A crucificação e a morte de Jesus (Mc 15.21-39)

Jesus: Vida e Obra  •  Sermon  •  Submitted   •  Presented
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Fonte: Hendriksen

Notes
Transcript

Introdução

Cada evangelista conta a paixão de Cristo de uma forma diferente. Marcos é o mais breve; Lucas é quase duas vezes maior que Marcos. João é maior que Mateus e menor que Lucas.
Marcos escreve para a igreja de Roma as memórias selecionadas de Pedro num tempo de provável perseguição. Nesse sentido, o relato da crucificação de Jesus é importante porque, primeiro, lembra a igreja de Roma do alto preço pago por nossa salvação; segundo, os encoraja a suportar toda tribulação, sabendo que o sofrimento de Jesus foi incomparavelmente maior.
Meditemos na crucificação e na morte de Jesus.

1. A crucificação de Jesus (vv. 21-32).

Durante a crucificação, cinco pessoas ou grupos trataram a Jesus de formas variadas. Meditemos nisso.

a. Simão de Cirene (v. 21).

Simão presta um serviço a Jesus.
Como de costume, a execução era feita fora da cidade. Os condenados à crucificação tinham de levar sua própria cruz. De 13 a 18kg.
Jesus, fraco demais, não conseguiu carregar sua cruz numa distância de 300m. Jesus já tinha sofrido muitas coisas:
a atmosfera tensa na última ceia;
a traição de Judas;
as agonias no Jardim do Getsêmani;
a deserção dos discípulos;
o interrogatório do Sinédrio e a negação do líder dos discípulos, Pedro;
a zombaria no palácio de Caifás;
a audiência diante de Pilatos;
o pronunciamento da pena de morte;
os açoites;
os abusos por parte de alguns soldados do pretório.
Jesus, por tudo isso, não aguenta mais levar a cruz. Os romanos obrigam um cidadão qualquer a carregá-la. Simão foi esse. De Cirene, região da Líbia.
Considerado importante na igreja primitiva. Marcos escreveu no v. 21: “Simão, pai de Alexandre e Rufo”. Estavam familiarizados.
Paulo também cita Rufo em sua despedida na carta aos romanos (16.13).
Simão serviu a Jesus por obrigação. Contudo, esse serviço certamente abençoou-lhe grandemente, e à sua família, que se tornou cristã em algum momento. Provavelmente essa experiência foi decisiva para sua conversão.

b. Os soldados (vv. 22-27).

v. 22: O Gólgota era um lugar de execução dos piores criminosos.

Ali, os soldados oferecem a Jesus um anestésico e calmante, o qual recusa.

Vinho com mirra. Mateus detalha que Jesus provou a bebida, mas não a quis beber. Por quê? Provavelmente para não amenizar a dor da Sua morte.
O preço que Jesus pagou deveria ser total, pois só assim Ele seria um perfeito substituto para o Seu povo. Cristo abriu mão do cálice de vinho e mirra, porque já estava tomando outro: o cálice da ira do Pai, e o fez sem amenidades.

Então, os soldados O crucificaram.

Pena capital para os piores criminosos.
A pessoa era suspensa no madeiro. Seus pés sob um bloco de madeira. Sofria inflamação severa, o inchaço das feridas nos pés e nas mãos, a dor terrível dos tendões partidos, um desconforto terrível pela posição do corpo, uma grande dor de cabeça e uma sede insaciável.
Porém, a maior dor de Jesus não foi física, mas espiritual. O filme Paixão de Cristo é pesado, mas não consegue relatar essa dor. É indescritível. A dor de Jesus é única. Só ele experimentou. Ele é o Filho que desceu de Sua glória nos céus, se esvaziou, assumiu a natureza humana, subiu na cruz sofrendo suas dores físicas, mas também a dor espiritual de carregar os nossos pecados.

Após a crucificação, os soldados lançaram sortes para a divisão de suas roupas (v. 24b).

Eles tinham direito sobre os bens menos importantes das vítimas.
Cumprimento do salmo 22:
Psalm 22:18 NAA
18 Repartem entre si as minhas roupas e sobre a minha túnica lançam sortes.
É triste perceber o que esses solados levaram do Calvário: apenas algumas peças de roupa de Jesus. Eles não levaram corações arrependidos, vidas mudadas, nem um Salvador. Hoje mesmo, muitos estão ouvindo sobre a trágica história da crucificação do Salvador e não reagem a Ele de modo adequado, assim como esses soldados.

V. 25 nos lembra que era nove horas da manhã.

Assim, cerca de 3 horas se passaram entre a sentença e a crucificação.

V. 26: a inscrição pregada acima da cruz: “O REI DOS JUDEUS”.

Por que? Provavelmente Pilatos quis assim porque odiava os judeus, que o fizeram crucificar alguém que Pilatos considerava inocente. Sua resposta foi zombar os judeus chamando a a Jesus de Rei deles.
Porém, o que mais importa não é o que Pilatos estava dizendo nessa inscrição, mas sim Deus.

Os soldados crucificaram a Jesus ao lados de dois ladrões (v. 27).

Jesus foi contado entre os malfeitores (v. 28) - Is 53.12.
Como foi tratado como se fosse um criminoso - que crime cometeram contra Ele!

c. Os passantes blasfemam (vv. 29-30).

