O VERDADEIRO SENTIDO DO NATAL
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O VERDADEIRO SENTIDO DO NATAL
Hino – 79 – Noite de Paz; Que maneira estranha – Josué de Castro; Será que o céu Sabia? Fernando Iglesias.
INTRODUÇÃO
Alguma vez você já desejou ter em sua casa um filho, ou um irmãozinho ou irmãzinha? Então você deve estar lembrado da ansiedade com que você esperava o dia em que isto acontecesse! E você deve ter gostado muito desse irmãozinho ou irmãzinha, porque ele era seu, uma coisinha sua!
Houve no passado um menininho a quem todos desejavam receber em sua casa. Durante mais de três mil e quinhentos anos, todos no mundo – pais, mães, irmãos e irmãs – esperavam que esta criancinha nascesse em sua casa.
Durante muito tempo ninguém sabia quando nem onde esse nenezinho especial iria nascer. Assim pais e mães em toda parte ficavam a pensar: será que Ele vai nascer em minha casa? E todas as meninas, ainda pequenas, esperavam crescer e um dia se tornar mãe dessa criancinha.
Sabe, este nenê era parte de uma promessa de Deus feita no Jardim do Éden a Adão e Eva, depois que eles cometeram seu triste erro comendo do fruto proibido.
Depois que Deus precisou pedir a Adão e Eva que deixassem seu belo lar, Ele disse à serpente que havia feito todo aquele mal: "Porei inimizade entre ti e a mulher, e entre a tua semente e a sua semente: esta te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar". Gn 3.15.
Deus queria dizer que um dia um filhinho de Adão e Eva, ou netinho, ou mesmo bisnetinho, esmagaria a cabeça da serpente e desfaria todo o mal que eles haviam causado. Um dia uma criancinha maravilhosa iria nascer neste mundo e quebrar o poder de Satanás, para deste modo recuperar tudo que o homem havia perdido por causa do pecado.
Eva entendeu que ela seria a mãe desta criancinha. Assim foi que ao nascer Caim, seu primeiro filho, ela disse: "Alcancei um varão do Senhor". Gn 4.1 Mas Caim não era a criancinha esperada. Ao contrário, ele veio a se tornar muito mau e até matou seu irmão, Abel. Depois da morte de Abel, Eva teve outro filhinho, e deu-lhe o nome de Sete, que quer dizer "o indicado". Mas ainda desta vez Eva estava cometendo um engano. Nem este seu filho era o prometido.
Eva teve, é claro, filhinhas também. E sem dúvida ela falou a todos sobre a promessa de Deus. Daí em diante sempre que uma menina crescia e casava, ficava na esperança de ser a mãe da criança prometida, essa criancinha maravilhosa que haveria de fazer todas as coisas gloriosas que Deus dissera.
Mas o tempo foi passando e nenhuma delas se tornava a mãe da criança que todos esperavam. Deste modo a esperança de um Salvador por vir, esperança de um Libertador, ia sendo transferida de século para século.
Moisés, que tirou o povo de Israel do Egito, sabia a respeito da promessa. Ele disse aos filhos de Israel: “O Senhor vosso Deus despertará um profeta dentre vós, semelhante a mim, a Ele ouvireis” Dt 18.15.
Também Balaão tinha conhecimento deste fato, pois em vez de amaldiçoar a Israel, como Balaque queria que ele fizesse, ele disse: "Uma estrela procederá de Jacó, e um cetro subirá de Israel". Nm 24.17 Com isto ele queria dizer que alguém viria e seria ao mesmo tempo Luz e Rei; e as pessoas se perguntavam cada vez mais quando chegaria essa Criança prometida.
O profeta Isaías foi mais definido. Ele escreveu: “Eis que uma virgem conceberá, e dará à luz um filho, e será o seu nome Emanuel” Isaias 7.14. E de novo, sendo ainda mais claro: "Um menino nos nasceu, um filho se nos deu, e o governo está sobre os seus ombros" Isaias 9.6
Depois disto, muitos que já tinham perdido a esperança, tiveram novo ânimo e nova esperança. Muitas mãezinhas, olhando para seu precioso filhinho, terão perguntado: Será este meu filhinho o Prometido? Será que este meu filho irá crescer e se tornar o grande Líder que Deus prometeu enviar?
