Jesus amplia seu ministério comissionando os apóstolos
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Jesus não chamou os apóstolos apenas para estarem com ele, mas também para enviá-los a pregar e a expelir demônios (3.14–21). Agora que já estão treinados, eles são enviados. Eles vão realizar seu trabalho em nome de Jesus, com a autoridade de Jesus, levando a mensagem de Jesus, como uma extensão da sua própria missão. Quem receber um desses mensageiros recebe o próprio Jesus (Mt 10.40).
O tempo de os doze começarem chegara. Estiveram sob a tutela incomparável do Salvador; agora iriam como arautos da gloriosa mensagem.
Um princípio importante: Ele os enviou de dois em dois. Jesus os enviou em pares porque é sempre mais fácil e seguro para os servos viajarem e trabalharem juntos. “Dois são melhores do que um” ( Ec. 4:9 ). Também haveria força e ajuda mútua ao viajarem juntos. Por último, a presença de dois poderia ser útil nas culturas onde as condições morais eram baixas.
Marcos é o único evangelista que menciona esse fato. Todavia, esse é um fato que merece nossa atenção.
Não há dúvida de que esse pormenor tem por finalidade ensinarnos quão vantajoso é o companheirismo cristão para todos aqueles que trabalham para Cristo.
Dois homens trabalhando juntos farão mais do que dois que trabalham separadamente, porquanto ajudarão um ao outro nas decisões a serem tomadas e cometerão menos erros. Poderão ajudar-se mutuamente nas dificuldades e fracassarão menos. Poderão animar um ao outro quando se virem tentados à ociosidade e, com menos frequência, deslizarão para a indolência e a indiferença. Poderão consolar um ao outro nos tempos difíceis e se deixarão vencer menos pelo desânimo. “Ai, porém, do que estiver só; pois, caindo, não haverá quem o levante” (Ec 4.10).
É provável que esse princípio não seja suficientemente lembrado na Igreja de Cristo, nestes últimos dias. Sem dúvida, a colheita é grande, por todo o mundo, tanto em nosso próprio país como no estrangeiro. Os obreiros, sem dúvida, são poucos, e o suprimento de homens fiéis está sempre muito abaixo da demanda. Os argumentos em prol do envio de obreiros “um a um”, devido às atuais circunstâncias, são inegavelmente muito fortes e têm grande peso. Porém, a conduta de nosso Senhor aqui demonstrada é um fato marcante. O fato de que, no livro de Atos, dificilmente encontramos um único caso em que Paulo, ou qualquer dos outros apóstolos, estivesse trabalhando inteiramente sozinho é outra circunstância notável. É difícil deixarmos de concluir que, se a regra de se enviarem obreiros “dois a dois” estivesse sendo mais rigidamente observada, os campos missionários teriam produzido melhores resultados do que aqueles que conhecemos.
De qualquer modo, uma coisa é clara: é dever de todos os obreiros de Cristo trabalhar juntos e se ajudar mutuamente, sempre que isso for possível. “Como o ferro com o ferro se afia, assim o homem ao seu amigo” (Pv 27.17).
Em seguida, deu-lhes autoridade sobre os espíritos imundos. Vale a pena notar isso. Não é comum expulsar demônios; somente Deus pode conceder esse poder.
Jesus deu a esses doze homens tanto a autoridade apostólica quanto a habilidade divina para fazer o trabalho que Ele os enviou para fazer. Eles não estavam “por conta própria”; eles O representavam em tudo o que faziam e diziam.
Esse tipo de ministério estava ligado ao tempo apostólico. Nas cartas do Novo Testamento não encontramos ordem para os obreiros expulsarem demônios ou curar enfermos.
Verso 8
Se o reino de nosso Senhor fosse deste mundo, ele nunca teria dado as instruções dos versículos 8–11. São totalmente o contrário das que um líder secular comum daria. Era para os discípulos irem sem provisões — nem pão, nem alforje, nem dinheiro. Eles deviam confiar essas necessidades a ele.
Jesus não está enviando Seus embaixadores em uma viagem de aventura ou um passeio turístico, mas em uma viagem ministerial.
Somente aquilo que é absolutamente necessário deve ser levado na viagem. Por quê? Porque Deus proverá. Os discípulos, agora também apóstolos, devem colocar sua confiança totalmente nele. Sem dúvida esta é a resposta básica.
A lista de coisas a serem levadas ou (a maior parte) as que não devem ser levadas consiste dos seguintes itens, na ordem mencionada nos versículos 8 e 9:
Cajado. A palavra se refere ao cajado do pastor. o significado é o cajado do viajante.
Pão. Aqui e em Lucas, a palavra é usada genericamente.
Saco de viagem. Este era um tipo de mochila, uma sacola “para a estrada” ou “para a viagem”. É uma sacola que, antes de partir, a pessoa deve encher com os suprimentos que acha que pode precisar durante a viagem. Tendo em vista o contexto, que parece formar um tipo de clímax, “não levem pão, nem uma sacola para carregá-lo, aliás, nem mesmo dinheiro para comprá-lo
Dinheiro. A palavra usada no original pode se referir ao significado básico de cobre, latão, bronze. Em segundo lugar, pode se referir a qualquer coisa feita desses materiais.
Sandália - Sandálias consistiam de solas planas, feitas algumas vezes de madeira, usualmente de couro, ou mesmo de cordame. Por meio de tiras, a sandália ficava presa aos pés.
