(Êx 39) As Vestes Sacerdotais

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Deus o Estilista...
Descobrimos na Bíblia como as vestimentas representam uma vida e uma nova vida. Como Adão e Eva, que tiveram sua pequena roupa, feita de folhas de figueiras, trocadas por uma túnica que cobria o corpo, feita da pelo de um animal sacrificado. Como Jacó, que ordenou que toda família lançasse fora os ídolos e mudasse as vestes para se apresentar diante de Deus. Como quando o Senhor ordenou ao povo de Israel que lavassem suas vestes porque ele apareceria diante do povo no Monte Sinai ao terceiro dia.
Ou no NT, na ênfase dada por Paulo, de que precisamos nos despojar da veja roupa maculada pela carne, e nos revestir de um novo homem, criado em Cristo Jesus, nos vestir da sua justiça. E assim seremos com os vitoriosos descritos por João em apocalipse, que estavam vestidos de linho finíssimo resplandecente e puro, de vestes brancas, que lavaram suas vestes e as alvejaram no sangue do Cordeiro. E ele diz: “pois esse linho finíssimo são os atos de justiça dos santos”.
Arão guiou o povo ao pecado, ao Bezerro de ouro. Então, ele foi perdoado, restaurado, e exaltado.
Arão era o Sumo Sacerdote, suas roupas era diferentes das dos outros Sacerdotes, e ele adentrava no Santo dos Santos. Ele foi o pai de ordem sacerdotal, a ordem Araônica.
As roupas de Arão (do Sumo Sacerdote), eram de tal forma ligada ao Tabernáculo que o Sumo Sacerdote era quase um Tabernáculo em miniatura.
Vern Poythress o descreve como um tipo de “réplica vertical do tabernáculo”.1 Tremper Longman o chama de “minitabernáculo” – quase “parte da estrutura do próprio tabernáculo”.
Haviam quatro peças principais nas roupas de Arão: A estola, o peitoral, a túnica e o turbante ou mitra.
A primeira peça era a estola, versos 1 à 5. A estola era uma peça que identificava o sacerdote. Era como um colete sem mangas, preso por duas alças. A descrição das obreiras está nos versos 6 à 7:
Êxodo 39.6–7 “Também se prepararam as pedras de ônix, engastadas em ouro, trabalhadas como lavores de sinete, com os nomes dos filhos de Israel, e as puseram nas ombreiras da estola sacerdotal, por pedras de memória aos filhos de Israel, segundo o Senhor ordenara a Moisés.”
Em cada ombro tinha uma pedra, em cada pedra os nomes de 6 tribos de Israel. Isso significava, como já vimos, que o Sacerdote representava a nação, a Igreja, e a carrega em seus ombros. Quando o Arão ia a presença de Deus, ele levava simbolicamente o povo junto, carregando-o em seus ombros.
A outra peça principal da roupa do Sumo Sacerdote era o peitoral do juízo ou da decisão. Ficava preso à estola e tinha guardado dentro deles algumas pedrinhas chamadas Urim e Tumim, pelas quais o Sumo Sacerdote sabia a vontade de Deus (versos 8 à 14). Esse peitoral também tinha uma representação do povo de Israel. Eram cravadas nele 12 pedras preciosas que representavam cada uma das tribos. Isso quer dizer que o Sumo Sacerdote carregava o povo não apenas nos ombros, mas próximo ao coração (versos 15 à 21). Então o ministério do Sumo Sacerdote com relação ao sustento espiritual do povo envolvia apoio (nos ombros) e empatia (no coração).
Em seguida vinha a terceira peça principal que era a túnica, chamada também sobrepeliz - um longo manto azul (versos 22 à 26). Era uma peça única, sem divisão, que representava provavelmente algum tipo de integridade na vida do Sacerdote. Ela tinha pendurada nas suas orlas romãs e sinos. As romãs como um sinal de fertilidade, frutos. Os sinos, ou campainhas, para proteger o sacerdote da morte, como vimos em Êx28:35.
Ainda havia outros acessórios, dos quais o principal era a mitra ou turbante, versos 27 à 31.
Toda essa roupa extraordinária de Arão, segundo Êx 28:2-3, era pra manifestar santidade, glória e beleza. De alguma forma isso refletia quem Deus era. Além dessas três características, o Salmo 132:9 também dizia os sacerdotes vestiam-se de justiça.
Mas tudo isso era apenas uma sombra, era apenas um tipo. Era uma glória passageira, como aquela luz no rosto de Moisés, que se desvanecia. Porque esses sacerdotes, por mais que fossem crentes, íntegros, fiéis, era pecadores, e eram mortais. Eles pecariam, apesar de todos os rituais de purificação, e ele morreriam. O povo, assim como os próprios Sacerdotes, precisavam de alguém melhor. Isso nos ajuda a entender que é Jesus Cristo.
