A Crucificação de Cristo
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João 19.1-42.
V.1-16
Pilatos se encontra frustrado em suas tentativas de fugir do seu dever, no capítulo anterior ele já havia tentado se livra do caso de Jesus e agora, por mais uma vez buscar uma solução que o livre da responsabilidade de julgar Jesus. Ele ordena então que Jesus fosse levado para ser açoitado/torturado. O açoite romano acontecia da seguinte forma: havia um cabo de madeira curto ao qual eram presas várias cordas, que tinham nas pontas pedaços de chumbo ou metal e fragmentos de ossos pontudos. E com esse cabo de madeira era aconteciam as chicotadas que eram aplicadas especialmente (nem sempre exclusivamente) nas costas nuas e encurvadas da vítima. O corpo era, às vezes, rasgado e dilacerado de tal forma que veias e artérias profundas – algumas vezes até as entranhas e os órgãos internos – ficavam expostas. Esse açoitamento, do qual os cidadãos romanos eram isentos (não podiam ser acoitados por serem romanos), frequentemente resultava em morte. Ele acontecia sempre antes da execução ou era dado como sinal de que a pessoa a quem ele era administrado estava para ser crucificada. Contudo, o que parece, é que, no presente caso, Pilatos ordenou esse açoitamento não como um sinal de crucificação, mas para evitar a necessidade de sentenciar Jesus a ser crucificado.
E se cumpre o que diz Isaías 53.5: “Mas ele foi traspassado por nossas transgressões e moído por nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e por suas pisaduras fomos sarados.”
Os soldados estavam ali, e então esse grupo estava ali participando do julgamento de Jesus.
Então, esse soldados, muito provavelmente haviam escutado as respostas às perguntas de Pilatos.
E a reação deles foi de zombaria, e ali estavam eles zombando de Jesus e estavam o chamando de rei e então lhe colocaram uma coroa na cabeça.
A coroa, em geral, é símbolo de poder e é confeccionada para se ajustar de maneira confortável à cabeça de seu poderoso usuário, mas a coroa de Jesus foi feita de espinhos entrelaçados (19.2a). Usar tal coroa deve ter sido muito doloroso, principalmente se foi feita, como sugerem alguns estudiosos, de folhas de palmeira.
Os longos espinhos no final das folhas chegam a medir 30 centímetros de comprimento. Mais significativo é o fato de que espinhos e cardos são mencionados em Gênesis 3.18: “Ela produzirá também cardos e abrolhos, e tu comerás a erva do campo.”
Em conexão com a queda de Adão. Portanto, aqui em João 19.2–3 Jesus é retratado como suportando a maldição que reside sobre a natureza. Ele a suporta a fim de libertar a natureza (e a nós) dessa maldição.
Romanos 8.20–21 “Pois a criação está sujeita à vaidade, não voluntariamente, mas por causa daquele que a sujeitou, na esperança de que a própria criação será redimida do cativeiro da corrupção, para a liberdade da glória dos filhos de Deus.”
Os soldados também vestiram Jesus com um manto de púrpura (vermelho) (19.2b). Púrpura era a cor oficial da realeza e um indicativo de autoridade e riqueza. Uma vez que Jesus era rei, essa era a cor que devia vestir. Os soldados, entretanto, não reconheciam a realeza de Jesus. Estavam, na verdade, escarnecendo dele. Embora os soldados lhe prestassem com sarcasmo, saudando-o e dizendo: Salve, rei dos judeus! (19.3a), estavam dirigindo-se a ele de maneira correta! Jesus era o rei dos judeus e não deveria usar uma coroa de espinhos nem ser prisioneiro de Pilatos. No entanto, Deus permitiu que isso acontecesse (19.11a) para que, por meio do sofrimento de Jesus, os que cressem nele pudessem ser curados (Is 53:5).
Os soldados expressaram seu desprezo por Jesus dando-lhe bofetadas (19.3c). Não imaginavam que aquele a quem espancavam era mais poderoso do que Pilatos, até mesmo maior que o próprio Tibério César.
Logo esses soldados (ou colegas deles) teriam uma surpresa, pois o serviço de guarda no túmulo de Jesus se tornaria um pesadelo para eles!
Pilatos então apresentou o maltratado e ensanguentado prisioneiro aos líderes judeus e mais uma vez declarou a inocência de Jesus (João 19.4).
Pilatos após ter acoitado Jesus, coloca Ele diante de todos ali e diz: vejam, ai está o homem.