Túnica; aqui, no plural, duas túnicas. Esta era uma camisa que se usava por baixo do corpo, junto à pele. A túnica ia até os pés e tinha orifícios para passar os braços (cf. Mt 5.40; 10.10; Lc 3.11; 6.29; 9.3). Em Marcos 14.63, o plural se refere às roupas em geral.
Jesus chamou seus missionários para viajarem de forma simples, sem as provisões normais para uma jornada. Eles tinham que depender de Deus para seu sustento.
Versos 10 e 11 – “E recomendou-lhes: Quando entrardes nalguma casa, permanecei aí até vos retirardes do lugar. Se nalgum lugar não vos receberem nem vos ouvirem, ao sairdes dali, sacudi o pó dos pés, em testemunho contra eles.”
Era para eles aceitarem hospitalidade toda vez que lhes fosse oferecida, e era para ficarem lá até partirem da região. Essa instrução impedia que ficassem à procura de hospedagens mais confortáveis. Sua missão era pregar a mensagem de alguém que não agradava a si mesmo, que não procurava os próprios interesses. Não era para comprometer a mensagem com a procura de luxo, conforto ou sossego.
Depois de viajar pelo território pagão, os judeus tinham o costume de sacudir o pó de suas sandálias e de suas roupas, antes de voltar para a Terra Santa. Eles tinham medo de que, se não fizessem isso, em seu país os objetos leviticamente limpos pudessem ser considerados impuros. O que Jesus está dizendo, portanto, é que qualquer lugar, seja uma casa, um vilarejo, uma cidade, ou uma aldeia, que se recuse a aceitar o evangelho, deve ser considerado impuro. Paulo e Barnabé fizeram isso, ao sofrerem perseguição, organizada no distrito judeu de Antioquia da Pisídia (At 13.50–51). Uma responsabilidade colossal, um peso tremendo de culpa, repousa sobre tal lugar.
Se um lugar rejeitasse os discípulos e sua mensagem, não eram obrigados a permanecer. Permanecer significaria lançar pérolas aos porcos. Ao partirem, os discípulos deveriam sacudir o pó dos pés, simbolizando a rejeição de Deus aos que rejeitam seu Filho amado.Embora algumas das instruções fossem de natureza temporária e mais tarde tenham sido retiradas pelo Senhor Jesus (Lc 22:35–36), mesmo assim personificam princípios duradouros para o servo de Cristo em cada época.
Versos 12 e 13
Em segundo lugar, Jesus deu aos apóstolos a mensagem. Quando os apóstolos saíram a pregar aos homens, não criaram a mensagem; levaram a mensagem. Não levaram aos homens as suas opiniões, mas a verdade de Deus.
O ponto a ser notado é que pregar não é argumentar, raciocinar, disputar ou convencer por prova intelectual, contra todas as quais um intelecto aguçado pode trazer contra-argumento. Simplesmente declaramos em público ou testemunhamos a todos os homens a verdade que Deus nos ordena declarar. Nenhum argumento pode atacar a verdade apresentada neste anúncio ou testemunho. Os homens ou acreditam na verdade, como todos os homens sãos deveriam, ou se recusam a acreditar, como somente os tolos se aventuram a fazer”
O v. 12 confirma que a pregação dos doze tratava de nada menos que salvação e perdição. Então, saindo eles, pregavam ao povo que se arrependesse.
Eles pregaram arrependimento. A mensagem do evangelho começa com o arrependimento. Arrepender-se significa mudar de mente e logo adaptar a ação a essa mudança. O arrependimento não é lamentar-se sentimentalmente; é algo revolucionário; por isso são poucos os que se arrependem. Devemos chamar as pessoas ao arrependimento se quisermos seguir as pegadas dos apóstolos. Nada menos do que isso deve ser exigido. É impossível alguém entrar no Reino dos Céus sem passar pela porta do arrependimento.
A necessidade do arrependimento pode parecer, à primeira vista, uma verdade extremamente simples e elementar. Contudo, muitos volumes poderiam ser escritos para mostrar a plenitude dessa doutrina, e como é apropriada para cada época e cada geração, e para cada classe da sociedade humana. O arrependimento está intrinsecamente ligado a uma correta percepção de Deus, da natureza humana, do pecado, de Cristo, da santidade e do céu. Todos os homens são pecadores e carecem da glória de Deus. Todos precisam ser levados a sentir seus próprios pecados, a se entristecer por eles, a se dispor a abandoná-los e a ter fome e sede do perdão divino. Em poucas palavras, todos precisam nascer de novo e apegar-se a Cristo. Nisso consiste o arrependimento que leva à vida eterna. Nada menos do que isso se faz necessário para a salvação de qualquer criatura humana.
Nada menos do que isso deveria ser insistentemente proclamado aos homens, por todos aqueles que professam ser mestres da religião bíblica. Precisamos chamar homens ao arrependimento, se quisermos seguir os passos dos apóstolos de Cristo; e então, depois que os homens se tenham arrependido, devemos insistir com eles para que se arrependam cada vez mais, até seu último dia de vida.
Porventura, já nos arrependemos? Afinal de contas, essa é a indagação que mais nos interessa. Convém sabermos o que os apóstolos ensinaram. Convém que nos familiarizemos com todo o sistema de doutrinas do cristianismo. Entretanto, melhor ainda é que conheçamos o arrependimento por experiência própria e que o sintamos interiormente, no íntimo de nossos corações. Que não descansemos enquanto não soubermos e não sentirmos que já nos arrependemos! No reino dos céus, não entrará nenhum impenitente. Todos que já entraram nesse reino sentiram, lamentaram e abandonaram o pecado, buscando o perdão divino para si. Essa precisa ser a nossa experiência, se esperamos ser salvos.
