Palavra de Deus para tratar do assunto. Os desajustes deste são:
Falar de maneira errada. Seja exagerando o problema ou usando linguajar inadequado ou excessivamente duro.
Antecipando julgamentos. Ou seja, sentenciando a pessoa. (Ex.: “Ele não tem jeito, é um mentiroso mesmo e vai pro inferno!”)
Falando para as pessoas erradas. Por vezes temos que falar da má conduta de alguém para terceiros, mas devemos falar para quem interessa (Em geral, para quem pode resolver a situação).
Falando com a motivação errada. Um bom exemplo disso é quando alguém quer denunciar o pecado de um irmão porque deseja vê-lo expulso da igreja. O objetivo principal de qualquer disciplina na igreja é recuperar o irmão caído.
Pense qual ou quais desses pecados da língua você tem mais propensão a cometer e ore a Deus, pedindo perdão.
A segunda verdade sobre a mentira que nos animará a lutar a verdade a qualquer custo é:
2ª Verdade: Esse é um pecado repugnante
2ª Verdade: Esse é um pecado repugnante
Pv 6.16-19 11Seis coisas o SENHOR aborrece, e a sétima a sua alma abomina: 17olhos altivos, língua mentirosa, mãos que derramam sangue inocente, 18coração que trama projetos iníquos, pés que se apressam a correr para o mal, 19testemunha falsa que profere mentiras e o que semeia contendas entre irmãos.
Este texto de provérbios é bem conhecido, mas nem sempre é bem lido. Se nós não compreendemos poesia hebraica, temos a tendência de achar que é uma lista de seis coisas que Deus não gosta, mas tem uma sétima que é mais grave que todas as outras.
Certamente não era a intensão de Salomão ao escrever esse provérbio, embora seja clara a ênfase na última. Mas para efeito de nosso estudo de hoje, apenas vamos reparar num detalhe: das sete atitudes que o Senhor detesta, três estão diretamente relacionadas aos pecados da língua.
A mentira e a distorção da verdade são pecados contra os quais Deus profere duras sentenças. Vejamos o que diz Dt 19.16-21:
Dt 19.16-21 16Quando se levantar testemunha falsa contra alguém, para o acusar de algum transvio, 17então, os dois homens que tiverem a demanda se apresentarão perante o SENHOR, diante dos sacerdotes e dos juízes que houver naqueles dias. 18Os juízes indagarão bem; se a testemunha for falsa e tiver testemunhado falsamente contra seu irmão, 19far-lhe-eis como cuidou fazer a seu irmão; e, assim, exterminarás o mal do meio de ti; 20para que os que ficarem o ouçam, e temam, e nunca mais tornem a fazer semelhante mal no meio de ti. 21Não o olharás com piedade: vida por vida, olho por olho, dente por dente, mão por mão, pé por pé.
Gosto de dar exemplos de quando fui policial civil. Foram 10 anos trabalhando com o que há de pior no ser humano. Era desgastante em muitos momentos, mas me proveu de diversos exemplos que hoje uso para ilustrar pregações.
Por diversas vezes me deparei com falsos testemunhos, mas nunca era fácil prova-los. Certa vez, tive que lidar com uma mulher que acusou falsamente um homem de estupro. Para a glória de Deus, conseguimos provar a mentira proferida por ela e evitamos que um inocente fosse preso por anos.
Mas o que ocorreu a ela? O que eu posso dizer é que a legislação brasileira não a puniu com o mesmo rigor que a Bíblia diz que o mentiroso deve ser punido. A mentira, para alguns, é um pecado menor, então até as mentiras gravíssimas não serão tratadas como devem ser.
Alguns tentam minimizar a mentira usando a própria Bíblia. Geralmente, usam os exemplos das parteiras hebreias que mentiram a faraó (Ex 1.15-21) e de Raabe, que mentiu aos guardas de Jericó (Js 2.1-6; 6.17-25), pois ambos os casos foram seguidos de bênçãos de Deus. Segundo esses, Deus não ligou para as mentiras delas porque foram mentiras com uma boa causa.
