Provérbios 13:23-25
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Bens diligentemente obtidos podem ser desperdiçados devido à falta de discernimento.
Provérbios 13.23
“A lavoura do pobre produz alimento com fartura, mas por falta de justiça ele o perde” (Pv 13.23 NVI).
Certa moça teve uma infância difícil. A família era pobre e ela sempre teve de se esforçar em dobro para suprir o que necessitava. Apesar das dificuldades, sempre foi fiel a Deus e dedicada à família, à igreja e à obra de Deus. Um dia, as coisas mudaram. Ela conseguiu um emprego muito bom que abriu novas portas pelas quais ela decididamente passou rumo a um futuro melhor. Constituiu família, construiu uma boa casa e passou a viver dias de prosperidade. Deslumbrada com o novo mundo diante de sua janela, sentiu que devia conhecê-lo e aproveitá-lo com toda força a fim de compensar o seu passado. Seus familiares e seus irmãos da igreja quase não a viam mais. O mundo a deslumbrou tanto que ela se afastou de todos e principalmente de Deus. Finalmente, tomou decisões aprazíveis, mas erradas, e viu sua felicidade se esvair. Atualmente, ela passa os dias se lamentando.
Salomão, apesar da sua riqueza e das possibilidades que ela trazia, sabia que não é o dinheiro que torna o homem bem sucedido. Mesmo alguém sem recursos pode ter sucesso naquilo que se esforça e faz bem. Por isso, ele diz que a “lavoura do pobre”, a qual não conta com altos investimentos e com a ajuda de recursos apropriados, “produz alimento com fartura”. Não significa que a mediocridade é positiva, mas que as deficiências podem ser superadas com dedicação e trabalho.
Entretanto, essa não é a realidade final. Mesmo o homem bem sucedido em seus labores pode fracassar diante dos bons resultados obtidos. Havendo vitória nos intentos disposta lado a lado com a “falta de justiça”, o resultado pode ser que o esforçado e dedicado trabalhador “perde” o que alcançou. Significa que não basta alcançar os objetivos. É necessário ser temente a Deus e deixar que sua Palavra o guie para que ele não apenas saiba como aproveitar seus bens e sua condição favorável, como também mantê-las. Por isso, vemos muita gente subindo e caindo na vida. A capacidade de galgar novas posições não dispensa a sabedoria para administrar o obtido, nem o bom relacionamento com Deus para que os valores sejam todos colocados em seus lugares corretos. Caso contrário, o que se dirá dele é outro provérbio: “Esse nadou e morreu na praia”.
Verso 25
O justo consegue ser satisfeito, enquanto o perverso sempre está com fome, ou seja, sempre está insatisfeito.
Fome insaciável – O justo tem o bastante para satisfazer o seu apetite, mas o estômago dos perversos passa fome (Pv 13.25). A fome do corpo pode ser mitigada com um prato de comida, mas a fome da alma não se satisfaz com o pão da terra. Os prazeres desta vida e as riquezas deste mundo não satisfazem nossa alma. Temos um vazio no coração com o formato de Deus, e nada nem ninguém pode preencher esse vazio, a não ser o próprio Deus. Os dons de Deus não substituem Deus. As dádivas não substituem o doador. A bênção não é um substituto do abençoador. Só Deus pode nos satisfazer. O justo não é desamparado, nem sua descendência mendiga o pão. O justo tem pão com fartura e desfruta de todas as iguarias da mesa do Pai. Ele tem o bastante para satisfazer seu apetite, pois alimenta-se do Pão vivo que desceu do céu. O estômago do perverso, porém, passa fome, e sua alma definha de inanição espiritual. O ímpio alimenta-se de pó. Mesmo que ele jogue para dentro da sua alma as mais diversas aventuras, não encontra nelas nenhum prazer. O ímpio constrói casas, mas não se sente seguro nem feliz dentro delas. Ele planta vinhas, mas não se delicia com o vinho delas oriundo. Ele se assenta ao redor de grandes banquetes, mas seu estômago não se sacia com nenhuma dessas iguarias. Na verdade, a fome do perverso é insaciável, pois ele não conhece Deus, o único que pode satisfazer a alma.
