Sem título Sermão (13)

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No capítulo 4 de Efésios, Paulo faz inicia a conclusão da Carta, especialmente em Efésios 4.1-6, Paulo começa a aplicar tudo que ele ensinou nos capítulos anteriores. A ideia é, “visto que vocês são escolhidos, redimidos, selados pelo Espírito, estavam mortos mas agora estão vivos fazendo parte da família de Deus, como um só povo, vivam de maneira digna da vocação da qual vocês foram chamados, mantendo a unidade no Espírito”. Essa unidade deve ser mantida com atitudes de humildade, mansidão, paciência e suporte mutuo em amor (a ideia é aguentar aqueles irmãos problemáticos agindo com amor), preservando a harmonia do corpo, a unidade no Espirito. Além disso, vimos também que a unidade da igreja se fundamenta na Trindade: um só Espírito, um só Senhor e um só Deus e Pai de todos, que está sobre todos, age por meio de todos e habita em todos os crentes.
Assim sendo, embora a unidade seja fundamental no corpo de Cristo como vimos em Ef 4.1-6, em Efésios 4.7-16, Paulo nos ensina que ela não deve ser confundida com uniformidade. Em outras palavras, dos versos 7-16, vimos que cada membro é capacitado por Cristo, que distribui dons diversos conforme Sua graça, para que todos contribuam para a edificação da igreja. Esses dons, sejam de liderança ou de serviço, são concedidos com o propósito de capacitar o povo de Deus para o ministério e construir um corpo saudável e maduro. Desta forma, toda a comunidade é chamada a servir e contribuir, cada um usando o dom recebido para o bem comum. Nós vimos que todos aqui irmãos, precisam considerar se estão servindo a Igreja de Cristo com seus dons. Isso porque a edificação da igreja depende da colaboração de todos os seus membros. Pastores e líderes são responsáveis por equipar os santos, mas cada cristão deve reconhecer o seu papel ativo no ministério. A maturidade espiritual, tanto coletiva quanto individual, vem do crescimento na verdade e no amor, vivendo e aplicando a verdade de forma amorosa. Somente quando a verdade e o amor caminham juntas, a igreja pode atingir a unidade plena e se tornar o corpo maduro que Cristo deseja.
Dito isso, vimos que Paulo então abordou sobre a unidade e diversidade de dons que a Igreja tem e a partir do verso 17 do capítulo 4 até o final da carta Paulo exorta àqueles irmãos dizendo ao longo de todo o parágrafo é: “Desfaçam o velho e adotem o novo”. Ele está sempre contrastando esses dois tipos de disposição e conduta.
Dos versos 17-24, nós vimos que se trata de um resumo acerca da doutrina completa do pecado e da salvação. Como incrédulos, estávamos sob o poder do pecado e da morte, escravizados por nossos sentidos e condenados pela eternidade. Não havia esperança para nós. Então Deus interveio e enviou seu Filho para morrer na cruz a fim de trazer redenção e perdão. Entramos nesse estado abençoado de redenção por meio das três etapas que Paulo enumera aqui. Primeiro nos livramos de nossa velha natureza, voltando-nos e abraçando Cristo, depois Cristo nos faz parte de sua nova criação e nos dá uma nova mentalidade, e finalmente nos vestimos com essa nova realidade e vivemos uma vida de crescimento em comportamento justo e de santidade.
Já nos versos nos versos 25-32, Paulo apresenta um contraste marcante entre os comportamentos associados ao "velho homem" e as atitudes que devem caracterizar a "nova criação" em Cristo. Ele exorta os cristãos a abandonarem práticas destrutivas, como mentira, raiva descontrolada, roubo e conversas inúteis, e a substituí-las por comportamentos que promovem a unidade, edificam os outros e refletem a graça e o perdão de Deus. Essas instruções práticas reforçam a importância de viver de maneira que não entristeça o Espírito Santo, que nos selou para o dia da redenção, e de demonstrar, em ações e palavras, a transformação que ocorre em nossas vidas pela obra de Cristo.
Esse ensino se estende ao início do capítulo 5, onde Paulo conclui sua exortação apresentando um modelo sublime para a vida cristã: imitadores de Deus e andar em amor. Ele aponta para Cristo como o exemplo perfeito de amor sacrificial. Assim como Cristo entregou-se por nós como oferta agradável a Deus, também somos chamados a viver de maneira que demonstre amor incondicional e altruísta em nossas relações. Essa vida de imitação divina não apenas glorifica a Deus, mas também dá testemunho de nossa nova identidade como filhos amados e continua fazendo a comparação do velho homem com o novo.
Nesta parte da carta aos Efésios, dos versos 3-14 do capítulo 5, Paulo continua comparando a vida antiga com a nova vida em Cristo (um tema também destacado em Efésios 4.22–24). Antes, em Efésios 4.25–5.2, ele mostrou a diferença entre os vícios (característicos da velha humanidade) e as virtudes (próprias da nova humanidade). Agora, ele faz um contraste entre viver nas trevas e viver na luz. Como parte dessa nova humanidade (Ef 2.15), os cristãos são filhos da luz e não podem mais participar das obras das trevas. Por isso, nosso estilo de vida precisa refletir os valores do Reino de Deus. Nesta seção abordamos duas partes principais: Um aviso contra as obras das trevas (5.3–7) e um chamado para viver como filhos da luz (5.8–14).
Vivendo no Espírito (5.15–21)
Paulo começou seu ensaio sobre a vida cristã (4.17–5.21) mostrando como a nova vida em Cristo substitui os antigos caminhos (4.17–24). Em seguida, ele detalhou os vícios que devem ser evitados (4.25–31) e as virtudes que devem ser seguidas na nova comunidade (4.31–5.2). Ele aprofundou este entendimento usando o dualismo luz/escuridão para mostrar como a luz expõe as obras das trevas e permite ao crente viver no fruto da luz e agradar ao Senhor (5.3–14). Agora, ele leva esta seção ética ao clímax ao descrever a “caminhada” dos filhos da luz. Ele expressa o significado da luz no Senhor em termos de sabedoria divina expressa novamente na caminhada cristã (vv. 15–17), assim como a vida no Espírito que torna possível esta sabedoria (vv. 18–21). A sabedoria e o Espírito de Deus guiarão o cristão, permitindo aos santos viver de maneira digna (4.1), de modo a agradar ao Senhor (5.10). Por isso, em primeiro lugar:
O cristão não deve caminhar sem sabedoria e na ignorância (5.15–17)
Não imprudente, mas sábio, aproveitando cada oportunidade (5.15,16)
A vigilância espiritual (“que significa ter muito cuidado”) é necessária para que os santos possam vencer a escuridão e viver como luz. Muitos dos Efésios haviam adormecido espiritualmente (v. 14) e precisavam acordar e ficar alerta. E todo crente precisa da vigilância amorosa e cuidadosa dos que o rodeiam. Isso tomará a forma de incentivo ou admoestação, dependendo do que for necessário em qualquer tempo dado. É popular hoje em dia substituir o contato pessoal com redes sociais online, mas ignorar a interação face a face pode ser perigoso. O tipo de observação de perto que não pode ser realizada por meio do Facebook ou do Twitter ou video chamada.
