Atos 6.1-7: A Unidade da Igreja é Ameaçada

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Atos dos Apóstolos 6.1–7 RC95
1 Ora, naqueles dias, crescendo o número dos discípulos, houve uma murmuração dos gregos contra os hebreus, porque as suas viúvas eram desprezadas no ministério cotidiano. 2 E os doze, convocando a multidão dos discípulos, disseram: Não é razoável que nós deixemos a palavra de Deus e sirvamos às mesas. 3 Escolhei, pois, irmãos, dentre vós, sete varões de boa reputação, cheios do Espírito Santo e de sabedoria, aos quais constituamos sobre este importante negócio. 4 Mas nós perseveraremos na oração e no ministério da palavra. 5 E este parecer contentou a toda a multidão, e elegeram Estêvão, homem cheio de fé e do Espírito Santo, e Filipe, e Prócoro, e Nicanor, e Timão, e Pármenas e Nicolau, prosélito de Antioquia; 6 e os apresentaram ante os apóstolos, e estes, orando, lhes impuseram as mãos. 7 E crescia a palavra de Deus, e em Jerusalém se multiplicava muito o número dos discípulos, e grande parte dos sacerdotes obedecia à fé.

Introdução

Até agora, no livro de Atos dos Apóstolos, Lucas vem apresentando o crescimento exponencial da Igreja Primitiva. A primeira vez que o vemos fazer isso é em Atos 2.41, onde é dito que, após o primeiro sermão pós-Pentecostes, cerca de três mil pessoas se renderam a Cristo (Atos 2.41). Logo após a cura do aleijado à Porta Formosa, pelas mãos de Pedro e João, Lucas faz mais uma declaração do crescimento do cristianismo em Jerusalém: depois da pregação de Pedro, mais duas mil pessoas se converteram, perfazendo aproximadamente um total de cinco mil pessoas na primeira comunidade de fé cristã (Atos 4.4). A terceira apresentação da expansão da Igreja ocorre em Atos 4.32, onde Lucas simplesmente abandona os números e aponta o progresso do evangelho, relatando uma multidão de crentes.
Aqueles que são pastores sabem: onde há igreja, há problemas; e quanto maior a igreja, maiores serão os problemas. Esse axioma é verdade, tanto no século XXI quanto no século I. Assim, com o crescimento da Igreja Primitiva, surgiram problemas, conforme observaremos no sermão de hoje. Os judeus de fala grega trouxeram aos apóstolos a reclamação de que suas viúvas estavam sendo esquecidas na distribuição diária de provisões, o que, segundo eles, não acontecia com as viúvas dos judeus de fala aramaica. Como será discutido a seguir, esse desentendimento foi resolvido com a instituição de sete diáconos, que passariam a administrar esses recursos a partir de então.
Resolvido o problema que afetava a unidade da Igreja, Lucas volta a destacar o avanço do evangelho, que é realmente o problema central para os apóstolos e a real missão da Igreja.

I - A Ameaça (v. 1)