Como se dissesse, Ele já não sofreu suficiente? é necessário mesmo mais punição para este homem que está diante de vocês com uma coroa de espinhos, todo ensanguentado de tanto sofre?.
Contudo, a única resposta que recebeu dos principais sacerdotes e seus guardas foi: Crucifica-o! Crucifica-o! (19.6a). Frustrado, o governador ordenou que eles mesmos o crucificassem (19.6b). Sem dúvida, Pilatos sabia que os líderes judeus não tinham autoridade para aplicar a sentença (18.31b), mas fez questão de dizer que não tomava parte naquela injustiça e, mais uma vez, voltou a declarar a inocência de Jesus (19.6b).
Percebendo que Pilatos estava indeciso e propenso a inocentar a Jesus, os líderes judeus fizeram então sua primeira acusação, e então disseram queJesus se declarou ser Filho de Deus (19.7). Ao ouvir isso, Pilatos se mostrou ainda mais relutante em decidir o caso e fez outra pergunta a Jesus: Donde és tu? (19.9a).
Pois, é bom lembrar que no dia anterior a esposa de Pilatos sonhou com Jesus, e o sonho levou ela a avisar a Piatos antes do julgamento que ele não se envolve-se com Jesus, o qual ela chamou de Justo. E nesse momento os líderes afirmam que Jesus disse que era o Filho de Deus, então Pilatos estava agora mais temeroso do que nunca. Esse novo temor era principalmente por essa nova informação que agora lhe davam. O quê? Esse prisioneiro misterioso era um filho dos deuses? Seria essa, porventura, a razão de sua mulher ter passado por tais agonias no sonho que tivera com ele?
Pilatos estava conduzindo o julgamento de acordo com a lei romana, pois os líderes judeus haviam recusado sua permissão para julgar Jesus conforme a lei judaica (18.31).
Por isso Pilatos voltou a Jesus e perguntou de onde Ele era, mas Jesus não lhe respondeu, ficou calado.
Mas, os líderes judeus lembravam a Pilatos que diante do que foi falado, de que Jesus se declarou Filho de Deus, mesmo que a lei romana não visse nenhum crime em Jesus afirmar isso, ele era um criminoso aos olhos da lei judaica, passível da pena de morte.
E a essa altura, o governador deve ter tentado conciliar sua convicção de que Jesus era inocente com a reivindicação dos líderes judeus, por isso resolveu transferir o caso para outro tribunal. Segundo o relato de Lucas, Pilatos, depois de se convencer da inocência de Jesus, foi informado de que o acusado era da Galileia e o enviou a Herodes Antipas, que se achava em Jerusalém e ali julgava como governador da Galileia (Lc 23:4-7).
Também João deixa claro que o governador queria ver-se livre da obrigação de julgar Jesus. Ele desejava evitar o conflito entre os termos da lei romana e as alegações dos líderes judeus. Jesus não respondeu à pergunta de Pilatos (19:9b). Por quê? Ele sabia que Pilatos queria a todo custo fugir à responsabilidade de julgar seu caso e estava ciente de que isso não aconteceria. Jesus teria de morrer na cruz por causa do pecado humano e da imutável santidade de Deus (Ef 2:16; Cl 2:13-14). Jesus também teria de morrer na Páscoa, a exemplo do cordeiro que redimiu do pecado o povo no Egito, na época de Páscoa. Uma razão mais imediata para seu silêncio, todavia, era a complexidade da resposta à pergunta de Pilatos. O governador teria ficado feliz se Jesus dissesse que era de Nazaré, mas essa resposta seria incorreta, porque Nazaré foi somente um ponto de parada neste mundo, em sua jornada da eternidade passada para a eternidade futura. Se Jesus tivesse dado a resposta correta: “Eu sou do céu”, Pilatos não entenderia. Se a origem divina de Jesus era incompreensível até para os líderes judeus (que conheciam muito bem as Escrituras), como Pilatos, um pagão, compreenderia essa verdade? A questão não podia ser respondida da perspectiva puramente intelectual. Pilatos não entenderia, e Jesus sabiamente ficou em silêncio. E além disso, se Pilatos tivesse prestado atenção, ele concluiria que Jesus não é deste mundo, como Ele declarou em João 18.36-37.
Então pergunta Pilatos: “Você não está percebendo quem sou eu. Sou Pilatos, o governador, e você é um prisioneiro que depende de meu favor”. Pilatos interpretou aquele silêncio como grosseria, mas isso não preocupou a Jesus. Poucos dias depois, Pilatos entenderia quem Jesus realmente era e então concluiria que a situação deveria ter sido inversa: Jesus é que tinha o direito de interrogá-lo, e não ele a Jesus!