A vigilância contínua é obrigatória se quisermos viver uma vida agradável ao Senhor em um mundo dedicado aos caminhos escuros do pecado. Qualquer decisão descuidada ou pensamento egoísta pode nos seduzir a tomar o caminho errado e cair na derrota espiritual. Nossa vigilância deve ser corporativa e não apenas individual. Não podemos carregar este fardo sozinhos, pois as pressões da secularidade e as tentações de viver segundo o princípio do prazer são grandes demais. Precisamos de ajuda, tanto do Espírito, quanto de nossos irmãos e irmãs em Cristo. Sem os olhos amorosos dos que nos rodeiam, com muita frequência enganamos a nós mesmos.
E Paulo ordena aos Efésios que caminhem “não como insensatos, mas como sábios”. Isso é verdade tanto no nível pessoal quanto no corporativo. Em Efésios 1.17, Paulo orou para que Deus lhes desse “o Espírito de sabedoria e de revelação”. Os crentes precisam da sabedoria divina (1.8) por meio do Espírito para serem bem-sucedidos em suas decisões. Agora é hora de usarmos essa sabedoria para viver corretamente diante de Deus (Cl 4.5, “andar em sabedoria”). Provérbios chama o fracasso em fazer isso de “loucura” (Pv 1.7; 10.14,23; 17.21–25; 18.6,7; 23.9). A pessoa que desconsidera Deus é de fato uma tola, insensata, tanto vazia como inútil. Os sábios, por outro lado, são caracterizados por uma consciência de Deus e um desejo de viver essa consciência em sua conduta diária.
Os sábios não desperdiçarão suas vidas em perseguições terrenas, mas aproveitarão “todas as oportunidades” (5.16; literalmente, “redimindo o tempo”). Como Paulo nos orienta em 2Timóteo 2.15, “trabalhe muito para se apresentar a Deus como alguém aprovado”. Aqui, a intenção é que usemos nosso tempo sabiamente, fazendo valer cada oportunidade. Temos apenas algumas poucas chances de fazer nossa vida ser importante, e queremos evitar desperdiçar nossas oportunidades e recursos limitados.
A razão que Paulo dá para prestar tanta atenção ao uso sábio de cada oportunidade é que “os dias são maus”. Se os santos não tiverem muito cuidado para controlar seu tempo, o mal pode se inserir e tomar o controle. A maioria dos intérpretes compreende aqui as palavras de Paulo para refletir a perspectiva judaica das duas idades: a era atual, caracterizada como maligna, e a era que virá, quando o Messias voltará e Deus redimirá seu povo. Paulo pode estar pensando especialmente nos ensinamentos de Daniel sobre as forças malévolas contra as pessoas. Como o mal está no controle de nosso mundo, os santos devem estar sempre alerta e trabalhar cuidadosamente para garantir que o evangelho triunfe e a igreja permaneça forte.
Em Efésios 2.2 os “caminhos deste mundo” são mostrados como alinhados com “o governante do reino do ar”, e em 6.12 com “os poderes deste mundo sombrio”. Nós, como igreja de Cristo, devemos nos certificar de não dar espaço nos dias em que formos dispersados para que Satanás e o mal assumam o controle. Além disso, em segundo lugar, Paulo disse aos Efésios para que não fossem ignorantes, mas que compreendessem a vontade de Deus.
Não ignorantes, mas compreendendo a vontade do Senhor (5.17)
Provérbios chama a falta de sabedoria de tolice, que pode ser definida como desrespeito a Deus em nossa vida. O verdadeiro tolo é a pessoa secular que, tornou-se seu próprio deus. “Portanto” —literalmente, “por causa disso” — remonta à oração anterior. A implicação: “porque os dias são maus, não seja um tolo”. Quando participamos livremente de atividades pecaminosas e ignoramos os caminhos de Deus, somos tolos. Mas as palavras de Paulo também se baseiam no conjunto dos versículos 15 e 16 e assim pode ser parafraseado “Porque somos chamados à divina sabedoria e ao uso sábio de nosso tempo, não nos permitiremos tornar-nos tolos e cairmos nas práticas malignas desta época”.
Ao invés de seguir os caminhos tolos dos descrentes, o sábio seguidor de Deus “entenderá qual é a vontade do Senhor”. O cristão perspicaz procura sempre buscar a palavra de Deus e seguir a orientação do Espírito, a fim de permitir que o Senhor determine as ações adequadas. Aqui, como em Efésios 1.8, sabedoria e compreensão estão ligadas. Mais uma vez Paulo está pensando em Provérbios, que diz: “O temor do Senhor é o princípio da sabedoria, mas os tolos desprezam a sabedoria e a instrução” (1.7) e “Por quanto tempo […] os tolos odiarão o conhecimento? (1.22). Salmos 111.10 coloca desta maneira: “O temor do Senhor é o princípio da sabedoria, e todos os que seguem seus preceitos têm boa compreensão” (veja também Pv 9.10). Observe os contrastes: o sábio versus o tolo e compreensão e sabedoria contra a ignorância. É compreensão prática discernir a vontade do Senhor nas decisões concretas da vida.
“A vontade do Senhor” aqui significa a vontade de Cristo, uma vez que “Senhor” se refere em todo o livro de Efésios ao senhorio de Cristo. Embora não haja muita diferença aqui — pois a vontade de Cristo é certamente a vontade de Deus — a seção é cristológica em seu núcleo. Tudo o que temos, inclusive a vida nas regiões celestiais (Ef 1.3,20; 2.6), temos em Cristo. A vontade de Deus/Cristo no Novo Testamento se refere a sua orientação e exigências para a vida cristã. Romanos 12.2 nos exorta a “testar e aprovar” a vontade de Deus — demonstrar a todos à nossa volta que a vontade de Deus funciona, que é “boa, agradável e perfeita” para nós. 1Pedro 4.2 nos desafia a “viver intencionalmente o resto de nossas vidas”, de acordo com a vontade de Deus. Cristo trouxe nossa salvação e nos fez parte de sua nova criação e de sua nova comunidade. Agora, ele quer que vivamos como parte de seu corpo e que deixemos que sua vontade determine nosso comportamento. Este é o chamado cristão à totalidade e à integridade.
Em terceiro lugar Paulo fala sobre a vida no Espírito dos versos 18-21.
A vida no Espírito (5.18–21)
“Não vos embriagueis com vinho” (5.18)
Paulo agora aprofunda o significado da nova vida que ele está destacando. A comparação entre embriaguez e enchimento do Espírito destaca a diferença entre viver segundo o Espírito e viver segundo os prazeres do corpo. A embriaguez é um tipo de escravidão. O cristão que se entrega a ela está vivendo uma vida descontrolada, como as crianças desta era. Para Paulo, os prazeres e o controle corporal se tornam os ideais. A embriaguez era a chave para o estilo de vida grego: status e poder eram mais importantes do que viver uma vida pura e irrepreensível. Aqui, a embriaguez é uma forma de libertinagem. Para Paulo, uma coisa é clara: você não pode ser cheio do Espírito e, ao mesmo tempo, ser uma pessoa viciada em bebida. O álcool rouba a mente de sua capacidade de pensar clara e racionalmente. Na verdade, a embriaguez retira a mente das mãos de Deus e a coloca sob o controle do mundo. Como os prazeres desta era dominarão os filhos da desobediência (Ef 2.2), qualquer tentativa de se manter acima deles é descartada pela falta de vigilância.
