(Êx 40) A Presença de Deus enche o Tabernáculo

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A Morada de Deus
O Tabernáculo é a morada de Deus e também o caminho pra o próprio Deus. Ele é chamado de Tabernáculo e Tenda da Congregação. É importante saber não apenas que Deus está lá, mas que nós devemos entrar.
Esse último de Êxodo faz uma transição pra o Livro de Levítico. Em Levítico nós aprendemos como podemos nos aproximar de Deus, como podemos entrar na sua casa. Levítico responde a pergunta do Salmo 15.1 “Quem, Senhor, habitará no teu tabernáculo? Quem há de morar no teu santo monte?”
O Livro de Êxodo então termina com a glória de Deus enchendo o Tabernáculo, que é o cumprimento da promessa que Deus fez, de que habitaria no meio de seu povo. Mas isso não basta, porque Deus ainda deveria se envolver de maneira mais profunda com seu povo. O povo devia habitar com seu Deus.
Estrutura do Texto
Dos versos 1 à 16 Deus dá instruções a Moisés sobre como montar o Tabernáculo. Depois, dos versos 17 à 33 o texto a fiel e obediente implantação das instruções divinas por Moisés, e por Israel dos versos 35-39.
Os versos 2 e 17 dizem que “no primeiro dia do primeiro mês do ano” o Tabernáculo seria levantado. Esse primeiro mês do ano, chamado de mês de Abibe ou Nisã, era o mês em que se comemorava a festa da páscoa no dia 14 e dos pães asmos no dia 15, e comemora a saída do Egito, que foi um ano antes. Estamos aqui agora no início do segundo ano após a saída de Israel do Egito.
Vitor Hamilton: “Há pelo menos outro texto na Escritura em que o “primeiro dia do mês” é enfatizado. É o texto de Gênesis 8.13: “No primeiro dia do primeiro mês do ano seiscentos de Noé e no primeiro ano, a água secou na terra”. Gênesis 8.13 e Êxodo 40.2,17 apontam, respectivamente, para um novo começo para os pós-diluvianos que são salvos do dilúvio e para os israelitas, que são salvos de um déspota, Faraó. A vida de Noé vai da sua salvação para algo que ele constrói (um altar) para adorar a Deus. A vida de Israel vai da sua salvação para algo que ele constrói (um tabernáculo) para adorar a Deus.
Ryken: “Deus instruiu Moisés a armar o tabernáculo no aniversário do êxodo do Egito – exatamente um ano depois. Isso estabelecia um vínculo claro entre aquilo que acontecera no mar Vermelho e aquilo que aconteceu no tabernáculo. Armar o tabernáculo era a culminação de tudo o que Deus vinha fazendo desde o dia em que tirou seu povo do Egito.
A sequência da edificação
De dentro pra fora, Moisés deveria montar o tabernáculo; depois, instalar os utensílios do tabernáculo; em seguida, os utensílios da área externa; e, por fim, erguer a cerca em torno do perímetro (3-8).
Depois de armar o Tabernáculo, Moisés deveria ungir o Tabernáculo com óleo (9-11).
Depois Moisés teve de consagrar também os homens, Arão, o Sumo Sacerdote, e os outros sacerdotes (12-15).
Então Moisés levanta o Tabernáculo (18-19); coloca a Arca da Aliança no Santo dos santos (20-21); coloca os itens do Santo lugar (22-28); depois vai pra o lado de fora da tenta, e instalar os móveis daquela parte, o altar do holocausto (29) e em seguida a bacia de bronze (30-32). Então ele ergue a cerca em volta de todo o Tabernáculo (33).
Êxodo 40.33 “Levantou também o átrio ao redor do tabernáculo e do altar e pendurou o reposteiro da porta do átrio. Assim Moisés acabou a obra.”
A glória de Deus enche o Tabernáculo
Por fim, depois de cumprir cada parte exatamente como Deus havia ordenado, a presença de Deus, a Shekinah, desce do Monte Sinai para habitar no Tabernáculo.
F. B. Meyer: essa “luz brilhante de glória excedente, designada aqui como ‘a glória de Deus’, que – sem qualquer dúvida – era a Shekinah divina, brilhava de dentro do próprio tabernáculo, de modo que as cortinas foram transfiguradas por seu brilho e todo o lugar foi transfigurado e resplandecia com glória”.