Lucas inicia este bloco textual apontando o que estava ameaçando a unidade da Igreja: os judeus de fala grega acusavam, perante os apóstolos, a negligência contra as viúvas do seu grupo na distribuição diária de provisões. Isso afetava o Corpo de Cristo, dividindo-o. Se você observar bem, notará que esta é a segunda vez que Lucas apresenta uma ameaça à integridade da Igreja. A primeira vez foi a hipocrisia de Ananias e Safira.
O Que Estava Afetando a Unidade da Igreja
Atos dos Apóstolos 6.1 RC95
1 Ora, naqueles dias, crescendo o número dos discípulos, houve uma murmuração dos gregos contra os hebreus, porque as suas viúvas eram desprezadas no ministério cotidiano.
Diante do crescente “número dos discípulos”, começa a haver uma “murmuração” , à semelhança das inúmeras murmurações ocorridas no deserto entre os filhos de Israel: os “gregos” murmuravam “contra os hebreus”, dizendo que “suas viúvas eram desprezadas no ministério cotidiano”. Nesse ponto, o leitor da Bíblia deve se perguntar: quem eram os gregos e os hebreus? Do que se tratava esse ministério cotidiano?
Quem são os Gregos e os Hebreus do Texto?
Em Atos 2.5-11, lemos que havia judeus de outras partes do mundo habitando em Jerusalém. Muitos judeus se mudavam para Jerusalém para morrerem lá. Eles entendiam que isso era louvável. Esses judeus da Diáspora não nasceram na Palestina e, por isso, não falam o aramaico, como os judeus nascidos em Israel. Assim, é provável que os “gregos” se refiram aos judeus da Diáspora, enquanto os “hebreus” se refiram aos judeus nascidos na Palestina que falam o aramaico. Craig Kenner informa que
“a maioria dos judeus da Palestina era bilíngue, e o grego era, provavelmente, a primeira língua de muitos cidadãos de Jerusalém. A hipótese mais provável é que o texto se refira aos judeus de língua grega da Diáspora, que haviam se estabelecido em Jerusalém, e não aos nativos bilíngues da Judeia e Galileia” (KEENER, 2017, p.396-397).
No mesmo sentido, Kistemaker segue:
“No Pentecoste, ficamos sabendo que judeus devotos tinham vindo da dispersão para se fixarem em Jerusalém (2.5–11). Muitos desses judeus devotos eram pessoas idosas que desejavam passar o resto de seus dias na cidade santa. Como haviam residido anteriormente em outros lugares, seu idioma materno era o grego e não o aramaico ou hebraico (falado pelos judeus de Jerusalém)” (KISTEMAKER, 2016, p. 283-284).
Do que se Tratava o Ministério Cotidiano?
O dever de ajudar as viúvas vem do Antigo Testamento, refletindo o caráter bondoso e amoroso de Deus (Dt 14.28-29; 24.19-21; Is 1.17; Jr 22.3). Werner Boor nos lembra que
“Na Antigüidade simplesmente não havia uma possibilidade de ganho próprio para mulheres. Se uma viúva não tinha filhos que providenciassem seu sustento, ela se encontrava em grande aflição” (BOOR, 2002, p. 104).
No primeiro século, o mandamento divino era observado nas sinagogas judaicas, que se encarregavam de ajuda financeira às viúvas desamparadas. Contudo, podemos supor que as viúvas cristãs não fossem amparadas pelas sinagogas judaicas. Neste mesmo viés, segue Simon Kistemaker:
“Os cristãos de fala aramaica em Jerusalém eram a maioria, e os crentes de fala grega formavam a minoria. Apesar de a harmonia e a união constituírem a característica da igreja cristã, diferenças linguísticas e culturais causavam inevitável separação. Especialmente as viúvas desse grupo minoritário se sentiam alienadas e esquecidas. Elas ‘estavam sendo negligenciadas na distribuição diária de alimentos’, mas não podiam mais ir à sinagoga local em busca de assistência financeira” (KISTEMAKER, 2016, p. 284).
Os apóstolos deveriam ser os responsáveis pela distribuição diária, direta ou indiretamente. Ou eles tinham o dever de distribuir as finanças ou eles delegavam a alguns, pois todo o dinheiro era depositado aos seus pés (At 4.37; 5.35). Nesta mesma linha, Osborne segue:
“Os Doze tinham a responsabilidade de distribuição dos fundos de caridade (4.37; 5.35), e admitiram a culpa pelo fiasco. Assim, eles convocaram uma reunião com seus membros que definiria uma nova lista de serviço dos líderes. A questão é que estavam tentando resolver muitos problemas ao mesmo tempo e precisavam delegar vários serviços para outros” (OSBORNE, 2022, p. 155).
John Stott segue este mesmo raciocínio quando diz que
“é evidente que os membros da igreja de Jerusalém estavam murmurando contra os apóstolos, que recebiam o dinheiro da contribuição” (STOTT, 2020, p. 133)
Aplicação
Cuidado com a murmuração
Não deixe que as distrações tirem o seu foco