As referências a Isaías e Zacarias nos mostram que a pessoa preenchida pelo Espírito é controlada pelo Espírito e não pelo vinho. Isaías 29.9–10 diz que “eles tropeçarão […] porque o Senhor fez chover sobre vocês um espírito de letargia”. A palavra letargia refere-se a uma apatia e imaturidade que permite qualquer coisa entrar. Para Paulo, isso se aplica à embriaguez, e é o oposto do enchimento do Espírito. Isaías 32.15 diz que até que o Espírito seja derramado do alto, o deserto será povoado por pessoas indignas. A palavra “encher” implica controle, como quando uma bacia de água transborda para fora de seus limites. Uma pessoa cheia do Espírito se comportará de maneira diferente e se comportará de acordo com os propósitos de Deus.
“Enchei-vos do Espírito” (5.18)
Paulo está pensando aqui na controvérsia entre os gálatas (Gl 5.16–24) sobre a maneira de viver no Espírito. Ele diz: “Mas o fruto do Espírito é amor, alegria, paz, paciência, gentileza, bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio” (v. 22). Isso se compara diretamente à embriaguez, que resulta em descontrole. Os cristãos são chamados a viver uma vida controlada pelo Espírito. Somente o Espírito nos manterá fiéis à vontade de Deus e nos fará diferentes dos filhos da desobediência. Portanto, Paulo nos chama a “enchei-vos do Espírito”.
O “encher” (no grego, pleresqeite) refere-se à metáfora do vinho: quando os humanos são “cheios do Espírito” recebem um novo controle e propósito. Como beber vinho em quantidade é um uso improprio da substância, assim é viver na embriaguez em vez de ser controlado pelo Espírito. O álcool promete alegria, mas na realidade leva à ruína. Somente o Espírito pode proporcionar uma alegria duradoura. Esta é uma linha de argumentação semelhante ao que Paulo faz em Gálatas 5.16–24. Para ele, a vida no Espírito é uma experiência libertadora e transformadora, que traz poder, direção e clareza. Não há meio termo: ou somos cheios do Espírito ou somos controlados por algo ou alguém que não glorifica a Deus.
“A vida cheia do Espírito” é evidenciada por uma série de ações concretas que Paulo especifica: “falando entre vocês com salmos, hinos e cânticos espirituais” (5.19). Esses são os três tipos de músicas usadas para expressar adoração e gratidão. Salmos são palavras de louvor baseadas na Bíblia. Hinos são cânticos que celebram Deus e Cristo. Cânticos espirituais são músicas improvisadas ou espontâneas de louvor. Todos esses expressam a verdade teológica e são formas de comunicação espiritual. Paulo exorta os crentes a “cantar e dar louvores no coração ao Senhor” (cf. Cl 3.16). A vida cristã cheia do Espírito é uma vida de adoração, cantando louvores, falando de maneira edificante e expressando gratidão em tudo e uma vida de submissão mútua.
A submissão mútua (5.21)
A frase “submetendo-vos uns aos outros no temor de Cristo” ressoa com Efésios 4.1–3 e a chamada para manter a unidade da fé. A submissão mútua é uma característica central da vida na nova comunidade. O temor a Cristo reflete um respeito profundo e reverente pela autoridade do Senhor. O cristão se submete voluntariamente ao outro como expressão de seu amor a Cristo e ao próximo. A vida cristã é marcada por servir aos outros, não pela busca de status ou prestígio.
A submissão mútua não significa sujeição passiva, mas uma atitude ativa de cuidado e consideração para com os outros. É baseada no modelo de Cristo, que se humilhou e se entregou por nós. Esta atitude cria uma comunidade onde os crentes se amam e se respeitam uns aos outros. A vida cristã é uma jornada de aprendizado contínuo, onde aprendemos uns com os outros, onde cada membro da comunidade contribui para o crescimento e o fortalecimento do corpo de Cristo.
A seção anterior (4.17–5.21) tratou das relações no corpo de Cristo como um todo, e isso restringe o foco aos que estão em casa. Aqui, Paulo apresenta o que os estudiosos chamaram de uma “mesa de casa”, uma código que diz respeito às relações dentro da família cristã (para outros exemplos no Novo Testamento, veja Cl 3.18–4.1); 1Tm 2.8–15; 5.1–6.2; Tt 2.2–10; 1Pe 2.18–3.7). As versões judaicas dos códigos domésticos acrescentam uma ênfase nos direitos dos mais baixos na escala social (esposas, crianças, escravos) e a importância da reciprocidade (preocupação de uns para os outros) nas relações. A igreja primitiva acrescentou o ponto mais importante: a soberania de Deus e de Cristo sobre todos os relacionamentos.
No judaísmo as mulheres e esposas não tinham uma presença pública, mas estavam vinculadas aos deveres do lar e da família. As meninas tendiam a casar-se bastante jovens em casamentos arranjados; como exemplo, Maria tinha provavelmente entre doze e quatorze anos de idade quando ela deu à luz Jesus. Elas tinham uma educação limitada, com treinamento feito por suas mães. Houve um debate considerável na época de Paulo sobre se as meninas deveriam ser autorizadas a aprender a Torá; a maioria dizia que não. Ainda assim, havia uma liberdade geral de movimento, especialmente na Galileia, onde o povo judeu era menos conservador do que os da Judéia e não restringia as mulheres ao lar. Sua situação era melhor que a das mulheres em terras pagãs, e elas gozavam de maior honra e posição que as mulheres gentílicas (veja Pv 31). Elas tinham permissão para adorar no templo e na sinagoga, e há algumas evidências de que às vezes até lhes era permitido ler a Torá, principalmente em áreas afastadas da Judéia. Havia até liberdade limitada às vezes para trabalhar, talvez para vender produtos ou tecidos ou para ajudar nos campos. Nas cidades, as mulheres e as meninas eram mais sequestradas e mantidas em casa.
Fora do judaísmo havia alguma diferença de tratar as mulheres. Pensava-se que elas eram de baixo caráter moral, embora a realidade fosse exatamente o oposto. Havia uma alta mortalidade infantil na cultura grega, em parte porque os bebês indesejados (principalmente meninas) eram frequentemente expostos aos elementos naturais e deixados morrer.
As mulheres romanas eram mais estimadas e permitiam a liberdade, mas ainda estavam sob a proteção e o controle dos homens. Os casamentos eram arranjados, mas ocorriam mais tarde do que nas comunidades judaicas (tipicamente no início dos vinte anos de idade de uma jovem mulher). A regra básica era que as esposas não podiam ter mais do que três filhos, para não diluir a herança dos bens da família e baixar a posição social da família.
Na cultura romana do primeiro século, na época em que Paulo estava escrevendo, estava ocorrendo uma revolução na qual as mulheres da classe alta estavam ganhando mais e mais liberdade. As mulheres, especialmente as viúvas, podiam participar do negócio familiar e até mesmo, como Lídia de Atos 16, para se tornar bastante influente, alguns ocupando posições governamentais. O poder das matronas (esposas de homens influentes) era impressionante. As mulheres de classe alta geralmente viviam vidas vazias e dissolutas, mas extravagantes, embora isso estivesse mudando. Apenas cerca de dez por cento das mulheres eram de classe alta, e as demais eram bastante pobres, não havendo classe média.