Então algo inusitado acontece - por causa da presença de Deus no Tabernáculo, Moisés não pôde entrar lá.
Êxodo 40.34–35 “Então, a nuvem cobriu a tenda da congregação, e a glória do Senhor encheu o tabernáculo. Moisés não podia entrar na tenda da congregação, porque a nuvem permanecia sobre ela, e a glória do Senhor enchia o tabernáculo.”
Victo Hamilton: “Esta é a segunda vez em Êxodo que a presença de Deus impede alguém de entrar em um lugar. A primeira é quando Moisés transmite as informações sobre a Páscoa ao povo – “o SENHOR guardará a porta e não permitirá que o Destruidor entre na vossa casa para vos afligir” (12.23). Observe a similaridade no hebraico de 12.23: “não permitirá… entre” (wĕlōʾ yitteēn… lābōʾ ʾel) com o de 40.35: “não pode entrar” (wĕlōʾ-yākōl… lābōʾ ʾel). A glória de Deus é densa e poderosa para impedir a entrada do “Destruidor”, no capítulo 12, e de Moisés, no capítulo 40. Se o Destruidor tivesse passado pelo escudo protetor, os ocupantes das casas estariam condenados. Se Moisés tivesse passado pelo escudo protetor, Moisés estaria condenado. No capítulo 12, a salvação é para aqueles que estão dentro, olhando para fora. No capítulo 40, a salvação é para aqueles que estão fora, olhando para dentro.”
Então o que acontece é que o livro de Êxodo termina sem que a humanidade, Moisés, possa entrar na presença de Deus. De certo modo, o livro termina incompleto. Porque o objetivo de Deus não era estar ali no Tabernáculo como sua morada, mas que o Tabernáculo fosse a Tenda da Congregação, e o povo pudesse adentrar em seus átrios. Então o livro termina com um problema que deve ser resolvido. Por isso a necessidade de Levítico, que ensina como a humanidade pode entrar na presença de Deus. Então embora o Senhor habite a Tenda, o caminho ainda estava fechado até a sua presença. O jardim estava fechado (fazer referência ao Éden). Então temos aqui parte do cumprimento da promessa.
Êxodo 25.8 “E me farão um santuário, para que eu possa habitar no meio deles.”
Êxodo 29.45 “E habitarei no meio dos filhos de Israel e serei o seu Deus.”
Algo semelhante acontece na construção do Templo de Salomão:
1Reis 8.10–11 “Tendo os sacerdotes saído do santuário, uma nuvem encheu a Casa do Senhor, de tal sorte que os sacerdotes não puderam permanecer ali, para ministrar, por causa da nuvem, porque a glória do Senhor enchera a Casa do Senhor.”
Como Moisés poderia entrar ali? Antes, no Monte Sinai, Moisés pôde entrar na nuvem da presença de Deus, quando Deus o chamou:
Êxodo 24.15–18 “Tendo Moisés subido, uma nuvem cobriu o monte. E a glória do Senhor pousou sobre o monte Sinai, e a nuvem o cobriu por seis dias; ao sétimo dia, do meio da nuvem chamou o Senhor a Moisés. O aspecto da glória do Senhor era como um fogo consumidor no cimo do monte, aos olhos dos filhos de Israel. E Moisés, entrando pelo meio da nuvem, subiu ao monte; e lá permaneceu quarenta dias e quarenta noites.”
É exatamente assim que começa o livro de Levítico:
Levítico 1.1–2Chamou o Senhor a Moisés e, da tenda da congregação, lhe disse: Fala aos filhos de Israel e dize-lhes: Quando algum de vós trouxer oferta ao Senhor, trareis a vossa oferta de gado, de rebanho ou de gado miúdo.”
O que precisamos entender aqui no ápice dessa Revelação?! Deus é santíssimo, e o homem não pode habitar com as chamas eternas. Deus mesmo precisa resolver, e só ele pode resolver essa distância. Mesmo Moisés, o Mediador, não poderia fazer aquilo que só Deus podia. Então era necessário não apenas a orientação de Deus quanto à estrutura e a construção do Tabernáculo, mas também toda uma nova Revelação sobre reconciliação. Eles precisamos aprender como se aproximar de Deus. Deus providencia isso!