Essa não precisa ser a interpretação do texto e, certamente, seria uma contradição ao que o resto das escrituras ensinam sobre a mentira. Correto é interpretar que Deus abençoou as parteiras, Raabe, Abraão, Isaque e Davi APESAR de suas mentiras e fingimentos.
Deus é gracioso, é misericordioso, é bondoso e, por esta causa é que ele não nos pune sempre que pecamos e nos abençoa, apesar de nossos pecados. Só não teste Deus, tentando saber até onde Deus te permite ir na falsidade sem te punir.
Por fim, a última verdade sobre a mentira que nos animará a lutar a verdade a qualquer custo é:
3ª Verdade: Esse é um pecado vencível
3ª Verdade: Esse é um pecado vencível
Ef 4.25-32 28Por isso, deixando a mentira, fale cada um a verdade com o seu próximo, porque somos membros uns dos outros. 26Irai-vos e não pequeis; não se ponha o sol sobre a vossa ira, 27nem deis lugar ao diabo. 28Aquele que furtava não furte mais; antes, trabalhe, fazendo com as próprias mãos o que é bom, para que tenha com que acudir ao necessitado. 29Não saia da vossa boca nenhuma palavra torpe, e sim unicamente a que for boa para edificação, conforme a necessidade, e, assim, transmita graça aos que ouvem. 30E não entristeçais o Espírito de Deus, no qual fostes selados para o dia da redenção. 31Longe de vós, toda amargura, e cólera, e ira, e gritaria, e blasfêmias, e bem assim toda malícia. 32Antes, sede uns para com os outros benignos, compassivos, perdoando-vos uns aos outros, como também Deus, em Cristo, vos perdoou.
Quando lemos o texto de Tiago, pode ser que ficamos meio desanimados, pois ele diz que quem não tropeça no falar é perfeito varão. Bom, todos aqui tem consciência que a perfeição real só teremos quando Jesus Cristo voltar e nos transformar definitivamente. Até lá, seremos imperfeitos e continuaremos pecando.
Todavia isso não quer dizer que não há o que fazer contra a mentira, a maledicência, a falsidade e as más intenções no falar. Pelo contrário, esses pecados podem ser diminuídos e muito.
Paulo dá a fórmula para isso em sua Carta aos Efésios. E a fórmula é a mesma que acaba com o furto: a substituição. Ele indica a substituição assim:
· Mentia, fale a verdade;
· Xingava, fale palavras que edificam, de acordo com a necessidade;
· Se amargurava, seja bondoso;
· Se irava a ponto de gritar e xingar, seja paciente e perdoe como Cristo te perdoou
Tomo a liberdade de dar um testemunho pessoal positivo. Antes de minha conversão eu era um mentiroso contumaz. Eu mentia sobre tudo e sobre todos. Eu sempre valorizei minha imagem diante dos outros, então, quando eu fazia algo que me fizesse parecer menos virtuoso diante das pessoas, eu mentia de forma que fosse conveniente para mim.
Eu não sabia que eu mentia mal, e que muitas pessoas notavam minhas mentiras, mas me orgulhava de uma tal “habilidade para mentir bem”.
Bom, quando o Senhor me salvou, logo percebi que a mentira era um pecado horrível, mas eu era muito viciado nisso e tive imensa dificuldade para parar com essa prática.
Na ocasião eu descobri em minha leituras da Bíblia que, para falar a verdade, parte do processo passava por pecar menos (pois eu sentia vontade de mentir para encobrir meus pecados) e por ser realista quanto a mim mesmo (não tentar passar uma imagem de homem perfeito).
Conclusão
Conclusão
Fale a verdade, com bondade, a todos e sobre todos.
[1]Exemplo: Precisaremos de muitos braços para executar essa tarefa (braços substitui homens ou pessoas).
[2]Total de 123 ocorrências de mentira e suas variantes contra 45 de adultério e suas variantes. Não foram incluídas palavras correlatas, como amante nessa pesquisa.