Paulo apresenta a atitude chave: submissão mútua (5.21)
Já no último capítulo, discuti o significado deste versículo, mas precisamos ver seu significado para esta seção também. O versículo faz o duplo dever, ambos delineando o último dos cinco aspectos da vida cheia do Espírito em 5.18–21 e servir como a entrada para o código doméstico aqui. Na verdade, ele fornece os parâmetros básicos para o comportamento de todos os três pares — marido-mulher, pai-filho e mestre-escravo — Paulo se dirige a eles em uma das seções do livro (5.22–6.9). Era importante que a autoridade figurasse em cada relacionamento não apenas estar atento às necessidades da(s) pessoa(s) sob sua jurisdição, mas têm uma atitude serviçal à medida que exercem sua autoridade. A submissão mútua, demonstrada no amor sacrificial, foi para caracterizar todas as relações entre os membros do corpo de Cristo. O comando para submeter é emprestado do versículo 21, onde a chamada para “submeter um ao outro” mostra a relação mulher-marido ser um excelente exemplo de submissão mútua mesmo que algumas mulheres não tivessem os provilégios que outras tinham.
Além disso, Paulo ensina sobre a submissão da esposa de forma mais especifica (5.22–24)
Seu dever de se submeter como ao Senhor (5.22)
É importante afirmar desde já que a submissão não equivale à servidão absoluta ou implica em inferioridade. É a decisão voluntária de alguém semelhante (a redação de 1Pe 3.7, “co-herdeiros da graça da vida”, é útil aqui) para se colocar sob a autoridade de outro. Isso significa “submeter-se”. Deus espera que as esposas se submetam a seus maridos. Perceba que a ênfase restringe esta ordem a “seus próprios” maridos. Paulo não está falando de papéis masculinos e femininos em geral, mas apenas daqueles em relacionamentos conjugais. Dentro do casamento, as esposas devem se colocar sob a autoridade (ver a seguir) de seus próprios maridos e devem tanto respeitá-los quanto seguir sua liderança dentro da família.
A esposa deve se submeter a seu marido “como ao Senhor”. Isso significa não apenas que ela deve se submeter a ele da mesma forma ela faz ao Senhor, mas que sua submissão a seu marido é parte de sua submissão ao Senhor. Como em toda a carta, “Senhor” se refere aqui ao senhorio de Cristo, portanto, a recusa de aceitar constitui rebelião contra ele. Cristo não apenas fornece o modelo a ser submetido, mas é o que o obriga. Em outras palavras, submetendo-se de boa vontade dos maridos as esposas estão aceitando a relação que lhes foi atribuída pelo Senhor, e quando elas se submetem, na realidade estão se submetendo a Cristo. Existe uma relação recíproca de submissão mútua, mas dentro da qual a esposa aceita seu papel de submissão na mesma maneira como o marido aceita seu papel de amor sacrificial. Nessas esferas relacionais, um serve ao outro.
O motivo de sua submissão (5.23,24)
O marido como cabeça (5.23a)
O motivo declarado por Paulo para a submissão é que Cristo nomeou o marido para ser o “cabeça da esposa”. Ele deduz isso da relação Cristo-igreja, tendo declarado anteriormente, tanto no capítulo 1 (v. 22) como no capítulo 4 (v. 15), que Cristo é o cabeça do corpo. Todas as relações cristãs decorrem do conceito da nova criação e da nova humanidade que Cristo instituiu neste mundo (veja 2.14–18). No entanto, o significado da autoridade é contestado. Vários têm argumentado que o conceito não traz conotações de autoridade, mas significa “fonte”, como na fonte ou nascente de um rio. Isso significaria que o marido é a fonte (ou recurso para) a esposa. Entretanto, é muito raro que kephalē signifique “fonte”, portanto, antes de optar por essa conclusão, devemos exigir fortes evidências do contexto. Essa evidência está faltando aqui. Portanto, embora eu pense que tal explicação seja uma possibilidade, a autoridade do marido faz muito sentido e é, portanto, em minha opinião, o entendimento preferido. Como Cristo tem autoridade sobre a igreja, assim o marido tem autoridade sobre a esposa. Todo leitor contemporâneo de Paulo, judeu ou grego, teria entendido como liderança em termos de autoridade.
Mas a visão de Cristo sobre a liderança é sempre muito mais ampla do que a mera autoridade. Em seu próprio serviço como chefe do corpo, a igreja, ele fortalece, constrói, vigia, sustenta e, em todos os sentidos, funciona para seu bem. Os maridos são obrigados pelas Escrituras a servir suas esposas com uma atitude de amor sacrificial, para que não ousem usar mal sua autoridade. Isso significa que a esposa não deve mostrar submissão cega ou obedecer indiscriminadamente a qualquer coisa que um marido inconstante possa ordenar. Esta é uma área na qual a analogia da liderança de Cristo se decompõe um pouco. Quando um marido abusa de sua esposa ou faz exigências de ações que vão contra a vontade de Deus, a esposa não deve se submeter. A liderança de Cristo ainda é o modelo para a liderança do marido, desde que ele aja consistentemente para o bem de sua esposa.
O modelo de Cristo como cabeça (5.23b,24a)
Paulo define a liderança do marido usando a analogia “como Cristo é o cabeça da igreja, seu corpo”. Em Efésios, a ênfase não tem sido tanto sobre o controle soberano de Cristo, mas sobre seu sacrifício expiatório como cabeça, a fim de que os membros do corpo pudessem ser redimidos por Deus. A ênfase está no serviço, no que Cristo tem feito pela igreja e não no que a igreja pode fazer por ele, como ficará claro na discussão dos versículos 26 e 27, a seguir. O núcleo da liderança é de fato a autoridade, mas é uma autoridade que se concentra em servir e não em usar, usar mal ou abusar.
A obra definitiva do Cabeça, Cristo, é definida por sua posição de Salvador do corpo. Ele se tornou Cabeça com o propósito expresso de levar a salvação à humanidade — foi precisamente isso que o mandou a cruz. Alguns tomaram isso para definir o papel do marido como o de Cabeça espiritual e protetor da família. Isso dificilmente se enquadra neste contexto. O propósito de Paulo aqui é apresentar o amor sacrificial de Cristo que será central nos versículos 25–27. Este amor define a liderança de Cristo, como verificado por seu papel na mediação da salvação de Deus para a humanidade caída e tornando possível que os pecadores sejam redimidos e se unam a seu corpo, a igreja.
O resultado da obra salvífica de Cristo é que a igreja, como seu corpo, “se submete a Cristo” (v. 24a). O tempo presente destaca a contínua submissão do povo de Deus ao seu Salvador e Senhor. Em todos os sentidos e em todos os momentos para o resto de suas vidas, os crentes devem seguir e submeter-se a Cristo. Cristo provê alimento e crescimento para o corpo, e o mantém intacto e o guia em todos os momentos. Assim, a igreja se submete a sua força vital e fonte de força. Como Cristo é o modelo e a força geradora para a cabeça do marido, assim a igreja (a noiva de Cristo) é o modelo e a força geradora para a esposa. Quando pensamos na igreja como uma família, fica claro que a família nuclear é seu verdadeiro núcleo. Perceba, no entanto, que a família nuclear inclui pessoas solteiras que ainda são, com seus pais e irmãos, uma parte de sua família de origem. Fazemos bem em ter em mente que esta imagem é utilizada por Paulo — uma pessoa solteira que se considerava como parte da família nuclear da igreja. Como marido e mulher são a base da igreja e de seus relacionamentos, a liderança do marido e a submissão da esposa formam o núcleo de todas as relações da igreja.