Foi então que o profeta Miquéias revelou o próprio lugar em que a Criança devia nascer. De lar para lar, e especialmente de mãe para mãe, as novas se espalharam rapidamente como fogo. Miquéias havia dito: “E tu, Belém Efrata, posto que a menor entre milhares de Judá, de ti Me sairá Aquele que será Rei em Israel” Mq 5.2.
Todos os olhos se voltaram então para Belém. Durante algum tempo todas as mães e seus filhinhos nas proximidades da cidadezinha de Belém adquiriram grande importância. Mas nada aconteceu. E com o passar dos anos a profecia de Miquéias ficou esquecida. Os poucos que dela ainda se lembravam achavam que devia ter havido algum engano.
Muitos anos se passaram quando muitos já tinham perdido toda esperança, “na plenitude dos tempos” Gl 4.4 como diz o apostolo Paulo, alguma coisa estupenda aconteceu. O anjo Gabriel veio de novo, desta vez não a um profeta, mas a uma jovem. Ele trazia grandes novas do Céu!
Em Sua vida, Jesus fez precisamente o oposto daquilo que normalmente nós esperaríamos. Às vezes, ao estudar os textos bíblico que falam do nascimento de Jesus, faço observações para mim mesmo e fico pensando:
“Se Jesus tivesse me consultado quanto ao Seu nascimento, eu teria sugerido que Ele, com Seu poder, estalasse os dedos e criasse um hospital ultramoderno todo equipado com uma avançada ala de obstetrícia cheia dos melhores profissionais de saúde e ainda tudo sendo gravado para ficar guardado para a posteridade. Mas claro, Ele não me consultou e então nasceu numa estrebaria.”
“Para aumentar Seu impacto”, eu penso, “Ele poderia ter nascido num grande centro, Nova Iorque, Londres, Roma, Paris. Em vez disso, Ele escolheu na pequena e insignificante Belém.”
Por quê? Porque, dessa forma, ninguém seria intimidado pelas circunstâncias e lugar de Seu nascimento. Fosse Ele cercado de realeza, pompa e sofisticação, isso já excluiria milhões de seres humanos do convívio com o Salvador.
Fico pensando em seus pais. A gravidez de Maria seria considerada muito suspeita nos nossos dias. Com toda a certeza visitaríamos a mãe do Salvador e seu noivo, e quando descobríssemos que o rapaz não teve nada a ver com aquela situação, iriamos reunir a comissão para possivelmente realizar a remoção dela do rol de membros da igreja, agora imagina naquela época.
Mas foi exatamente esse fato que tornou Jesus o Unigênito do Pai, conforme declara João, Ele é único em Seu nascimento. Jesus não nasceu como todos nascem. A palavra traduzida como “unigênito” em referência a Ele (Jo 1:14, 18; 3:16, 18) é monogenes, indiscutivelmente significando “único do seu tipo”, “único de sua espécie”, “exclusivo”. Em João 8:46, Jesus desafia Sua audiência: “Quem dentre vós Me convence de pecado?”
Mais adiante, Ele reafirma Sua completa separação do pecado: “Já não falarei muito convosco, porque aí vem o príncipe do mundo; e ele nada tem em Mim” (Jo 14:30). Você conhece alguém que poderia fazer esse tipo de declaração?
Em Hebreus, é dito: “Com efeito, nos convinha um sumo sacerdote como este, santo, inculpável, sem mácula, separado dos pecadores e feito mais alto que os Céus” (Hb 7:26).
As pessoas se orgulham de ancestrais reais, da força genética de suas raízes. Mas esse surpreendente Jesus descarta essas banalidades, a venerada pureza de sangue da tradição judaica foi desconsiderada por Ele. Sua genealogia foi comprometida por Rute, a viúva moabita, e Raabe, a prostituta cananeia. Esse Jesus assegurou que a maioria das pessoas não se afastaria por causa de origens glamorosas, por isso veio de uma origem pobre e humilde.
No pequeno infante da manjedoura, Deus cruzou o abismo que separava o Céu da Terra, invadiu nossas trevas, quebrou o silêncio mortal que envolvia a humanidade perdida e trouxe a todos “boa-nova de grande alegria” (Lc 2:10). “Você deverá dar-lhe o nome de Jesus”, diz o anjo a José, “porque Ele salvará o Seu povo dos seus pecados” (Mt 1:21, NVI).