A fala dos que passavam ali era de deboche: “Ah! Você que destrói o santuário e em três dias o reedifica! Salve a si mesmo, descendo da cruz!”
Assim como as falsas testemunhas diante do Sinédrio, os passantes pegam a citação distorcida e a aceitam com ose fosse verdade. Fake news!
Eles queriam que Criso provasse suas palavras sobre Si mesmo descendo da cruz. Mas era justamente o contrário. Foi exatamente porque Jesus ficou na cruz que Ele é o nosso Salvador.

d. Os principais sacerdotes e os escribas zombam (v. 31-32a).

Os líderes religiosos, extasiados pela vitória sobre Jesus, se unem aos passantes na zombaria contra Jesus: “de igual modo” (v. 31).
Eles estão convencidos de que o motivo pelo qual Jesus estava na cruz era Sua fraqueza e Sua incapacidade de Se salvar. Observe as palavras deles nos vv. 31 e 32.
Eles não negam os milagres que Jesus realizara. Porém, criam que haviam sido feitos pelo poder de Belzebu, o maioral dos demônios. Agora, provavelmente entendiam que Belzebu O havia deixado, e que estava completamente sem poder.

e. Os ladrões O insultam (v. 32b).

“Também”. Na mesma atitude.
Jesus estava sendo zombado de todos os lados: os ladrões da cruz, os passantes, os líderes religiosos, os soldados.
Qual foi a atitude de Jesus diante de tudo isso? Silêncio. Ele não manifesta uma palavra sequer de reprovação. Ele morreu como ovelha muda ao matadouro.
O comportamento gracioso de Jesus foi usado por Deus como um meio para salvar pessoas mesmo durante o pior momento da vida de Jesus. Ladrões. Centurião no v. 39: “Verdadeiramente este homem era o Filho de Deus”.

2. A morte de Jesus (vv. 33-41).

a. As trevas cobriram o céu (v. 33).

Depois de toda a confusão das três primeiras horas da crucificação, algo dramático acontece: repentinamente a terra escurece. Com certeza foi algo inesquecível. Exatamente ao meio dia!
Qual foi o sentido da escuridão? Significou o julgamento de Deus sobre Jesus por causa dos nossos pecados. Ele foi nosso substituto.
Hendriksen: “O inferno veio ao Calvário naquele dia e o Salvador desceu até ele, sofreu sua mais intensa agonia e suportou seus horrores em nosso lugar”.

b. Jesus gritou de agonia (v. 34).

Em Seu brado, Jesus cita Sl 22.1:
Psalm 22:1 NAA
1 Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste? Por que se acham longe de minha salvação as palavras de meu gemido?
O que significa esse grito de Jesus? De uma forma que não conseguimos compreender, a comunhão perfeita entre Pai e Filho foi comprometida, justamente porque o Filho estava carregando os nossos pecados por nós.
2 Corinthians 5:21 NAA
21 Aquele que não conheceu pecado, Deus o fez pecado por nós, para que, nele, fôssemos feitos justiça de Deus.
Ali na cruz, Jesus fez uma pergunta retórica. Ela não precisava de resposta. Foi uma pergunta que expressa Sua agonia e Seu desespero por ter carregado os nossos pecados e sofrido a maldição do Pai.

c. Jesus foi zombado (v. 35).

Como Jesus havia gritado, todos compreenderam o que Ele tinha dito. Mas, por zombaria, alguém afirma que Jesus estava chamando por Elias. Trocadilho. “Deus meu”, “Eli, Eli” em hebraico, ou “Eloi, Eloi” em aramaico.

d. Jesus recebeu compaixão (v. 36).

Mesmo no contexto de zombaria, alguém oferece a Jesus um vinagre, ou vinho barato que os soldados tomavam para matar a sede.
Nem todos os que estava ali tinham o coração totalmente endurecido. Jesus sempre dividiu o povo.

e. O véu (vv. 37-38).

Com um alto brado, Jesus entregou Sua vida. Ele morreu. Jesus morreu voluntariamente, dando Sua vida. Ele entregou Seu espírito (Mateus e João).
Ao morrer, o véu se rasgou de alto a baixo. Havia dois véus no templo: o primeiro, do exterior, entre o pátio e o Lugar Santo, e o segundo, interior, entre o Lugar Santo e o Lugar Santíssimo (Santo dos Santos), mas Hebreus nos esclarece:
Hebrews 10:19–20 NAA
19 Portanto, meus irmãos, tendo ousadia para entrar no Santuário, pelo sangue de Jesus, 20 pelo novo e vivo caminho que ele nos abriu por meio do véu, isto é, pela sua carne,
Significa duas coisas:
I. Uma indicação de que o antigo sistema judaico, a antiga aliança, havia se tornado obsoleta - especialmente a adoração limitada ao Templo e os sacrifícios de animais.
II. O acesso a Deus se dá apenas por meio de Jesus.

f. O centurião (v. 39).

O centurião observou como Jesus havia se comportado em meio a tantos opositores. Ele observou o brado do Senhor. Houve as trevas sobre toda a terra. Mateus relata que houve um terremoto.
Assim, o centurião estava observando atentamente a Jesus. Certamente não era judeu. Após analisar todas as coisas, ele conclui: “Verdadeiramente este homem era o Filho de Deus”.

Considerações finais

O sacrifício de Jesus foi voluntário.

Prova de amor.

O sacrifício de Jesus foi pesado.

Emocionalmente.
Fisicamente.
Espiritualmente.

O sacrifício de Jesus foi poderoso.

Aplicação

Experimente a cruz.

Viva em gratidão pela cruz.

Proclame a cruz.

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