Conclusão: submeter-se em tudo (5.24b)
À primeira vista, conduzir as esposas Paulo à submissão “em tudo” parece ser um exagero. Eu me lembro de um casal uma vez me informando que o casamento deles era bíblico e a esposa obedecia a todas as ordens que o marido lhe dava. Ainda assim, perceba que Paulo instrui a esposa a não “obedecer em tudo”, mas a “submeter-se em tudo”. Um casamento cristão não é constituído de um “marido general” ou uma “esposa subalterna de baixo e escalão”. Em 1Pedro 3.7, os cônjuges são identificados como “co-herdeiros” em sua relação com Deus — como iguais aos seus olhos. Além disso, é um pecado tão grave para os maridos usar indevidamente sua liderança como é para as esposas se recusarem a adiar a liderança piedosa.
Paulo orienta a esposa a “se submeter em tudo”, pois não quer que as esposas pensem que podem escolher as áreas em que desejam se submeter. A submissão não deve ser ocasional ou parcial, mas deve ser refletida em todas as áreas do casamento. Em cada esfera de sua vida juntos, a esposa respeita e cede à liderança amorosa de seu marido (veja a discussão de 5.33 a seguir). Dentro da unidade geral da igreja, a união de marido e mulher compreende a união mais intensa e vital de todas, pois diz-se que os dois constituem “uma só carne”. Sua união é a base e o cordão de ligação que garante a unidade da igreja como um todo. Como eles são, em sua unificação, um com Cristo, tornam-se um com o outro, tanto no amor como na submissão mútua, ela à sua liderança e ele em seu amor sacrificial por ela. Para ambos, a união está “em tudo”, e não apenas naquelas áreas em que se sentem confortáveis.
Naturalmente, precisamos entender como isso irá funcionar em um nível prático. Em cada casamento o marido e a esposa exercem a hegemonia em certas áreas por consentimento mútuo. O importante a lembrar é que a responsabilidade de cada um não está condicionada a que o outro cumpra adequadamente seu papel. Uma esposa não tem o direito de deixar de se submeter se seu marido não atuar bem, nem o marido é livre para deixar de amar sua esposa se ela não for suficientemente submissa. Ambos em seus papéis são responsáveis perante o Senhor, não simplesmente um para o outro. No entanto, é precisamente porque a principal responsabilidade é para com o Senhor que pode haver momentos em que uma esposa não pode em boa consciência fazer o que seu marido lhe pede. Como na submissão ao governo, à luz de Atos 5.29 — “Devemos obedecer a Deus e não aos seres humanos” — as esposas não devem se submeter em situações em que os maridos lhes pedem o que é contrário à vontade de Deus. Em geral, no entanto, a esposa é submissa em tudo porque este é um aspecto crucial de sua caminhada com Cristo quer seu marido mereça ou não seu cumprimento em todas as situações.
Paulo ensina sobre o amor sacrificial do marido como cabeça (5.25–27)
O comando para amar (5.25a)
Paulo dedica duas vezes o espaço à obrigação do marido de amar como ele dedica à obrigação da esposa de se submeter. Isso pode ser porque é mais difícil para muitos maridos superar suas tendências egocêntricas do que para suas esposas fazê-lo. Em qualquer caso, a obrigação maior é a deles, e eles se tornam o foco do restante da discussão de Paulo. O imperativo para eles de “amar” significa que esta postura amorosa deve caracterizar o marido em todos os momentos. A submissão da esposa ocorre dentro da esfera do amor incondicional de seu marido, e ele deve amá-la independentemente de quão bem ela se submeta. Como Paulo vai ressaltar na segunda metade deste versículo, o amor de Cristo não depende de forma alguma da caminhada do crente. Da mesma forma, o marido é chamado a amar sua esposa, não importa o que aconteça.
Embora a submissão da esposa estivesse de acordo com a norma cultural do primeiro século, o amor do marido estava defasado com a norma vigente, que sempre enfatizava o poder do patriarca para controlar sua esposa no casamento. Em nenhum lugar em os textos helenísticos os maridos são chamados a amar suas esposas. A obra e o lugar central de Cristo dentro do casamento têm padrões culturais completamente invertidos, e seu amor sacrificial transforma o papel do marido.
O modelo para amar: Cristo e a igreja (5.25b,27)
A realidade de seu amor sacrificial (5.25b)
A profundidade com que os maridos devem amar suas esposas é vista no plano fornecido pelo Senhor — “como Cristo amou a igreja e se entregou por ela”. Cristo não amou somente quando as pessoas mereciam ou tinham merecido esse amor. Nem a extensão de seu amor foi condicionada à qualidade de vida das pessoas: “Enquanto ainda éramos pecadores, Cristo morreu por nós” (Rm 5.8). Paulo repete aqui sua fraseologia de Efésios 5.2 — também um modelo para nosso caminhar no amor: “como Cristo nos amou e se entregou por nós”. O que se pede aos maridos não é diferente do que todos os crentes são instruídos a fazer em suas relações um para com o outro. O contexto conjugal é simplesmente o mais intenso e o exemplo exigente desse requisito.
Cristo fornece o modelo não apenas no que diz respeito à profundidade do amor de um marido, mas também à sua obra, ação prática. O elemento sacrifical — “entregou-se” — aponta para a cruz e para o sacrifício expiatório de Cristo pelo pecado. A extensão do amor de Cristo é vista em sua vontade de morrer — mas não uma morte qualquer. Quem de nós estaria disposto a saltar em um lago para salvar nosso filho afogado ou se atirar na frente de um carro em excesso de velocidade para salvar nossa esposa? Mas Jesus se permitiu ser pendurado em uma cruz e morrer a morte mais excruciante e humilhante possível para nos salvar da perdição eterna. Além disso, ele fez isso enquanto éramos ainda seus inimigos, de forma alguma diferenciados do restante da humanidade pecadora. Nisto, ele fornece um modelo incrível para os maridos.
Os três propósitos ou objetivos do amor de Cristo pela igreja (5.26,27)
Em um nível, os três elementos listados nestes versículos tratam puramente da salvação, descrevendo os efeitos da cruz sobre a vida dos crentes. Em outro, no entanto, eles também poderiam fazer parte do modelo de Cristo para a relação marido-mulher. Isso é contestado, e a maioria dos intérpretes acredita que o segundo nível nunca foi a intenção de Paulo. Não tenho tanta certeza, pois toda a passagem tem relevância para definir o papel do marido no casamento, como acredito que esta nuance faz. Vamos ver como isso funciona por si só.