O estranho, contudo, é a atitude humana diante do dom divino. O realismo bíblico não passa por alto o fato de que “não houve lugar para Ele” nas estalagens de Belém.
João é ainda mais claro ao afirmar que Jesus enfrentou definida rejeição no mundo que Ele criara e viera salvar: “Veio para o que era Seu, e os Seus não O receberam” (Jo 1:11).
O mais trágico e inexplicável é que tal atitude de rejeição ocorre primariamente dentro dos limites de Israel, entre aqueles que tinham as Escrituras nas mãos e se julgavam “o povo de Deus”.
Hoje, como ao longo da história, a atitude de rejeição não é diferente. As pessoas em geral continuam fazendo a escolha errada, optando pelas trevas, enquanto poderiam conviver com a Luz.
Pior ainda, é possível estar na igreja e permanecer alienado de Cristo, apegando-se à idolatria das formas e negando a essência. Podemos transformar o natal em mera ocasião de presentes e ceias, inconscientes do que realmente conta na celebração. Quer isso dizer que deixaríamos os presentes e a ceia? Não, significa apenas que deveríamos dar novo significado a essas práticas, usando a ocasião para incluir necessitados em nosso círculo.
Com o mesmo realismo, entretanto, as narrativas dos evangelhos fazem referência àqueles que foram atraídos por Jesus e a Ele se consagraram sem reservas. “A todos quantos O receberam”, diz João, “deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, a saber, os que creem no Seu nome” (Jo 1:12).
Esse é nosso grande privilégio e oportunidade. Pela fé e decisão pessoal, podemos permitir que esse milagre se repita em nosso coração. E pelo poder divino seremos feitos novas criaturas.
A encarnação de Jesus Cristo é a doutrina central do cristianismo, o ensino básico da fé cristã. Sem ela, todo o cânon bíblico seria um documento incompreensível, sem sentido.
Ellen White diz que: “É a corrente de ouro que liga nossa alma a Cristo, e por meio de Cristo a Deus” (Mensagens Escolhidas, v. 1, p. 244).
Ele abriu mão de Suas vestes reais, da coroa de glória e de Sua posição de alto comando, Ele revestiu de humanidade Sua divindade. Veio ao encontro do ser humano onde ele estava.
Alguns pastores de ovelhas, um grupo marginalizado dentro do judaísmo oficial, foram avisados de seu nascimento. Estrangeiros foram guiados por uma estrela de anjos. Simeão, personagem semianônimo, figura quase esquecida dessas narrativas. Desafia aos cristãos de hoje ao declarar que vivia “esperando a consolação de Israel”. Lc 2.25
Enquanto a maioria das pessoas esperam assegurar a reputação, ter seu nome honrado, acumular riqueza, uma aposentadoria sem preocupações, ver a realização de um grande projeto. Simeão nutria expectativa diferente da maioria das pessoas. Sua prioridade na vida não estava ligada a nenhum sonho pessoal. Simeão tinha outra ambição. Ele vivia para ver aquilo que Deus realizaria. Algo novo, verdadeiro e infinitamente melhor e belo. Ele vivia para testemunhar a realização da promessa divina no Messias. Na cena do templo, ao ter o infante Jesus nos braços, ele pronuncia a famosa sentença: “Agora, Senhor, podes despedir em paz o teu servo, pois meus olhos viram a salvação.” (Lc 2:29).
APELO
Essas palavras entraram para a história do cristianismo como um hino. Elas soam no texto como um grito de libertação da expectativa de uma vida passada em função de uma esperança dominante.
O natal agora aponta para Seu retorno, a grande consolação do segundo advento. A questão é: Como tal esperança afeta, modifica e controla a vida, o comportamento, os valores, a ética e os meus interesses? Se o nascimento de Jesus não tem nenhum impacto na realidade concreta da minha vida, então não passa de uma piedosa ilusão.
Por isso apelo ao seu coração dizendo:
“Jesus nasceu em Belém, viveu na Judeia e novamente, na plenitude dos tempos voltará, portanto deixe Ele nascer em seu coração, transbordar em seu viver.”