II - A Solução Proposta (vv. 2-4)

Vimos que, mediante o seu crescimento, logo surgiu um problema na igreja. Agora, veremos que os apóstolos, ao serem questionados, apresentaram a solução: uma assembleia geral deve ser realizada e devem-se escolher sete homens capacitados para a administração destes recursos, porquanto os apóstolos não podem deixar a oração e o ministério da palavra.
Dividindo a Responsabilidade (v. 2a)
Atos dos Apóstolos 6.2 (RC95)
2 E os doze, convocando a multidão dos discípulos, disseram: […]
Ao receberem a murmuração que havia na Igreja, os apóstolos não tomaram toda a responsabilidade para si. Antes, preferiram ouvir a todos. É por isso que o texto diz que “os doze, convocando a multidão dos discípulos, disseram:” (v.2a).
Perceba, nesta frase, a diferença entre “discípulos” e “apóstolos”. Todos os apóstolos foram discípulos de Jesus, mas agora, cabe a eles dar continuidade aos Seus ensinamentos, por esta razão é que são chamados de apóstolos.
Sobre a decisão dos apóstolos, quero apontar três fatos:
Em primeiro lugar, quero destacar que foi sábia. Isso porque ao ouvir toda a igreja, os apóstolos dividem a responsabilidade, de tal modo que, caso a decisão não funcione, eles não teriam tomado a decisão sozinhos.
Em segundo lugar, destaco que, ao ouvirem as queixas, os apóstolos não ignoraram a voz minoritária, pois a igreja é um lugar onde todos devem ser ouvidos e ter o seu espaço.
Por fim, tal solução se assemelha à solução proposta por Jetro, sogro de Moisés, e acatada por ele (Êx 18.17-18; 21-24). Jetro, percebendo o desgaste em julgar toda a multidão dos israelitas que atravessavam o deserto, instruiu Moisés a dividir a carga com homens capazes.
Concentrando-se no Principal (vv. 2b, 4)
Atos dos Apóstolos 6.2–4 (RC95)
2 […] Não é razoável que nós deixemos a palavra de Deus e sirvamos às mesas. […] 4 Mas nós perseveraremos na oração e no ministério da palavra.
Com as palavras: “Não é razoável que nós deixemos a palavra e sirvamos às mesas” (v. 2b), os apóstolos estabeleceram prioridades. O que eles estão dizendo é que não seria adequado cuidar das viúvas e negligenciar o serviço de exposição da palavra de Deus.
A princípio, alguém pode imaginar que a tarefa de pregar é mais importante que cuidar dos necessitados, mas não é isso o que os apóstolos estão falando. Eles não estão dizendo que possuem papéis primordiais na igreja e que os diáconos possuem papéis secundários. Não é isso! A questão é de chamado — os apóstolos foram chamados para ensinar; para eles, cuidar dos necessitados era uma questão secundária. Contudo, para os diáconos era uma questão primordial.
Concordo com Kistemaker quando comenta sobre a tarefa dos apóstolos:
Os doze estão encarregados da reunião e colocam diante dos crentes uma questão de prioridade: “Não é correto que nós paremos de ensinar a palavra de Deus a fim de servir às mesas”. Sua tarefa principal é ensinar e pregar o evangelho da salvação. Devido à sua posição de liderança, os apóstolos tinham assumido também a responsabilidade de cuidar dos necessitados. Mas essa tarefa secundária não deveria fazer com que deixassem de pregar a palavra de Deus. Eles devem se dedicar à oração e ao ministério da Palavra (KISTEMAKER, 2016, p. 285)
No versículo quatro, Lucas acrescenta outra questão essencial ao ministério apostólico — a perseverança em oração. Note que há uma conexão: “nós perseveraremos na oração e no ministério da palavra” (v. 4). John Stott explica que