(1) Cristo se entregou na cruz “para fazer [sua noiva] santa, limpando-a pela lavagem com água por meio da palavra” (v. 26). Isso fala do processo de santificação, em que o crente é santificado, ou separado, por Deus. Para sermos meios santificados e para seremos limpos ou purificados do pecado. Quando crescemos em santidade, crescemos em força para derrotar o pecado em nossa vida. O poder para fazer isso não é inerente a nós mesmos, mas é o que nos foi dado pelo Cristo exaltado. Esta é a obra do Santo Espírito, que recebemos na conversão (Rm 8.14–17) e que nos capacita, orienta e ensina tudo o que precisamos para verdadeiramente viver para Deus (Jo 14.26,27; 16.13–15). Quando Deus nos justifica, ele declara-nos “justos” consigo mesmo, com base no sacrifício sangue de Cristo. Nesse momento iniciamos o processo de santificação, no qual Deus, o Espírito, santifica-nos e nos lança no crescimento espiritual.
Neste versículo, é a igreja como o corpo corporativo de Cristo que se distingue por ser como ele e por servi-lo; isso inclui cada membro individual da igreja como o objeto do Espírito e sua obra de santificação. Portanto, somos “santificados em Cristo Jesus e chamado a ser seu povo santo” (1Co 1.2) pelo processo de ser lavados, santificados e justificados em nome de Cristo (1Co 6.11). Em Efésios, Paulo afirma que o Espírito nos sela (Ef 1.13,14; 4.30), dá-nos sabedoria e discernimento (1.17), dá-nos acesso a o Pai (2.18), medeia a presença de Deus em nós (v. 22), revela o mistério de Deus (3.5), fortalece-nos (v. 16), torna possível unidade dentro da igreja (4.3,4), preenche-nos (5.18), e nos capacita a usar a armadura de Deus com a oração (6.17,18). Tudo isso define a forma como ele nos santifica.
“Limpando-a pela lavagem com água” é uma imagem que conota a limpeza ritual. No mundo judaico, a limpeza ritual ocorreu nas casas antes das refeições — uma medida preventiva no caso de alguém ter tocado em uma substância impura (Mc 7.3,4). Havia vários lavatórios em Jerusalém, chamadas miqvōt (singular miqvah), que eram usadas para a limpeza cerimonial antes de subir ao templo. O provável pano de fundo do Antigo Testamento para a imagem de Paulo aqui é Ezequiel 16.8–14, parte da metáfora de Deus perdoando sua esposa adúltera, Jerusalém, entrando em um pacto (de casamento) com ela e depois banhando-a e lavando-a, assim perdoando-a e restaurando-a como sua esposa. Em Ezequiel 36.25,27 a metáfora foi estendida para representar uma futura limpeza envolvendo a aspersão de água pura, seguida pela infusão de um “coração novo” e de um “espírito novo”. Se acrescentarmos a isso o ritual de casamento judaico, no qual a noiva na noite de núpcias toma um banho ritual, purificando-se para a cerimônia de casamento, é viável pensar que Paulo também poderia estar pensando no marido em seu imaginário. Como sua noiva se purifica na noite de núpcias, é privilégio e responsabilidade do marido tornar-se um agente purificador em sua vida, aquele que procurará perpetuamente aproximá-la mais do Senhor em seu relacionamento. Como Cristo apresenta sua noiva a si mesmo, santa e radiante (5.27), assim o marido apresenta sua noiva a si mesmo e se torna uma presença santificadora em sua vida.
Pois a limpeza da igreja primitiva era interna e não externa, aparecendo em rēmati — “pela palavra”. Em Tito 3.5 Paulo fala da “lavagem do renascimento e renovação pelo Espírito Santo”. Muitos têm sugerido que o apóstolo aqui em Efésios poderia estar falando do batismo cristão e que ele tem em mente uma lavagem literal em vez de uma lavagem espiritual com água (como em 1Co 6.11; 12.13). Embora possível, isso é improvável, para 1Coríntios 6.11 é provavelmente metafórico, e 1Coríntios 12.13 usa a palavra “batizar” (não “lavar com água”, como aqui). A única menção ao batismo em Efésios ocorre em 4.5 (“um batismo”), de modo que essa explicação parece improvável.
Paulo está aqui se referindo à limpeza interior do Espírito no processo de santificação. A água pura é a palavra de Deus que limpa na conversão e purifica durante o processo de santificação. Como os crentes são imersos na palavra de Deus, suas vidas são mudadas. Há dois elementos destinados aqui: a proclamação do evangelho e o ensino da igreja. Este último está especialmente em mente como a base para o crescimento cristão. Quando Paulo falou de pastores e professores treinando os santos para o ministério (Ef 4.11,12), este ministério na palavra foi o meio pretendido para aquele treinamento (veja também At 2.42). Em Efésios 6.17 a palavra de Deus é chamada “a espada do Espírito”, a principal arma ofensiva para a igreja envolvida na guerra espiritual (todos os outros pedaços de armadura em 6.13–17 são defensivos).
(2) Cristo se entregou “para apresentá-la a si mesmo como uma igreja radiante” (5.27a). A imagem é a de uma noiva adorável no dia de seu casamento, quando ela vai em caminhada ao encontro de seu noivo. Isso me faz lembrar o Cântico dos Cânticos 1.15: “Como és bela, minha querida! Oh, que linda!” (veja também Ef 4.7). Cristo é o noivo, a igreja sua noiva, e ele não só a purificou, mas também a tornou radiante e marcante. Como acima, o pano de fundo é Ezequiel 16.10–14, onde depois que Deus purificou Jerusalém, sua noiva, ele a presenteou com roupas e joias magníficas para que ela “se tornasse muito bela e se levantasse para ser uma rainha”, famosa por todo o reino por sua beleza. “O esplendor que te dei”, declara ele, “tornou perfeita a tua beleza” (Ez 16.13,14). Esta imagem clássica da noiva, adornada com roupas lindas, continuaram no tempo de Paulo.
A progressão em Ezequiel reflete a natureza “já e ainda não” da escatologia de Paulo (doutrina das últimas coisas). Como resultado da morte de Jesus na cruz, houve purificação do pecado e os pecadores arrependidos foram perdoados e receberam um papel na noiva de Cristo. O “já” se refere à atual beleza e esplendor da igreja, pois ela é santificada pelo Espírito dia após dia. No entanto, esta passagem tem especialmente em mente o “ainda não” da submissão final no fim deste mundo, quando Cristo inaugura sua noiva no céu para desfrutar do brilho eterno de sua glória. Tanto o presente quanto o futuro estão em vista aqui — mas especialmente o futuro, quando a igreja se tornará radiante (endoxos: “gloriosa, cheia de esplendor”).
(3) Cristo se entregou para que sua noiva fosse pura, “sem mancha ou ruga ou qualquer outra mancha, mas santa e irrepreensível” (5.27b). A noiva não só será bela, mas também perfeita. Em certo sentido, ela é transformada pelo amor de seu noivo, a uma perfeição que de outra forma ela não poderia ter alcançado. É óbvio que somente Cristo poderia realmente ter alcançado isso, mas isso ainda é o objetivo final de todo marido crente enquanto ele ergue sua esposa. Como em 1Pedro 3.7, o marido “a trata com esse respeito”, devido a ela como sua esposa. A imagem é a de acariciá-la, de considerá-la perfeita aos olhos dele.