À pergunta de Pilatos acerca do silêncio de Jesus imediatamente se seguiu uma última questão concernente à sua autoridade: Não sabes que tenho autoridade para te soltar e autoridade para te crucificar? (19:10b). Ou seja: “Você não percebe que está totalmente à minha mercê/ debaixo de minha responsabilidade?”.
Pilatos não estava exagerando acerca de seu poder como governador. Tibério César não se preocupava com o que acontecia em Jerusalém, desde que a paz fosse mantida. Nenhum prisioneiro que fosse libertado ou condenado à cruz despertava o interesse de Roma. A decisão estava inteiramente nas mãos de Pilatos, que tinha consciência desse fato e queria saber se Jesus também tinha.
Ai então Pilatos recebe uma resposta de Jesus: Nenhuma autoridade terias sobre mim, se de cima não te fosse dada (19.11a). O poder de Pilatos sobre Jesus era concedido pelo Pai, e o tempo disso já estava determinado. Pilatos não estava em posição de gabar-se de seu poder diante de Jesus. Na verdade, o governador tinha culpa, embora quem me entregou a ti maior pecado tem (19.11b).
A culpa de Pilatos não era tão grande. Ele estava conduzindo um julgamento injusto de um homem inocente. No entanto, na condição de representante do governo, era obrigado a assumir essa responsabilidade. Além disso, não foi ele quem mandou prender a Jesus.
Uma pessoa faz referência a Caifás — que enviou Jesus a Pilatos.
Caifás, Jesus deve ter considerado que este, na condição de judeu e sumo sacerdote, possuía mais conhecimento que Pilatos. As Escrituras das quais Caifás era guardião condenavam a injustiça e a fraude que caracterizam o julgamento de Jesus.
E diante disso, Pilatos ficou ainda mais ansioso para libertar Jesus, mas tinha diante de si os líderes judeus a lembrá-lo, aos gritos, de que a lealdade do governador a Tibério César seria questionada se ele libertasse a Jesus: Todo aquele que se faz rei é contra César! (19.12).
Pilatos finalmente cedeu à pressão das autoridades judaicas, assumiu a cadeira formal de juiz e apresentou o maltratado Jesus à multidão, declarando: Eis aqui o vosso rei (19.13-14).
Não está claro o que Pilatos pretendia ao se referir a Jesus como rei. Talvez estivesse raciocinando em termos religiosos. Ou mesmo estivesse sendo sarcástico, sendo isso um insulto aos judeus. E aquele dia era a parasceve pascal - significa que era o dia que precedia o sábado de páscoa, era sexta-feira da semana de páscoa. E era por volta da hora sexta, talvez umas 6h ou 6h30 da amanhã, não podemos saber com exatidão. Pilatos então disse: eis aqui o vosso rei, isso falou provocando e irritando os judeus.
Entretanto, os principais sacerdotes reagiram à declaração do governador com esta proclamação: Não temos rei, senão César! (19.15).
Percebendo a hostilidade dos líderes judeus para com Jesus e a ameaça contra sua posição de governador, Pilatos desistiu de conduzir um julgamento justo e entregou-lhes Jesus para que fosse crucificado (19.16a).
V.17-30
O passo seguinte agora era a cruz, por isso Pilatos entregou Jesus aos soldados para ser crucificado (19.16b).
Mateus e Marcos contam que os soldados conduziram Jesus ao pretório, o palácio no qual residia Pilatos (Mt 27.27; Mc 15.16), e depois de zombarem do prisioneiro cobriram-no com um manto de púrpura.
Em seguida, eles “o vestiram com as suas próprias vestes” (Mt 27.31; Mc 15.20). Vestido com as próprias roupas, mas ainda com a coroa de espinhos.
Jesus iniciou sua jornada até o local da crucificação, caminhada que lhe Ele pode sentir ainda mais dor física e emocional. A agonia física ficou por conta do peso da cruz que ele teve de carregar (19.17) A ideia da vítima carregando a cruz na qual seria levantada nos lembra Isaque, que carregou a lenha para o holocausto (Gn 22.6). As palavras “carregando a cruz sozinho, ele saiu” implicam uma maldição de quatro pontos:
1. A morte por crucificação era em si considerada uma maldição (Gl 3.13): “Aquele que for pendurado é maldito de Deus” (Dt 21.23, válido mesmo quando se trata de pendurar um cadáver; quanto mais, então, com relação a uma pessoa viva). Que a cruz era um termo de horror está também claro no versículo 31 de João 19.