Hebreus 4.14 “Tendo, pois, a Jesus, o Filho de Deus, como grande sumo sacerdote que penetrou os céus, conservemos firmes a nossa confissão.”
Hebreus 10.21 “e tendo grande sacerdote sobre a casa de Deus,”
Não existe ninguém melhor do que Jesus. Ele é o perfeito Sumo Sacerdote de nossas vidas. Por que?
Primeiro, porque ele ministra num lugar superior, acima do Tabernáculo, acima dos Templos. Ele é o próprio Criador.
Hebreus 8.1–2 “Ora, o essencial das coisas que temos dito é que possuímos tal sumo sacerdote, que se assentou à destra do trono da Majestade nos céus, como ministro do santuário e do verdadeiro tabernáculo que o Senhor erigiu, não o homem.”
Hebreus 9.24 “Porque Cristo não entrou em santuário feito por mãos, figura do verdadeiro, porém no mesmo céu, para comparecer, agora, por nós, diante de Deus;”
Segundo, porque Jesus ministra com uma justiça superior.
Hebreus 7.26–28 “Com efeito, nos convinha um sumo sacerdote como este, santo, inculpável, sem mácula, separado dos pecadores e feito mais alto do que os céus, que não tem necessidade, como os sumos sacerdotes, de oferecer todos os dias sacrifícios, primeiro, por seus próprios pecados, depois, pelos do povo; porque fez isto uma vez por todas, quando a si mesmo se ofereceu. Porque a lei constitui sumos sacerdotes a homens sujeitos à fraqueza, mas a palavra do juramento, que foi posterior à lei, constitui o Filho, perfeito para sempre.”
Terceiro, Jesus ministra com empatia, compaixão superior. Ele conhece nossas dores e necessidades melhor do que ninguém, e nos carrega em seus ombros e em seu coração.
Hebreus 4.15–16 “Porque não temos sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas; antes, foi ele tentado em todas as coisas, à nossa semelhança, mas sem pecado. Acheguemo-nos, portanto, confiadamente, junto ao trono da graça, a fim de recebermos misericórdia e acharmos graça para socorro em ocasião oportuna.”
Ele passou passou por tudo o que nós passamos, e nunca pecou, por isso é capaz de nos socorrer.
Quarto, Jesus ministra por tempo superior, com maior longevidade. Os Sumo Sacerdotes morriam, tinham que ser substituídos, mas Jesus permanecerá para sempre, porque ele venceu a morte.
Hebreus 7.23–25 “Ora, aqueles são feitos sacerdotes em maior número, porque são impedidos pela morte de continuar; este, no entanto, porque continua para sempre, tem o seu sacerdócio imutável. Por isso, também pode salvar totalmente os que por ele se chegam a Deus, vivendo sempre para interceder por eles.”
Quinto, Jesus ministra com um sacrifício superior. Os Sumo Sacerdotes do AT ofereciam animais, que por mais puros que fossem, eram apenas animais, imperfeitos, e não podiam de fato morrer no lugar do homem pecador. Mas Jesus, não ofereceu um animal em nosso, mas a si mesmo - ele é o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo.
Hebreus 9.12 “não por meio de sangue de bodes e de bezerros, mas pelo seu próprio sangue, entrou no Santo dos Santos, uma vez por todas, tendo obtido eterna redenção.”
Por que Jesus fez isso por nós?
Para que nós fôssemos sacerdotes. Por isso ele nos chama de sacerdócio universal, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus.
Hebreus 9.14 “muito mais o sangue de Cristo, que, pelo Espírito eterno, a si mesmo se ofereceu sem mácula a Deus, purificará a nossa consciência de obras mortas, para servirmos ao Deus vivo!”
Veja: ele fez tudo o que fez para servirmos ao Deus vivo! Como fazemos isso, irmãos? Como servimos a Deus como Sacerdotes?
Adentrando ao Tabernáculo de Deus hoje, à Igreja, especialmente, ao Culto. O Culto público é literalmente um serviço. Você não precisa ter um ofício formal na Igreja. Você precisa cultuar com fidelidade. Praticar cada ato de culto fielmente, com todo zelo e atenção: cânticos, oração, leitura, ouvir a pregação da Palavra (Romanos 12.1 “Rogo-vos, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus, que apresenteis o vosso corpo por sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional.”)
Testemunhando das grandezas e maravilhas de Deus aos outros. Você também não precisa de um ofício pra isso. Se você é crente você já é chamado para honra ao Senhor falando dele pra quem você puder.