O objetivo é que ela seja “santa e irrepreensível”, lembrando 1.4, onde Paulo declarou que Cristo “nos escolheu nele antes da criação do mundo para sermos santos e irrepreensíveis aos seus olhos”. Estamos de volta ao processo de santificação, o Espírito está nos separando para sermos como Cristo. No imaginário de Ezequiel 16, Jerusalém, como nós, estava horrivelmente manchada, ao ponto de ela ter se rebaixado à prostituição. Mas Deus em seu amor a purificou e restaurou sua beleza a um nível glorioso e perfeito que ela nunca poderia ter alcançado por conta própria. Isso é o que Cristo e o Espírito fizeram por nós. Fomos transformados a partir de nosso eu velho e feio, rebelde e altivo a um nível de amor e esplendor que antes era inimaginável para nós. Isso é devido inteiramente à obra de Cristo e do Espírito em nós.
Paulo culmina sua ênfase com razões para o amor do marido (5.28–30)
Amar sua esposa é amar a si mesmo (5.28)
No versículo 22 Paulo fala da esposa que se submete “como ao Senhor”, o que significa que sua aquiescência a seu marido faz parte de sua fiel submissão a Cristo. A mesma correspondência é verdadeira acerca do amor do marido. Ele a ama por duas razões: primeiro por causa de seu próprio amor por Cristo, já que ela, como sua noiva, faz parte de sua aliança com Cristo (vv. 26,27). Segundo, ele a ama porque os dois se tornaram uma só carne (v. 31) e ela, portanto, faz parte de seu próprio corpo. Ao amá-la, ele também está se amando de uma maneira mais completa e renovada. Esta é uma extensão de Levítico 19.18: “Ame seu próximo como a si mesmo”. Se este pode ser o caso com um próximo, é duplamente desejável para o relacionamento humano mais intenso de todos.
Quando Paulo diz que os maridos “devem” fazer isso, ele quer dizer que eles devem a Cristo e a si mesmos o cumprimento de seu dever de amar suas esposas. Há uma obrigação espiritual de ser fiel no casamento. A metáfora que Paulo escolhe aqui é a de um homem que trabalha e se treina para manter sua força e aparência. O mesmo cuidado, esforço e consideração devem ser estendidos ao cuidado de sua esposa. O inverso também é verdadeiro. Um marido que não cuida de sua esposa demonstra que não se preocupa realmente consigo mesmo, já que está ignorando “a melhor metade” de seu próprio ser.
A necessidade de alimentar e cuidar de seu próprio corpo, sua esposa (5.29)
Paulo e os efésios sabem ambos que as pessoas se cuidam porque não odeiam seus próprios corpos. Em minha etapa de vida, meu corpo, em certa medida, foi para o baixo (eu ando com uma bengala), e não posso dizer que estou apaixonado por ele. Ao mesmo tempo, faço exercícios várias vezes por semana e me esforço para manter o que me resta. Portanto, este princípio ainda é verdadeiro para mim, e estou confiante de que é também para você. Os maridos, é evidente, devem estender o mesmo grau de preocupação a suas esposas, que em um sentido real constituem seus próprios corpos. (v. 28).
Os maridos trabalham duro para “alimentar e cuidar” de seus corpos, e eles são obrigados a fazer o mesmo por suas esposas. Duas áreas da vida que tendem a receber nossa solícita atenção são nossa dieta e nossa aparência, e Paulo implicitamente nos convida, como maridos, a estender a mesma preocupação amorosa a nossas esposas, fazendo todo esforço de cuidado para atender às suas necessidades físicas, emocionais e espirituais. A questão aqui não tem nada a ver com o exterior, aparência de “esposas troféu”. Os maridos cristãos devem querer suas esposas para se sentirem bem consigo mesmas, não apenas para ficarem bem diante dos outros para melhorar o ego do marido. Eu ressoo com a tradução “alimenta e cuida” (New King James Version, English Standard Version, compare com a New Revised Standard Version) em relação ao corpo; a conotação imediata é de carinhosos e ternos cuidados.
Somos membros de seu corpo (5.30)
O cuidado atencioso do marido com sua esposa é individual; Paulo se concentra no amor e preocupação das pessoas com seu próprio corpo. Mas é também corporativo, concentrando-se no fato de que marido e mulher são igualmente “membros de seu corpo” (v. 30). Como Cristo é o cabeça de marido e esposa e cuida igualmente de ambos, o marido, como canal para o cuidado amoroso de Cristo por sua esposa, é obrigado a abraçar seu privilégio e dever.
O ensino sobre Cristo e a igreja é mais do que um modelo para as relações entre marido e mulher. Vemos agora esta área da vida cristã como a esfera dentro da qual a relação conjugal se desenvolve e cresce. Tudo o que maridos e esposas são e fazem é definido pela realidade de que fazem parte de uma nova humanidade como membros do corpo de Cristo. O homem é ao mesmo tempo o marido de sua esposa e uma parte ou membro da noiva de Cristo. Essas duas realidades definem não apenas quem ele é, mas também as decisões que ele toma.
O marido se relaciona com sua esposa dentro das novas relações comunitárias que governam cada ação que é tomada. Eles são primeiramente membros do corpo de Cristo e somente secundariamente casados um com o outro. Eles se amam com base no incrível amor de Cristo por eles, e cuidam um do outro como Cristo cuidou deles. É por isso que o marido demonstra submissão junto à sua esposa. Seu amor sacrificial, ambos modelados depois e ligados ao amor que Cristo tem por ambos, é manifestado por meio de uma série contínua de atos submissos.
Paulo conclui com a natureza da relação marido-mulher (5.31–33)
A base: os dois constituem uma só carne (5.31)
Todos os argumentos de Paulo se originaram da realidade do relacionamento entre marido e mulher como parte da nova aliança de casamento — novo no sentido de que os cônjuges estão agora incorporados ao corpo de Cristo. A realidade básica deriva de Gênesis 2.24: “É por isso que um homem deixa seu pai e sua mãe e se une a sua esposa, e eles se tornam uma só carne”. A maneira como Paulo cita esta passagem, tecendo a citação no texto sem uma fórmula introdutória (como “está escrito”), é incomum para ele. Voltando ao relato do Gênesis, Deus criou a primeira mulher ao lado do homem (Gn 2.21,22). A partir daí ele tomaria uma mulher de sua família e a uniria a um homem na aliança de casamento. A esposa se tornaria parte da família do marido. Em ambos os casos, os dois são recriados como uma só carne.
Em Efésios, a unidade entre marido e mulher reflete a da igreja (veja Ef 2.14–18;4.4–6). A unidade é a norma: unidade um com o outro, unidade com a igreja, e unidade com Cristo. Há uma dupla união, com cada cônjuge unido a Cristo e, ao mesmo tempo, unido ao outro. Desta forma, o marido e a esposa “unidos” tornam-se a figura chave na unidade maior da igreja. No Antigo Testamento, a família era o coração do clã, os clãs formavam as tribos e as tribos constituíam a nação de Israel. O mesmo tipo de progressão é verdade para a igreja. Tudo começa com a família, começando pelo marido e a esposa, que em um sentido real juntos constituem um membro dentro da família de Deus. Os solteiros, também uma parte intrínseca da família da igreja, nunca devem se sentir deixados de fora. É de vital importância para as igrejas integrar todos dentro da família.