2. Obrigar a pessoa sentenciada, nesse caso, Jesus, a carregar a cruz aumentava a vergonha.
3. Tê-la carregado pessoalmente, com o significado de ter feito isso sozinho, embora ela fosse pesada e seu corpo já tivesse sido submetido a terríveis punições, enfatiza o fato de que o Servo Sofredor estava sendo levado em completo abandono/sozinho.
4. Sair da cidade para ser crucificado (“ele saiu”) acrescentava ainda outro elemento à maldição, como é claramente ensinado em Hebreus 13.12–13, com base em Êxodo 29.14; Levítico 4.12,21; 9.11; 16.27; Números 19.3.
O lugar em que a crucificação ocorreu era chamado Lugar da Caveira.
Jesus sofreu o nosso sofrimento, e sua própria crucificação Ele teve sede e dores por conta dos cravos em suas mãos, da coroa em sua cabeça, e isso mostrou todo o seu sofrimento físico(19.28).
Houve também a dor emocional de ver o povo escolher libertar Barrabás, e não Ele (18.40), e Jesus ainda foi abandonado por seus discípulos (Mt 26.56), crucificado entre dois criminosos (19.18), presenciou a tristeza de sua mãe (19.25) e suportou a zombaria de um dos criminosos ao seu lado (Lc 23.39) Isso tudo gerou n’Ele dores emocionais.
Porém, apesar de todo o sofrimento e de os soldados e as autoridades parecerem controlar a situação, o texto deixa claro que todos os acontecimentos estavam sob o controle absoluto de Deus.
Pilatos mandou escrever uma inscrição na cruz de Cristo que foi uma significativa proclamação acerca de quem Jesus de fato era. Ela foi lida por muita gente, porque fora escrita nos três principais idiomas da época: aramaico, latim e grego (19:19-20).
JESUS NAZARENO, O REI DOS JUDEUS.
Era comum, naquela época, afixar no topo da cruz, o crime pelo qual o réu estava sendo executado. Para escarnecer dos judeus, Pilatos manda instalar uma tábua com o título: Jesus Nazareno, rei dos Judeus.
Pilatos mandou escrever esse título em hebraico, latim e grego. Ou seja, as línguas da religião, da política e da filosofia. Quando os principais sacerdotes tentaram demover Pilatos a fim de mudar a frase para: Ele [Jesus] disse: Sou o rei dos judeus, o governador romano, já contrariado com esses líderes, não mudou de ideia, mas manteve sua posição, afirmando: O que escrevi, escrevi (19.22).
Os soldados ali dividiram as vestes de Jesus entre eles em quatro partes.
A Expressão do amor lá na cruz (v.23-27)
É notável o fato de que Jesus, em meio a tanto sofrimento, ainda demonstrasse preocupação com sua mãe. Ele a entregou aos cuidados do apóstolo João (v.26-27)
Jesus completa a missão na cruz (v.28-30)
Que se encontrava ali naquele momento. O resultado de sua paixão foi glorioso. Depois que Jesus proferiu sua sexta frase na cruz e disse ainda: Está consumado! (19.30), a obra da redenção da humanidade estava concluída. A dor e a glória de Deus não são contraditórias. O sofrimento de Jesus, a despeito de ele não ter feito nada errado, tornou-se a mais gloriosa provisão de Deus para toda a humanidade — um sacrifício apropriado pelos pecados de todos os seres humanos de todas as gerações. Períodos de sofrimento como os que experimentamos na África não nos devem fazer desistir. Em vez disso, devemos alimentar a expectativa de que Deus produzirá um resultado glorioso. O sofredor inocente pode não ver esse resultado, mas seus filhos verão.