“Esses ingredientes formam uma dupla natural, já que o ministério da palavra, sem a oração para que o Espírito cuide da semente, certamente não produz frutos” (STOTT, 2020, p. 134)
A Solução Proposta (v. 3)
Atos dos Apóstolos 6.3 RC95
3 Escolhei, pois, irmãos, dentre vós, sete varões de boa reputação, cheios do Espírito Santo e de sabedoria, aos quais constituamos sobre este importante negócio.
Depois de estabelecerem as prioridades, os apóstolos trazem uma solução para o problema: “Escolhei, pois, irmãos, dentre vós, sete varões […] aos quais constituamos sobre este importante negócio” (v. 3). Algumas observações devem ser feitas aqui:
Em primeiro lugar, observe que a escolha deve ser feita “dentre vós” (v. 3), ou seja, a igreja não deve envolver ímpios em seus negócios, mas, sempre que possível, constituir entre os seus membros pessoas capazes para a sua demanda.
Em segundo lugar, o texto diz que devem ser escolhidos “irmãos” (v. 3) e não irmãs. Há alguma objeção ao diaconato feminino? Penso que não há objeções quanto ao diaconato feminino, pois em Romanos, encontramos Febe, “a qual serve na igreja que está em Cencreia” (Rm 16.1). A palavra “serve” é a tradução do termo grego diakonos. Embora essa palavra possa sugerir apenas que ela serve na igreja, também há a possibilidade de que seu serviço seja um cargo eclesiástico. Nesse sentido, Werner Boor comenta:
“Hoje escolheríamos mulheres da igreja para uma tarefa assim. A princípio, naquele tempo isso era impossível, ainda que a ruptura com os costumes da época tenha acontecido de maneira relativamente rápida justamente nesse ponto (Febe!)” (BOOR, 2002, p. 105).
Em terceiro lugar, pergunto-me: por que razão devem ser escolhidos sete irmãos e não outra quantia?
Uma das razões é que, para os judeus, números são importantes, e o número sete tem o sentido de plenitude, perfeição. Além disso, Werner Boor explica:
“nas comunidades judaicas a diretoria local geralmente era formada por sete homens, os quais eram chamados ‘os sete da cidade’”. (BOOR, 2002, p. 105)
Por fim, e não menos importante, destaco que, embora comumente usemos este texto como o texto de instituição diaconal na igreja, os sete aqui não são chamados de diáconos.
O termo diakoneo e diakonia, servir e serviço, respectivamente, aparece três vezes no texto e, em nenhuma delas, referem-se aos sete.
A primeira vez em que um dos termos aparece está no versículo um: as viúvas estavam sendo desprezadas “ministério (diakonia) cotidiano”.
A segunda vez está no versículo dois: os apóstolos disseram que não era adequado abandonarem a palavra para “servimos (diakoneo)” as mesas.
A última vez está no versículo quatro: os apóstolos devem se dedicar ao “ministério (diakonia) da palavra”.
Contudo, embora seja verdade que os sete não foram chamados de diáconos aqui, acreditamos que este foi o pontapé inicial para a distribuição de tal função na igreja, de tal modo que preferimos chamá-los aqui de diáconos.
Aplicação
Precisamos ouvir a Igreja
Seja prudente nas tomadas de decisões
Na Igreja, todos devem ter voz
Estabeleça prioridades, você não pode abraçar o mundo
Todas as tarefas na Igreja são importantes, mas a sua é a mais importante para você
Se você foi chamado para pregar, não negligencie a oração e o estudo da Palavra de Deus

III - A Instituição dos Diáconos (vv. 5-6)