Na verdade, Paulo está dizendo nos versículos 31 e 32 que a unidade de marido e mulher faz mais do que refletir a unidade da igreja. Em Gênesis 2.24, Deus estabeleceu esta coerência no casamento como uma promessa que antecipou a unidade de Cristo e da igreja. A relação entre os dois é tipológica, significando que existe um padrão de cumprimento da promessa entre um evento ou pessoa do Antigo Testamento (o “tipo”, ou promessa) e um evento ou pessoa do Novo Testamento (o “antitipo”, ou cumprimento). Neste caso, o casamento é a promessa do Antigo Testamento e a união Cristo-igreja o novo cumprimento da aliança. Paulo está dizendo que Deus deu a união que os casais encontram no casamento para prefigurar a união ainda maior de Cristo e da igreja. Mais sobre isso se seguirá na próxima seção.
O grande mistério do casamento (5.32,33)
O mistério: Cristo e a igreja (5.32)
Tem havido um amplo debate sobre o significado de “este é um mistério profundo” (grego: “este mistério é grande”). Os católicos há muito acreditam que “mistério” aqui se refere a uma visão sacramental do casamento, na qual a graça de Deus é derramada e o mistério se torna o próprio casamento. O problema é que nenhum texto do Novo Testamento entende tanto o mistério quanto o casamento neste de maneira, fazendo desta uma interpretação posterior interpolada após o fato sobre este texto.
Trata-se de saber se o “mistério” é a união conjugal (v. 31) ou a união de Cristo-igreja (v. 32b). O problema de sugerir que o termo se refere ao casamento é que Gênesis 2.24 não envolve um mistério. A instituição do casamento não foi escondida e não está sendo revelada aqui em Efésios de uma nova maneira. As outras passagens desta carta que falam de mistério (Ef 1.9; 3.3,4,9; 6.19) têm claramente em vista a união dos judeus e gentios em Cristo — uma “nova” história ao todo!
O problema de inferir uma referência à união de Cristo-igreja é menos evidente. Certamente a união entre Cristo e a igreja é uma nova verdade que tinha sido escondida da realidade da antiga aliança e está interligada com a união de judeus e gentios em Cristo. No entanto, o uso que Paulo faz do “Isto”, caindo como cai imediatamente após a citação de Gênesis, pareceria remontar a ela. Portanto, a inferência de que o mistério se refere à união Cristo-igreja, embora mais provável, ainda parece inadequada.
O mais provável é que o mistério seja a conexão tipológica entre a fusão marido-mulher de Gênesis 2.24 e a união Cristo-igreja à qual Paulo se refere imediatamente após a declaração “Isto”. Como eu disse, pareceria natural interpretar o mistério como referindo-se à união conjugal da oração anterior, e é provavelmente, por isso Paulo acrescenta “mas estou falando de […]”, como se ele tivesse se adiantado e precisasse esclarecer seu ponto de vista. Paulo está evidentemente dizendo que o lugar da noiva no casamento é cumprido e levado à conclusão pelo lugar da noiva de Cristo, a igreja, na nova união com Cristo. Marido e esposa tornam-se uma só carne e tomam seu lugar como o núcleo do único povo, a igreja. A unidade é o grande mistério. A humanidade, fraturada e dividida pelo pecado, é reunida para formar a nova humanidade como Deus quis. A criação original é renovada e completada na nova criação em Cristo.
O cerne da questão: amor ao marido, respeito à esposa (5.33)
Paulo retorna à união de Cristo-igreja para o de marido e mulher, resumindo seu ensinamento nesta seção. Ele enfatiza novamente a responsabilidade de ambos os cônjuges: o marido deve sacrificar seu amor pela esposa e a esposa deve respeitar seu marido. Perceba a ênfase em cada crente casado: “cada um de vocês”. Isso demonstra a importância deste princípio — todo marido solteiro na igreja deve obedecer a estas instruções. Seu privilégio é amar sua esposa incondicionalmente, e sua alegria é aceitar e retribuir esse amor.
Paulo inverte a ordem de sua discussão anterior, mencionando primeiro a exigência dos maridos. Nos versículos 28–31, ele enfatizou que os dois são uma só carne e que a esposa se torna parte do próprio corpo do marido. A ênfase aqui está no fato de que o marido ama sua esposa “como a si mesmo” — como parte de seu próprio ser. Ele a ama não apenas “como ama a si mesmo” (New International Version), mas como uma parte de si mesmo. Ser humano envolve um amor natural por si mesmo, e como a esposa completa o eu do marido, seu amor se torna completo nela.
A seguinte injunção à esposa é difícil de interpretar, pois ela é chamada a phobeomai, um termo que conota medo, respeito ou reverência, dependendo do contexto. Literalmente, ela é chamada a “temer seu marido”. Isso dificilmente significa que ela deve ter medo dele. Paulo está construindo um inclusio com “submissão um ao outro por temor a Cristo” em 5.21. Assim, os versículos 21–33 são enquadrados com passagens de “temor a”, com o temor da esposa, aqui, em paralelo ao nosso temor a Cristo no versículo 21. Ambas as ideias se referem a um senso de responsabilidade, um medo de não cumprir nossa obrigação para com o Senhor. Ainda assim, há um duplo significado, uma vez que a responsabilidade está ligada à ideia de “respeitar” seu marido como sua cabeça. Seu respeito por seu marido é parte de sua obrigação de obedecer a Cristo. Como já assinalei anteriormente, a autoridade é vertical, ou seja, reflete a autoridade de Cristo tanto para marido como para esposa. A autoridade do marido na família é dada por Cristo, não sustentado pelo marido em si mesmo. Portanto, a esposa deve “temer” reflete sua responsabilidade para com Cristo no casamento, e sua submissão e respeito são parte de sua caminhada com Cristo.
Esta seção passa do geral (os membros do corpo de Cristo vivendo vidas dignas) para o específico (relações entre os grupos sociais que juntos compõem a família cristã), a começar pelas esposas e maridos. Instruir a esposa a se submeter à liderança de seu marido como parte de sua caminhada cristã não teria soado incomum no cenário do primeiro século. As responsabilidades do marido, no entanto, teriam sido surpreendentes e novas para o primeiro século. O marido é orientado a amar sua esposa sacrificialmente e a usar sua autoridade para o bem-estar dela e não para o seu próprio bem-estar. A razão disso é que a relação conjugal não é apenas modelada depois, mas ancorada na unidade da igreja de Cristo. O amor de Cristo transformando ambos os lados do relacionamento conjugal o tornam um excelente exemplo de submissão mútuo dentro da igreja. A esposa se submete de bom grado e amorosamente, mesmo quando a marido exerce seu comando para engrandecer e glorificar sua esposa.
A mensagem desta discussão prolongada é tão atual e importante para nossos dias quanto para os dias de Paulo. Os casamentos nunca estiveram sob tanto fogo, e Satanás está fazendo horas extras para perturbar a família cristã. Nunca houve um momento em que a família fosse mais importante: em nossa era de individualismo acidentado e o sentimento de direito narcisista que mais impulsiona o amor sacrificial e o coração servo da família cristã são essenciais. Sem estas salvaguardas, nosso modo de vida correria o risco de seguir o caminho do Império Romano rumo ao esquecimento egoísta.
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