Verso 24.
O grau de coerência na disciplina determina o grau de amor dos pais pelo filho.
Certo pastor relatou:
Conversei com um pai em determinada ocasião e, falando sobre nossos filhos, ele disse orgulhosamente: “Nunca repreendi meu filho”. No início, eu não expressei reação, pois não entendi se era sério ou se era algum tipo de brincadeira. Então, dei uma reposta superficial e fiquei esperando que ele explicasse melhor. De fato, aquele homem nunca corrigira seu filho e achava mesmo que aquilo era prova de amor. Para provar seu ponto de vista, ele citou casos de violência paterna que são noticiados nos jornais. Eu respondi que o fato de haver quem espanque os filhos de modo absurdo e reprovável não queria dizer que corrigir os filhos segundo os ensinos da Palavra de Deus era errado ou era falta de amor — muito pelo contrário. Na época, ele não concordou comigo. Hoje, certamente concorda, pois seu filho cresceu sem educação, sem valores sólidos e cria sérios problemas onde quer que vá.
Embora os “especialistas” contemporâneos discordem, a Bíblia ensina o castigo corporal. Deixar de castigar fisicamente a criança, quando merecido, incentiva o pecado e contribui para sua destruição. O pai que retém a vara talvez imagine estar demonstrando amor, mas, na verdade, Deus afirma que essa é uma demonstração de ódio.
Os filhos precisam de limites. Precisam saber o que é certo e errado. Precisam ter balizas claras e princípios firmes. Os pais não podem premiar a desobediência nem ser coniventes com o pecado dos filhos. Os pais não podem ser omissos diante da rebeldia dos filhos. Quem se nega a disciplinar seu filho não o ama. O pai que ama o filho com responsabilidade não hesita em discipliná-lo.
A disciplina também precisa ser aplicada no tempo certo. Uma planta tenra facilmente pode ser envergada, mas, depois que cresce, engrossa o caule e se torna uma árvore frondosa, é impossível dobrá-la. Precisamos corrigir nossos filhos desde a mais tenra idade. Precisamos inculcar neles a verdade de Deus desde a meninice. Precisamos ensinar-lhes não o caminho em que eles querem andar, nem o caminho em que eles precisam andar. A ordem de Deus é ensiná-los no caminho, servindo-lhes de exemplo. A ausência de disciplina desemboca em insubmissão. Mas a disciplina aplicada com amor e integridade produz os frutos pacíficos da justiça.
Apesar de o mundo dizer que uma prova de amor é dar liberdade de as pessoas fazerem o que quiserem e deixá-las pensar como bem entenderem, o amor de verdade não valoriza mais a liberdade que a verdade e a retidão — principalmente porque sabe que essa liberdade presente representará um fardo futuro. O fato é que quem não corrige o filho demonstra que ama mais a si mesmo que a ele e, por isso, não se dá ao duro trabalho de lapidar a pedra bruta e manchada que são os pequenos.
Tendo dito isso, o sábio rei fala de quem “ama” o filho. Do mesmo modo que na primeira parte, ele diz com clareza que esse “não hesita em discipliná-lo”. É claro que os espancadores covardes também não hesitam, mas eles não o fazem por amor. O assunto aqui é o pai e a mãe que amam seus filhos. Por amarem, eles fazem algo que lhes é custoso: corrigem e disciplinam os filhos. Eles não têm gosto nisso — como os violentos. Eles fazem porque sabem que é preciso e que o custo de negligenciar esse dever trará muito sofrimento para os filhos que tanto amam. Assim, eles ensinam justiça, responsabilidade, senso de dever e temor a Deus. Antigamente, isso era mais comum que hoje. Basta ver no que o mundo se tornou e como são os jovens de hoje para saber se Salomão disse algo sábio ou não.