Jesus é sepultado (v.31-42)
A constatação da morte de Jesus (v.31-37)
Os cuidados com o corpo de Jesus (v.38-40)
O enterro do corpo de Jesus (v.41-42)
As três horas seguintes transcorreram como as de qualquer outro dia em que um criminoso era crucificado, mas ao meio-dia (“hora sexta”, Mc 15:33; cf. tb. Mt 27:45; Lc 23:44) algo estranho aconteceu: o dia tornou-se noite, e a escuridão durou 3 horas (Lc 23:44). Então, às 3 horas da tarde, Jesus pronunciou suas últimas palavras, na última de suas declarações na cruz. Ele disse: “Está consumado!”. Depois disso, inclinou a cabeça e entregou o espírito (19:30). Nesse ínterim, no templo, os judeus abatiam seus cordeiros para a ceia da Páscoa, pois às 6 horas da tarde começaria a semana da Páscoa. Jesus ainda permanecia na cruz, mas os judeus não pretendiam deixá-lo no madeiro porque a lei dizia que nenhum corpo podia ficar na forca ou na cruz durante a noite (19:31; cf. tb. Dt 21:22-23). Os discípulos de Jesus não eram encontrados em parte alguma. Se não reclamassem o corpo de Jesus, ele seria lançado no vale de Hinom, onde o lixo de Jerusalém era amontoado. José de Arimateia e Nicodemos assumiram o funeral de Jesus (19:38-39a). Ambos eram discípulos secretos de Jesus (19:38; cf. tb. 3:1-21; 12:42-43) e membros do Sinédrio (Mc 15:43, Jo 7:50-52). Por ser o Sinédrio a maior autoridade dos judeus reconhecida pelos romanos, seus membros eram os cidadãos mais influentes da nação. Ao solicitar o corpo de Jesus (Mt 27:58; Mc 15:43; Lc 23:52), os dois homens se expuseram à inimizade dos líderes judeus que haviam causado a morte de Jesus. Infelizmente, é raro presenciarmos uma atitude semelhante a favor de Cristo por parte daqueles que conquistaram posições importantes na sociedade, como ministros de governo, membros de parlamentos e servidores civis. O que José e Nicodemos fizeram equivale a membros de parlamento ou juízes de suprema corte tomarem para si a responsabilidade de garantir um sepultamento decente para alguém. A omissão, nesse caso, corresponde a abandonar o corpo aos abutres, como os romanos faziam com aqueles que eram crucificados. Hoje, não temos mais o corpo de Jesus para sepultar, mas temos a causa de Cristo para defender. Esse dever não é imposto apenas aos pastores e bispos, mas a todos os crentes em Jesus, sem importar que cargo ocupem. José e Nicodemos nos convidam a despertar e defender a causa de Cristo. Que desculpa temos para não fazê-lo? Alguém pode argumentar: “Nossa constituição separa Igreja e Estado”; ou: “Minha missão é ser representante de todos, não de interesses religiosos”. Contudo, tais argumentos geralmente não passam de desculpas. José e Nicodemos arriscaram a carreira política a fim de prestar um humilde serviço a Jesus. Nós também devemos fazer o mesmo, se nossa convicção a respeito de Cristo for profunda o bastante. Olhe em volta e veja o que você pode fazer, em seu país, pela causa de Cristo! Esses dois homens não somente arriscaram a carreira pela causa de Cristo, como também doaram recursos materiais para ela. As especiarias trazidas por Nicodemos para preparar o corpo de Jesus não eram produtos baratos, e a quantidade que ele forneceu excedia em muito o necessário para aquele procedimento (19:39b). O túmulo no qual Jesus foi sepultado foi o de José de Arimateia (19:41; Mt 27:60). Eram ambos homens generosos. As instituições teológicas e os projetos cristãos da África dependem tanto de patrocinadores ocidentais que somos forçados a perguntar: “Não existe dinheiro na África?”. Sem dúvida, há dinheiro no continente africano. Podemos constatar essa realidade ao ver os “palácios” que alguns presidentes africanos construíram para si, os condomínios de casas para alugar de propriedade de parlamentares e as frotas de veículos ostentadas pelos ricos. O que se perdeu foi a atitude que vemos em José e Nicodemos, que contribuíram generosamente para a causa de Cristo a um alto custo para si mesmos. Onde estão os palácios, as propriedades e as frotas de veículos a serviço de Jesus? Aqueles dois homens, que eram discípulos secretos de Cristo, nos deixam envergonhados, embora proclamemos ao mundo sermos discípulos de Jesus. Quando José e Nicodemos arriscaram a popularidade que desfrutavam entre seus pares para prestar aquele serviço, pensavam apenas em proporcionar um sepultamento honroso para Jesus. Se fizeram tanta coisa pelo Jesus morto, quanto mais devemos nós fazer pelo Cristo ressuscitado? Os crentes africanos precisam tomar uma atitude!
Aplicações:
A morte de Cristo é suficiente para nossa salvação
Cristo morreu de forma voluntária
Sua morte deve nos trazer esperança e não tristeza. A não ser que seja por nossos pecados.
A crucificação mostra o quanto os homens estão cegos