A escolha dos sete diáconos acalmou os ânimos da multidão. Todos eles tinham nomes gregos e, talvez, faziam parte do grupo de judeus de fala grega. Um deles recebeu maior destaque: Estêvão o primeiro mártir cristão.
Todos Ficam Felizes (v. 5a)
Atos dos Apóstolos 6.5 (RC95)
5 E este parecer contentou a toda a multidão […]
Conforme relato lucano, a solução apresentada pelos apóstolos “contentou a toda a multidão” (v. 5a). Creio que o agrado de todos se deu porque os apóstolos ouviram a demanda e atenderam de forma sábia e justa. É certo que decisões na igreja não podem ser baseadas em agrado de homens, mas não há nada de errado em agradá-los se isso for justo.
A Instituição dos Diáconos (vv. 5b,6)
Atos dos Apóstolos 6.5–6 (RC95)
5[…] e elegeram Estêvão, homem cheio de fé e do Espírito Santo, e Filipe, e Prócoro, e Nicanor, e Timão, e Pármenas e Nicolau, prosélito de Antioquia; 6 e os apresentaram ante os apóstolos, e estes, orando, lhes impuseram as mãos.
Na instituição dos diáconos, analisaremos quatro pontos, a saber: os seus nomes, a eleição, as suas características e a separação ministerial.
Seus nomes
Com exceção dos dois primeiros diáconos, Estêvão e Filipe, a Bíblia se silencia sobre os outros cinco.
O nome Estêvão significa “coroado”. Ele foi o primeiro mártir cristão e certamente receberá a sua coroa (2Tm 4.7-8; Tg 1.12; Ap 2.10).
Filipe, foi um dos sete e, depois da intensificação da perseguição aos cristãos, foi para Samaria pregar o evangelho, onde operou milagres e converteu muitos (At 8.4-8).
Prócoro, um dos sete. Segundo a tradição foi quem escreveu o livro apócrifo “Atos de João” (CHAMPLIN, 2013, p.422)
Nicanor, um dos sete. Segundo a tradição cristã, comenta Champlin “ele foi martirizado na mesma ocasião em que Estêvão foi apedrejado” (CHAMPLIN, 2013, p.494).
Timão, um dos sete. Segundo John Davis, o seu nome “no grego é timom, uma forma plural do adjetivo tímios, ‘honroso’, talvez o nome signifique ‘aquele que honra’” (DAVIS, 2005, p.1220).
Pármenas, também um dos sete. Seu nome significa “fiel” ou “constante”. Segundo (CHAMPLIN, 2013, p.88), “a tradição […] acrescentou algumas poucas informações a seu respeito. Presumivelmente ele sofreu o martírio no tempo do imperador Trajano, em Filipos”.
Por fim, Nicolau, o último da lista dos sete. Nicolau foi um prosélito de Antioquia. (CHAMPLIN, 2013, p.499) acredita que ele era um gentio de nascença que foi convertido, provavelmente, primeiro ao judaísmo e, posteriormente, ao cristianismo. A tradição cristã diz que ele se desviou do evangelho e tornou-se o fundador da seita dos nicolaítas (Ap 2.6,15), mas isso não pode ser provado.
Chama-nos a atenção o fato de todos os nomes dos sete diáconos serem de origem grega, o que pode significar que todos eles eram do grupo dos judeus de fala grega. Nesta esteira, (KISTEMAKER, 2016, p. 289) informa que
“Apesar de alguns nativos judeus terem nomes gregos, entre eles os apóstolos Filipe e André, os estudiosos preferem a explicação de que todos os sete eram judeus helenistas cujo idioma materno era o grego”
A Eleição
O versículo em análise apenas nos diz que “elegeram Estêvão […], e Filipe, e Prócoro, e Nicanor, e Timão, e Pármenas e Nicolau” (v. 5b), mas nada diz qual o método de escolha foi realizado. Não sabemos se por meio de sortes, como na escolha do décimo segundo apóstolo em Atos 1.26 ou se por votação comum em assembleia.
Suas Características
Contudo, uma coisa foi estipulada pelos apóstolos: suas características. Quais sejam: “boa reputação, cheios do Espírito Santo e de sabedoria” (v.3).
Boa reputação. A primeira das características para o serviço diaconal dos sete é que fossem homens de boa reputação. A palavra martyreo “testemunho” é a palavra grega que foi traduzida por “boa reputação”. A ideia aqui é encontrar pessoas com bom testemunha ou “de confiança” (NTLH) que possam administrar as finanças.
Cheios do Espírito Santo. Além de ser homens de boa confiança, os diáconos precisavam também ser cheios do Espírito Santo. Isso significa que deviam ser pessoas que eram guiadas pelo Espírito de Deus. Algumas pessoas em denominações pentecostais acreditam que ser cheio do Espírito Santo significa ser batizado com o Espírito Santo, mas não é esse o caso aqui. Toda pessoa que é batizada no Espírito Santo é cheia no momento do batismo, mas não está plena para sempre. Por isso, Paulo deixa um mandamento para todos: “Enchei-vos do Espírito” (Ef 5.18)
Sabedoria. Talvez se refira à sabedoria em finanças, em como administrá-las.
Separação Ministerial
Depois de eleger sete homens, de boa reputação, cheios do Espírito Santo e de sabedoria, estes foram apresentados “ante os apóstolos” (v. 6), que, após reconhecer neles tais qualidades, “orando, lhes impuseram as mãos” (v. 6). Nos explica (BOOR, 2002, p. 107) que
“A imposição das mãos mediante oração não é apenas uma confirmação formal da eleição. Para as pessoas do pensamento bíblico, desde o AT a imposição das mãos era uma transferência real de plenos poderes e força para o ministério (Nm 27:18–23; Dt 34:9)
Aplicação
Embora o texto seja específico na escolha ao diaconato, ter boa reputação, ser cheio do Espírito Santo e de Sabedoria é qualificação para qualquer obra na Igreja.