Orando, como os sacerdotes faziam intercessão pelo povo, e o nosso Senhor Jesus hoje ora por nós nos céus. Ore pelos seus irmãos.
Para tudo isso Deus exige de nós santidade. Os sacerdotes do Senhor precisam ser santos, um povo de propriedade exclusiva. Oferecer um sacrifício defeituoso, com uma vida impura, era pedir o juízo de Deus, como aconteceu com os filhos de Eli, ou mesmo com os filhos de Arão, que foram fuminados porque ofereceram fogo estranho no Altar do Senhor.
Somo chamados para sermos santos em nossas conversas, em nosso trabalho, com honestidade e integridade, com nossa família, com amor, submissão, carinho, obediência, em nossos pensamentos, colocando diante de nossos olhos o que é puro. Somos chamados pra sermos santos em nossos relacionamentos, fugindo da impureza, do jugo desigual, da fornicação. Somos chamados pra sermos santos até mesmo com nossas roupas. Fugindo da vulgaridade, da sensualidade, não segundo a tendência da moda desse mundo de usar cada vez menos roupas, e mostra cada vez mais partes do corpo. Não devemos ser legalistas, determinando um modelo de roupa autorizado pela igreja - saia longa, sem maquiagem, sem brinco, não pode cortar o cabelo etc. Mas também não podemos ser libertinos, nem conformados com esse mundo sensual. Nossas roupas, de alguma forma deve refletir nosso interior, nosso caráter, e Deus deve ser glorificado. Como temos nos vestido? O que as pessoas têm visto que não deveriam ver? Não temos uma lei específica para roupa, nem mesmo o pastor tem, como acontece na Igreja Católica Romana. Mas nós somos norteados por princípios, de decência e ordem. Pelo princípio da modéstia cristã. Pelo bom senso. Nós devemos ter educação e inteligência pra respeitar as ocasiões. Devemos ter fidelidade para honrar nosso cônjuge, porque nosso pertence a ele ou a ela, como diz 1Co 7. Então as mulheres e os homens devem ter temos, vergonha na cara, e bom senso, pra respeito os espaços, não andar por aí mostrando a barriga, as pernas, ter cuidado com as roupas muito justas, marcando o corpo, isso também serve pra os homens hoje com calças e camisas justas. Não devemos nos conformar a isso, irmãos. A beleza importa, e ela não é sensual. Devemos então ser identificados como sacerdotes de Deus pela maneira como nos apresentamos diante dele e ao mundo. Respeito, honra, integridade, modéstia. Lembrando sempre que somos imperfeitos, pecadores, mas somos salvos, justificados, santos.
O pastor inglês George Herbert (1593-1633), que esteve dolorosamente ciente de sua própria necessidade de santidade, escreveu um lindo poema (“Aaron” [Arão]) que estabelece uma relação entre Êxodo 39 e o ministério do evangelho. Herbert começa descrevendo o guarda-roupa de Arão (estrofe 1), mas logo se desespera, porque sabe que ele não está vestindo o tipo de justiça que Deus exige (estrofe 2). Então se lembra de que pode ser vestido na justiça de Jesus Cristo (estrofes 3 e 4) e, quando chega à última estrofe, ele está pronto para liderar o povo de Deus em adoração.
Santidade na cabeça, Luz e perfeições no peito, Campainhas harmoniosas no fundo, ressuscitando os mortos Para levá-los para a vida e o descanso: Assim estão vestidos os verdadeiros arões.
Profanidade na minha cabeça, Defeitos e escuridão no meu peito, Um ruído de paixões anunciando minha morte Num lugar onde descanso não há: Pobre sacerdote, assim estou vestido.
Tenho apenas outra cabeça Outro coração e outro peito, Outra música, que vivifica e não mata, Sem a qual não teria descanso: Nele estou bem vestido. Cristo é minha única cabeça, Meu único coração e peito, Minha única música, que me toca mesmo morto; Para que descanse do velho homem E nele me vista como novo.
Assim, santo em minha cabeça, Perfeito e claro em meu amado peito, Minha doutrina afinada por Cristo (que não está morto, Mas vive em mim enquanto descanso), Povo, vem; Arão está vestido.
A justiça de Cristo é a única esperança do Sacerdote, e só assim ele pode se apresentar diante de Deus e diante do povo. Assim devemos ser, no vestir de Cristo uma vez por todas, e também todas as manhãs. E toda a nossa vida deve refletir essa nova roupa. Como Paulo diz:
Efésios 4.24 “e vos revistais do novo homem, criado segundo Deus, em justiça e retidão procedentes da verdade.”
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