Então, o ponto alto do Livro de Êxodo era a glória do Tabernáculo, mas esse ainda não era o ponto alto da história da Redenção. Isso tudo era apenas um vislumbre do que Deus faria pelo seu povo, do que ele pretendia quando prometeu habitar conosco. Isso tudo era apenas um vislumbre de Cristo. Devemos relembrar como tudo isso aponta pra ele, de como o Êxodo conta a história dele:
Ryken: “Jesus é o Moisés da nossa salvação, o mediador que nos representa perante Deus. Jesus é o Cordeiro da nossa Páscoa, o sacrifício por nossos pecados. Jesus é o nosso caminho para fora do Egito, o libertador que nos batiza no mar de sua graça. Jesus é o nosso pão no deserto, o provedor que nos dá o que necessitamos no dia a dia. Jesus é nossa voz da montanha, que declara sua lei para nossa vida. Jesus é o altar do nosso holocausto, por meio do qual oferecemos louvor a Deus. Jesus é a luz do nosso candelabro, a fonte da nossa vida e luz. Jesus é a bacia da nossa purificação, o santificador da nossa alma. Jesus é o nosso grande Sumo Sacerdote, que ora por nós junto ao altar do incenso. E Jesus é o sangue na sede da misericórdia, a expiação que nos reconcilia com Deus. O grande Deus do êxodo nos salvou em Jesus Cristo. Ao chegar ao fim de Êxodo, vemos também que Jesus é a glória no tabernáculo. Isso foi assim desde o momento de sua concepção. A Bíblia ensina que o corpo físico de Jesus Cristo é a morada de Deus: “[...] aprouve a Deus que, nele, residisse toda a plenitude” (Cl 1.19). Já que a glória é um dos atributos essenciais de Deus, quando Deus fez sua plenitude residir em Jesus Cristo, sua glória desceu. A Bíblia diz: “E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos a sua glória, glória como do unigênito do Pai” (Jo 1.14). Jesus Cristo é o nosso tabernáculo, e como nosso tabernáculo ele está cheio da glória de Deus. Quando Deus, o Filho, veio para a terra na pessoa de Jesus Cristo, a glória de Deus desceu do céu. Como dizem as Escrituras: “Ele [...] é o resplendor da glória” (Hb 1.3a).”
A presença que acompanha
Vejamos como termina o livro:
Êxodo 40.36–38 “Quando a nuvem se levantava de sobre o tabernáculo, os filhos de Israel caminhavam avante, em todas as suas jornadas; se a nuvem, porém, não se levantava, não caminhavam, até ao dia em que ela se levantava. De dia, a nuvem do Senhor repousava sobre o tabernáculo, e, de noite, havia fogo nela, à vista de toda a casa de Israel, em todas as suas jornadas.”
O livro, apesar de terminar com uma tensão, termina com confiança, de que o povo vai peregrinar no desertor, mas Deus irá acompanhá-los até lá. Até Canaã. O objetivo de Deus não era apenas morrer na cruz por nossos pecados, mas se relacionar conosco. Assim, ele deu início a uma obra para levá-la até o final.
Filipenses 1.6 “Estou plenamente certo de que aquele que começou boa obra em vós há de completá-la até ao Dia de Cristo Jesus.”
Mateus 28.20 “...E eis que estou convosco todos os dias até à consumação do século.”
Peter Enns: “Nós também fomos libertos e estamos aguardando para chegar ao destino final. Nós, como os israelitas, alcançaremos nosso descanso. Nessa jornada, seguimos nosso santo Redentor, que nos guia até a Terra Prometida. Sim, não há nuvem sobre nossa cabeça, mas temos o Espírito de Cristo que habita em nós. Ele nos leva ao destino da nossa salvação com a mesma segurança com a qual a nuvem guiou os israelitas até seu destino final. O povo de Deus deve encontrar grande consolo nisso. O Deus do êxodo ainda está guiando. Deus está presente com seu povo aonde quer que vá, pois ele ainda o guia, não para Canaã, mas para uma “pátria superior, isto é, celestial”. (Hb 11.16).”
Um dia nosso Senhor Jesus voltará em glória sobre as nuvens do céu. Não precisaremos de Tabernáculo, porque seu Espírito encherá céus e terra, e toda terra estará cheia da sua glória, e Colossenses 3.4 “Quando Cristo, que é a nossa vida, se manifestar, então, vós também sereis manifestados com ele, em glória.” Espere o Senhor, clame pela sua vinda, e vida olhando pra esse dia.
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