IV - A Igreja Sai Vitoriosa (v. 7)

Pode ser que Satanás tenha levantado tal discórdia na Igreja, tirando-a do foco principal. No entanto, vê-se que a Igreja venceu. Lucas novamente relata o crescimento do evangelho.
A Vitória da Igreja (v. 7)
Atos dos Apóstolos 6.7 RC95
7 E crescia a palavra de Deus, e em Jerusalém se multiplicava muito o número dos discípulos, e grande parte dos sacerdotes obedecia à fé.
Atos, Volumes 1 e 2 b. Implementação e Resultado (6.5–7)

O texto grego diz literalmente: “a palavra de Deus continuava a aumentar”. Isso não significa que aumentou com o acréscimo de certos livros, mas que o evangelho em si tornou-se parte da vida espiritual do povo. Em outras palavras, o efeito da palavra proclamada tornou-se cada vez mais notável na vida dos habitantes de Jerusalém. Como resultado direto da pregação e do ensino dos apóstolos, que podiam agora dedicar-se à oração e ao ministério da Palavra, mais e mais pessoas criam e seu uniam à igreja.

Em "Resposta de Flávio Josefo a Ápio”, página 50 do computador, ele diz que em seu tempo havia
“quatro raças de sacerdotes, de mais de cinco mil homens cada uma, todas elas desempenhavam sua função em determinados dias, vez por vez, o seu ofício no ministério”
Falta ler o comentário de HDL, Stott e RC Sproul
Aplicação

Conclusão

Vimos hoje que problemas podem surgir, mas que devemos manter nossas prioridades em nossa jornada de fé. Uma discórdia surgiu entre os irmãos, ameaçando a unidade da Igreja. No entanto, rapidamente os apóstolos trouxeram uma solução sábia. Foram instituídos sete homens de boa reputação, cheios do Espírito Santo e de sabedoria, para estarem à frente de uma importante missão, embora secundária. Assim, percebemos que Satanás tentou semear a discórdia, mas nada pode parar a Igreja do Senhor.
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